Joga Bonito o Caralho!

February 7, 2007 § Leave a comment

Há alguns anos eu entrei para um time de rugby…

O divertido de usar algumas expressões é que elas passam uma idéia de invariável sabedoria e experiência de vida. Sim, durante seis anos eu fui atleta de um time de rugby, provavelmente na fase mais importante da minha vida até hoje, mas falar dessa forma, precedido pela conjunção “há alguns anos” faz parecer que eu não estive bêbado na maior parte do tempo, ou que eu não passei por situações hummmm… escatológicas.

Mas como eu ia dizendo antes da pré-ordenada digressão, há alguns anos eu entrei para um time de rugby. E esse time tinha uma peculiaridade interessante: a gente tinha o saudável costume de jogar sempre no limite do adversário: a gente sempre jogava bonito… e perdia.

Quase todo fim de jogo (e com certeza todo ano) a gente comentava: A gente jogou bonito esse jogo/ano… mas perdeu.

Com o passar do tempo conhecemos alguns técnicos diferentes… formas diferentes de pensar… times diferentes e descobriu que um outro mundo é possível. Que o importante era ganhar e depois disso tentar jogar bonito.

O importante na vida é ter prioridades.

Onde eu quero chegar com isso é que o esporte é uma metáfora pra guerra, que é uma metáfora pra vida que também é uma metáfora pra dança e uma metáfora pra dirigir um carro de câmbio automático sem as bolas, o que leva a uma conclusão: Somos péssimos com metáforas.

Mas no fim, durante esse período de amadurecimento esportivo, veio também o período de amadurecimento afetivo.

Nesse meio tempo eu perdi a primeira namorada, passei pela primeira sex-friend, pela primeira one-night stand, morei sozinho, deixei de morar sozinho, perdi uns dois ou três amores e umas cinco paixões. Voltei no tempo e consegui beijar um amor perdido e confessar uma paixão de adolescente uns oito anos depois.

Também vi uma guerrinha de cocô, fui nocauteado numa balada, tomei pontos nos supercílios e fiz uma tatuagem (sim… tem sido uma boa vida).

Mas se eu aprendi uma coisa (e eu aprendi e ensinei isso pra muita gente) é que paixão e amor deixam a vida muito mais bonita.

Mas não ganham jogo.

Não me levem a mal (eu vou para lá sozinho). Um amor verdadeiro vai ganhar um lugar eterno na sua memória, assim como um tackle bem dado ou um chute perfeito. Mas é o prêmio que conta.

Você não vai se casar com a mulher que você mais amou. Especialmente porque com o passar dos anos uma névoa deixa suas memórias mais e mais embotadas. Com o passar dos anos você vai se flagrar duvidando se ela acordando com a cara amassada de travesseiro era fofo ou broxante.

Da mesma forma, com o passar dos anos os amores perdidos vão indo pra cidade de Pasárgada, na ilha das mulheres que você nunca vai comer de novo, perto do continente das mulheres que você nunca vai comer.

Isso deixa a gente no bom e velho paradoxo Amor x Conquista: Amar deixa o jogo muito mais bonito. Mas no long run, a conquista é o que importa.

Afinal, é impossível ter um relacionamento com uma mulher que é sua ex.

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