Como se tornar um psicótico.

August 16, 2005 § 1 Comment

Obviamente existem várias formas de desenvolver um comportamento patológico. Você pode fritar seu cérebro com drogas, pode passar por um grande trauma, pode simplesmente decidir, ou, ainda ter um dia ruim.

Porém, a melhor forma de se virar um psicótico, a mais simples de todas, é por maioria de votos.

Sim, afinal, nós vivemos numa democracia, ORAS!

COMO a sua sanidade não poderia ser definida por um referendo popular sendo que tudo é democrático? Oras, só através da democracia poderíamos escolher um presidente sem risco nenhum de errar… Afinal, jogando com a teoria dos grandes números, com as verdades absolutas (“Vox Populi, Vox Dei”) e com o fato de que todos somos aptos a emanar uma opinião abalizada a respeito de como é certo viver (Mulheres: encontrem um homem rico e inteligente que goste de vocês; Homens: encontre uma mulher gostosa e fiel que goste de você), como pode você ter a audácia de ir contra o mundo?

A nossa democracia é uma prova de que a maioria tem sempre razão.

(É só ignorar Nelson Rodrigues e suas opiniões sobre a maioria que tá tudo beleza.)

E é por isso, por ter sido declarado psicologicamente doente em um processo sem contraditório que eu venho por meio dessa explicar porque eu faço as escolhas que faço. (Fazer o quê… a gente faz o que pode. Eu posso escrever.)

Sobre o Amor… Bom, sobre o amor, acho que eu nunca conseguiria falar mais do que isso, ou melhor ainda, que isso.

Amor existe. Você pode não conseguir definir. Pode ser uma mistura de carência com carinho, pode ser uma mistura de insegurança com tesão. Pode ser um tom de voz que te agrada, uma inclinação que te lembra seu pai ou um uma forma de falar que te lembra seu professor de educação física do segundo semestre da sexta série. Mas o amor existe.

E meu grande crime foi ir contra as Leis de Deus: eu quis mais amar que ser amado.

Já foi dito pelo poetinha: “Todo mundo quer mais ser amado do que amar. Inclusive Deus, que colocou entre seus mandamentos ‘Amai a Deus acima de todas as outras coisas’”.

E nisso quanta coisa rolou… Desde “você é masoquista” até “você deve esperar um relacionamento em que ambos se amem de forma idêntica”. Obviamente, a sugestão de todos era eu fazer terapia. Como esse foi o conselho do mundo, eu resolvi pedir uma segunda opinião. A minha.

Porque eu não me considero masoquista.

A moda hoje é ser feliz. E a felicidade se vende em cada esquina (da Augusta) ou em cada farmácia. Sem grande medo, se escrevermos um livro com mais de 100 páginas, vamos provar a tese de que felicidade é consumir.

Se você escrever QUALQUER COISA com mais de 100 páginas alguém vai acreditar.

O problema é que há o risco de cair em prateleiras de auto-ajuda, junto com “O Monge Executivo que mexeu no meu queijo – para afro descendentes pré-púberes mancos”. Depois que eu escrever o livro sagrado da minha nova religião talvez eu escreva isso. Pra ganhar dinheiro.

E as pessoas decidiram que se elas tiverem um amor, alguém que se devote a elas, ela será feliz. Ou ainda, usando as palavras de um amigo meu: “Ela é bonita, inteligente, gente fina, gosta de mim, por que não casar?”

Pois bem: ser amado é bom, mas amar é melhor. Ter na cabeça alguém, que é o motivo pra você se levantar da cama é delicioso. Sentir o coração bater mais forte e as pernas amolecerem é afrodisíaco. O frio na barriga, o suspense, o amor… isso sim gera uma vida com história pra contar. Porque toda história que merece ser contada é sobre uma mulher.

E meu ponto, amadas juízas, é que amar é sempre melhor que ser amado. Esse é meu norte. Esse é meu Paradigma, essa é minha Pásargada. E digo, sem medo de ser escorraçado por motivo de breguice Bloguística: Eu vou ficar com quem eu quero, não com quem me quer.

Não que eu tenha competência pra ganhar o mundo (é fato notório que não). Mas eu não vou viver amores possíveis ou paixões por opção. Talvez essa minha decisão ofenda Deus, mas tudo bem, Deus joga sozinho, eu jogo em conjunto. Um dia eu tackleio e ele perde a bola. Aí é try do meu time.

Porque eu não vou esperar reciprocidade.

Simplifiquemos o raciocínio. Utilizemos um pouco de teoria dos jogos e análise combinatória. Imaginemos que existem apenas duas possibilidades possíveis: ou você ama (1) ou você não ama (0).

As combinações, portanto, são:
Amor Correspondido: 1 x 1
Amor não correspondido: 0 x 1 e 1 x 0
Sem amor: 0 x 0.

Vocês podem dizer: “Mas as coisas não funcionam de modo binário!”

Claro que não. Mas simplifiquemos para fins de cálculo. Consideremos a quantidade superior de amor como 1 e a inferior como 0. Levem em conta também que, sendo uma questão comparativa, seria, em tese, impossível o Amor Correspondido (em que o amor tenderia ao infinito e o casal morreria em transe de desidratação, inanição e por não se livrar de dejetos corporais) ou o sem amor (crime passional bárbaro que vai chocar a sociedade e gerar uma nova lei).

Tal simplificação é necessária também porque, sendo impossível o “amor infinito”, é obrigatório que alguém ame menos que o outro. Por mais amor que você sinta, se o outro te ama mais, sinto muito, mas você é o zero da relação.

Pois bem: amor correspondido é lindo, perfeito e maravilhoso. E Raro. Muito raro. E digo mais! Como a comparação em termos absolutos é impossível, o amor correspondido se torna amor não correspondido, pois é quase obrigatório o fato de que alguém vai amar menos que o outro.

Consegue visualizar isso? Achar alguém que te ama é difícil (x%). Alguém que você ama é (y%). Cruzando as probabilidades dá 0,xy%! Tente escolher “quantidades iguais de amor” então… Admitir essa situação é admitir um “Design Inteligente”. Coisa que eu só aceito com certidão lavrada em cartório com firma reconhecida assinado “Deus”.

Então ou você espera aparecer A Pessoa Perfeita “e vai se divertindo com as erradas enquanto isso”, ou você muda o foco e faz a escolha sincera, que nada mais é aquela que você realmente quer, não a que você acha que vai dar certo.

Sentimentos são terreno incerto. Multiplique as suas incertezas pelas incertezas dos outros. E some isso ao fato de que você não tem o mínimo controle sobre o que a outra pessoa quer. A única certeza que você pode ter é a sua vontade. Só.

Portanto, ladies and gentlemen, eu quero quem eu quero. E não ligo pro que quem eu quero quer. Vou lutar o meu combate, ir atrás do que eu quero. Quebrando a cara. Colecionando pequenas vitórias e grandes derrotas. Se eu não conseguir quem eu quero, no fim da vida, vou doar esperma e adotar uma criança.

E morrer feliz por ter lutado o bom combate e não ter me sujeitado à mediocracia.

Eu não preciso de muito.

Só de uma piscadela de Deus.

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§ One Response to Como se tornar um psicótico.

  • dhebora says:

    acordar 4 : 20 da manha assistir videos psicodelicos e desfia a vida e a melhor coisa , faço isso quase todos os dias pra ficar feliiz ficar livre,so que muitas vezes essa felicidade esta na mente, so pra disfarça a maldita vida que nois temos

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