A nova internet.

October 15, 2013 § 1 Comment

Nos idos de 98, quando eu comecei a usar a internet, época em que você demorava horas para abrir um site pixelado, ouvia solo de colméia de abelha pra conectar e tinha que esperar passar a meia noite para aproveitar o “pulso único”, meu programa favorito era o ICQ.

Entre barulhos de cargueiros e o irritante “uh-oh”, o ICQ cumpria a promessa da então incipiente internet: Você pode conversar com pessoas do mundo todo. O que entregava tal promessa eram as famosas “ICQ white pages”. Um catálogo onde você poderia listar pessoas por localidade, idade, sexo, interesses, músicas favoritas, etc, etc, etc.

Ocasionalmente eu abro o meu ICQ (sim, ele ainda funciona) e dou uma passeada pelo cemitério dos meus contatos. Acho que já mencionei aqui que é deprimente olhar tanta gente que por algum tempo foi importante pra mim e hoje eu sequer sei se estão vivas.

Efetivamente eu sou muito tradicionalista: gostava mais do ICQ que do MSN, gostava mais do Orkut que do Facebook, gosto mais de blogs do que de tumblers e sempre vou odiar Fotolog e Instagram.

Mas minha nostalgia não é o ponto do post.

O fato é que tudo na vida tem uma utilidade, ainda que essa utilidade seja meramente hedonista. Prazer é utilidade. Pornografia é uma utilidade. Comida tailandesa é uma utilidade. A única coisa realmente inútil são Crocs.

Mas se olharmos para qual o perfil de uso da internet, ele mudou muito. Ao menos o meu mudou.

Deixando de lado as coisas úteis (pesquisas, trabalho, baixar músicas, filmes, seriados, etc.) a internet deixou de ser um território de novidade para ser um reforço do ordinário.

Os clientes de mensagens deixaram de apresentar a função de busca. Ou você sabe o contato de quem você quer encontrar, ou não encontra.

As redes sociais passaram a ser uma nova forma de contato com seus amigos. Manda-se Inbox de Facebook ao invés de se mandar email. E ninguém adiciona pessoas que não tenham um mínimo de conhecimento prévio.

A consequência disso é uma questão que pra mim é um grande problema: tendemos a ficar presos num looping das coisas que já gostamos.

Da mesma forma que tendemos a pedir sempre os mesmos pratos, comer nos mesmos restaurantes e ouvir as mesmas músicas, acabamos recebendo por interposta pessoa os mesmos estímulos. Mantemos contato com os mesmos amigos que tendem a gostar das mesmas coisas.

Parte disso era capitalizado pelo Google Reader, que se propunha a ser um Feed Reader que permitisse compartilhar com contatos textos e o próprio feed reader. O Google Buzz, pra mim, permitiu isso. Mas, embora fosse uma oxigenação artificial (ainda dependíamos de nossos contatos), ambos foram descontinuados.

Eu sinto falta de encontrar coisas novas na internet. Mas talvez seja apenas falta de procurar coisas novas na internet.

About these ads

§ One Response to A nova internet.

  • Fy says:

    Eu sinto falta de encontrar coisas novas na internet. Mas talvez seja apenas falta de procurar coisas novas na internet.

    Keep me updated… send me the links!!

    bj
    Fy

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading A nova internet. at AnarcoBlog.

meta

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 742 other followers

%d bloggers like this: