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Vamos falar sobre o Nada. June 2, 2009

Posted by Anarcoplayba in Uncategorized.
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Resolvi descansar um pouco dos assuntos pretensamente pretensiosos e falar um pouco sobre o Nada.

Como dito com muita propriedade por Atreio (in: “A História Sem Fim”), o Nada é o Vazio que sobra no fim.

Eu poderia acabar por aqui, mas isso impediria minha ascensão celestial (Anjos! Venham me levar! – … – AGORA! – … – é, falhou de novo), então vamos começar com o começo do nada.

Como a maioria das pessoas que possuem um nível de escolaridade razoável (e passaram esse tempo de nível de escolaridade razoável prestando a atenção em algumas aulas) o zero chegou na Europa trazido pelos muçulmanos. Sim, antes de levarem bombas, eles levavam cultura.

O que boa parte das pessoas não sabe, no entanto, é que o zero foi descoberto (ou inventado) na índia, com uma seita religiosa hindu que cultivava a deusa Kali (sim, a Grande Mãe Morte) e cujo objetivo espiritual era alcançar o vazio total pois, segundo eles, isso os colocaria em harmonia com a Grande Mãe Morte.

Eles precisavam de um símbolo pra essa idéia e criaram o zero.

Antes disso o conceito de vazio era muito vago e impreciso, sendo válido dizer que, ainda hoje, o conceito de vazio encontra certa resistência filosófica.

Afinal, qual a utilidade do Vazio?

Diante de tal questão, Lao Tsé, no Tao Te King, afirma que o vazio é de utilidade fundamental:

Trinta raios convergem para o eixo único da roda;
mas é o vazio entre eles que gera a utilidade da roda.
Modelais a argila para fazer um pote, mas a utilidade do pode vem do vazio.
Abris portas e janelas para fazer um quarto, mas é o vazio que faz a utilidade do aposento.
Assim, o que existe é uma vantagem, mas sua utilidade vem da sua vacuidade.

O exemplo do vaso, notadamente, é excelente: um vaso que não possui espaço vazio é de utilidade nula. Quer dizer, serve muito bem como uma pedra, mas não como um vaso.

Em diversas situações tais elementos são óbvios, como o exemplo do vaso, do quarto, da roda e diversos outros.

Também podemos imaginar que o papel, completamente preenchido, não serve para escrita. Até mesmo as letras, são feitas de vazio e substância.

Saindo do concreto e entrando no abstrato, e idéias?

Bom, o código binário é uma combinação (grande) de vazio e cheio (ou, zeros e uns), e tudo o que temos em computadores é criado assim, de forma que todas as idéias e toda a lógica pode ser resumida a vazio e cheio.

Biologicamente temos o mesmo fato. Quem aqui algum dia estudou musculação a sério sabe que o treino depende fundamentalmente dos exercícios, da alimentação e do descanso. E tão importante quanto treinar muito, é não treinar nada.

Regimes também são feitos de fome e satisfação.

Durante um tempo, quando eu estava em overtraining, cedo ou tarde meu corpo fraquejava (pow, eu treinava cerca de 20 horas por semana) e, ironicamente, essa uma semana que eu ficava afastado, muitas vezes me fazia voltar muito melhor.

Mas minha surpresa foi quando eu estudava xadrez: durante meses eu estudei muito… depois eu n estudei nada. Após esse ciclo, não estudar nada me fazia melhorar igualmente.

Moral da história: o caminho está em fazer tudo e em não fazer nada.

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