AnarcoBlog

Anarquia, organizada em capítulos.

Christmas Letter.

December 25, 2009 Posted by Anarcoplayba | Sui Generis | | No Comments Yet

Gênesis.

Gênesis é um dos projetos mais interessantes que eu já vi nos quadrinhos desde a onda de adaptação dos clássicos na década de 80, quando adaptaram algumas o obras para a arte sequencial.

Pessoalmente, eu sou um grande fã de quadrinhos, assim como de punk rock, e o que eu digo é que tudo fica melhor em quadrinhos e em punk rock:

Crumb decidiu fazer uma adaptação de todo o gênesis para os quadrinhos e o resultado foi muito interessante.

Pessoalmente, eu não gosto muito de Crumb. Acho o traço muito caricato. As mulheres são irrealmente desproporcionais. Além disso, os traços são, na falta de definição melhor, “sujos”: rugas, pêlos, verrugas, etc.

Por outro lado, embora me desagrade, admito que os traços “sujos” são interessantes dentro do contexto: Ele está falando de uma história sendo contada num deserto, alguns bons milênios atrás. Presume-se que as pessoas fossem sujas.

Por outro lado, embora os traços de Crumb não me agradem muito, em alguns aspectos eu fiquei bizarramente surpreso.

Por partes, gente pra caralho me falou que ler a bíblia é algo bem relevante. O problema é que a bíblia foi bem mutilada. Notadamente por aquele bando de pervertidos que ficava nos mosteiros praticando a maior perversão: Abstinência sexual.

Ou seja, eles arrancaram coisa pra caralho do texto original, o que é uma merda, porque isso tira muito da dimensão original, o que as ilustrações de Crumb, por serem de um caráter sexual alto, conseguem recuperar.

Por exemplo, quando Abimelec olha pela janela e vê Isaac “se divertindo” com sua mulher Rebeca no jardim, sendo que ele disse que Rebeca era sua irmã e não esposa. Cáspita: “Viu ele se divertindo”. Isso é sexo! Plano e Simples!

Em dois momentos um patriarca chama um escravo, e diz pra ele: Coloque sua mão sob minha coxa e jure que vai fazer tal coisa. Coloque sua mão sob minha coxa o caralho: É pega no meu pau e faz o que eu tô mandando!

Em outro momento as filhas de Abrãao o embebedam e se deitam com ele. Ok, isso é incesto, o que é inaceitável na nossa sociedade. No entanto, em algumas sociedades matriarcais não passa nem perto de um tabu, porque a linhagem e o comando da família é dado pelas mulheres.

E nesse ponto, entra um aspecto interessante: é de conhecimento geral que em algum momento da história da humanidade, ela foi comandada pelas mulheres. Em algum momento, os homens inverteram isso.

Só que as pessoas pensam que “sempre foi assim”, quando não foi. Pior ainda: existem chances reais de que esse período matriarcal esteja mais próximo do que imaginamos. Não que as coisas fossem ser melhores se estivéssemos num matriarcado. Afinal, quem acha que mulheres são mais “justas” ou “boazinhas” nunca leu sobre Medéia.

É interessante ver como o momento no qual a humanidade se encontra dá a tônica de como ela enxerga o mundo, especialmente a visão de Deus.

O Deus do velho testamento não é o “nosso” Deus: é um produto de um momento cultural único da história da humanidade. É um deus que teme a humanidade (vide a torre de Babel e a expulsão do Éden), um Deus vingativo, um Deus que precisa de sacrifícios de animais mortos.

E mais: é um Deus que NUNCA afirmou ser o “Deus único”, mas sim “O Deus de Abraão”, o “Deus dos Judeus”, etc, etc.

No entanto, nós (e estou me situando num país católico de educação predominantemente cristã) fomos apresentados a Deus como se o Deus dos Judeus fosse o Deus único e os outros fossem “erros”, “mitos”, “enganos”, ou pior: “coisa do demônio”.

E nem cogitamos a hipótese de que o deus “ser humano grandão” que nos ensinaram não está conceitualmente errado. Achar que essa é a única resposta, no entanto, está.

Porque o nosso conceito de Deus é dado em uma função direta de nosso caráter humano.

E o mundo precisa de deuses melhores.

December 21, 2009 Posted by Anarcoplayba | Crítica | | 17 Comments

Apenas para desmentir possíveis elocubrações a respeito da falta de post.

1) Quanto mais sexo, menos posts, é uma relação direta. No entanto, não existe a relação quanto menos posts mais sexo. Infelizmente.

2) Tou fodido de coisa pra fazer e arrumar pra (tentar) aproveitar decentemente minha semana de folga no natal. Planos: Cruzeiro, Caraguá, Caçapava e Almoço de Natal Malandricus. Levando em conta que esse itinerário envolve mais de 600 km de deslocamento e uma SERRA, acho que estou sendo otimista.

3) Assunto pra post tem. Só falta organizar as idéias e colocar no wordpress.

December 18, 2009 Posted by Anarcoplayba | Sui Generis | | 5 Comments

Sobre Lua Nova, Homens, a Vida e Tudo o Mais.

Okey, acabei de assistir “Lua Nova” (ou “Crepúsculo II”), e gostaria aqui de abertamente falar que é uma merda. Me deu vontade de assistir de novo Crepúsculo pra saber se também é ruim assim e eu que não percebi.

Bom, fazendo uma análise do filme (onde provavelmente vai ficar claro por que eu não gostei dele), Lua Nova é a continuação de Crepúsculo e, como em Crepúsculo, vampiros, lobisomens, etc. são nada além de um pano de fundo para uma metáfora sobre o crescimento, contada na forma de um conto de fadas para tweens (os nossos pré-adolescentes).

Só que dessa vez, ao invés de o foco ser a sensação de inadequação e a busca pelo príncipe encantado, se trata mais de uma questão e crescimento, notadamente do crescimento masculino e escolhas.

O filme, basicamente, é a narração da vida da Bella que, depois de tomar uma bota do Vampirinho Emo que fugiu pra Europa, descobre que quando está em perigo o Vampirinho aparece na forma de uma projeção psíquica ou coisa que o valha.

O que ela passa a fazer? Encontrar situações de risco pra ver ele mais vezes.

Okey, primeira metáfora: A mina toma um pé na bunda, e quer ver o ex-namorado pra matar a saudades. O que ela faz pra conseguir isso? Coisas idiotas, como sair com um desconhecido, pular de um penhasco, correr de moto, sair com o ex pra jantar, ir assistir um filme na casa dele tomando vinho, etc.

Ok, eu misturei algumas coisas, mas é mais ou menos isso: Ela quer matar as saudades, mas é perigoso, ela pode sofrer… Yet, ela se arrisca.

Além disso, temos ainda o Lobinho, que é um garoto, aparentemente dois anos mais novo que ela, e que ela usa para esquecer o vampirinho emo, fazendo dele seu “melhor amigo”.

Admito, é legal ver o lobinho crescendo porque, pra mim, é uma metáfora para o crescimento masculino.

Acredito que todo homem já tomou um (ou mais de um) “Eu gosto de você como amigo” e mulheres, é sério: isso é o troço que mais dói na vida de um homem.

Não é só uma bota. Bota é manejável. Acontece.

“Eu gosto de você como amigo” é, basicamente, citando o grande filósofo Massaranduba, uma ofensa à masculinidade. É receber oficialmente o título de “ursinho de pelúcia” da menina. É ela reconhecer que você não toca o apelo sexual dela em momento algum.

E chega a ser pior: Não é meramente “não atrair”: é afastar. Se fosse indiferente, ela poderia até ficar com você numas de “Ah, por quê não?”. Se ela gosta de você como amigo, e não quer ficar com você, significa que alguma coisa ainda por cima a afasta.

E isso é um dos pontos mais importantes do amadurecimento masculino: você ser reconhecido como homem, não como menino, pelas mulheres.

Não, isso não significa ser desejado por todas, mas significa ser reconhecido como tal, de forma que elas não te considerem um amigo viadinho. É ser quente ou frio, nunca indiferente. É não ser “bonzinho”.

Por outro lado, é legal ver a relação de contraste entre o Vampiro e o Lobisomem.

O Vampiro é mais velho, vive pela Bella, faria tudo por ela, não tem motivo nenhum além dela para viver, morreria por ela, e só foge porque “é melhor para ela”.

O Lobisomem é mais novo, apaixonado, mas não consegue sair da friend zone, tem compromissos dos quais não pode escapar, e faz o que quer, sem ligar muito para o que a Bella pensa.

Dentro da mística hollywoodiana (e possivelmente do senso comum), o Vampiro é o homem perfeito para a Bella, faz tudo o que ela quer, gosta de poesia, é rico, filho de médicos, tem um carrão, se veste bem, é educado, e até morreria por ela.

Já o Lobisomem não: ele é mais novo, meio imaturo, faz lutinha com os amigos, é impulsivo, ciumento, mora num ferro velho, o pai é um índio pobre, anda por aí sem camisa e valoriza primeiro os amigos, depois a paixonite, e tem coisas mais importantes para fazer do que pular de cabeça num relacionamento monogâmico.

Existem cenas emblemáticas a esse respeito, como por exemplo quando ela sugere fugir com o lobinho ele fala “Eu adoraria fugir com você. Mas tenho meus deveres.”

E nesse aspecto, é por isso que eu sou Team Jacob: O Jacob é um homem, tem existência própria, ao contrário do Edward, tem uma existência dependente da Bella.

Não é que o Lobinho não goste da Bella. Ele gosta, sofre, se desespera, perde o controle, tem ciúmes. Mas primeiro, tem honra, palavra, compromisso e uma missão.

Aí vem o grande ponto, que provavelmente é o que me deixou puto com Lua Nova: é uma puta propaganda pró homenzinhos dependentes. O Vampirinho Emo faria tudo por ela. E ela escolheu ele.

Bom, na vida real, as coisas não são tão simples assim.

Quer a prova? Os inúmeros e recorrentes comentários (a maior parte das vezes femininos) falando que as mulheres gostam é dos cafas, de quem não liga pra elas, etc.

Gente, vamos deixar uma coisa clara: isso é uma generalização BURRA: quem fala isso está tomando consequência por causa. Mulheres não gostam de cafas porque eles são cafas: Mulheres gostam de cafas porque os cafas valorizam, em primeiro lugar, os próprios interesses.

Os Cafas têm objetivos. E trabalham por esses objetivos. Custe o que custar. Os Cafas têm personalidade forte. Não se sujeitam a coisas que não querem. O comportamento padrão do Cafa é: Se ela não quiser, não tem problemas: tem um monte de mulher no mundo.

E nesse ponto, vale lembrar: As pessoas adoram buscar uma figura de autoridade externa para obter aprovação. Os grandes líderes, basicamente faziam isso: julgavam e davam prêmios e punições.

Dois exemplos extremos: Hitler e Jesus. Ambos davam um parâmetro da comportamento a ser seguido para ganhar prêmios ou sofrer punições.

E é interessante pensar que a gente procura líderes pra nos dar tapinhas nas costas porque a gente é inseguro demais pra saber quem a gente é. Afinal, se eu sei que eu sou bom, não preciso de alguém me falando que eu sou bom. Se eu sei quem eu sou, não preciso de gente me aplaudindo.

Por outro lado, não estou falando em distribuir punições, de trata mal os outros, humilhando quem estiver ao seu redor para ser admirado. Se trata meramente de deixar bem claro quem você é e o que você quer, comportando-se coerentemente.

Não vou ser inocente e falar que tratar mal não funciona. Funciona sim, vide a Síndrome de Estocolmo nos Relacionamentos Afetivos aqui, aqui e aqui. Mas não é necessário. O importante é você ser fiel a você mesmo. Ter princípios. Traçar a linhazinha de areia no chão e falar: até aí você vem, daí pra cá, quem manda sou eu.

Eu acredito que até mesmo, se você conseguir chegar num nível de auto-conhecimento e segurança invejável, você pode espalhar perdões para quem erra com você. Mas tem dois detalhes: Você perdoa quem erra com você, não quem te agride. E para perdoar, você precisa primeiro ser independente, porque perdoar por falta de opção não é perdão, é sujeição.

E eu ia falar que quem vive em função de mulher vira capacho, mas seria um erro: quem vive em função dos outros vira capacho. Quer seja em função de mulher, família, amigos ou chefes.

December 13, 2009 Posted by Anarcoplayba | Crítica | | 15 Comments

Eu quero mais vida, Pai!

Amigo, caro amigo… claro que é você.

Quem mais leria isso? Quem mais se importaria? Eu sei que são duas da manhã e que provavelmente você vai ler isso de manhã, chegando cedo no escritório para trabalhar e ser produtivo, e eu sei que isso vai soar absurdo, e insano, e delirante, e louco, mas por favor, acredite que não é loucura.

Por favor, FAÇA ACREDITAR que isso não é loucura, nem delírio, nem um freak out, porque isso não é um freak out.

Há anos eu venho tentando encontrar o que eu quero da minha vida, sem conseguir encontrar uma resposta. Eu procuro sexo, encontro sexo, mas não me sinto satisfeito. Procuro afeto, encontro afeto, mas nao me sinto satisfeito. Procuro amizade, encontro amizade, mas não me sinto satisfeito. Procuro diversão, encontro diversão, mas não me sinto satisfeito.

E eu vou tentando, refrescando minha caixa de mensagens, relogando meu msn, escrevendo novos posts, torcendo pra, se eu repetir tempo o suficiente coisas legais, o spalla do meu armário calar o instrumento.

Mas não vai.

Eu sei que não vai, eu sei que não vou conseguir paz na paz porque paz não é resposta!

Paz desprovida de sentido não é paz, é estagnação. Paz sem uma missão é um passatempo. Dois biscoitos de baunilha intercalados por uma camada de chocolate. Duas camadas de falta de sabor intercaladas por um clichê.

E não é isso que eu quero, por deus, não é isso.

Eu preciso queimar. Queimar de dentro pra fora. Por deus. São duas e quarenta e cinco da manhã e tudo o que eu queria era estar causando numa balada e estar desafiando o mundo, e estar quebrando paradigmas e estar mostrando pro mundo que as regras sociais que eles acham que vão protegê-los não protegem nada de ninguém.

Eu quero olhar para um grupo de cinco boyzinhos pagando de machões e pensar: “Eu preciso de dez segundos pra cegar dois deles, e quinze pro segurança separar a briga.”

Eu queria estar mostrando que nosso verniz de civilização não deixou nossos olhos mais brilhantes, nossa pele mais sensível, nossas mãos mais destras. Não, não tornou! Ao contrário! A gente cria um joguinho social de expectativas e esperanças e finge que isso é viver!

E nessas horas eu entendo que eu estou aqui, com saudades de todas as artes marciais que eu pratiquei porque tudo o que eu queria era uma interação social de verdade! Tudo o que eu queria era um “preparem-se, cumprimentem-se, lutem!”

Porque, deus… A vida é tão mais vida no bater de carne, ossos e sangue. Não existe “quero, mas não posso”, “O que vão pensar de mim?”, “Ai, será que meu chefe vai ler esse post?”, “O que meu namorado vai achar?”, “Será que eu vou casar com ela?”

Num chiai-jô não existe prazo, salário, trabalho, carro, parcela de financiamento, aluguel, roupa, nome de família, apartamento.

Não!!! Existe corpo, mente e espírito! Meu corpo é mais forte ou mais fraco? Minha mente é mais forte ou mais fraca? Meu espírito é mais forte ou mais fraco?

Você não é seu carro, não é sua conta bancária, não e seu nome de família, não é seu blog, não é seu trabalho, não é sua calça cáki, não é seu câncer de intestino.

Tudo o que você usa para ser “especial” é merda e não serve pra nada. Eu tô aqui, nesse parquinho de merda, mas eu sei que eu sou demente. Você? Hoje você tá aí, todo executivo, saco depilado… aí vem um filho da puta e pá! TE METE BALA!

Dizem que todo barulho é relativo ao silêncio que o precede.

E dentro em breve o mundo vai gritar.

Breve. Muito em breve.

December 11, 2009 Posted by Anarcoplayba | Projeto Insanidade | | 6 Comments

Sobre Percepção e Ego.

Ok, recentemente, no Blog do Fábio Hernandez (link do lado, é o do “Homem Sincero”) o grande tema foi sobre “sinais” de que uma bota se aproxima no horizonte.

Quem me conhece sabe que esse tema (sinais, não botas no horizonte) me fascina.

Primeiro porque minha insegurança crônica faz com que eu mantenha meu radarzinho alerta o tempo todo.

Segundo porque cara… É REALMENTE divertido. Eu ADORO prestar atenção nos trejeitos, atos, maneirismos, atos-falhos e sinais que as pessoas emitem o tempo todo.

Terceiro, porque é útil pra caralho. Mais de uma vez peguei mulheres por causa disso. Cheguei até a ajudar alguns amigos. Se eu ganhasse uma tequila cada vez que eu disse “Ei, às suas três horas, dois metros e meio de distância: morena, um metro e setenta e cinco, sessenta e cinco quilos, calça jeans, blusinha verde e pingente de lua, vai na fé que ela tá afim” eu teria terminado muito mais baladas muito mais bêbado.

Uma parte interessante disso é que você, como em quase todo o aprendizado, vai somando camadas de complexidade à análise.

No começo você observa o grosseiro: braços, pernas, posição de tronco e cabeça, boca, etc. Dicas óbvias, que qualquer um que tenha lido alguma coisa sobre body language um dia entende. Quero, não quero, desejo, não desejo, me agrada, me desagrada, concordo, discordo.

Aí você começa a prestar atenção nas pequenas coisas. Começa a sintonia fina: Você começa a somar os elementos e procurar a resultante dos vetores: Quero, mas não posso; Devo, mas não desejo; Discordo, mas me sujeito. Ainda nesse sentido, entram os sinais mais sutis: pupilas dilatadas ou contraídas, respiração mais ou menos profunda, respiração mais ou menos rápida, dinâmica do sorriso, movimento dos globos oculares, etc. Coisas que quem estudou Neurolinguística começa a entender.

Mas no final, a coisa fica estranha: você começa a simplesmente intuir. Você sabe que tem algo errado, mas não sabe por quê.

É aquela coisa que você entende com o canto do cérebro, que você vê com o canto dos olhos: um approach direto torna os detalhes invisíveis. É aquela história sobre Heisenberg e a Sua Mãe: Se você olhar de frente, você não vai conseguir ver nada.

É alguém tocando violino dentro do armário. Tem algo errado, mas não é nada aparente!

Você precisa ver sem olhar.

Porém, descobri essa semana (andando pela rua, pensando em comprar um par de sapatos e no sentido da vida) que existe MAIS UM problema na percepção do mundo.

Sim, mais um.

Não bastasse você não poder perguntar (porque a única coisa que alguém que pergunta descobre é aquilo que querem que ele saiba), não bastasse o fato de que você meramente observar influencia o comportamento da partícula, existe um terceiro elemento que fode tudo: o Ego (que como eu já disse, é como um pinto: se uma mulher acaricia, ele fica grande e fode tudo).

Raramente somos observadores imparciais. Nossos desejos influenciam muito nas nossas observações.

O seu cérebro não foi feito para ser imparcial. Alguns estudos (e eu não tô com saco de linkar Edit: Não tem lik, duh, eu li no “O Auto Engano”, do Gianetti) falam que em um grupo de pessoas que foram divididas de acordo com suas opiniões a respeito de assuntos polêmicos (favoráveis e contrários, por exemplo, ao aborto, pena de morte, eutanásia, etc.) foram expostos a grupos de argumentos contrários às suas crenças, em uma média de três argumentos coerentes e um absurdo.

Por exemplo, a respeito do aborto, sugeriram pra um grupo contrário ao aborto que: 1) a mulher tem o direito de escolha; 2) a proibição gera abortos clandestinos; 3) existem casos em que a vida da mãe está em risco; e 4) é uma forma de controle populacional de etnias indesejadas.

Resultado do experimento: as pessoas ficaram o tempo todo discutindo o argumento absurdo, e simplesmente “esqueceram” de ver os argumentos razoáveis.

Isso faz todo o sentido do mundo: Que me perdoem os poetas, mas somos todos descendentes de soldados. Desde antes de assumirmos a alcunha de “Homo Sapiens Sapiens“, nossos antepassados tinham como grande preocupação procriar e comer. Pra isso eles exterminavam outras tribos (“So bye, bye, dear neanderthais, stuck a spear into your spleen, and then I saw your kids die, and good homo sapiens started banging your wife, singing soon there’s gonna be just one tribe, soon there’s gonna be just one tribe…”) e pegavam os espólios.

E convenhamos: ficar em dúvida, pensando na legitimidade de se matar uma tribo e estuprar suas mulheres, não ajuda muito. A natureza não premia coisas boas: ela premia coisas eficientes. Se você quer um mundo com coisas boas,seja eficiente protegendo-as.

Nossos cérebros foram formados para satisfazer nossas necessidades biológicas básicas. O que te agrada, você guarda. O que te desagrada, você esquece.

E hoje carregamos essa ferramenta, que talvez, não seja mais a mais apropriada para a civilização e que nos leva a simplesmente ignorar alguns elementos, porque a realidade não é o que a gente gosta.

Por isso, muitas vezes alguns elementos que nos guiariam na decisão correta passam batido.

Mas não é só isso.

Por enquanto, falamos do seu cérebro filtrando informações. Mas isso é um passivo recuperável. Falando sério. Dá mesmo. Precisa de treino, mas dá. Com o passar do tempo, você desliga o filtro e passa a captar também os sinais ruins, apesar do seu cérebro não ajudar.

Mas aí vem a última barreira: Ego.

De repente, você começa a perceber quase que claramente tudo. Mas não quer que a realidade seja aquela.

Você vê, mas se ofusca, deliberadamente, fugindo da realidade. Se esconde no seu mundinho de fantasia. Usando o texto do Fábio: Ela me deu uma bota, mas ela vai voltar…

Não, não vai. Aceite. Você está vendo que ela não vai voltar. Você enxerga em todos os trejeitos, em todos os sorrisos travados, em todas fugas de olhares, em todo o constrangimento de como ocupar o espaço. É claro e cristalino. Você só tem que se esvaziar de Ego e aceitar.

A vovó está com câncer, mas vai sobreviver.

Não vai. Você sabe. Ela não quer sobreviver. Ela quer descansar. Faça as pazes e deixe-a ir em paz.

Pare de tentar sobrepor seu ego ao mundo. Se você quer enxergar o mundo, o primeiro passo é deixar de ser um menininho mimado que chora porque quer aquela namorada que você nem amava tanto assim.

Pára de ser moleque, coloca a roupa preta, e sobe o morro. Mas sobe armado, parceiro. Na calma, na paz, na tranquilidade. Sem correria. Olhou, fatiou, passou. Faz o seu que vai dar tudo certo.

December 10, 2009 Posted by Anarcoplayba | Sui Generis | | 6 Comments

Sobre Crepúsculo, Mulheres, a Vida e Tudo o Mais.

Atendendo a pedidos, e retomando a onda de posts longos e após um final de semana de dor de cotovelo (que eu bati nos dentes de um amigo que tentou quebrar meu braço depois), gostaria de aproveitar a onda “Lua Nova/Crepúsculo” pra explicar como a Stephanie Meyer pode te ajudar com as mulheres, na vida e tudo o mais.

Parêntesis:

Gostaria de informar que 50% desse post vem daqui e de uma conversa com o Rípper, de forma que, como sói ocorrer, eu não sou nem metade criativo quanto vocês pensam.

Também gostaria de informar que esse post será escrito paralelamente ao consumo de uma garrafa de vinho que restou do meu sábado (promete, viu?).

Fecha Parentêsis.

Bom, em primeiro lugar, a respeito de Crepúsculo, vamos situar a obra, citando o Rípper que tão bem definiu Crepúsculo: É um filme dirigido por uma mulher, cujo roteiro foi escrito por uma mulher, baseado no livro scrito por uma mulher e cuja diretora de fotografia é uma mulher. Ou seja, é um filme de vampiro feito por mulheres.

Porém, não é apenas um filme feito por mulheres e para mulheres: é um filme feito por mulheres com foco em um mercado bem definido: mulheres pré-adolescentes.

Ok, por partes: “Eles” (e por “Eles” entendam os fabricantes de bens de consumo) estão procurando encontrar cada vez mais nichos de mercado específicos para direcionar os esforços mercadológicos. Uma propaganda, um carro, um filme, nada disso tem que agradar todo mundo: tem que agradar um nicho de mercado.

Crepúsculo alcança o público pré-adolescente (podia jurar que eu já vi o termo “keen” – Kids + Teens – em algum lugar) pois esse é um público que embora esteja acordando para o consumo próprio (gastando a própria mesada) ainda não atingiu a maturidade sexual.

Portanto, o que crepúsculo é? Um filme de Vampiros Celibatários.

Primeiro: qual o TOP da sexualidade do filme: Beijo na boca.

Sério: toda a cena de beijo poderia ser substituída por uma cena de sexo. Eles só se beijam sozinhos (no quarto, no bosque, nas colinas, sempre em um momento propício), como se esse fosse o grande prazer proibido da vida. E, convenhamos, para crianças de 10/12 anos, é. (Pelo menos no meu tempo era).

E a isso soma-se um outro detalhe: Os EUA gastam cerca de 1 bilhão por ano com educação sexual voltada especificamente para o celibato.

E qual o mais próximo de uma cena de sexo em Crepúsculo?

Bella e Edward no quarto, se pegando, ele em cima dela… perto do pescoço… e ele pula fora falando “Não, se eu perder o controle posso te machucar…”

Aw, come on! Depois EU que sou o capitão óbvio!

Percebam: é um filme FEITO para que os pais deixem os filhos pivetes verem.

Ainda nesse aspecto, isso é só metade do motivo pelo qual Crepúsculo fez sucesso.

Crepúsculo toca em um ponto que é genial: ele tem muito dos elementos dos contos de fadas, que nada mais são que, em geral, alegorias para o crescimento.

Ok, primeiro a Bella sai da casa em que ela morava e vai parar num subúrbio estranho e chuvoso onde ela se sente uma estranha e diferente de todo mundo. Patinho Feio pra vocês.

Mas não, ela é especial, afinal, dentre todas as meninas do baile (ops, escola) o “príncipe” escolhe logo ela. Cinderela pra vocês.

E olha que bizarro: o vampirinho é exatamente isso: um cavaleiro numa armadura brilhante! Cáspita ele brilha no sol!

E nesse aspecto entramos no único ponto que REALMENTE me irrita em crepúsculo: é óbvio ao extremo.

O cavaleiro em armadura brilhante brilha no sol.

Na cena do laboratório, em um dos takes, deram pra ele asinhas de anjo.

Mais pra perto do fim, quando ela está fugindo da cidade, eles têm que fazer a porra do take com ela olhando pra tudo e “deixando o passado e os amigos pra trás”.

Meu, tá certo… é filme pra criança, mas estamos falando de crianças, não de idiotas!

Ainda falando sobre o filme, embora eu não tenha visto Lua Nova, ponto digno de nota: a menina toma uma bota do vampirinho emo, que vive séculos, gosta de artes, cultura, etc… e quem vai consolá-la? O Lobisomem índio, que sai de rolê com os brothers, gosta de cerveja e futebol. Não sei quanto a vocês (e nem sei como o livro continua) mas isso pra mim é muito coisa de aceitar as diferenças entre os sexos.

Por isso que eu sou team Jacob!

***

Ok… agora onde Crepúsculo pode ajudar você com mulheres (e não estou falando de catar fãs do livro/filme).

A Pati falou alguns textos atrás que mulher não gosta de dinheiro: mulher gosta é de Poder.

Ok, é uma definição interessante, mas possui dois problemas:

1) É uma definição que depende de um termo a ser definido: o que é Poder?

2) Não se discutem fatos com argumentos.

Primeiro: o que é ter Poder? Ter Poder é ser seguro de si? Não, não é. Insegurança, por sinal, às vezes leva ao poder por um sistema de super-compensação: eu sou inseguro, portanto eu busco acumular Poder para que ninguém me ameace.

Dinheiro? Dinheiro é um aspecto de Poder. Caras ricos catam gostosas… Mas caras não-ricos também.

Inteligência? Pffffff… Nerds. Isso resume tudo.

Poderíamos dar inúmeros fatores a respeito disso, mas eu prefiro ir para a minha definição final de Poder: Poder é a capacidade de controlar o mundo ao seu redor. Se você controla muito o mundo ou se você controla um espectro amplo e extenso do mundo, você tem poder.

Há pessoas que têm poder intelectual, poder financeiro, poder estético, etc. De onde tiramos: Se existem vários aspectos de Poder, existem vários tipos de mulheres que gostam de diferentes aspectos de Poder.

Existem mulheres que querem um cara gostoso. Existem mulheres que querem um cara inteligente. Existem mulheres que querem um cara carismático. Existem mulheres que querem um cara rico.

O truque? Assim como crepúsculo, tenha seu mercado. Joga um micareteiro na Vila Olímpia, um Boyzinho no Vegas e um Muderno numa micareta. As chances deles zerarem são altas. Mas cada um no seu nicho? Bingo! Todos saem felizes: você casou a oferta certa com o mercado certo.

Em segundo lugar: não se discutem fatos com argumentos.

Nem toda mulher gosta de Poder. Tem mulher que prefere o papel de pólo ativo da relação. De mandar. Sem problema. Tá tudo certo, contanto que você case oferta com mercado.

E, por outro lado, digo mais: existe mulher que se sente incomodada com Poder. Se sente insegura. É mais ou menos algo do tipo: ele cata quem ele quiser… se eu ficar com ele, vou colecionar mais chifre que qualquer outra coisa, portanto, não fico com ele.

Ele é bom pra uma trepada, mas não confio.

Isso porque sedução é um binômio Desejo x Segurança: Poder Gera Desejo mas não gera, de per si, segurança.

***

E onde tudo isso pode ajudar na sua vida?

Qual o seu nicho? Qual a sua profissão? O que você faz que te distingue dos outros?

Existem dezenas de bandas por aí que tocam melhor que os Beatles, Stones, Metallica, etc.

Eu nem duvidaria que algumas bandas covers são melhores que as originais. Mas por que elas não fazem sucesso?

Porque não têm personalidade. Porque não têm gosto. Porque não têm tempero. Porque são uma cópia de alguém que encontrou um nicho. Bandas boas são bandas com personalidade.

Quer fazer sucesso? Encontre um nicho com demanda reprimida e faça a oferta correta. Seja útil.

Útil é aquele que serve a algo ou alguém. Você serve a algo ou alguém?

Ou é fútil como um ronin?

December 8, 2009 Posted by Anarcoplayba | Crítica | | 7 Comments

Diálogos Imaginários.

Já parou para pensar que talvez tenham te ensinado a religião errada?

Sim, isso mesmo, a religião errada. Te levaram aos templos errados, te ensinaram a cosmogonia errada, a teogonia errada e as orações erradas?

Lembra do Toby, seu cocker spaniel quando você tinha 7 anos? Sabe quando ele ficou doente e morreu? Já parou pra pensar que ele morreu porque você rezou pro deus errado? Ou que você rezou da forma errada?

Sim, porque se você reza com palavras, como as pessoas surdas-mudas rezam?

Já parou para pensar que talvez você tenha aprendido com alguém que aprendeu de alguém que aprendeu de alguém que aprendeu de alguém que não sabia o que ensinar?

E a culpa é de quem? Do cego que guia ou do cego que segue?

December 5, 2009 Posted by Anarcoplayba | Projeto Ficção | | 2 Comments