Never Forget. Never Forgive. Never Surrender. June 5, 2009
Posted by Anarcoplayba in Uncategorized.trackback
Remember, Remember,
The fourth of june.
The massacre, the tanks the crowd.
I see no reason a student massacre should ever be forgot.
Às vezes, nos meus devaneios misticalóides, eu fico pensando nos grandes movimentos conjuntos da humanidade.
Sabe, aqueles retratos de uma cena que impregna os corações e mentes de inúmeros indivíduos ao redor do planeta? Uma Susan Boyle da vida?
Aqueles vírus mentais, que invadem seus pensamentos, e fazem você querer transmitir uma idéia pro maior número de pessoas possível?
Hoje faz vinte anos de uma das cenas mais relevantes da idade moderna. O dia em que surgiu o Homem Tanque:
A história do Massacre da Praça da Paz Celestial é extremamente mal documentada: não se sabe sequer o número de mortos. Uns falam em algumas centenas. Outros em alguns milhares.
Nós nunca saberemos. Não será objeto dos livros de história. Os documentos já devem ter sido destruídos, não existem monumentos, memoriais ou “celebrações”.
Tudo isso porque deram para alguns o direito de comandar a vida de muitos. Sim: alguém disse que sabia o que era melhor pra nós e nós acreditamos. E deixamos eles fazerem o que quiserem.
Inclusive passar com tanques em cima de estudantes em prol da estabilidade.
Não existe estabilidade que valha isso.
Só é revolução se eu puder dançar.
Sabe, eu não sou um grande defensor da vida humana. Nem da animal. Eu realmente acredito que tudo morre um dia, e que as coisas são assim. Um bebê de três meses morrer é tão triste quanto um velhinho de oitenta. Não existe idade boa pra morrer, por óbvio, mas pessoas morrem. Acontece.
O que me incomoda é a dissociação das coisas. É o soldado que estava só cumprindo ordens, ou o general que emitiu as ordens porque estava só cumprindo ordens. Eu queria que os assassinos, os assassinos de verdade, estivessem dentro dos tanques. Que eles tivessem a coragem de dirigir os tanques. Que eles olhassem nos olhos das pessoas que estão matando.
Porque se eles fossem os assassinos, se eles bebessem sangue de bebês mortos e estuprassem cadáveres eu os respeitaria mais. Porque aí eles seriam os inimigos, e não “os defensores da ordem”, “guardiões da nação”, “nossos representantes”.
Mas não.
Alguém mandou alguém mandar alguém entrar num tanque e matar gente. E todos viveram felizes para sempre. A praça é fechada ná época do aniversário do massacre. O Homem Tanque já deve ter morrido. E daqui a alguns anos, quando e se a China se abrir pra um regime livre (porque o Brasil, por exemplo, é democrático, mas não é livre) os nomes das pessoas que participaram dessa cena já terão sido.
Serão uma nota de rodapé nos livros de história, tal qual Mathias Rust.
Nunca saberemos por que ele ficou sozinho no meio da rua. O que ele falou pro motorist do tanque. Por deus, o que ele tinha nas sacolas?
Mas talvez… e apenas talvez… se nós contarmos as histórias, uns para os outros, as histórias vivam pra sempre, no inconsciente coletivo.
Never Forget. Never Forgive. Never Surrender.
04/06/1989 – Tiannanmen Massacre. O Massacre da Praça da Paz Celestial.
Comments»
No comments yet — be the first.