Em defesa do Xaveco.

September 1, 2006 § Leave a comment

Dia de tédio é dia de post pré-fabricado. Dia em que a gente escreve pra tapar o buraco e fazer por merecer o título de “blog”.

Historicamente a sedução é demonizada. Luxúria é um dos sete pecados capitais. Desejar a mulher do próximo idem. Então você não pode desejar a mulher do próximo nem as disponíveis porque, c’mon, luxúria e monogamia são conceitos meio incompatíveis.

Don Juan, embora desejado pelas mulheres e invejado pelos homens, no final, é um conto da carochinha com uma moral no final: não queira todas as mulheres do mundo porque, mesmo que você consiga, você vai terminar sozinho, chorando AQUELA que você perdeu. A última bolacha do pacote que você derrubou no chão na frente de todo mundo (não dá nem pra tentar comer escondido).

Obviamente, como membro fundador do Zen-Tarsismo e um dos párocos da igreja fundamental do preceito Malandricus, gostaria de advogar para o diabo (ele paga em dólar).

As pessoas falam de xaveco, de sedução… mas antes de mais nada, o que é sedução? Eu definiria como a arte de despertar em uma pessoa sentimentos e sensações de natureza afetivo-sexual. Grosseiramente falando, seduzir é agradar.

Estou propositadamente deixando de fora o xaveco “você é meio gordinha” porque não conta. Você pode até mexer com o orgulho de uma mulher, você pode provocá-la pra ela querer ficar com você pra colocar um band-aid na auto-estima. Mas ela vai estar ficando com você por raiva. Parabéns. Você ganhou uma punheta à contragosto. E todo mundo sabe qual a nossa (ok, pelo menos a minha) opinião a respeito de sexo obtido às custas de mentira ou manipulação, não? Não vale sessenta reais.

A questão é que o xaveco é, em si, a arte de ser agradável. Você se amolda ao “gosto da freguesa” abre mão de uma parte da sua individualidade para agradar aquela pessoa e obter o fruto de sua aprazibilidade. Uns amassos nervosos, uma noite de sexo, um tempo abraçadinho. Coisas que fazem a vida ter algum sentido.

Maldizer o xaveco, maldizer a sedução é maldizer o outro. É se colocar na cômoda posição de um torcedor: “tomara que ela goste de mim”. Diria mais: maldizer o xaveco é acreditar que as pessoas devem gostar de você pelo simples fato de que você respira e gosta de literatura colombiana.

Existem várias formas de conquistar uma mulher. Agradá-la me parece apenas a mais justa: você desce do seu Olimpo de “floco de neve especial e único” e passa para o papel de vendedor. Faça a sua oferta e deixe o mercado julgar.

O próximo passo do Guia Anarcoplayba de Xaveco vai ser: Percepção Ativa e Princípios Morais ou: “Porque eu não falo de filosofia numa balada”.

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