Síndrome de Estocolmo e Relacionamentos Afetivos – Cap. III May 23, 2009
Posted by Anarcoplayba in O Método Anarcoplayba de Defesa Pessoal Social, Uncategorized.trackback
Ok… ora do último post dessa série de textos, que vai servir pra explicar tudo, ou ser um anticlímax terrível (porque escrever muito pra ninguém achar relevante o texto é uma merda).
No capítulo um explicamos o conceito básico da síndrome de estocolmo e da lavagem cerebral: crie uma necessidade artificial; sacie-a e torne-se a figura paterna da vítima.
Vimos que esse sistema faz uso de tortura, privação sensorial, pressão psicológica, dor e drogas e que, sendo uma ferramenta tão brutal e direta, só é aceitável (se o for) em tempos de guerra, e tendo os inimigos como vítimas (demos até a tese jurídica pra justificar isso).
No capítulo dois encontramos uma forma mais sutil de utilizar a síndrome de estocolmo e a lavagem cerebral: utilize o choque e a dor causados por um elemento externo: desastres naturais, guerras, epidemias, ataques terroristas, e até mesmo crimes bárbaros.
Hoje eu quero acrescentar um último elemento, e tentar falar de onde saiu tudo isso e pra onde vai.
Esse terceiro elemento é a maravilhosa máquina biológica que você chama de corpo.
Seu corpo é basicamente uma máquina de se adaptar: ele se acostuma a virtualmente qualquer coisa. Dois exemplos: musculação e dirigir.
Criar músculos é acostumar sua musculatura a esforço. Pergunte pra um profissional de educação física o quanto é importante você mudar o seu treino.
Dirigir é a mesma coisa… quando você começa, você mal consegue passar a marcha e virar uma esquina. Depois você está dirigindo bêbado, falando no celular, passando marcha, ganhando um boquete e batendo o carro, tudo isso ao mesmo tempo!
Mas o ponto é que você não apenas se acostuma, mas você aprende a associar sensações, tornando-se, praticamente, viciado naquilo. Você pode se viciar em qualquer coisa! Exercícios, bebida, drogas, videogames, compras, trabalho… TUDO!
E é exatamente esse o ponto no qual eu queria chegar.
Inúmeras vezes na vida nós ficamos sujeitos a um processo cheio de extremos de dor psicológica alternados com grande satisfação por um período recorrente de tempo, o que nos torna escravos de uma situação e sujeitos à vontade de uma pessoa.
Estou falando de relacionamentos afetivos.
Ok, eu sei: nem todo relacionamento afetivo possui esses elementos! Diria mais, diria que a maioria não tem! O problema é que uma parte deles tem. E é dessa parte que vem as grandes tragédias.
Vocês não conhecem aquele casal que está junto há anos, sempre brigando e voltando? Sempre num ciclo de dor e prazer? Amor e ódio? Então: isso é síndrome de estocolmo aplicada a relacionamentos afetivos.
Sabe aquela famosa frase? A trepada de reatar namoro é a melhor? O famoso “makeup sex”?
É isso: É você sair do período de choque e dor psicológica com aquela pessoa te dando o que você quer: ela mesma.
Eu me lembro nitidamente de uma amiga da minha ex-namorada: ela e o namorado viviam em tretas homéricas, em um ciclo de nascimento e morte infindável. E não conseguiam imaginar uma vida diferente que não juntos. Sabe a ironia de tudo? Tudo começou a ficar realmente sério com uma briga pesada que eles tiveram: choque da briga somado ao alívio de reatar forjou um laço forte.
E a quem eu quero enganar? Eu vejo isso em alguns relacionamentos meus com muita força! E é realmente complicado você sair dessa, porque quando vc está dentro, você está viciado naquela pessoa é ela que você quer.
E o seu livre-arbítrio é mais arbítrio do que livre: você pode vazer o que você quiser… mas não pode escolher o que você quer.
E agora entramos no aspecto que eu ia guardar pro epílogo do texto (mas estou de saco cheio desse assunto): Por que eu resolvi falar sobre isso?
A resposta é em uma palavra: Poder.
Eu acredito firmemente que se a possibilidade existe, ela pode ser usada. Tudo é permitido, mas nem tudo me convém.
Saibam que vocês podem conquistar os outros assim. É possível escravizar os outros com muito pouco. É até fácil. A teoria está aí. A técnica eu deixo pra cada um criar os seus floreios.
Mas sugiro que tomem cuidado: pra mim, hoje, o único pecado que realmente existe é o pecado contra o livre arbítrio.
“Puta hipocrisia da sua parte, Anarco… se você acha o livre arbítrio tão importante, pq ‘ensinou’ tudo isso?”
Porque da mesma forma que tem gente que pode usar isso pra sacanear os outros, espero que tenha gente que use pra entender a prisão na qual se enfiou e sair de lá, se quiser.
na mesma esteira
http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=92058
Terminar um relacionamento é quase como dar um chute em um ponto vital de uma estrutura de engenharia. Milhares de toneladas de concreto virão sobre a sua cabeça e muito provavelmente outras estruturas de sua vida virâo abaixo junto.
E todo mundo que tem a sua cidadezinha formada (prédio família, prédio trabalho, prédio patrimônio…) vai te encher o saco por um tempo bem razoável por você não ter o prédio relacionamento. Ou por ter vários pequenos, ao invés de um sólido.
Ok, péssima analogia. Mas os seus textos ficaram bons. Parabéns pelo insight.
É totalmente compreensivel o cara ser viciado em mulher (todo macho que é macho curte trepar), mas ser viciado em uma mulher em específico é idiotice.
Buceta é buceta, pô!