Acontece toda vez que me apaixono.

August 9, 2005 § 1 Comment

Há alguns anos atrás uma grande amiga me pediu uma música dos Engenheiros do Hawaii. O título, segundo ela era “Acontece Toda Vez Que Me Apaixono”.

Eu não tinha essa música, mas decidi procurá-la por dois motivos.

Em primeiro lugar, ego. Me considero um entendido de Engenheiros do Hawaii. Sem sombra de dúvida é minha banda favorita (A formação antiga, porque essa nova não presta. Não presta mesmo.). Eles são a banda da qual mais tenho CD’s. Ocasionalmente ainda passo finais de semana ouvindo alguns clássicos como “Infinita Highway”, “Exército De Um Homem Só”, e outras que eu considero “só minhas” como “Amanheceu em Porto Alegre”, “A Violência Travestida Faz Seu Trotoir”.

Pra mim era um absurdo eu não conhecer essa música e eu a encontraria, “duela a quien duela”. (RÁ! Aposto que nem todo mundo lembra dessa!)

Um segundo motivo foi o fato de que esse título, sozinho é emblemático: “Acontece Toda Vez que me Apaixono”. Ao mesmo tempo que evoca paixão, evoca o fim da paixão. Se “acontece toda vez”, significa que você se apaixonou mais de uma vez. E mais: da a idéia de freqüência. Só a frequência pode gerar um padrão.

E não apenas freqüência. É como se em toda paixão você cometesse o mesmo erro. Um erro que faz com que você dê com os burros n’água. Um erro quase inevitável. Mas o único erro inevitável, se você sabe que ele vai acontecer, é o que você quer que aconteça.

Tentem entender: É como aquelas paixões burras. Em que você quer fazer tudo errado, mesmo que vá se foder, porque “fazer tudo errado é o certo a se fazer”.

Pois bem. Demorei uns bons meses fazendo pesquisas em CD’s, Google, etc, etc… até que eu achei o site oficial dos Engenheiros do Hawaii e descobri.

Descobri que essa música não existe.

Pois bem… o que eu posso dizer? Foi a mesma coisa que eu senti quando li “O Corvo” (a poesia de Poe, não a História em Quadrinhos). Decepção.

Quando soube da história d’O Corvo, foi a mesma sensação que eu tive quando ouvi o título da música inexistente: a sensação de que alguém tinha escrito a poesia perfeita. Algo que qualquer um que lesse (sim, eu li O Corvo em inglês, Português de Portugal, Português Brasileiro e até a versão de Fernando pessoa) entendesse a sensação de impotência diante dos sentimentos de “Acontece Toda Vez Que Me Apaixono” ou a sensação da suprema desesperança de “O Corvo”.

Abre Parênteses: A HQ “O Corvo” passa mais ou menos essa sensação de desespero. A em inglês é melhor. Óbvio. Fecha Parênteses.

Mas essa poesia não existe. Talvez eu como leitor seja como os surfistas. Acredito que em algum lugar desse mundo exista “A Onda Perfeita”. Ou no caso “A Poesia Perfeita”. E que eu preciso encontrá-la.

E, numa dessas, eu não sei por onde procurar. Tenho certeza que não está em Paulo Coelho. Drummond, pra mim, em alguns momentos, chegou perto. Ferreira Gullar em uma. Ricardo Ramos em “Circuito Fechado”. Talvez Brecht em “Aos que vierem depois de nós”. E tantos outros. Mas ainda não é a onda perfeita.

E na minha frente, nesse momento existem vários livros. E pouco tempo pra se ler. E minha maior barreira é o fato de que eu detesto experimentar autores novos. Fico sempre nos clássicos. Porque clássico é clássico e vice-versa. Agora vou arriscar “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Vamos ver o que sai.

Vai que eu resolvo entrar pra um seminário.

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