Falemos de bundas.

July 30, 2004 § Leave a comment

Bom, antes de entrarmos em assunto tão abundante (ihhh… tô sentindo que vai ser um post cheio de duplo sentido) aviso que haverá balada miada malandrica, no Sábado. Todos juntos na deliberada intenção de não fazer nada Sábado à noite. Maiores informações: malandricus@yahoogrupos.com.br.

Mas o que vem ao caso aqui (menos que as bundas) é o texto do Jabor.

Caso alguém queira saber, o autor daquele texto, no caso autora, como eu havia previsto, é a Jornalista Ailin Aleixo, que escreve na VIP e tem um blog em algum lugar aí (usem o google, cazzo!).

Aproveito pra salientar: olha a merda: algum filho de uma puta pega um texto de uma pessoa, atribui a outra e joga na internet. Aí todo mundo encaminha sem pensar e nós temos o quê? Uma cambada de gente que idolatra o Jabor sem razão; o Jabor puto da vida pq não gostou do texto que todo mundo fala que foi ele que escreveu; e uma jornalista competente que não tem reconhecimento pelo próprio trabalho. Deve ser frustrante, e quem quer que tenha sido o babaca que fez isso, nunca deve ter escrito nada, porque parece que não respeita o trabalho intelectual dos outros (e o direito de autor).

Mas esse post não é sobre minha revolta, sobre direito de autor, nem pra captar cliente (eu trabalho com isso, pra quem não sabe). É pra discordar do texto “Bunda Dura”. Eu sei que boa parte das mulheres vão ficar putas comigo e não vão querer ir pra cama comigo… Mas como elas não iam antes, eu não tô perdendo muito.

Meu ódio por textos naquele estilo advém de uma conversa com uma amiga (que hj mora no RJ, namora um cara de 40 anos, e nem sabe que esse blog existe. Espero). Nessa conversa ela me disse que “não gosta de homem bonito”.

Obviamente isso é nonsense, se ela sabe que o cara não é bonito, pq ela gosta? A resposta foi algo do gênero: “Homem feio é mais carinhoso, mais gentil, mais sensível… Prefiro alguém inteligente a alguém bonito”. Minha réplica (que deixou ela puta, e com razão) se dividiu em duas partes, mas a mais relevante por ora (a outra parte vai entrar no post “fatalismo anarcoplaybico”) diz respeito ao mito da inteligência como substituto à beleza.

Isso aqui é uma grande generalização, portanto, ponderem bem antes de levar a sério (criticar podem criticar sem pensar), mas é interessante que as pessoas tendem a desmerecer as pessoas bonitas e burras. Algo do gênero: ser feio e inteligente é melhor, porque o interior da pessoa é que conta. E assim perpetuam o paradigma “A Bela e a Fera” sem refletir.

Sou da opinião que cada pessoa é um todo orgânico feita de qualidades e defeitos que podem incomodar alguns ou não. Pra algumas pessoas beleza é fundamental (inclusive para o Poetinha), pra outras não.

Mas o que eu quero criticar no texto da Ailin é mais ou menos o seguinte: as pessoas que se afiliam ao julgamento inteligência/beleza (leia-se inteligência sobre a beleza) parecem entender que julgar as pessoas pela inteligência é algo melhor que julgar as pessoas pela beleza, o que não é verdade.

O julgamento estético possui paradigmas objetivos: caracteres sexuais secundários e dimorfismo sexual, bem como indicações sociais. Você pode considerar uma pessoa feia ou não tão gostosa. E esse julgamento se dá com pressupostos, e o resultado não é culpa de quem foi julgado. São os genes dessa pessoa, ela nasceu assim. O problema é você tentar julgar se uma pessoa é inteligente ou não.

Enquanto a estética possui paradigmas objetivos, a inteligência não: Você julga a inteligência de uma pessoa com base na sua própria inteligência. Portanto, eu pergunto: quem você pensa que é pra carimbar a testa de uma pessoa com um carimbo de inteligente/burro? É prepotência demais, uma prepotência muito maior e mais cruel que a prepotência “feio/bonito”. Para fazer tal julgamento você tem que pressupor que é mais inteligente que a pessoa em questão, na maioria das vezes, mal a conhecendo.

Não apenas é prepotência como também é impossível se julgar inteligência graças ao aspecto plural dessa: eu me considero relativamente inteligente em alguns campos, mas sou um bosta no que tange a música e esportes em geral. Nesse ponto, o Edmundo dá de dez a zero em mim.

Além disso, julgar a inteligência de uma pessoa também é julgar o esforço dela: as pessoas podem se esforçar pra ficar inteligentes, mas pra ficarem bonitas é bem mais difícil se esforçar.

Não entendam esse post como uma condenação aos julgamentos, pois esses são normais, saudáveis e necessários para a evolução. O que eu critico são os julgamentos que revestem de uma carapuça de “politicamente correto” pra tentar agregar valor a uma opinião que nunca foi contestada.

Pra essa amiga eu disse: pra mim você é insegura e só consegue se relacionar com um homem que vc tenha sob controle. Ela continuou namorando caras feios e entendeu o motivo da escolha. Perfeito. A respeito totalmente, em especial porque tomou uma atitude pensada que vai contra o mainstream.



Em tempo: eu tbm acho que as mulheres “perfeitinhas” costumam pecar pela prepotência de achar que só porque existem e estão do seu lado, já fizeram o suficiente… mas isso é opinião, e não tese.

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