Qual a paz que eu não quero?

October 20, 2005 § Leave a comment

Eu voto “NÃO” no desarmamento.

E tudo isso é um plano maléfico e genial pra influenciar vocês, pobres leitores de cabeça fraca e opiniões maleáveis: Eu vou postar isso 3 dias antes do referendo pq assim ninguém vai ler e questionar isso.

Ok, não é tão genial assim, porque ninguém vai ler três dias antes. Tá, é meio burro, mas é maléfico. Duh.

É uma opinião ilógica e pessoal. Se eu fosse esperto, eu torcia pra essa lei passar.

Pára pra pensar: eu vou ser beneficiado com isso. Estou sempre em grupos de amigos com treinamento marcial. Isso quando eu não estou num grupo de 15 amigos com treinamento quase militar. Cáspita… eu adoro artes marciais e SEI que é muito difícil alguém morrer com um golpe de arma branca. Ainda existem espancamentos grupais… mas isso é muito mais difícil de acontecer.

Além disso, eu sou advogado… meu trabalho é encontrar brechas na Lei. Aposto que eu consigo encontrar algumas.

O fato é que as minhas chances de morrer na rua vão cair muito se as pessoas não puderem mais usar armas. E, convenhamos: os crimes não vão diminuir com o desarmamento, mas o número de pessoas “de bem” (tradução jovens caucasianos das classes A e B) que vão andar armados vai cair muito. Como via de regra eu estou cercado por jovens caucasianos de classe A e B, estarei mais seguro.

Eu até arriscaria um palpite: O número de homicídios com arma de fogo vai cair, mas o número de brigas vai aumentar. Mas, oras… contra armas brancas você TEM CHANCE de se defender. Só por isso eu deveria votar pelo sim, afinal, de gente eu entendo. Especialmente de machucar gente.

Mas, pra mim tem uma coisa filosoficamente errada nessa história. Era uma coisa que coçava atrás do meu cérebro… uma dorzinha na base do crânio quando a Regina Duarte falava que votava no “SIM”… algo errado… eu não poderia ter a mesma opinião da Regina Duarte… em nada. Alguma coisa me falando que se os atores estavam votando no “SIM”, eu PRECISAVA votar no “NÃO”.

Depois de um retiro espiritual nas terras do Ziniguistão eu descobri porque eu sentia isso. O desarmamento é mais um degrau na escalada do pacifismo burro.

Notem que eu não estou falando que os atores são burros. Na verdade eu realmente acho que a atitude deles é inteligentíssima. Eles são atores da Globo, oras… eles têm que ser magros, andarem na moda, sorrirem o tempo todo e serem politicamente corretos. Por que vocês acham que a Gisele Bundchen nunca aparece fumando? Porque os relações públicas dela proíbem.

Além do mais, existe aquele papo de que a Globo está vendida pra Glock, etc, etc.

Mas meu problema não é com o capitalismo. É com esse pacifismo politicamente correto e burro. Detesto coisas que se valem do imperativo categórico. Detesto dogmas: “Violência é errada, menininho bobo, mau e feio”. Desarmamento é bonito. Vários magros sorridentes falam isso.

Como dito no funeral de Graham Chapman (se não foi ele, um dos caras do Monty Python) “I’d accept anything except the mindless good taste”.

E nisso eu pergunto: a violência é algo ruim? Inerentemente ruim? De forma absoluta e incontestável? Há umas semanas eu ouvi um IDIOTA com diploma universitário falar que “a violência não seria violência se não fosse ruim”. Pai… Por quê me abandonaste? Por que entregaste o cérebro de um de seus filhos favoritos às hordas de dumb people?

As pessoas se acostumaram a enxergar a violência como algo destrutivo e que causa sofrimento, por isso deveria ser evitada. Pois bem, filhotes: não dá pra se evitar as coisar ruins e violentas. Faz parte da vida.

Uma cirurgia é uma violência contra o corpo. Um tratamento quimioterápico, inúmeras coisas são violentas, mas são necessárias. Eu gostaria de citar apenas um pequeno exemplo de como a violência é importante:

Vocês têm cidadania alemã? Conhecem algum judeu? Conhecem algum gay ou gosta dessa modinha de menininhas bi-curious? Agradeçam aos soldados violentos e primitivos que pararam o avanço do III Reich.

Vocês vivem numa democracia? Tá… uma democracia mancoletinha, mas uma democracia. Gostam de filosofia? Agradeçam aos 300 bárbaros de Esparta que seguraram as tropas do Rei Xerxes que queria dominar o mundo e substituir a democracia grega pela teocracia persa.

Um mundo de poetas seria lindo, mas, como já dito nesse blog: alguns guerreiros têm que morrer pra garantir a vida dos poetas. Quando um não quer, dois não brigam. Porque o nome não é mais briga, é massacre.

A violência é um curinga. Um Joker. Um Palhaço no jogo. É a aposta mais alta que você pode fazer. Quando você abandona a arena da “so called civilization” você está perdendo toda e qualquer segurança. Mas é style. Você ganha o elemento surpresa. Fica em vantagem. Vira a mesa e dá um grande golpe. Mesmo que esse grande golpe seja um soco caubói. Um curinga mal jogado faz você perder a mesa… mas, oras, grandes riscos, grandes lucros…

A gente costuma falar que a vida é um jogo. Pode ser poker… pode ser xadrez… algum jogo, no qual você luta contra muita coisa… contra o caso, contra outros jogadores, contra você mesmo… Diabos, você luta até mesmo contra a natureza e contra as regras do jogo!

E convenhamos… poucas coisas fazem o croupier tremer tanto quanto: “Chega de black-jack… tenho um jogo novo pra gente: Roleta-Russa. Topa?”.

E, algumas vezes, pra proteger a sua liberdade… a sua personalidade, para existir perante o mundo você precisa existir contra o mundo. O último cara que levou a sério essa história de “amai vossos inimigos”, “ofereça a outra face”, etc, morreu na cruz. E olha que ele era filho de Deus… imagina se fosse comigo.

E é por isso que eu voto não: eu quero escolher não ter uma arma… não ser proibido de tê-la. Afinal, se a violência existe é para ser usada.

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