Um brinde aos amigos ausentes, amores perdidos, à estação das dúvidas e que cada um de nós dê ao demônio aquilo que ele merece.

May 14, 2006 § 2 Comments

Sempre que pedem para eu fazer um brinde, eu faço a citação acima.

É um brinde que eu sempre achei perfeito… que fala tudo o que merece ser falado. E me parece extremamente coerente.

Nossos amores perdidos merecem consideração. Tanta quanto nossos amigos ausentes. E uma amizade ausente dói até mais que um amor perdido. E todos nós temos o dever de dar ao demônio aquilo que ele merece… o que quer que seja.

Dizem que nossa vida é uma incessante busca por um amor perfeito.

Mentira, não dizem isso. Mas eu sempre achei. Não que EU ativamente, a todo o momento, procure meu amor perfeito. Mas é meio que notório: Não interessa se toda sua vida está bem: sem um amor, sua vida simplesmente parece não estar.

Agora acho que eu discordo disso. Pelo menos parcialmente. Não quero dizer que o amor, amor amor mesmo, aquele entre homens e mulheres não é importante pra felicidade. Claro que é. Faz falta. É gostoso. Mas apenas que hipoteticamente sinto menos falta de amor que de meus amigos.

Igualmente: não que eu esteja sem ver meus amigos, isso é mentira. É apenas o fato de que o prognóstico de perder todo o amor, comparado ao de perder todos os meus amigos, me faz rir.

Sem eles, sem meus amigos, eu já era. Sem eles, vou ser mais um “gatão de meia idade” (em referência à tirinha, não à minha já famosa prepotência) tomando uma cerveja sozinho no O’malleys e xavecando uma menininha de 20 e poucos anos. Sem meus amigos, me resumo a uma situaçãozinha lamentável de mierda.

E a pergunta é: pq isso? Sem querer apresentar uma resposta definitiva, a minha resposta provisória é: cooperação.

Amigos, amigos de verdade, trabalham num sistema de cooperação. Te dão suporte. Te dão backup pra você explorar todas as suas potencialidades. Não interessa se você xaveca uma menina com namorado. Duas vezes. Seus amigos estarão lá, pra te dar reforço caso o cara queira tretar. Mesmo estando errado.

A amizade é um todo muito maior do que as partes.

Amizade muitas vezes é se anular pelo bem comum. É uma teoria dos jogos: se todo mundo chegar na loira gostosa, ela não vai ficar com ninguém. Pelos amigos, a loira gostosa fica em segundo plano. Para o mundo, foda-se: se eu não cato, ninguém cata. O inferno são os outros? O demônio são os outros. E que cada um de nós dê aos outros aquilo que eles merecem.

Já fiz muita merda. Já quase morri algumas vezes. E fiz muita coisa da qual eu não me orgulho. Não me orgulho mesmo. Mas, estranhamente, pensar que essas coisas foram feitas junto com meus amigos, que essas coisas dão histórias pra contar, me deixa menos enlutado. Qualquer externalidade que se reverta em benefício pra eles me consola.

No fim essa sensação de que causar (ou caos-sar) é bom porque o grupo precisa de histórias deixa meus erros mais leves.

Meu maior pesadelo é viver mais que todos os meus amigos. No fim, eles são minha ligação com a realidade.

Esse texto é dedicado a todos os meus amigos, sejam eles quem for. Estejam onde estiverem.

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