Sobre Olá, Adeus e toda aquela coisa estranha e dolorida chamada amor que existe no meio.

December 8, 2005 § Leave a comment

Já me falaram que o Amor é uma invenção burguesa da revolução francesa que apenas no mundo capitalista ganhou a importância que tem hoje.

O Amor seria, portanto, um produto inventado para consumo. Para nosso desejo. Outros diriam que é uma tentativa de desdemonificar esse mesmo desejo. Já me falaram até que o Amor é vontade de trepar.

Pois bem, os céticos podem parar de ler por aqui, porque o Amor existe.

Não se combate fatos com argumentos. Não se explica porque a sociedade não existe, nem porque o Amor não existe. Eles existem.

Podem me trazer inúmeros neurologistas explicando que Amor é o resultado de dois neurônios com tempo livre de sobra. Podem me falar que é reação neuroquímica, que tá tudo lá, na tomografia computadorizada que fizeram de duas pessoas se amando. Ainda assim o Amor existe.

Pra essas pessoas que falam que é tudo obra de neurônios enfadados eu digo: Que seja.

Que são reações químicas que nos fazem amar, eu digo: amar que causa as reações químicas, não o contrário.

Para os comunistas que dizem ser o Amor invenção da sociedade burguesa, vos digo: Hades não amou Perséfone? Afrodite não amou Adônis? Orfeu não amou Eurídice?

O Amor sempre esteve na história da humanidade. Talvez seu objeto mudasse: a Família, o Clã, Deus, Outro Indivíduo, o Estado. Mas sempre esteve lá.

Não sei se posso imaginar o Amor como uma criança com um arco e flecha. Embora me pareça coerente. Vocês imaginam o grau de crueldade que isso pode alcançar? (Estou me referindo à criança com um arco e flecha. E também ao Amor.)

O Amor hoje é uma das poucas coisas que importam. Falar que “sem Amor eu nada seria” seria levantar a bola para os céticos cortarem. Mas sem Amor, eu seria como o sino que não ressoa.

Não quero aqui colar textos de Camões. “Quando nasci um anjo torto e feio veio e me disse: ‘vai, Anarco, vai ser original’”. Mas também não quero falar do Meu Amor. Isso não interessa a mais ninguém… e seria pecar por prepotência acreditar que outras pessoas queiram saber da minha vida.

Há uma coisa que Camões não disse mas que Tarantino disse. Amar é querer perder uma briga que você começou. Você pode até estar certo. Você pode até ter razão. Você tem tudo, menos a vontade de ganhar. E se você deixa seu Amor com o coração esmigalhado, pronto pra morrer assim que virar as costas e der cinco passos, você chora, porque você precisava ganhar, em nome de sua razão, coerência e integridade. Mas não queria vencer.

Há algo em Herói também que poucos entenderam e que talvez seja uma das coisas mais importantes: às vezes, você decide largar sua espada e deixar seu Amor te magoar, mesmo sabendo que depois não há mais volta, simplesmente porque você o ama.

E é essa minha pergunta: é mais nobre sofrer com as flechas e setas da sorte ultrajante, ou erguer mãos contra um mar de problemas e dar-lhes fim? É mais nobre partir o coração de quem se ama em nome da própria integridade, coerência e humanidade, ou deixar que seu Amor te machuque, mesmo sabendo que esse é o ponto de não-retorno e que além disso vocês estão longe demais e machucados demais pra voltar?

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