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Eu te Amo. November 10, 2009

Posted by Anarcoplayba in Uncategorized.
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Sim, eu sei que é tosco e bizarro escrever um post de declaração de amor.

Sei que isso é coisa de adolescente miguxo, que quer falar pra todo mundo que “ama”, que muda status do orkut pra “casado”, e que acha bonito falar as coisas sem pesar e medir as palavras.

No entanto, eu gostaria que você soubesse: esse post é planejado e intencional. Não estou bêbado nem desequilibrado. Em verdade, estou calmo como um monge.

E esse post é fruto de uma longa reflexão, que levou horas… dias… para ser resolvida. E me fez decidir por isso, mesmo sabendo o quanto eu posso irritar outras pessoas. É uma prova de fé, e fé, como sabemos, não tem que ser racional.

Admito que nos últimos meses, flertei com outras. Me entreguei em outros braços. Provei outros sabores. Inspirei outros perfumes.

No entanto, passada a euforia inicial. Passada a surpresa, eu digo: Você não tem igual, e voltar para seus braços é sempre uma experiência única.

São Paulo, eu te amo.

Você é meu amor mais duradouro. Aquela paixão que não esmorece, aquele interesse que não diminui. Aquela admiração que não se abala.

Há quase dez anos moro nessa cidade. E quero você pra sempre.

Eu sei que muitos discordam. Sei que inúmeras pessoas te criticam.

Mas não é para menos: você é uma amante assustadora. É que, quando olhamos para você, pensamos: quantos amantes você já teve? Não temos certeza de que conseguiremos te agradar…

Sim, minha amada… uma mulher experiente assusta.

No entanto, essa é a sua beleza: você não exige nada. De ninguém. Todos são aceitos dentro de você. De norte a sul… do centro-oeste ao nordeste. Baianos, gaúchos, cariocas, sulistas, estrangeiros… Você está aberta a todos.

Nem todos se acostumam, claro. Mas não é sua culpa nosso complexo de inferioridade, é? Ou que você, conquanto não peça demonstrações, exige que sejamos fortes.

Você não pede, mas exige que sejamos capazes de.

Você está sempre de braços abertos a novos amantes, sem preconceito de para quem eles se entregaram antes.

E aposto que, nesse momento, vocês que leem essa declaração de amor estão apontando seus dedos acusadores e falando: “Ah tá! Claro que São Paulo é receptiva, né? E os Skinheads? E os separatistas? E os preconceituosos? E a rixa São Paulo e Rio?”

Ah, meus amigos… Por favor… Não culpem a mulher pelo ciúme do amante…

É isso que somos: ciumentos! Queremos ela só pra nós! E somos tão medíocres, tão pequenos, que pedimos que ela se enfeie! Não queremos ela linda, bela e perfeita para todos!

Suas qualidades? Escondemos! Ou vocês acham que suas ruas e caminhos são simples? Que todos conhecem suas curvas e cantos?

Quantas placas de turismo você encontra nessa cidade? Pouquíssimas! Temos igrejas e lindas catedrais, escondidas! Parques e gramados, isolados! Museus discretos, ruas ermas, e uma vida noturna complexa…

A única coisa que todos sabem, sem questionar, é que temos alguns dos melhores restaurantes do mundo! Algumas das melhores culinárias aqui! Sim, eu sei: podemos não ter o melhor restaurante japonês, o melhor italiano e o melhor francês… Mas temos alguns dos melhores japoneses, franceses e italianos!

Não somos os melhores em tudo… mas somos os segundos (ou terceiros – vocês entenderam) melhores em tudo.

E olhem a ironia: a única certeza que essa cidade oferece (de boa comida) não é oferta dela: é nossa oferenda à nossa amada! É algo que trazemos de onde viemos para cá.

É o que nós podemos fazer por ela, não o que ela pode fazer por nós.

São Paulo não dá, recebe. É incompreensível. Confunde. Ora é quente, depois é fria… Ora é seca e, logo em seguida, nos inunda.

São Paulo é mulher. E tanto é namorada, que tem até apelidinho bobo: “Sampa” .

E, enquanto falamos de seu sexo, falemos também de suas mulheres.

Suas meninas são inigualáveis.

O Sul, tem mulheres lindas. Inigualáveis em termos de beleza física. Lembrem-se das Bündchens da vida…Mas chegam a ser chatas de tão baunilhas.

São mulheres para serem vistas. Não têm sabor.

As nortistas… Ah… Essas sabem o que fazem. E gostam do que fazem. E fazem muito bem o que fazem.

Mas se me permitem… Não que elas sejam feias: não são. Ao contrário: algumas são lindas. Muitas são lindas. E um corpo apaixonante… Mas se não fosse pela natureza…

Elas são gostosas: por sorte.

Mas minhas Paulistas… minhas Paulistaninhas… Vocês se construíram. Roupas, adereços, postura, gestos, toques, cheiros. Vocês se arrumam sem parecerem arrumadas. Vocês se destacam na sua discrição.

E seus cabelos… ahhh tantos cabelos, tantos cortes, tantas matizes…

Desde a Loira Orgulhosa até a Morena Discreta, passando pela Ruivinha Fantasiosa e a Oriental Intrigante.

Sim, eu sei: Temos muito mais homens que mulheres nesse Estado e nessa Cidade, afinal, Sampa é exigente, como toda mulher: temos muitas vezes que largar amigos, casa, namoros, e família para ficar com ela.

E isso é comportamento masculino, não feminino.

Mas esse baixo percentual feminino não é problema! Não precisamos ter mais mulheres que homens: temos mulheres infinitas!

(E homens também, minhas caras… Homens também, para satisfazer suas vontades.)

Nessa cidade existe gente o suficiente pra você ter a certeza de que vai viver uma vida inteira e não conhecerá todos os que poderia conhecer!

Sim, sim, sim… eu sei… em outros lugares do país é mais fácil… Mas é fácil porque estamos acostumados com essa vida exigente! If I can do it here, I can do it anywhere, it’s up to you São Paulo…

Ah, minha menininha… Depois de anos, eu só queria deixar claro: Ainda que eu eventualmente me perca (com certo prazer) em outras paragens… que eu beba outros vinhos e sinta outros perfumes… A sensação de me aproximar de você depois de alguns dias afastado é sempre como a do primeiro encontro.

Vamos Postar Sóbrio – só pra variar… November 6, 2009

Posted by Anarcoplayba in Uncategorized.
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Okey, estou em Paranaíba, num hotel (até que legal) e, em um breve retrospecto, percebo que estou com vontade de destilar um loooooonnnnnnngo e tedioso post metalinguístico (minha especialidade).

Percebo que, contrariando as fases anteriores de aridez psicológica e literária, estou numa fase bem fértil. Me dá vontade de escrever mais, sempre, até a exaustão e, por mais surreal que possa parecer, eu não atualizo mais porque quero que vocês (seja lá quem vocês forem) leiam o que eu escrevo.

Pensando, nesse momento, em toda essa fertilidade literária, nessa ânsia de escrever, me passa pela cabeça a famosa frase do Inagaki:

“Quanto mais sexo, menos posts.”

O Leitor (especialmente as leitoras – especialmente algumas leitoras) devem estar nesse momento pensando: “Hahaha! Falta de sexo, Anarco? Logo você que sempre se orgulhou tanto?”

Sim, cara leitora, sim, caro leitor. Falta de sexo, logo eu…

Mas antes de me julgar, peço que entenda… A falta sempre é relativa à presença. A saciedade ao desejo. O céu à terra e o cheio ao vazio.

Sinto falta de sexo, assim como sinto falta de companhia.

Porque o amor é pleno… Mas a paixão, é um sempre-falta.

Sim, exatamente. Um sempre-falta.

Eu sei que existe um mundo de gente por aí afora. Pronto pra ser conhecido, desejado, obtido e saciado.

Mas quem disse que isso é opção? Até pode me ser dito: “Você é livre! Livre, solteiro e desimpedido! Não tem nenhum contrato com ninguém!”

De fato não tenho… No entanto, não existe liberdade dentro de um propósito.

Saiamos do oceano das minhas emoções e voemos um pouco.

Esse blog, provavelmente, passará por uma mudança… provavelmente perceptível, mas dificilmente compreensível sem uma explicação.

O Anarcoblog surgiu do Malandricus, meu antigo blog coletivo. O Malandricus surgiu de uma proposta bem simples de um grande amigo: falar o que achávamos do mundo.

Inicialmente falávamos de uma incipiente VJ da metevê, a Sra. Nazário de Lima, Daniela Ciccareli. Passamos a falar de baladas. Mulheres. Trabalho. Viagens.

E paulatinamente foi ficando claro: o blog não era sobre nada objetivo, mas sim sobre algo subjetivo: como entendíamos o nosso mundo.

E, fomos conhecendo mais pessoas da “Blogosfera”. Pessoas que, posteriormente, ganharam presença física: Sblargh, Rebss, Sil, Pati, Felipe Cunha, Verônica, dentre poucas outras pessoas que eu (e outros) tivemos a chance de conhecer pessoalmente.

E quando você conhece as pessoas, vai perdendo a liberdade, afinal… surgem juízes.

É sartreano: o Inferno são os outros.

Não que eu pudesse ser condenado por alguém (ou talvez possa), mas o fato é que se você tem um propósito, você tem que ser coerente. E coerência é uma prisão.

(Uma prisão que, ironicamente, te liberta.)

Sem querermos as coisas foram ficando densas. As opiniões se cristalizando (afinal, elas ganhavam formas organizadas) e, de repente, talvez decorrente das formas assumidas, não havia mais harmonia. Numa época em que só eu postava no saudoso MLDC, decidi abrir casa própria e vim para o Anarcoblog.

Se antes tínhamos um diálogo multilateral, quando vim para o Anarcoblog as coisas ficaram mais… sérias. Ou eu fui ficando mais sério, não saberia dizer.

O tom mudou e, subitamente, o anonimato que era um dos grandes pontos de apoio do blog, deixou de ser essencial. Eu não tinha mais receio do que eu escrevia. Eu QUERIA que as pessoas lessem. São meus textos. Eu os escrevo, preparo, leio e releio. Como eu disse antes: Esse blog é o que eu tenho de melhor.

O retrato da minha personalidade na capa da Playboy: com muito photoshop.

Não bastasse o fato de que eu vim para cá sem dividir o palco com ninguém, em um monólogo de improviso, de agora em diante as coisas mudarão um pouco mais. Não que eu vá abandonar o pseudônimo de “Anarcoplayba”, como eu vinha cogitando há algum tempo.

Acredito que seja desnecessário. Quem me conhece, conhece esse blog. Tudo o que eu escrevo na net é sob o pseudônimo de Anarcoplayba. Ele é próximo o suficiente de mim para que eu não precise matá-lo.

E o nome tem valor histórico.

Não, não… na verdade, bem mais simples que isso lancei há alguns dias com mais alguns amigos o http://segregalistas.wordpress.com, meu novo blog coletivo, de humor.

O que isso significa? Que se antes, de vez em quando, eu soltava textos mais leves e light-hearted, os textos humorísticos, provavelmente, serão redirecionados para lá.

Aqui vocês encontrarão o lado mais sério. Menos engraçadinho. Com assuntos um pouco mais densos. Com duas (talvez mais) interpretações.

O que trará um único resultado: Meus sonhos de usar esse blog para comer várias mulheres vão pras cucuias.

De fato, talvez, seja hora de ser um pouco mais pé-no chão.

Convenhamos: eu tenho 27 anos e NÃO estou onde eu imaginava.

Pela primeira vez, no entanto, percebo que não sou o único. Inúmeros conhecidos, colegas, amigos-de-primos-de-cunhados estão na mesma situação.

A rola que vai na bundinha dos outros, no entanto, não me faz mais macho.

O triste, por outro lado, é perceber que não há desculpas para isso. Nenhuma. Ninguém me prende na mina vida a não ser eu mesmo.

(V de Vingança feelings…)

Eu poderia ter passado os últimos cinco anos estudando direito e não treinando artes-marciais. Ou poderia estar estudando para mais um vestibular (era meu plano, não era?), ou estudando sobre mercado de capitais, ou qualquer outra coisa, mas não: estou aqui postando.

(Eu pudia tá rôbano, eu pudia tá matanu, mas não, eu tô aqui blôganu!)

E, não entendam como arrependimento: estar aqui, escrevendo algo que, talvez, seja lido por dezenas de pessoas (mas com certeza será lido por algumas importantes) é uma felicidade tremenda.

Na verdade, meu paradigma de comportamento favorito (Capitão Nascimento) saberia exatamente o que fazer: Vai na calma, na paz, na tranquilidade. Sem correria. Faz o seu que vai dar tudo certo. Olhou, fatiou, passou. Sem tentar virar herói.

Por fim… colocando pra fora algo que está queimando dentro de mim.

À minha maneira, paulatinamente, desde o ano passado, venho buscando uma nova forma de me entender e, assim, entender o mundo.

O post “Rubik” foi muito sobre isso.

Não inteiro, não serei tolo de querer me enganar ou pior enganar àqueles que a isso lerem. Afinal, enganar a si próprio é fácil, aos outros, nem tanto.

O texto tem um motivo concreto e um motivo teórico, notadamente porque tudo o que é verdade, é verdade em todos os níveis. Mas, não quero falar sobre o particular. Sobre uma boa balada, um bom fim de semana, um bom filme.

Quero falar no plural. O que faz de uma balada uma boa balada, o que faz de um final de semana um bom final de semana, o que faz de um filme um bom filme, o que faz de uma pessoa uma boa pessoa.

Quais os algoritmos da vida?

E essa vontade, de falar sobre o plural, me coloca em um problema terrível de se equacionar, pois é o que transcende, e a experiência transcendente, quando colocada em palavras… bem, francamente, não tem tradução. É apenas uma sucessão de clichês, ou algo mais.

A melhor saída, olhando por esse aspecto, seria guardar silêncio, pois se trata de um algoritmo não-verbal. Não é algo que se perceba de frente. É algo que está “de ladinho”, no canto da análise.

Tipo um spider-sense social. Um radarzinho que a gente não sabe usar direito, e que só funciona quando você está quase dormindo ou quase acordado.

Aquela sensação de alguém tocando violino dentro do armário.

Pois o Tao que pode ser dito, não é o verdadeiro Tao.

Para não correr o risco de errar, portanto, seria sábio guardar o silêncio.

Mas isso seria presunçoso.

Eu me sinto, então, numa triste sensação de conflito: por um lado eu gostaria de falar o que me faz bem. Mas as palavras soariam vazias porque, francamente, eu ainda não tenho algoritmo da alma humana: eu não sei consertar cantinhos, não tenho a capacidade de alcançar a todos.

Paradoxalmente, a melhor forma da falar qualquer coisa nesse aspecto, é como foi dito no Tao Te King, por meio de imagens.

Aquilo é literal, mesmo que eu não consiga explicar como. É VERDADE. Algo muito maior do que eu poderia ou conseguiria dizer.

Então, nesse último aspecto, peço desculpas se subitamente os textos parecerem herméticos demais… Se eu começar a escrever por metáforas ruins e imagens imprecisas.

Mas a verdade é que, as minhas revelações tocam a mim, e dificilmente a mais alguém: um cubo mágico, vodka vagabunda numa festa de formatura, um email esquisito, um bom dia sorridente de um gari na rua, um policial militar que é cantor gospel, bois de cabeça baixa, bois de cabeça erguida, uma mesa quebrada, um brinco esquecido, cocô de passarinho…

São imagens que, para mim, significam algo… e meu trabalho é transformar esse algo em arte, porque arte é comunicação entre seres humanos: é pegar as sensações que o mundo desperta em mim, e traduzir em estímulos para outras pessoas.

E, para esse fim, peço desculpas se deixar de dizer algumas coisas. Se subitamente me fizer vazio.

Mas o fato é que toda música necessita de silêncio, sob o risco de se tornar ruído, toda palavra de espaço em branco, sob o risco de se tornar borrão.

Todo texto deveria ter o escrito e o não-escrito, a linha e a entre-linha, porque deixando a obra inacabada, implícita, o leitor pode preenchê-la com o que lhe falta.

Senhoras… Senhores…

Boa noite, e bons sonhos.

And you? What do YOU believe in? November 5, 2009

Posted by Anarcoplayba in Uncategorized.
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Sim, eu sei. É uma campanha publicitária. Foi planejada pra ser bonita.

Sim, eu sei. É uma campanha publicitária de bebida alcoólica.

Quer saber? Eu não quero saber: é foda, e merece ser viralizada.

Edit:

Como sói ocorrer, em inglês é melhor:

Rubik. November 3, 2009

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Existe um mangá coreano (que provavelmente possui um termo técnico correto do tipo “mangu” ou “hangu”) que eu tive a chance de acompanhar há algum tempo, e que eu achei maravilhoso.

Para os que não sabem, eu sou um fanático por histórias e quadrinhos (todos aqui devem saber) e congêneres. Sou tão fanático, mas tão fanático, que eu parei de colecionar.

Explico: com o passar dos anos, fui vendo que existiam algumas histórias maravilhosas… e outras nem tanto. E cara… não rola engolir um monte de merda “oh-meu-deus-mais-um-X-man-morreu” pra encontrar um V de Vingança. Então eu desisti. Vou atrás de histórias reconhecidas como boas e deixo minha indefectível sorte me guiar.

Mas nesse caso, eu estava na banca e encontrei esse “Mangá”. O título é “Angry”.

O legal dos mangás é que, via de regra (exceto quando vira um sucessinho que nem naruto) eles possuem começo, meio e fim. O Autor tem uma história na cabeça pra contar. E ele sabe o que quer falar. Depois que ele passa a mensagem, tchau. Acabou. Parte pra próxima.

Não interessa se ia vender mais ou não. Os bons autores não deixam as histórias virar “um pão muito grande com pouca manteiga”. As histórias têm sabor.

Esse mangá, “Angry”, tem como história um triângulo amoroso em uma equipe de Judô. Basicamente existe um carinha que começou a treinar judô porque era apaixonado pela capitã da equipe, a Capitã da Equipe que prometeu que se casaria com o homem que a derrubasse e o Suk Dong Min, que é um órfão que prometeu que nunca deixaria o mundo o derrubar.

Basicamente o carinha que começou a treinar judô era apaixonado pela mina, mas era inepto socialmente. A mina é inepta socialmente (ou é femininamente previsível) e quer que surja alguém capaz de a derrubar porque, só assim, ela poderia aceitar algum amor. O órfão é inepto socialmente porque o pai morreu, o irmão se matou e ele decidiu bater no mundo pra garantir que ninguém nunca mais o machucaria.

“Numa briga, quem sangra pelo nariz primeiro perde. Meu pai, meu irmão, minha família, todos foram perdedores que sangraram muito cedo pelo nariz. Eu não vou deixar isso acontecer comigo.”

Cara, eu sou muito contra isso, esse papo de “incompreendido pelo mundo” que é o conceito de inepto socialmente, mas eu admito: Angry é foda. Durante toda a história eles andam e passam por diversos momentos da vida dos protagonistas (a respeito dos quais eu não quero fazer spoilers) e mostram porque cada um vê o mundo como vê.

No meio do Mangá (são seis volumes bem amarrados de história), o carinha apaixonadinho encontra no quarto da menina um cubo rubik (aqueles cubos mágicos), que foi presente do pai da menina pra ela, e ela disse que nunca conseguiu o montar.

Por algum motivo, o carinha decidiu que se ele conseguisse montar o cubo e entregasse pra ela, ela gostaria dele. O título do capítulo é “Um quebra-cabeça sem solução?”.

(Porra, é um mangá falando sobre adolescentes que lutam judô: é verossímil pra caralho esse tipo de coisa).

Toda essa página de texto (estou escrevendo isso no Word, no aeroporto de Berzonte, pra depois postar) é pra falar que eu vi uma pessoa montando um cubo Rubik.

Não, não é novidade, e eu sabia que o cubo Rubik não é aleatório. Existe um algoritmo pra isso, e você encontra razoavelmente fácil no youtube. Aparentemente existe uma sequência de movimentos pra cada casa que você quer corrigir, cada falha que você quer resolver. Pra levar um canto pro outro, são seis movimentos que, quando feitos, dá certo.

Sempre.

Parece mágica.

Tentem entender… eu passei minha tarde em BH bebendo e eu sei que corro o risco de parecer piegas. Ou assustador. Ou louco.

O problema é tudo isso e um pouco mais.

O problema é que umas semanas antes uma amiga disse que queria fazer física porque achava que é mais fácil entender o movimento dos planetas que o dos seres humanos. (E ela está certa).

O problema é que eu encontrei um brinco dentro do meu sapato, e, cara… isso é bizarro, ilógico e não faz sentido aparente. Mas algum sentido faz, mesmo que eu não consiga entender.

O problema é que não existe problema sem solução. Você pode estar cego, olhando pra folha, sem enxergar a árvore, vendo a árvore, mas sem enxergar a floresta. Mas EXISTE uma solução. Todo nó górdio tem um ponto de desate.

Eu ESTOU piegas, a vida é assustadora, e eu estou intencionalmente aplicando minha vontade em tornar minha vida uma espiral ascendente de insanidade gloriosa.

Mas eu estou cagando e andando pros planetas, pra econometria, pra Teoria dos Jogos, pra Neurolinguística, pro xadrez.

Eu quero aprender o algoritmo da vida humana.

Eu quero saber quais os movimentos que fazem com que os cantos errados se consertem. O que faz os seres humanos pensarem o que pensam, sentirem o que sentem, escolher o que escolhem. Por que quando você olha pra Razão Áurea seu cérebro libera mais endorfinas. Por que a nova propaganda da Chivas é tão foda. Por que a Susan Boyle fez tanto sucesso.

Por que eu estou aqui, nesse aeroporto, bebendo e escrevendo um texto que (por amor…) talvez eu, sóbrio, retalhe e plastifique? Por que eu vim pra cá nesse feriadão? Por que eu escolhi o que eu escolhi, escolho o que escolho, penso o que penso e faço o que faço?

Por que eu quero o que quero?

Por que eu sou quem eu sou?

Quem eu sou?

E sim, eu sei. Das pessoas que leem esse blog, talvez o Alex entenda o que eu quero dizer. Talvez Homem Hipotérmico também saiba do que eu estou falando, se o Breno ler, também, mas provavelmente a maioria que cair nesse post, via Google atrás da busca “como resolver o cubo rubik” pense “Emo de merda”, talvez algumas pessoas pensem “iiiiihhhhh… Anarco em crise, de novo”.

Possivelmente eu serei mal interpretado por alguns. Talvez eu seja bem interpretado demais por outros e, nesse aspecto, me negue a enxergar a verdade.

Mas o fato é que, não existe problema sem solução, e muitas vezes, as perguntas que merecem ser feitas não possuem uma resposta verbal, direta, respondível.

Porque o Tao que pode ser dito, não é o verdadeiro Tao. O Nome que pode ser nomeado, não é o nome eterno. O que não tem nome é o começo do céu e da terra. O nomeado é a mãe das dez mil coisas. Mesmo sem desejo, alguém pode ver o mistério. Mesmo desejando alguém pode ver as manifestações. Os dois advêm da mesma fonte, mas diferem no nome. O que aparece como escuridão é a escuridão dentro da escuridão. O portão para todo mistério.

Google. October 28, 2009

Posted by Anarcoplayba in Uncategorized.
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Ok, como todos podem perceber, esse post começou com um vídeo.

Sabem o que isso significa?

Que eu não tenho assunto, mas que não quero deixar esse blog parado.

Na lista de assuntos eu queria falar sobre Crepúsculo (o que é até que interessante, mas cansativo) e sobre o Tao (que é extremamente críptico e misticalóide pra interessar a alguém aqui).

Assim, resolvi pegar esse vídeo, que eu tinha visto alguns meses atrás e usar ele de mote pra glosar um pouco.

(Glosar, you perv!)

Bom, o grande ponto do videozinho é o fato de que o google tem acesso a quase tudo o que você procura na internet. Suas buscas, seu orkut, seu email, boa parte dos seus blogs, documentos, leituras, etc, etc.

Bom, eu não sou um grande analista de TI (na verdade, conquanto eu seja grande, eu não entendo porcaria nenhuma de TI), mas a primeira coisa que eu penso é: será que só a Google tem esse tipo de informação?

Okey, nós sabemos que a Google tem essa informação porque eles usam. Afinal, você não recebe aqueles anúncios de aumentador peniano à toa.

Vocês não recebem?

Só eu?

Merda…

Anyway, ainda que as pessoas tenham medo de a Google dominar o mundo, o fato é que dificilmente podemos ter certeza de que nossas informações estão seguras. Notadamente se levarmos em conta a quantidade de depoimentos “não aceita esse depô” que são aceitos no “Tolices do Orkut”.

Pois bem… a grande pergunta que eu faço é: É tão ruim assim não ter segredos?

Sim, eu sei, o direito à intimidade é garantido constitucionalmente, (insira aqui argumento óbvio e pretensamente intelectual), e considerado uma das coisas mais importantes na vida… mas… num exercício de retórica… pensemos: Como seria a vida sem a possibilidade de escondermos as coisas que fazemos e pensamos?

Ou melhor: Por que mentimos?

Não, não se trata da puta velha pregando a castidade. Eu sou um ardoroso defensor da mentira. Na verdade, eu sou um ardoroso defensor da mentira, da colaboração e do conflito, que são as três possibilidades de interação social.

Afinal, o Jogo está aí… as leis e regras são claras. Você pode mentir. Mas também pode ser descoberto.

E a questão é: se fosse descoberto, o que você faria?

Negaria até a morte, como um Senador? Pediria desculpas chorando como um cônjuge infiel?

Não consigo me lembrar de uma grande mentira na qual eu tenha sido pego. Deve existir. Se não uma grande, pelo menos uma mentirinha assim… Branquinha… por uma boa causa.

Gosto de pensar que se pego numa mentira, eu preferiria uma atitude mais estóica: “Pois é, menti sim, foi intencional, e achei que era o melhor a fazer na hora. Fui pego, o que é ruim, mas eu mentiria de novo. E tudo teria dado certo, se não fossem esses garotos e esse cachorro intrometido chamado Scooby Doo!”

Corrigindo: lembrei de uma mentira sim na qual eu fui pego e saí com essa: Uma Ex se enfiou no meu MSN e viu que eu ainda conversava com outra Ex. Me perguntou por que eu não contei pra ela que eu ainda conversava com a outra e eu saí mais ou menos com essa.

Acho que novamente entramos naquela questão da Fidelidade (ou Coerência): apenas sendo coerente estamos seguros.

E se fosse impossível mentir, acho que só os que tem coragem pra ser coerentes se sentiriam seguros.

A Experiência Transcendental… October 23, 2009

Posted by Anarcoplayba in Uncategorized.
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Eu me encontro numa estranha sensação de perda… Entendam, estou me aproximando do final de minha história – e é um final que deve ser classificado… Por falta de uma palavra melhor… Como místico.

Eis o meu problema: a experiência transcendente, quando traduzida em palavras… Bem, francamente, não tem tradução. Talvez uma sucessão de clichês e um pouco mais.

Assim, meu instinto diz ara esquecer as palavras e deixar as imagens falarem… E fazendo isso eu estarei provocando um certo segmento de minha audiência.

“- Você está sendo crítico!”

Eles gritarão, sem dúvida.

“- Você está sendo vago!”

Pior: eles me acusarão de pretensão – um crime verdadeiramente desprezível.

Mas essa é MINHA história… e devo dizer isto à minha própria maneira. Sendo assim, só posso pedir àqueles de vocês que ficarão desapontados, ou perplexos, ou talvez com raiva pelo que se seguirá que tenham paciência com um homem velho e tolo… E para perdoá-lo por tentar – tão desesperadamente! – contar um segredo que cada um de vocês já sabe.

Flautando suavemente pelos vales selvagens,
Tocando canções de agradável melodia,
Eu vi um menino entre as densas nuves,
E para  mim ele falou, enquanto sorria:

“Toque uma música sobre um carneiro!”
Assim toquei com imensa alegria
“Toque, toque de novo, parceiro!”
Então eu toquei, e ele chorava e ouvia.

“Larga teu alegre instrumento, flautista!
Canta tuas canções da felicidade!”
Aceitando, cantei tal qual um artista,
E ao ouvir-me, ele chorou com serenidade.

“Senta, flautista! Senta e escreve!
Faça um livro que todos possam ler!”
E ele desapareceu como neve sobre neve.
Sozinho então pensei sobre o que fazer.

De um pedaço de bambu fiz uma pena
Para a água cristalina tingir.
E escrevi canções de alegria serena
Que qualquer criança gostaria de ouir.¹

Hmmm…?

O que você disse?

Oh.

Que visão eu tive lá, girando no nevoeiro? Que canção eu ouvi lá, ecoando na caverna?

Minha alma foi exaltada? Meu coração foi preenchido? Minha vida mudou pra sempre?

Faz tanto tempo que, francamente… Eu nem me lembro mais.

E, assim, eu concluo minha canção de inocência, a história não de minha vida, mas de meu despertar. Caros Leitores, Caros Amigos, eu me despeço…

Dizendo Adeus.

***

in: Moonshadow, DEMATTEIS, J. M. e MUTH, Jon J., Ed. Globo, 1991.

If you have to ask… you’re not ready to know. – Ou: “Aventuras de um Paranóico.” October 17, 2009

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É fato que 85% da comunicação humana é não-verbal.

Aqueles que me conhecem sabem que eu sou… detalhista. Ou, sem eufemismos, paranóico mesmo.

Hoje eu acho que não conseguiria ser diferente. Virou parte de mim. E não posso reclamar também… é uma diversão e tanto.

As interações começam a virar um balé… ou uma arte marcial. Como se fosse um balé intangível.

E é exatamente isso… é quase…visível.

Obviamente tem seu lado ruim… por exemplo, uma ex-namorada me beijava só com 2/3 do corpo: cabeça e tórax. A Cintura ficava láááááááááá atrás.

E isso era uma coisa extremamente incômoda… meu… é horrível estar com uma pessoa que está 2/3 com você.

Por outro lado… o que faz ser gostoso estar com alguém?

Obviamente existem os fatores objetivos, aqueles que independem da relação e são concretos a todo momento: Se a mina é gostosa, é gostoso estar com ela.

PONTO.

Tetinhas são uma coisa legal, pele é necessário e eu ainda sustento o fato de que vagina em alguma espécie de anestésico tópico: você coloca a mão e o mundo todo fica macio, confortável e acolhedor.

Ou seja, pessoas bonitas tem uma vantagem em relacionamentos afetivos inicial.

Admitam… eu fiquei bem no meu uniforme de Capitão Óbvio, né?

Agora… as pessoas que não nasceram privilegiadas pela natureza… bom… elas não tem a vantagem inicial… mas podem superar esse pequeno contratempo.

Existem várias coisas que tornam uma pessoa mais atraente que outra… inúmeras passíveis de serem treinadas. Mas uma eu acho a mais interessante de todas:

As pessoas gostam de estar com alguém que as faz se sentir bem.

(O Capitão Óbvio ataca novamente!)

Eu sei que parece simples e óbvio, mas me respondam uma coisa: quem aqui nunca disse/ouviu/soube de alguém que disse a famosa frase: “Eu te amo, fica comigo!”

Então, isso é idiota.

Uma pessoa que quer ficar com outra porque essa outra pessoa a ama está ficando por carência, orgulho, vaidade, ou qualquer outra coisa que não justifica.

A frase correta seria: “Você me ama, fica comigo!”

Porque se você quer que alguém goste de ficar com você, faça essa pessoa se sentir bem.

Não estou falando de lamber o chão que ela pisa: ninguém gosta de de pessoas servis (quer dizer, pessoas autoritárias gostam, mas se você gosta de pessoas autoritárias, me fale sobre seus pais).

E exatamente essa é a questão: não estou falando que exista uma forma correta de fazer bem para as pessoas. Eu acho que é uma mistura de atenção com desatenção. Um troço meio taoísta, saca? Cheio e vazio, zero e um, liberdade e atenção.

Como fazer isso eu não sei… não acho que exista uma fórmula mágica pra isso… e nem acredito que a resposta pra essa questão seja verbal.

Eu sei que parte dessa resposta é ser 100% com as pessoas. Estar lá com paixão. De corpo e alma.

Outra parte é que se você quer que as pessoas gostem de você e queiram te agradar, faça bem a elas. Seja como um sol e, de repente, quando você menos esperar, vai estar no centro do universo.

Como fazer isso são outros quinhentos…

Mas que é possível, isso é: tem gente que consegue.

Pelo fim da Boiolagem de 3 Letras. October 15, 2009

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Algo vem me incomodando muito nos últimos meses… é o avanço de uma praga na sociedade, que vem agredindo o Homem, se alastrando silenciosamente. Hoje todo mundo conhece alguém que seja adepto… muitos querem experimentar… outros afirmam categoricamente: “Se não tivesse um custo tão alto, eu seria adepto!”

Três letras que estão na moda.

Começa com “G”.

Termina com “S”.

E é uma ofensa à evolução.

O GPS.

Esse aparelhinho que originalmente era um dispositivo militar usado para navegação foi sodomizado pela sociedade de consumo e se transformou de um símbolo bélico em um símbolo da efeminizaçção do homem moderno.

Mais ou menos que nem esse cara aqui, ó:

Vocês conseguem entender? Mesma coisa com o GPS.

Explico.

Todos sabemos que a medição do sucesso da espécie humana, basicamente, se deu com a nossa capacidade de ocupar o globo terrestre.

Na verdade, não apenas nós, mas todas as outras espécies bem sucedidas também. Insetos, por exemplo. A gente ainda ganha por ter gente no ártico e tal, mas é uma vitória questionável.

A base da capacidade humana de se espalhar pelo globo é a capacidade de navegação. Entenda por “navegação” sair de um lugar, chegar em outro que você quer chegar e voltar.

Imaginem nosso Ancestral Genérico, Thog: Acorda de manhã, sai pra caçar. Passa umas 9 horas andando pela floresta, e tem que voltar pra caverna, com uma coxa de brontossauro, que é obviamente um erro ficcional, mas que é engraçado.

Então… se Thog não conseguir voltar, se fudeu. Provavelmente morreu. Ou não vai ser um bom caçador. Sendo criança então, se fudeu. Será o fim da pobre viúva, Glarnt e do pequeno Terg.

Isso se ele conseguir se casar… imagina as mulheres discutindo: “Você conseguiria viver sem saber se seu marido volta pra casa?” “Eu não!” “Então não case com Thog!”

Moral da história: Se você não sabe voltar pra casa, é melhor conseguir meter rápido!

Mas vamos sair da pré-história. Outro exemplo de sucesso evolutivo: os navegadores!

Desde os Vikings, que estupravam as casas e pilhavam as vilas. Ou o contrário, Whatever.

O ponto é que, de Cabral a Erik, de Colombo a Marco Polo, a capacidade do homem de se orientar foi fundamental para a seleção natural, sendo até mesmo medida pela capacidade do homem em questão de manejar instrumentos hoje obscuros como astrolábios e sextantes, ou ainda conhecidos, como bússolas e mapas.

No entanto, veio o GPS.

Tudo bem que o GPS teve, em seu nascimento, uma finalidade nobre: Permitir jogar bombas na cabeça de outros seres humanos.

Mas hoje, essa onda de GPS só serve pra acabar com todos os MILÊNIOS que a Seleção Natural teve de trabalho selecionando os capazes de se localizar.

Quem usa GPS está jogando no lixo (NO LIXO, ouviram bem?) toda a história da humanidade.

É um desrespeito com todo o trabalho que seus ancestrais tiveram para sobreviver.

É um desrespeito com a sua capacidade herdada.

É preguiça de ler mapas.

Por isso que eu falo: GPS é coisa de boiola: Macho que é Macho lê mapas.

Obviamente as mulheres estão excluídas disso, uma vez que mulheres podem fazer coisas que homens não podem sem serem taxados de viados.

Fresh. October 11, 2009

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Há mais ou menos dez anos atrás, eu tive a sorte de assistir a um filme chamado “Fresh”.

Digo sorte porque foi num dia qualquer, lá pela meia noite, na Bandeirantes, sem qualquer aviso ou intenção.

É um filme desconhecido, que não fez muito sucesso e eu nem esperava muito, pra ser sincero.

E essa série de fatores pôde me proporcionar aquela experiência única que só a falta de expectativa com algo te proporciona. A surpresa embasbacante.

Fresh é sobre um garoto (Michael) que vive num gueto nos EUA e faz uma grana trabalhando de aviãozinho.

Ele tem doze anos, é meio tímido, tem problemas com a família e tem sonhos: sonha com uma vida melhor.

Até aí, todo mundo tem sonhos de uma vida melhor, mas poucos viram realidade, não é?

Bem, o que Fresh tem que os outros meninos da idade dele não têm? Ou muitos adultos que moram em guetos? Ou muitos adultos que não moram em guetos? Ou muita gente no mundo não tem?

Ele tem como pai o Samuel L. Jackson ensinando xadrez.

Ok, eu admito que a piada provavelmente quebrou o tom do post, mas é verdade. O filme é estrelado pelo Samuel “MotherfuckingJediMaster” L. “IWantThisFuckingSnakesOuttaThisMotherFuckingPlane” Jackson no papel do Pai de Fresh.

Eu lembro que quando eu vi esse filme eu achei ele um dos melhores filmes envolvendo Xadrez que eu já tinha visto. Notadamente porque o pai dele dá uns ótimos conselhos pra vida:

“Você joga como se perder cada peça doesse! Isso é xadrez! Eu tenho um Rei, e você tem que capturar essa merda de Rei! As outras peças são apenas meios para um fim!”

“Você tem medo de perder a sua Dama? A Dama é um peão com um monte de movimentos frescos! Se você tem medo de perder a sua Dama, você não joga! Pressione! Ameace roubar a Dama de alguém que a valoriza e essa pessoa não joga!”

“Time ain’t no fucking money! You can recover anything you lose, except for time!”

Isso tudo me lembra da época na faculdade em que eu encabeçava a equipe de xadrez e treinava todos os sábados às 10:00 da manhã com o MI Carlos Alejandro Martinez.

Ele falou várias coisas interessantes.

“O grande problema é que as pessoas não têm planos. Eu vejo jogadores competentíssimos e eles não têm plano de jogo. Eles até sabem responder a aberturas, jogadas ensaiadas, táticas… mas não têm um plano. 90% dos jogadores, hoje, fica se debatendo no tabuleiro até conseguir uma vantagem… e com essa vantagem eles capitalizam pra vitória. Isso pode até funcionar. Mas não é um plano. Não funciona com jogadores realmente bons.”

“Um jogador tem que decidir onde ele vai vencer. Ele tem que escolher um lado do tabuleiro e se dedicar àquilo. O jogo pode estar perdido, mas se ele tiver uma esperança, uma única chance, ele deve jogar naquele sentido.”

“O problema do xadrez é que um lance ruim não é só uma coisa ruim que você fez: também é uma coisa boa que você não fez.”

As pessoas têm a mania de falar que Xadrez é uma metáfora pra vida. De certa forma é. Se você simplificar a vida, você verá muitos elementos dela no Xadrez: escassez de recursos, regras, leis, táticas, etc.

Obviamente a vida é muito mais elástica quanto às regras, fora que as variáveis são muito maiores.

Mas, estranhamente, ainda são mais parecidos que diferentes: você tem um objetivo, meios e leis.

Com esses três fatores em harmonia você vai viver uma vida boa.

“Ah, claro… vai jogar com o Kasparov então pra ver o que é bom pra tosse!”

Prezados, se eu tivesse essa chance ia na mesma hora. Notem, por favor, que não me refiro a vitória ou derrota.

Estou falando que se você tem um plano, você vai viver numa boa.

O problema é que as pessoas em geral não têm objetivos, ou ficam gastando seus recursos de forma aleatória, ou ignoram as leis.

E o que é um plano, senão a alocação de recursos, considerando leis, com a finalidade de alcançar um objetivo?

Se você tem um plano e o segue, você pode até perder… mas vai ter se divertido pra caralho enquanto isso e ter aprendido algo.

Burrice e esquecer o rei e viver em função da rainha.

WWJD? WWCND? October 5, 2009

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Uma das coisas mais importantes na vida é ter bons paradigmas de comportamento para guiar suas ações em momentos moralmente duvidosos ou situações difíceis.

Nesse ponto eu gostaria de compartilhar com vocês dois dos meus paradigmas de comportamento mais relevantes, e que mudaram minha vida: O Capitão Nascimento e o Coringa.

Como Tropa de Elite juntamente com Dark Knight são dois filmes que mudaram minha vida, sempre que me encontro em uma situação complexa eu me pergunto: WWCND: What Would Capitão Nascimento Do? WWJD: What Would Joker Do?

Exemplos:

“Capitão Nascimento, Coringa, broxei. Que que eu faço?”
“- Senta o dedo nessa porra!”
“- Why so serious?”

“Capitão Nascimento, Coringa, tomei um pé na bunda da minha namorada, tô deprimido e fico em casa o dia inteiro. Que que eu faço?”
“- Pede pra sair! “
“- And now… let’s introduce a little Anarchy. Upset the established order. And everything becomes Chaos. And do you know the thing about chaos? It’s fair.”

“Capitão Nascimento, Coringa, minha namorada não quer me deixar sair com meus amigos. Que que eu faço?”
“- Você não vai falar mais nada do meu batalhão! Quem manda nesse relacionamento sou eu, escutou! Não quero ouvir falar mais uma palavra sobre os meus amigos!”
“- I just show how pathethic are your tentatives to control this relationship.”

“Capitão Nascimento, Coringa, quando devo parar o sexo oral?”
“- Missão dada é missão cumprida!”
“- Let’s put a smile on that face.”

E por aí vai.

Bem, a piada basicamente acaba aí e eu não tenho muito mais a acrescentar. É engraçado, dá pra quebrar o gelo nos bares, etc, etc.

Piadas à parte, ambos os personagens são realmente interessantes.

O Capitão Nascimento é a personificação da ordem: Não quer saber por que, quer acabar com o crime. Não interessa se é Vapor, Chefe de Boca, Soldado. Vai pro saco. Se ficasse sabendo da história do Baiano, talvez até ficasse comovido. Mas não vai ficar sabendo.

Pra ele, missão dada é missão cumprida. Não importa a que preço.

O Coringa, no entanto, eu diria, é o oposto: Se o Capitão Nascimento é um agente da Ordem, o Coringa, como auto-proclamado, é um agente do Caos.

Enquanto o Capitão Nascimento faz o que tem que fazer, o Coringa questiona por que você acha que tem que fazer?

Tecnicamente, se você tem dois elementos opostos pra orientar suas decisões, você tem um espectro com todas as potenciais decisões possíveis, basta escolher.

Tipo o diabinho e o anjinho nos ombros.

Isso é uma coisa genial, porque te permite escolher com liberdade, e também é uma coisa profundamente IMBECIL e IDIOTA, porque se você tem dois vetores opostos você têm que cogitar TODAS as possibilidades, o que é algo filosoficamente bom, mas não ajuda em NADA no sentido de te poupar o trabalho de pensar.

Ou seja, eu limito meus paradigmas de comportamento a TODOS os comportamentos possíveis, o que não é limitação alguma!

Ou, biblicamente falando, tudo é permitido, mas nem tudo me convém.

Mas ontem, durante um porre, eu finalmente me toquei de um elemento que me veio à cabeça, relativo a uma das melhores cenas do filme (Dark Knight, no caso):

Essa, na minha opinião, é a melhor cena do filme, notavelmente porque joga na nossa cara uma série de fatores: Se as coisas vão de acordo com os planos, ninguém se preocupa, mesmo que os planos sejam horríveis.

Mas o ponto que me fez parar pra pensar foi: o Joker pergunta se ele se parece com alguém que faz planos, e imediatamente afirma que é “um cachorro, correndo atrás de carros, que não saberia o que fazer mesmo que pegasse um”.

Wrong.

O Coringa é fiel a um propósito: Caos. Seu objetivo é mostrar que o verniz de civilização que passamos ao redor de nossas relações são uma farsa. Sugar coating the shit.

Não quero dizer que acho que nós sejamos invariavelmente selvagens produtos do meio. De forma alguma. Creio, no entanto, que se não questionarmos nossos paradigmas comportamentais, somos pouco melhores que gado. E gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata.

Respeite os mais velhos? Por que? Filhos da puta também vivem muito. Vide ACM e Sarney. Além do mais, falar que você deve respeitar os mais velhos é limitar muito o Verbo, não? Por que não tornar mais verbos intransitivos?

Mas tergiverso novamente.

O Coringa afirma ser “um cachorro que apenas faz coisas”. Mentira. É tudo planejado. É tudo um plano. Tem objetivos, começo, meio e fim. Algo como o outro Anarquista Sorridente, o V, disse:

“Veja por si mesma. As peças estão postas diante de mim. Perfeitamente alinhadas. Quando completas, qualquer um vai perceber seu desenho, sua grande significância. Mas ‘quase terminando’? Sim. Acho que estou. Embora o reconhecimento tenha sido retardado por sua construção tortuosa, agora, o padrão há muito escondido emerge. Não é belo? Não é simples, elegante e austero? Não é estranho que depois de um longo e exaustivo trabalho de preparação, tudo que isso requeira seja um mínimo de esforço e nenhum raciocínio para dar início a esa breve e elaborada brincadeira, a uma veloz e intempestiva corrida? O mais leve toque, só isso, e tudo se encaixa. As peças não podem perceber como manipulamos suas tentativas de arranjos: estas fileiras frias e obedientes, tão prenhes de catástrofes, insensíveis ante a onda em breve liberada pelo insensível destino. Muito afetadas, compreendem quase nada.E a compreensão quando chega, invariavelmente, já é tarde demais. Na verdade, elas não perceberão que algo está errado até serem colhidas pelo violento impulso, provavelmente confundindo-o com uma brava e decisiva ação, uma derradeira medida para impedir o desastre, a cavalaria que vem em resgate… Mas não há resgate. Apenas queda. Pronto. Está vendo as peças? Em pé com seus pares, as faces brancas e indiferentes. Nuremberg em miniatura, fileiras de homens de madeira… Pobres coisinhas. Pobres dominós. Seu lindo império demorou tanto pra ser erguido. Agora, com um estalo dos dedos da história… ele se vai. Voilá.”

E parte do plano, diga-se de passagem, a parte mais importante do plano naquele momento é a aparência de não existir um plano.

O que me faz pensar: Pensamos na liberdade. Até mesmo ansiamos tal coisa. Mas não existe liberdade dentro de um propósito. Se você tem um objetivo, um plano, você tem passos. Um processo para seguir. Uma técnica, uma estratégia, um estilo.

“Na calma, na tranquilidade, sem correria. Olhou, fatiou, passou. Olhou, fatiou, passou.”

Dentro de um plano, você não tem liberdade. Não seguir o plano é não ter um plano.

Tendo objetivos, você não é livre. E sem objetivos você está à deriva. Como um tronco no mar.

Obviamente não quero dizer que os planos são eternos. Não são. às vezes os completamos, às vezes os alteramos, às vezes os abandonamos. Mas tendo um propósito, nossa liberdade de escolha é imediatamente limitada.

E sem um propósito, nossa vida é vazia.

Subitamente a liberdade me parece muito mais distante do que eu pensava.