Welcome to the Matrix, Bem Vindo ao Deserto do Real, ou Mais um Discurso Pré-Fabricado Anarcoplayba Ltda.

June 20, 2006 § Leave a comment

O mundo me fez cético.

Peço desculpas pelo fatalismo e pela covardia de colocar a culpa em um ente objetivo e abstrato chamado mundo. Esse bode expiatório de nossas culpas e fraquezas e traumas e covardias.

Já disse o filósofo que não importa o que o mundo faz com você, mas sim o que você faz com o que o mundo fez com você. Acredito que seja verdade? Sim acredito. Mas nunca por seu poder, mais por sua essência.

É bonito pensar em sua força de vontade como sua capacidade de resistir aos tapas na cara que o mundo te dá. A esses golpes moralmente aleijantes. Mas mais de um erro foi cometido em nome da Beleza. Em nome da Beleza de um universo geocêntrico com órbitas circulares a ciência sofreu inúmeras injustiças e séculos de atraso.

Por sorte, a beleza não sobreviveu à verdade.

E a beleza da força de vontade não sobrevive à realidade.

Alguns acham belo manter a inocência viva em seus espíritos, mesmo diante de toda a feia verdade. Acham belo ignorar não as dores, mas os pecados. E vivem como cegos que não querem ver, orgulhosos de sua estagnação.

Irresignar-se a perder a inocência não é coragem, é burrice.

Convicção moral não é virtude, é incapacidade de aceitar a mudança dos seus paradigmas.

Alguém que vê, enxerga e compreende a realidade não é convicto, é meramente conservador. Meramente apegado a um passado bonito. E o que é belo não é necessariamente verdade.

Ninguém pode ficar impassível após ver a realidade.

E nesse ponto, sinto inveja de Dante.

Dante viu o inferno, viu a punição à qual nossos pecados nos levam. Dante viu o castigo dos pecadores. Dante é abençoado.

Abençoado porque viu o Inferno ao qual nossos pecados nos leva, mas não viu os pecados que nos levam às nossas virtudes.

Dante não conhece os esqueletos do armário, não conhece os inocentes úteis, não conhece os escravos e mortos sobre os quais se erguem castelos.

Dante é um abençoado, pois a ignorância é uma benção.

Se eu pudesse escolher entre saber os castigos de nossos pecados ao invés de saber os pecados de nossas virtudes, escolheria, sem titubear, o primeiro.

Mas o mundo tem o péssimo costume de escolher para você. E o que importa não é o que ele escolhe pra você, mas sim o que você faz com o que ele escolhe pra você: vai fingir que não viu ou viver no mundo real?

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