Sobre Vagabundas, Putas e Atrizes Pornô.

September 9, 2010 § 18 Comments

Porque um post ganha muito mais visitas quando aparenta falar sobre sacanagem…

E porque eu tenho essa idéia há tanto tempo que pensei até que já tinha escrito.

Não é segredo para ninguém que eu tenho uma diferenciação meio pessoal entre as ditas profissionais do sexo.

Não necessariamente ela é real, mas é, de forma idealizada, muito clara pra mim.

Sabemos que tudo que tem demanda tem mercado. A demanda cria o mercado. Raríssimas vezes o produto surge antes do desejo, sendo que nos poucos casos que podemos pensar que o que aconteceu foi isso (oferta antes da demanda) estamos diante de um inventor, de alguém que teve uma idéia que, na verdade, era ansiada por todos. Era uma demanda reprimida.

Pois bem, sexo tem uma grande demanda, isso é fato.

Não quero, nesse momento, discutir as razões disso. Podemos pensar que é um impulso natural, podemos pensar que a sexualidade não encontra satisfação eterna, podemos falar que ela é irracional e, dessa forma, uma excelente isca para ser associada ao anzol do consumo, etc, etc, etc.

O fato é que o mercado sexual, o desejo pelo sexo, a demanda pelo sexo, gera a oferta do sexo.

Isso não significa que toda mulher encare a própria sexualidade como um ativo a gerar lucro, mas é fato que algumas mulheres fazem isso.

Eu divido o Gênero das profissionais do sexo em três espécies: A Atriz-Pornô, a Prostituta e a Vagabunda.

A Atriz-Pornô é exatamente isso: a atriz pornô. A mulher que ganha dinheiro fazendo filmes eróticos que posteriormente serão vendidos. O trabalho da atriz pornô não está relacionado ao parceiro: é dedicado unicamente à arte do sexo. O parceiro (ou parceira que está com ela) não faz diferença alguma: é sobre a arte do sexo.

A Prostituta, por outro lado, é uma prestadora de serviços. Ela está lá para agradar o cliente. Ponto. É uma troca simples: dinheiro na mão, calcinha no chão. E se ela agradar o cliente, talvez ele volte.

Por fim, temos o outro tipo, a que eu chamo de Vagabunda, que, como vocês podem ver, traz em si, um caráter de agressividade da minha parte.

A Vagabunda não é atriz pornô e nem prostituta. Muito pelo contrário. Só vai pra cama com quem provou que “merece” a companhia sexual dela.

Por coincidência, as pessoas que se fazem merecedoras sempre são ricas, educadas, com dinheiro, mais velhas, etc, etc, etc.

Via de regra, a Vagabunda PODE trabalhar, mas não precisa, portanto, prefere não o fazer. Quer saber onde encontrá-la? Quarta-Feira à tarde no shopping fazendo compras.

Afinal, o contrato dela é esse: ele rico, ela gostosa.

***

No entanto, esse post não é sobre mulheres, ou sobre sexo, ou sobre prostitutas. O próximo texto sim, esse não.

Esse texto é sobre escritores, artistas, músicos e poetas.

Nas artes, em todas as artes, existe o Artista Maior, aquele que é visitado pela musa em si, que tem um compromisso e uma fidelidade só: a Arte.

Existem outros artistas menores, aqueles que têm um compromisso para com o seu mecenas ou empregador. Esse é aquele que utiliza a arte para fazer obras vendáveis. Que gerem lucro. Isso não é nenhum grande problema, eu até gosto da pop arte, das coisas vendáveis. Sério mesmo.

Óbvio que não dá pra se pretender (via de regra) dar para a pop arte o mesmo valor da Grande Arte. Mas é legalzinho.

Por outro lado… Existem aqueles que também despertam minha agressividade e meu nojo, que são os artistinhas vagabundos.

Esses cometem um pecado que, para mim, é mortal: usam a arte. E não estou falando de vender a arte, estou falando de usar. É o carinha que aprende a tocar violão pra comer menininha. O cara que que usa literatura como xaveco. Que começa a fazer aulas de teatro, yoga, culinária, o que quer que seja pra conhecer mulheres e pagar de sensível, quando a única coisa que ele é é covarde: tem medo de mostrar a verdadeira face e ser condenado ao ostracismo sexual.

Para mim, o artistinha vagabundo é como se estivéssemos pensando em um samurai que usa a katana pra cortar lenha e passar manteiga no pão: você está falando de algo que deveria ser o símbolo do que é mais sagrado para aquela pessoa, mas virou só mais um fim pra um meio.

Acho que posso resumir tudo a uma frase: “Túmulos caiados: branquinhos por fora, podres por dentro.”

About these ads

§ 18 Responses to Sobre Vagabundas, Putas e Atrizes Pornô.

  • Stein says:

    Eu juro que quando comecei a fazer yôga eu tava à procura de tranquilidade mental. E eu parei quando descobri que a busca por tranquilidade (a busca em si, e não o pôrque de se fazer yôga) não era verdadeira. Agora, a piada, a história, essa eu vou contar para agradar meu público…

    • Anarcoplayba says:

      O problema é que a tranquilidade não é, necessariamente, o que a gente acha que é.

      Tem gente que fica tranquila num ringue, numa balada, num sítio, em casa… Eu diria que a tranquilidade é uma coerência interno-externo, mas inventei isso agora, preciso pensar mais a respeito.

      Agora, reiterando a minha birra monstruosa com o De Rose: O que quer que você estivesse procurando, se não fosse atividade física e um carimbo de “eu sou espiritualmente mais evoluído que você-ê” na testa, dificilmente você encontraria.

  • Petite Poupée says:

    Anarco, já li várias vezes seu texto e mesmo correndo o risco de ser tautológica, vou me arriscar por que o tema merece!
    Sempre dei preferência à História contada por artistas do q àquela contada pelos historiadores de plantão. E nunca me importei com a arte planfletária desde que fosse boa, como não gostar de Bercht? Cara, eu amo Mayakovsky! o poeta que tanto amou que seu peito estourou…

    Talvez o grande problema da vulgarização da arte e da cultura seja a alienação imanente à própria arte. O artista tem algo a falar. Ele precisa falar. Ele falará.
    O problema é qd o artista entra num jogo errado e resolve lutar com peças erradas e usá-las como armas e, ao invés de lutar pela felicidade, luta pelo lucro em nome de um poder( ou pela manutenção dele) É foda!

    O grande barato, ao meu ver, não é esquivar-se desse tipo de artista, é perceber a patifaria, a mentira, a fraude como alguém que procura a chave do sistema, um enigma a ser decifrado. Meu prazer não está na masturbação. Está na ambiguidade. Ninguém vai me tratar como zumbi!

    Anarco, nesse palco não basta perceber as máscaras. É preciso apontá-las com os próprios dedos. É aí q a gente cai no paradoxo da arte: a subjetividade ou a sua própria institucionalização.

    Ps.: Eu fiquei feliz de vc não ter lembrado do ” me diga com quem andas que eu te direi quem és” rss

    • Anarcoplayba says:

      Eu sou meio contra esse papo do “diga-me com quem andas e te direi quem és”: Judas, por exemplo, tinha uma turma ótima.

      Perceba que o artista ter se vendido não é, em si, algo ruim: Da Vinci, Michelangelo, dentre outros no renascimento eram patrocinados abertamente. Mozart compunha por encomenda. Um dos Beatles há pouco tempo atrás disse que uma vez o Paul chamou ele e disse: Senta aí, vamos compor uma piscina.

      As pessoas têm todo o direito de “se vender pro sistema”, mas isso é um pequeno demérito: ninguém pode falar para ninguém o que deve ou não fazer.

      Mas perceba a diferença: O Artista objetiva Arte; o Artista Vendido visa a arte pelo dinheiro; o artistinha vagabundo visa o dinheiro.

      Da forma que eu enxergo, na minha ainda santa pretensa auto-proclamada inocência, o Artista dá vazão integral à arte, o artista vendido limita sua arte para que não incomode os seus patrocinadores, enquanto o artistinha vagabundo fala aquilo que vai agradar.

      Por quê?

      Porque ele acha/sabe/sente que o que ele gostaria de falar de verdade não agradaria, e ele não tem competência de conseguir o que quer falando o que pensa.

      E qual a saída dele? Fala o que vai dar certo ao invés de falar o que é certo e estrangula sua verdadeira vontade.

      As máscaras estão. Quem tiver olhos que veja. Apontá-las? “Ai de vós, que apontam o cisco na face de seu irmão e não enxergam a trave diante de seus olhos. Tirai primeiro a trave diante de seus olhos e depois o apontai o cisco nos olhos de seu irmão.”

      Tem público pra tudo, Petite: Pras atrizes pornôs, pras prostitutas e pras vagabundas. Pros Artistas, pros artistas vendidos e pros artistinhas vagabundos…

      Apontar as máscaras dos outros não me faz melhor artista. (Ou como eu gosto de falar: o tamanho da rola na bundinha dos outros não me faz mais macho).

      • Petite Poupée says:

        Anarco, concordo q vender não é problema( o cara precisa pagar o aluguel, oras) mas vender-se…é diferente. Quem se dedica a vender uma ideologia através da arte não o faz se não trapaciando a própria arte.

        Qt os dedos que apontam… eu estava pensando mesmo nos dedos que escrevem, eu juro.

  • Stein says:

    Pensando bem, acho que vou ter que discordar de você um pouco.
    A profissional do sexo, ou qualquer ou profissão na verdade, pode ser dividida em 2 categorias: as que fazem pela arte e as que fazem pelo dinheiro.

    Existem atrizes pornôs que adoram sexo, e fazem sexo como artistas, unem o útil ao agradável e, por acidente de percurso, ganham dinheiro. Essas são as que ficam famosas.

    Existem atrizes pornôs que odeiam sexo, mas adoram dinheiro. Sujeitam-se a fazer sexo, porque o dinheiro vale a pena. Essas são as que não ficam famosas.

    O mesmo vale para putas. Tem putas que adoram sexo e, um dia, descobrem que dá pra ganhar dinheiro com isso. Tem mina que descobre que dar, dá dinheiro. E começam a fazer sexo.

    A vagabunda, na sua teoria, seria a mulher que usa o sexo como instrumento. Mas putas e vagabundas fazem isso. Ambas se vendem. A questão é definir o porquê cada uma faz isso (se vender).

    O mercenário, que vende sua espada sem lealdade é muito diferente do cara que usa a espada para passar a manteiga no pão? Acho que sim, mas não porque estão em categorias diferentes (putas e vagabundas), mas porque banalizam o seu ofício de forma diferente.

    A grande questão é que alguma pessoas fariam a arte independente de ganhar dinheiro ou não com ela. Algumas mulheres fazem sexo como atrizes pornô e não ganham nada por isso. Leonardo da Vinci seria um artista, tivesse ou não patrocínio. Talvez não tivesse tido tantas oportunidades, mas sua natureza artística não lhe deixaria escapar.

    Moral da história: faça as coisas porque você acredita nelas, não pelos benefícios que elas possam lhe trazer. Vire médico porque você gosta de tratar crianças ranhentas, não porque você acredita que dá pra ganhar dinheiro com isso.

    E sempre dê o devido respeito à arte. Advogados porta de cadeia, médicos chinfrim, putas pagas, caras que decoram um só poema, esses todos banalizam a arte. Porque nas mãos deles estão ferramentas poderosas que eles próprios não sabem usar.

    Se bem que eu também odeio as mulheres que se auto-limitam a um determinado papel de gostosa só para pegar um homem e viver dele (parasitas). Mas o que eu desprezo não é o meio (ser gostosa, chave de buceta), mas o porquê (vontade de encostar o burro na sombra).

    • Anarcoplayba says:

      Sim, concordo com você. Admito que não fui muito preciso, e nem sei se eu vou alterara ou corrigir.

      No tocante às atrizes pornôs que fazem pelo dinheiro, talvez essas mereçam sofrer uma capitis deminutio para a categoria de putas, concorda? Se não estão fazendo por amor à arte…

      Ambas (putas e vagabundas) usam o sexo? Sim, fato. Ambas (à luz do mercenário e do cara que passa manteiga no pão com a espada) desmerecem sua arte? Sim, ambas fazem isso.

      No entanto, por algum motivo que eu não consigo verbalizar, uma puta ou um mercenário são diferentes da Vagaba ou do cara que passa manteiga no pão.

      De certa forma, a impressão que eu tenho é que a Puta e o Mercenário fazem o que podem. Tudo o que ele/ela tem pra oferecer é aquilo (a luta e o sexo pra quem pagar).

      A Vagaba PODERIA fazer algo melhor. Me diga se a madame que passa o dia na academia e no shopping é uma coitadinha que nunca teve chance e tem que trabalhar para viver? Não tem. Poderia trabalhar com QUALQUER COISA se quisesse, mas não quer.

      A Puta tem que trabalhar. Mesmo que vendendo o sexo. Não quero dizer que não tenhamos as putas de Luxo que poderiam fazer outra coisa, mas preferem não. Existem. Mas pra cada uma dessas, quantas não estão nessa por falta de opção.

      Talvez seja esse o ponto que me irrita. Não é sobre o sexo ou não. É sobre fazer algo pelo mundo ou não. Trabalho é isso: eu dou horas da minha vida e ganho um salário.

      A Vagaba faz o quê? Respira do lado do magnata e fica lindando por aí.

      However, pode não parecer, mas a parte mais importante do post é a segunda.

      • Karina says:

        A vagaba lindante faz um magnata feliz, oras.

        entendi a parte 1 e entendi a parte 2. mas a associação entre as duas não deu muita liga, não.

      • dadaista123 says:

        O problema de ligação entre parte 1 e 2 é que o “artista de verdade” não pode ser comparado, ao meu ver, com a atriz pornô, pq esta já está no sistema em função e a mercê do salário (ou seja, a segunda categoria de artista).

        Agora, a vagabunda pode ser comparada com a 3 classificação do artista.

        E a diferença da puta e da vagabunda também está, ao meu ver, na aceitação social. Uma prostituta sempre será escurraçada, e a vagabunda, enaltecida nas rodas sociais. Ao meu ver, ao menos, a prostitua é mais honesta no seu trabalho e na sua função. A vagabunda não. Não se veem nesse papel e não se admitem nele. É uma grande farsa.

      • Anarcoplayba says:

        concordo, meu amigo que entrou no dadaísta e esqueceu de deslogar.

      • Nina says:

        Oopss!

        Sono é uma merda!

      • Anarcoplayba says:

        É nada.

        É mó legal.

        Pra dormir.

      • Karina says:

        hum… Nina… tendo a concordar mais com o que o(a) Stein falou a respeito das profissões e do prazer que pode ou não acompanhar o ofício, então as atrizes não estariam necessariamente à função e à mercê.
        Seguindo a mesma definição do Anarco, a difença entre o “artista maior” e o “artista menor” é o comprometimento com a Arte. Mas esse comprometimento não exclui a possibilidade de se obter ganhos com a “grande arte”, o que ele tb admite num comentário.

        Então… se pensarmos no caso de uma atriz que tenha prazer no ofício, que enxergue no sexo ou na sua performance uma “grande arte”, que tenha o tal comprometimento com isso, pois bem, ela poderia, sim, ser o equivalente do “grande artista”. O mesmo vale para as putas. Tudo no campo das conjecturas, claro. PODE haver. Enfim, basicamente o mesmo que o(a) Stein falou.
        e já não sei pq estou falando isso rsrs

        e não sei justamente pq estou perdida pescando dos comentários o ponto aonde quero chegar.
        e estou pescando dos comentários pq o Anarco foi muito mais claro neles do que no post em si.
        e por isso eu falei que no post faltou a liga.

        tá, pronto! taí aonde eu queria chegar.

        Ah, sim… tb tenho nojinho desse pessoal que usa da Arte, seja ela qual for. Se julgo Arte é pq para mim tem muita importância, uma espécie de bem imaculado.
        então… vale pensar que valor atribuo ao sexo, para daí então dar o (de)mérito devido às “vagabundas”.

      • Anarcoplayba says:

        Exatamente, Karina.

        O artista e a prostituta fazem sua arte em função da remuneração. É como um Mozart: ele compunha por encomenda. O fato de ele compor por encomenda faz dele um artista menor ou pior? Creio que não.

        No entanto, a falta de respeito para com a atividade exercida é o problema. Transformar o que se faz em mero meio para um fim (e nisso podemos incluir a prostituta que está olhando pro teto e a gostosa que acha que um diploma de faculdade vale um bom marido – sério, já ouvi essa frase) me despertam o asco.

        E o mais importante: esse texto não é sobre atrizes pornô, prostitutas e vagabundas. É sobre Grandes Artistas, artistas e artistinhas vagabundos.

      • Karina says:

        voltei para fazer uma ressalva ao meu comentário e dizer que talvez desenvolvesse melhor no próximo texto prometido.

        como o próximo texto prometido se tornou este mesmo, desmotivou.

        e acho mais divertido imaginar que a pegadinha é identificar no próximo texto quem são os putos, os vagabundos e os atores… pq pornografia já está sendo a política.

  • [...] minhas 86.000 visitas, 500 posts, 2.315 comentários, 179 seguidores e com 1.445 views no meu post mais acessado. Porque um post ganha mais visitas quando o título é sobre [...]

  • edward the puma junior says:

    lisa an, senna dream. sophie dee lisa lee jada stevens raica são putas e safadas profissionais são tão putas quer ficaram famosas nas capase pra alegria do diretor por cena uns 1.500 dolar oral vaginal e anal…

  • são todas putas safadas vulgares. todas se entrega atrizes pornô ganha dinheiro. faz papel de puta e fica famosa ou não… prostituta gaha dinheiro mais pouco e faz papel de puta amadora. vagabunda so ganha bebida e dar de graça. e fica famosa por see puta são todas putas meretriz gostosa..

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading Sobre Vagabundas, Putas e Atrizes Pornô. at AnarcoBlog.

meta

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 751 other followers

%d bloggers like this: