One Punch Man.

August 31, 2016 § Leave a comment

Dois fucking dias antes do meu aniversário e tudo que eu tenho a falar é sobre um fucking Mangá.

***

One Punch Man é uma homenagem ao anticlimax. É um Mangá/Anime sobre um herói que consegue derrotar todos os inimigos com apenas um soco.

Pense em todos os mangás e animês até agora criados. Pense em todas as horas de sofrimento que o protagonista passa para conseguir vencer um inimigo claramente superior.

OPM é o contrário.

Com um soco ele vaporiza os inimigos durante o discurso de ameaça deles. E logo em seguida fica puto porque esperava que aquela luta representasse ALGUM desafio.

Saitama (identidade do OPM) é um ex “salary man” (termo usado em japonês para indicar o trabalhador de colarinho branco em funções de pouco prestígio nas empresas) que decide, em virtude do tédio, virar “super-hero for a hobby”. Sua pretensão com isso é preencher o vazio de sua vida com a adrenalina do desafio.

Dedicando-se a treinar durante três anos (fazendo 100 flexões, 100 agachamentos, 100 barras e correndo 10 quilômetros todos os dias) Saitama alcançou o nível de poder capaz de esmigalhar um meteoro com um soco. Wait. Wut? Sim, isso mesmo.

Depois de derrotar um monstro com um tapa, um ciborgue pede para ser seu discípulo. Relutantemente (por acreditar que não tem nada a ensinar) ele aceita. E descobre que para ser um super-herói ele precisa se filiar ao Sindicato dos Super-Heróis, ou será considerado apenas um louco.

Ele se filia e descobre que seu discípulo ciborgue está ganhando muito mais notoriedade especialmente por ser… bonito.

Em suas tentativas de subir em classificação de herói Saitama enfrenta heróis mais antigos que decidem sabotá-lo fazendo bad publicity dele para o povo.

OPM acaba trabalhando a vertente do humor nonsense em todos os episódios: No fim trata-se da história de um herói que resolve tudo sem emoção alguma.

***

One Punch Man é um Mangá sobre um herói depressivo.

Um herói que era um white collar worker, sem razões para viver uma vida sem emoção, que não sentia prazer em nada, e que decidiu ser herói por hobby no tempo livre. Não estranhamente, ele se tornou melhor no hobby que no trabalho sem sentido que fazia mas, ainda assim, não encontrou qualquer prazer em nada.

Sua vida é sem desafios e mesmo o que pode parecer um grande risco se mostra apenas mais um dia. E a expressão bland and blank dele mostra isso.

Não bastasse isso, para ser reconhecido em seu hobby, ele precisa da aprovação de seus pares. Sem a aprovação do sindicato, liga, federação, whatever, não interessa o quão forte ele é: ele não existe.

E não basta fazer bem o trabalho: sem o famigerado “marketing pessoal” e o “networking” é muito mais difícil obter o sucesso.

***

One Punch Man é uma história tristemente parecida com a realidade: uma vida sem sentido num emprego fungível que só ganha cores aos finais de semana. Uma vida na qual sem o reconhecimento de um grupinho você não é parte da “comunidade”. Uma vida na qual o marketing pessoal cria Bel Pesces da vida enquanto empreendedores desembolsam economias da vida num negócio que, às vezes, falha.

Um dos meus maiores problemas é superanalizar coisas bobas. E eu fiz isso de novo.

Mas que faz sentido… isso faz.

 

 

Só é despedida quando você não quer que seja. Parte II.

August 7, 2016 § 2 Comments

Ou “Eu não amadureci tanto assim nos últimos dez anos”.

“A morte, o destino, tudo, estava fora de lugar. Eu vivo pra consertar.”

Mais de dez anos atrás um grande amigo saiu de sampa pra ir pro RJ. Por n motivos, mas resumindo, várias coisas ruins aconteceram e ele decidiu começar de novo. Ele fez uma festa de despedida na qual eu não consegui ir, mas como ele era meu colega de apartamento, não faltou a chance de uma última cerveja. E nesse dia eu falei “respeito sua decisão, mas não gosto. Eu gosto dos meus amigos perto de mim.” E ele me respondeu da forma ainda mais surpreendente: “Na minha despedida foram todos os meus amigos de faculdade e trabalho. Mas você foi o único que falou que queria que eu ficasse.”

E era verdade. Eu sabia o que ele queria. E eu queria outra coisa. Porque eu achava o melhor pra ele. Porque eu me importo com o mundo ao meu redor.

Em n motivos eu sou um filho da puta. Às vezes eu rezo pra que um meteoro me esmague e livre o mundo da minha existência. Eu sou bom em uma pá de coisas ruins. Eu sei mentir, eu sei brigar, eu sei tocar a música certa pra fazer as pessoas dançarem. Eu sou um desperdício de matéria orgânica na face da Terra. Seria melhor dividir meu corpo entre três etíopes. Mas eu tenho UMA coisa boa. Uma e apenas uma: eu quero ver as pessoas felizes.

Isso e apenas isso.

Mas tem um problema. Eu quero ver as pessoas felizes, mas não consigo fazer as pessoas felizes. Eu não consigo nem cuidar da minha vida, quanto mais cuidar da vida dos outros. Eu mal consigo cuidar de dois gatos. Quanto mais ajudar um amigo que está de mudança pra Alemanha porque a mãe da filha dele fez alienação parental e ele concluiu que não restou nada ora ele aqui se ele não tem a filha dele.

A morte. O Destino. Tudo. Está fora de lugar. Eu vivo pra consertar . E fracasso.

Eu falei anos atrás que eu queria o Algoritmo da Alma Humana. Porque eu queria consertar almas tortas. Deus do céu. E até hoje eu não consegui. Nem a minha. Nem dos meus familiares. Nem dos meus amigos. Não consegui. Nada. Eu sou aquele que vê a casa caindo e nem consegue tirar o carro da garagem. Pra quê eu sirvo na face da terra se eu não consigo nem ajudar as pessoas que eu amo?

Uma vez eu falei pra um amigo que tem polaridade política oposta à minha que eu só conversava com ele sobre política porque nós dois queremos a mesma coisa: Um mundo melhor. Discordamos do caminho pra isso. Mas desejamos.

E deus do céu… Como é difícil fazer alguma coisa que preste. A metáfora da semeadura é perfeita. Centenas de sementes pra dezenas de brotos e unidades de plantas. Deus do céu. Eu quero ver mais plantas.

Eu não sei o que vai ser do futuro. Mas eu vou consertar o mundo ou morrer tentanto. E se for pra não conseguir resolver nada, que pelo menos o morrer tentando chegue logo.

E sim. Isso é um post desabafo.

Stranger Things is an Anagram to Stephen King!

July 30, 2016 § Leave a comment

Ou quase.

Ou “O que a Augusta tem a ver com Netflix.”

***

Na Década de 2000 a Rua Augusta, em São Paulo, era parte da “Boca do Lixo”. Uma área de botecos, puteiros, putas de rua e drogados. Ok, ainda é uma área de botecos, puteiros, putas de rua e drogados, mas os drogados são filhos da Classe Média-Alta fumando maconha e cheirando cocaína, não os mendigos crackudos. Os botecos, salvo raras exceções, viraram botecos sujos com preço de limpinhos. E as prostitutas e puteiros estão cada vez menos presentes. Se não me engano uns dois ou três puteiros tradicionais foram incorporados em prédios residenciais de classe média-alta.

E tudo isso teve um estopim: Vegas.

O Vegas era uma balada que abriu em um determinado momento da década de 2000 (não, não vou procurar datas. Isso é um blog, não a wikipedia.) e foi um sucesso. Captando o público “alternativo” e gls (hoje lgbtt) a casa foi um sucesso e abria de quarta a domingo. E pra uma casa noturna, abrir de quarta a domingo é bastante coisa. Subitamente a Augusta entrou no circuito underground de baladas. A rua que antes era alternativa de lazer de Office Boy querendo gastar o salário no puteiro virou ponto de artistas, publicitários, atores, e demais profissionais ditos “criativos”.

Um dos efeitos do Capitalismo e da Livre Concorrência é que todos querem ganhar dinheiro. Portanto, boas ideias tendem a ser copiadas à Exaustão. Nos anos que se seguiram, inúmeros outros barzinhos, pubs, casas de show, baladas and whatsoever abriram na região, tirando a Augusta do roteiro underground de baladas pro roteiro mainstream. Sem uma gota de esforço estatal a região se revitalizou. Os aluguéis aumentaram, a segurança aumentou e o que antes era falta de opção para muitos se tornou opção para poucos: morar na Rua Augusta. Por ironia do destino, os aluguéis subiram tanto que o Vegas, pioneiro da revitalização, fechou suas portas por não conseguir mais arcar com tal custo.

Esse efeito foi estudado na Inglaterra, em bairros que deixaram de ser “ruins” e se tornaram referência cultural. De forma resumida, as ondas de consumo seguem um caminho padrão: Um grupo pequeno que quer se diferenciar dos demais. Em seguida isso vira uma moda em um nicho específico. Tempos depois a moda se populariza e alcança toda a sociedade. Em breve a moda vira mainstream e logo o grupo pequeno que quer se diferenciar lança uma nova moda. Indie Rock, óculos de armação grossa, barba e bigode, camisetas com ícones pop da década de 80/90, Rua Augusta, etc. É quase uma Lei da Natureza Humana, disponível para quem souber usar.

***

O último grande sucesso do Netflix (e do Universo da Cultura em Geral)  foi “Stranger Things”. Uma série produzida pelo próprio Netflix que paga tributo e homenagem aos filmes da Década de 80. Os Goonies, ET, Carrie, Conta Comigo, and so on. As referências vão desde a abertura que se vale de uma tipografia que sugere Stephen King a uma menção explícita a esse autor em um determinado episódio. Há também referências gráficas aos Langoliers em “Uma Fenda no Tempo” e outas dezenas de sugestões.

Tal “exagero” nas referências não é um problema porque a série é boa e as referências efetivamente bem feitas e acabam não pesando. A série não é ótima, não é maravilhosa, mas é boa. Cria-se um suspense bom, o Drama funciona bem, os personagens, ainda que caricatos, amadurecem e a história é bem contada. A série funciona bem, mas não é algo que vai ser lembrada daqui a cinco anos como algo maravilhoso e que precisa ser assistido de novo como Breaking Bad (mas talvez eu pague a língua), portanto, o sucesso alcançado precisa ser melhor explicado. E ela fez o sucesso que fez pelo mesmo “Efeito Augusta”.

Assim como na vida real, a Internet possui um grupo pequeno que faz muito barulho. São os fanboys que querem que as obras que eles gostam façam sucesso e tratam de espalhar isso para todos. Nada contra ser fanboy. Eu sou fanboy de uma pá de coisa.

Ao bater nessa “classe” da Internet, as obras podem ser aceitas ou rejeitadas. Mas se forem aceitas, terão propaganda gratuita. Especialmente na Internet, em que a quantidade de produtos é infinita, tendemos a seguir indicações de pessoas que sabemos que possuem um gosto parecido com o nosso. Breaking Bad ganhou propaganda gratuita dos que trabalham com literatura, artes e cinema em geral. O Roteiro é perfeito, ponto. Isso fez com que algumas pessoas fizessem propagando, inúmeros fossem assistir e, desses inúmeros, alguns odiaram e outros amaram. Mas fez sucesso.

Stranger Things mirou outra base de fanboys. Nerds que tiveram a infância na década de 80. A série permitiu lembrar, de forma nostálgica, todas as coisas que deram um “boom” naquela época: videogames, hq’s, RPG, ET, etc, etc, etc. Conclusão? A Série ganhou propaganda gratuita. Vi pessoas que falaram que a série “ganhou eles no primeiro episódio, com os garotos jogando RPG”. Nada contra. Mas me parece pouco pra ser ganho assim, num primeiro episódio.

Toda a Série me deixou com a impressão de que é um frankenstein de séries, filmes e conceitos feitos para agradar a audiência. Ser um frankenstein não é ruim. O próprio monstro é legal pakas. (E não me encham o saco falando que Frankenstein é o cientista, não o monstro). A série ficou até algo parecido com os filmes do Tarantino, se o Trantino não fosse um psicótico doente que gosta de virar o mundo de pernas para o ar. Mas a marca da produção artística atual é a releitura e as referência. Fazer uma obra baseada em referências e releituras tende a agradar o público (vide Star Wars e Tarantino).

Eu não considero ruim quando alguém cria uma obra pensando em agradar a audiência. Também não considero automaticamente bom. É apenas um fato. Baseado em algo muito próximo de uma Lei Humana. É saber usar as cordinhas inconscientes que nos movimentam. Nada contra cordas. Mas gosto mais delas conscientes.

O Prêmio pela Bondade.

July 10, 2016 § 2 Comments

A pergunta que mais destroça religiões é “Por que coisas boas acontecem para gente ruim?” e sua gêmea “Por que coisas ruins acontecem para pessoas boas?”. Gosto de pensar qu isso vem de um inerente e mal colocado senso de justiça humano ou da nossa vontade desagradável de antropomorfizar tudo.

Esperar que o Universo lhe trate bem porque você é uma pessoa boa é esperar que a chuva não molhe os injustos ou que o Sol não brilhe para os maus. O Sol nasce para todos e a chuva, resumidamente, cai em quem está na chuva.

Isso é fácil de se pensar quando falamos em Sol, Chuva, Verão e Inverno. Mas menos fácil quando falamos em um câncer, uma demissão, um acidente de carro, um infarto, um estupro ou uma leucemia numa criança de oito anos. Sim, é ruim. Não, não é punição. Se morrer fosse alguma punição não seria algo tão democrático (talvez a única coisa realmente democrática).

Os Católicos costumam responder a essa pergunta sobre coisas ruins com pessoas boas com um dos maiores clichês teológicos possíveis: “Deus tem planos e eles são insondáveis”. Bom, isso é problemático porque é ma ofensa àquele mandamento lá de não ter imagens de Deus. Pretender que Deus tem planos é achar que Deus tem interesses, vontdes ou o que quer que seja. Como se Deus tivesse realmente curiosidade pra saber o que você faz no sábado à noite, sua safadeenha.

Outro clásico é o famoso “tudo acontece por uma razão”. E com isso eu concordo. Burrice, por exemplo, é uma razão muito comum. Mas isso não responde. Se eu quebro meu pé bicudando uma pilastra, a causalidade é deveras evidente, coisa que não acontece quando um membro da família morre de repente.

Uma das minhas respostas favoritas ainda é a dos antigos cabalistas, que tiram D’us da parada e resumem a uma frase curta e hermética: “O Prêmio para a Bondade é a Bondade e a Punição para a Maldade é a Maldade”. Meu professor de Literatura Hebraica falou isso com um elevado ar professoral (sorry pelo trocadilho) e complementou “vocês conseguem imaginar como é ruim ser ruim?”.

Eu gosto da frase e desgosto da interpretação. Muito bonito, muito fofo, muito cuti cuti, mas não se sustenta. Olha para o mundo e veja se pessoas “más” (peço desculpas pelo aparente maniqueísmo, mas destaco que ele é apenas aparente) não se regojizam com sua maldade. Se regojizam. Um clássico das aulas de medicina legal é o prazer da confissão, quando criminosos contam o crime com detalhes cênicos, como se estivessem revivendo o momento do crime e reaproveitando-o. Não se trata apenas de cimes passionais, mas também de criminosos profissionais, como assaltantes a bancos, que se orgulham de seu profissionalismo.

Malandros se aprazem em serem malandros. Corruptos se aprazem em serem corruptos. Caridosos se aprazem na caridade. E por aí vai. Sem punições. Sem julgamentos. A vida segue e não há nada de novo sob o Sol. Apenas uma verdade que segue triunfante:

O prêmio por ser quem se é é ser quem se é.

Uma análise presunçosa sobre Game of Thrones.

June 28, 2016 § 1 Comment

(Que contém spoilers.)

Ok, terminou a sexta temporada e estamos indo para a última temporada (que assim como Breaking Bad vai ser esticada em duas, então sim, eu sei que tem mais dois anos, mas não, isso não faz duas temporadas) e é o momento perfeito para fazer uma análise que eu estou postergando faz tempo sobre a série (não, não li os livros ainda).

1) A Magia em Game of Thrones.

Uma das coisas que eu acho mais interessante em GoT é a magia. Existe magia, mas ela consegue ser ainda mais discreta que em Senhor dos Anéis. Melisandre queima uma sanguessuga e alguém morre. Coincidência? Não? Não dá para saber. A Magia em GoT está nas coincidências. Quem ofende as leis dos deuses acaba sendo castigado. Cai um meteoro na cabeça dele? Não. Mas ele morre exatamente como matou. Os arquitetos do Red Wedding morreram com um tiro de besta, esfaqueado no coração e com a garganta cortada diante do cadáver do filho.

Isso cria um capítulo completamente novo sobre “verossimilhança”. “Ain, que coisa tosca, aquilo na Batalha dos Bastardos foi deus ex machina”. Sim, foi. Assim como o que aconteceu com o Oberyn. E com a Arya. E com a Ygritte, que não erra um coelho a trinta metros, mas errou o Jon. O Cão deveria ter morrido também e não morreu. E por aí vai.

Outra coisa interessante é o Poder do Sangue. Filhos de Nobres são melhores que filhos de plebeus. Porque são nobres. Ponto. Um exército liderado por um nobre luta melhor. Um nobre é mais forte. Ponto. O Direito de Governar está ligado ao sangue. E funciona. Porque é mágico.

As pessoas possuem funções no grande esquema das coisas. Hodor tinha UMA função durante toda sua vida. Cumprida a função, ele pode morrer. Isso parece cruel para nossa vida individualista… Mas em uma terra na qual o que importa é que o Fogo vença o Gelo, isso é uma honra.

2) A Religião em Game of Thrones.

Essa é a parte mais legal de todas. Existem basicamente três panteões em GoT: Os Deuses Antigos, Os Sete e O Senhor da Luz.

Os Deuses Antigos são basicamente uma religião panteísta que idolatra árvores e elfos. Ops, quer dizer, Árvores e as Crianças da Floresta.

Os Sete são uma religião politeísta que idolatra sete personificações antropomórficas de aspectos da humanidade: O Estranho (A Morte/Saturno), a Sábia (Júpiter), O Guerreiro (Marte), O Pai (Sol), a Dama (Vênus), o Artesão (Mercúrio) e a Mãe (Lua).

O Senhor da Luz, cuja fé o proclama como o Único Deus e queima os hereges por aí.

Existe uma relação clara entre as religiões “reais” em ordem cronológica (Paganismo, Politeísmo Greco-Romano e Monoteísmo Judaico-Cristão) e as religiões de GoT. Cáspita, o catolicismo deles até queima bruxas por aí também.

E nesse aspecto, duas coisas saltam à vista: primeiro que todas as religiões funcionam. Os deuses antigos funcionam, atuam, influenciam nas coisas. Os Sete também. E o Senhor da Luz nem se fala. Isso sugere que o foco da religião não são os Deuses, mas os seres humanos. TALVEZ daí venha boa parte do Segredo de Atlântida, ops, quer dizer, Valyria e do Poder dos Maesters.

Além disso, tudo indica que a Fé do Senhor da Luz vai mesmo se estabelecer.

3) Um mundo de Transição.

Um dos tópicos mais fortes em GoT é a transição dos velhos modos para os novos modos. Ned morreu porque representava os velhos modos. A maior parte dos patriarcas foram mortos e destronados. Daenarys passou a maior parte das seis temporadas lutando contra os velhos modos (escravidão).

Foda-se o nome. Um Snow é Rei de Winterfell. Foda-se a tradição: Arya é Arya E é uma Sem Nome (ela bebeu do poço, não?). Acaba a Casa Frey. Acaba a Casa Bolton. Acaba a Casa Martell. Os Lannisters não têm mais herdeiros. A Patrulha da Noite não enfrenta mais os Wildlings. Morreu o último gigante. Os Greyjoy virarão comerciantes. Daenerys não quer ganhar a dança das cadeiras, quer quebrar a roda dos tronos. E por aí vai.

E eu acho que essa é a grande razão pela qual GoT faz sucesso hoje: ele fala de uma transição entre o passado e o presente, semelhante à que acontece entre a Idade Média e a Idade Moderna: Robert derrubou a maior dinastia já estabelecida e com isso mostrou que poderia ascender ao trono. Depois disso todos entenderam que o Trono de Ferro era viável. Direito de nascença o cacete. Aqui é livre arbítrio burguês.

Se eu fosse arriscar um palpite, portanto, diria que tudo caminha para um resultado “moderno”: As velhas casas caem, os bichos papões morrem junto com os outros seres mágicos (White Walkers, Crianças da Floresta, Dragões, etc.) e no final a gente termina com algo próximo a uma democracia.

***

Para quem quiser mais umas brincadeiras sobre GoT: http://www.dorkly.com/post/79337/10-insane-details-game-of-thrones-fans-have-noticed

Minha faca.

April 25, 2016 § Leave a comment

Cheguei em Cruzeiro hoje, depois de uma semana que envolveu, na falta de um, dois foras por whatsapp. E descobri que meu avô meu deu uma faca de presente. Ele me mandou um áudio avisando que ela estava numa caixinha no alto de um armário. Disse que não sabia se seria muito útil, mas que talvez servisse pra churrasco ou coisa do gênero:

promoção

Não sei se meu avô sabia o que estava fazendo. Mas junto com essa faca nova de churrasco, um brinde, estava essa faca velha e maltratada:

antes

Essa faca velha e maltratada foi a minha primeira faca. Comprada em 1996. Vinte anos atrás.

Nesses vinte anos (como parece óbvio) eu a perdi de vista. Eu havia comprado, na época, para acampar com meu pai. Não é uma faca muito boa. A marca é Tramontina (nada customizado, ou de alguma cutelaria profissional). O desenho dela é meio tosco. O Cabo é em plástico (nada de osso de Cervo ou coisa que o valha). Mas é a minha faca.

***

Anos atrás eu fiz uma paródia do poema “My Rifle”, o “My Knife”.

This is my knife.
There are many like it.
But this one is mine.
My knife is my best friend.
It is my life.
I must master my knife as I must master my life.
And I will.

***

Quando eu recuperei minha faca dei uma olhada boa nela. Tinha umas manchas de ferrugem, causadas pela Água, um denteado FEIO na lâmina e bastante marca de uso. Parece que, sem eu saber, deram uma bela zoada na minha faca. Mas agora ela voltou pras minhas mãos. E agora eu tenho as ferramentas necessárias para arrumá-la.

Desci para a oficina. Minha primeira preocupação era em consertar aquela marca grosseira de denteado. Como se tivessem usado ela pra cortar um prego ou algo que era duro demais, sujeitando-a a algo para o qual ela não fôra feita.

Quando a lâmina é fundida, ela passa por um tratamento térmico. Primeiro você aquece o metal ao rubro, no Fogo, e depois esfria rapidamente, na Água. O choque deixa o aço duro. Para ser útil, ele passa por um aquecimento moderado, para relaxar. Sem isso, qualquer choquezinho quebra ele.

O correto seria eu tirar o tratamento térmico, voltar ela para o formato original e depois temperá-la de novo. O problema é que ela já tem um cabo, para manejar a faca com tranquilidade, e isso me faria perdê-lo. Eu poderia até tentar fazer outro, mas o controle que o cabo oferece é tão importante quanto o fio da lâmina.

Dei uma marteladinha para quebrar a marca e passei no esmeril, molhando bem com Água para garantir que o aço não perdesse a têmpera. Depois lixei para tirar a ferrugem e as marcas. Aço bom enferruja. Armas têm que ficar longe da Água. Só aço ruim, morno, nem quente nem frio que não sofre com a umidade.

Outro problema é que o Esmeril desbasta o metal, mas não presta para dar Fio. Fio se dá na Pedra. Simples assim. Água, Pedra e Paciência. Isso é que garante o corte da arma: passar repetidamente e com calma pela mesma Pedra.

Terminada a afiação, tentei lixar e polir a faca para deixá-la espelhada, como nova. Mas não deu… Precisaria de muito tempo e muitas lixas diferentes. Me contentei com deixá-la brilhante. Afinal, é uma faca, não um espelho. Por fim, passei uma camadinha de óleo pra proteger da umidade futura.

depois

***

Minha faca é minha vida. Pode não ser um espelho, mas consigo me enxergar nela.

Quem tiver ouvidos que ouça.

 

Soneto do Saturnismo.

April 20, 2016 § Leave a comment

Cicatrizes são medalhas de batalha
E são honras tão pesadas quanto mundo
Mas cada corte é a lembrança de uma falha
E cada falha é tão pesada quanto o chumbo.

Sim, a pele cicatriza todo corte
Inclusive os velhos talhos, tão profundos.
Mas se a dor logo passa num segundo
Cicatrizes são um peso e um acúmulo.

Não se morre das mazelas superadas
Mas se morre muitas vezes por descuido.
E a dor, que quando chove, me acomete

É a desculpa tão perfeita quando a culpo
Pois a dor que a cada falha se repete
Leva os ossos e a carne para o túmulo.

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