Sobre Darwin, a Última Tartaruga Gigante dos Galápagos e Seleção Natural.

March 16, 2007 § Leave a comment

O Prazer é uma coisa boa, e a felicidade é o norte que puxa a agulhinha das bússolas das nossas vidas.

Meses atrás um escritor fez um exercício de retórica no blog dele. Imaginem que descubram uma droga nova. Que não vicie, não mate, não cause danos à saúde e nem gere um comportamento anti-social. Qual vocês acham que seria a reação do Poder Legislativo ao redor do mundo?

É anti-lógico pensar nisso, mas eu ponho minhas fichas de que isso seria criminalizado.

A Veja de umas semanas atrás trouxe em reportagem de capa: “Estamos todos condenados ao vício?” Claro que sim. Todo vício tem como fundo um prazer. Sexo é bom pras espécies. Por isso existe o orgasmo, pra convencer as pessoas a fazerem sexo.

(Afinal, convenhamos, você quer fazer muito mais sexo do que ter filhos, não?)

Ressalvados os imbecis que a natureza teria se encarregado de eliminar não fosse a mania de proteção do ser humano (que é evolutivamente explicável), prazer é uma recompensa por algo bom que você faz pra você.

Vale lembrar que Darwin criou a teoria da seleção natural observando, dentre outras coisas, a última tartaruga gigante dos galápagos.

Comer é prazeiroso porque é bom pra você. Se apaixonar é prazeiroso porque é bom pra espécie que você fique algumas noites por semana copulando como um coelhinho. (E embora faça certo sentido, copular não significa pular junto).

Daí vem um problema: só realizar desejos é um troço evolutivamente ruim. Você tem que comer, mas tem que ficar em forma pra pular junto (Copular. Duh.); tem que fazer sexo, mas tem que cuidar da prole; tem que cuidar dos retardados mentais que te cercam, mas também tem que se livrar do “excesso de curiosidade científica humano” (também conhecido como coragem injustificada e sem conhecimento das variáveis letais envolvidas).

Acaba sendo necessário uma espécie de superego coletivo pra equilibrar tudo. Não basta o inconsciente coletivo, o superego coletivo também é necessário. Afinal, eu posso fazer piadas sobre retardamento mental? E piadas sobre profissões nocivas à sociedade?

A partir da necessidade da espécie sobreviver, alguns comportamentos se tornaram intoleráveis. Você não pode encher a cara e sair matando pessoas da sua tribo. O momento correto de matar pessoas é em um contexto de violência socialmente justificável. Linchando alguém que arrastou um moleque numa avenida do Rio de Janeiro, por exemplo.

O problema é que um superego coletivo é cada vez menos necessário. Come on… se a índia deixasse de existir, alguém aqui sentiria falta? Estou falando de falta de verdade, não de vontade de comer uma comida apimentada ou de conhecer um lugar “exótico”.

(Leia-se, um lugar onde as pessoas vivem em uma sociedade separada em castas desde algumas centenas de anos antes de Cristo. E com as mesmas condições de higiene).

Tem gente demais no mundo. Isso leva a uma conclusão: Precisa morrer mais gente.

Só que embora todo mundo apontasse pelo menos uma pessoa, ou profissão, ou classe, ou nacionalidade, ou raça que queria ver fora do planeta, ninguém quer colocar o dedo no gatilho.

Diga-se de passagem, é irônico como querer que “Os Capitalistas” ou “Os Comunistas” ou “Os Nazistas” morram pode, mas querer que os hindus morram e acabem com esse 1 bilhão de pessoas preconceituosas, que dividem seus semelhantes em castas, tem pouca higiene e mais armas atômicas que deveriam é errado.

Assim, se precisa morrer mais gente, a melhor coisa que podemos fazer é estimular o suicídio. Isso vai acabar livrando o mundo das pessoas burras, ou com sérios problemas de auto-estima e que são um desperdício de matéria orgânica da face da terra e que poderia ser muito melhor aproveitada se dividida entre seis etíopes.

E qual a melhor forma de convencer alguém a se matar que não convencê-lo de que é gostoso? Vamos lá: tem gente demais no mundo. Se morrer uns 20% da população humana bem distribuído, não vai fazer falta alguma.

Os vícios ainda vão se tornar a marca registrada da humanidade: são um retrato da liberdade de escolha, da seleção natural, uma forma humana, prazeirosa e hedonista de se livrar da gordura extra da raça humana e é lucrativo.

Alguém tem ações do cartel de Cáli pra vender?

***
Extra, Extra!
Mais nova metáfora ruim: Piegas como um tango argentino Made In Paraguay.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading Sobre Darwin, a Última Tartaruga Gigante dos Galápagos e Seleção Natural. at AnarcoBlog.

meta

%d bloggers like this: