Sobre homens e mulheres que são objetos. (E não estamos falando de peitinhos bonitinhos.)

March 14, 2005 § Leave a comment

Não.
Se alguém quiser saber se pretendo me referir aqui aos “homens-objeto” e “mulheres-objeto”, famosos pela utilidade em one single night. Essas “vítimas” do aplainamento da personalidade não são o objeto do post.

A respeito desses, digo apenas que eventualmente é um papel a ser representado. Porém, você precisa ser um bom ator para não deixar a criatura se tornar maior que o criador.

Hoje quero falar de relação sentimental, usando como paradigma as relações jurídicas. Pra variar, tudo começou com comentários de amigas minhas… Várias, representando um padrão muito semelhante. E nenhuma delas lê esse blog, portanto, caso alguém se identifique, não se ofenda, porque eu não uso isso aqui pra mandar recado, belê, truta?

As relações jurídicas, em seu standard, possuem os seguintes elementos: partes, objeto e liame jurídico. Em, por exemplo, uma compra e venda, temos as partes (comprador e vendedor), o objeto (uma casa, um carro, etc) e o liame jurídico (o vínculo que autoriza o comprador a exigir a coisa mediante entrega de dinheiro e o vendedor exigir o dinheiro).

Na relação jurídica a gente pode separar de forma clara (via de regra) os três elementos. As partes não se confundem com o objeto, nem com a relação. Mas os sentimentos complicam tudo e, pra tentar entender namoro sob esse paradigma, fica foda. (Quem não gosta de Juridiquês se fudeu, afinal, esse blog tem 2/3 de advogados).

Para relações afetivas, por ora, diremos que existem partes, objeto e liame afetivo. Chamaremos as partes de Namorado e Namorada e o liame de Namoro apenas por convenção (porque nem sempre estamos falando de namoro strictu sensu).

Se fôssemos simplificar tudo, as partes são Namorado e Namorada; o liame é o Namoro, que é o “direito de exigir” carinho, atenção,fidelidade recíproca, companheirismo, etc, etc. “Direito de Exigir” está entre aspas porque ninguém pode obrigar ninguém a gostar de você.

Mas e o objeto? Qual o Objeto do namoro?

Agora acho que as respostas se dividirão. Já ouvi muita gente (amigas minhas) chorando as pitangas nos meus ombros (pois é… já fiz muito papel de amigo boiolinha…) reclamando que sentem falta do carinho, da atenção, do companheirismo que tinham no último namoro…

Mas… páratudo… elas sentem falta do quê afinal? Do Namoro ou do Namorado?

O ponto que estamos expondo, por ora, é: Você se apaixona por pessoas, não por relações. Você ama gente, seres humanos (e ocasionalmente alguns ovinos). Se você sente falta do carinho, você está carente, não apaixonada. Se você sente falta do sexo você está na seca, não amando.

E é importante saber se você quer só alguma coisa pra matar sua carência e insegurança afetiva ou se você REALMENTE ama alguém. Medo e insegurança não geram bons namoros.

Como boa parte da vida, é uma questão de percepção: identifique o que você quer. Você quer SUA Namorada, ou uma namorada?

O Objeto de um Namoro é a pessoa. Nas relações afetivas as partes se confundem com o objeto de forma recíproca e isso NÃO É ERRADO, porque você ama GENTE em um namoro, e não ama uma relação formada para saciar sua carência afetiva e obter uma muleta de auto-estima.

Pelo menos eu acho que é melhor estar sozinho a estar com alguém pelos motivos errados.

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