Breve Retrospectiva de um Ano que Deixou um Gosto de Rola na Boca.
Todos sabem que a gente tem uma mania total, completa e irrestrita de discordar de tudo. Eu não gosto de cachaça, alguns malandricci a idolatram. Eu adoro Guinnes o Stein odeia. Eu como salada por obrigação, o Stein curte. Eu detesto micareta o Stein odeia raves. Até nos ódios a gente discorda. Nos últimos anos as retrospectivas foram igualmente divergentes. Por isso paro aqui pra falar um pouco do meu ano. 2007 foi um ano de merda. Não como 2004. Um pouco pior. Foi o ano que hospedou o pior dia da minha vida, o ano em que meu pai morreu, o ano em que eu tive mais lesões, o ano em que eu tive tretas homéricas com namorada, o ano em que nasceram aliens na minha cara. E pelo visto vou ter que operar. Tentei dar passos maiores que a perna e consegui apenas caminhar torto. Treinei Kumdo, peguei a faixa preta, sou instrutor… mas com uma técnica sofrível. Ia cometer o mesmo erro com o hapkido, mas parei antes. Não foi um ano com as melhores baladas da minha vida. Não foi um ano com grandes diversões. A bem da verdade, foi um ano de pequenas alegrias e grandes tragédias pra mim. Me dediquei demais às artes marciais e não colhi frutos para compensar o sofrimento. Me dediquei pouco à carreira de advogado. Foi razoável em termos de escrita. O balanço final, em tese foi de mais traumas do que de lucros. Bom, isso seria o suficiente pra eu parar por aqui, fechar o balanço e desencanar. 2007 foi um ano de prejuízos, bola pra frente e vamos tentar melhorar em 2008, como sempre acontece. Contudo, sempre há um porém. O prejuízo que eu sofri foi ilusório. Ou, ao menos, inflacionado. Ok… meu pai faleceu. Isso é uma coisa ruim, de fato. Mas é a vida. Pessoas nascem, crescem, têm filhos (ou não) e morrem. Não é fácil aceitar, mas estamos todos inexoravelmente caminhando para os nossos túmulos… e alguns param a caminhada antes da gente… outros vão continuar muito depois de nós pararmos. Essas tragédias fazem parte da sua vida, e são elas que moldam o seu caráter. E, embora soe estranho, e não pretendo me alongar sobre esse assunto num blog, a perda do meu pai foi uma perda maior, inflacionada por um único motivo: só esse ano, só aos 25 anos de idade, eu compreendi o meu pai e aceitei o “porquê” de todas as coisas. Meu pai faleceu meio mês depois de eu ter tido um insight que mudou minha vida. E no dia do meu aniversário. Se eu não tivesse refletido sobre a situação eu teria sofrido muito menos. Mas ter finalmente superado uma série de traumas valeu cada grama de dor. Por outro lado, foi um ano em que eu tive tretas homéricas com namorada. Mas o que eu posso falar a respeito? Eu namorei! Em se tratando de mim, isso é algo raro! Minhas lesões? Oras… eu treinei cerca de 15 horas por semana, todas as semanas. É óbvio que meu corpo ia cobrar um preço. Eu não estou tão bem treinado como eu estava em junho… mas estou muito melhor do que estava em janeiro, apesar de tudo. Tentaram roubar meu carro? Oras, eu comprei um carro. Pra mim, 2007 foi um ano de grandes prejuízos porque eu tive grandes lucros. Qual o resultado contábil? Não sei dizer. A gente, infelizmente, não tem uma conta corrente de dor e prazer. As coisas têm valores diferentes em momentos diferentes. Quando eu estava sozinho, no meio do mato, tentando colocar as rodas do meu carro, com um bandido por perto e “armado” com uma faca, eu me senti muito mal. Foi o pior dia da minha vida. Hoje eu olho praquilo e sei que foi um puta dum aprendizado sobre a condição humana. Pode até ter sido um aprendizado ruim, talvez errado. Talvez minhas conclusões tenham sido nihilistas demais. E sem dúvida era um dia que se eu pudesse escolher ter ou não, eu não teria vivido. Porém aconteceu. E no final, um ano com grandes desafios, que se concluem em grandes tragédias, é melhor que um ano “legítimo” de 50% + 1. E pensando nisso, pensando que a gente vive um dia de cada vez e envelhece um inverno por ano. Pensando que a vida não é uma obrigação de resultado, mas sim de comportamento. Que “malandragem de verdade é viver” e que malandricagem de verdade é competir. Eu gostaria de agradecer a todos pelo 2007 que passou. Invariavelmente foi um ano de merda, e que deixou um gosto de rola na boca. Mas poder enfrentar o mundo ao lado de todos vocês, meus amigos, foi um privilégio inconcebível. É uma honra viver aos seus lados. E será uma honra morrer aos seus lados. May god bless you and keep you always Forever young May you grow up to be righteous Forever young May your hands always be busy Forever young
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
And may you stay
Forever young
Forever young
May you stay
Forever young
May you grow up to be true
May you always know the truth
And see the lights surrounding you
May you always be courageous
Stand up right and be strong
And may you stay
Forever young
Forever young
May you stay
Forever young
May your feet always be swift
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift
May your heart always be joyful
May your song always be sung
May you stay
Forever young
Forever young
May you stay
Forever young
Gostei muito desse post e seu blog é muito interessante, vou passar por aqui sempre =) Depois dá uma passada lá no meu site, que é sobre o CresceNet, espero que goste. O endereço dele é http://www.provedorcrescenet.com . Um abraço.
Comment by CresceNet | December 30, 2007 |
Mto bom! sabe que eu tbm parei para pensar lendo o que vc escreveu…
Comment by Anonymous | December 30, 2007 |
Feliz ano novo guys
Comment by Rebs | January 3, 2008 |
“Ano novo, buça nova”.
Comment by Sil S. | January 7, 2008 |
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