Os Sentidos Curam a Alma o Caralho, os Sentimentos Curam a Alma, Ô Porra!

May 17, 2007 § 1 Comment

(E quem disse que os títulos dos posts têm que ser criativos, seu filho da puta?)

Ultimamente ando pensado muito em Sentimentos, Sentidos, Oscar Wilde e Pôneis, o que é algo que me deixa perplexo, porque eu nunca gostei muito de pôneis.

Oscar Wilde, em “O Retrato de Dorian Gray” diz em um trecho: “Os sentidos curam a alma.”

Pois bem, apesar de Oscar Wilde ser um dândi viadinho, sou obrigado a admitir que O Retrato de Dorian Gray (doravante ORDG) é um livro e tanto. Por vários motivos outros além dessa frase citada.

O protagonista consegue duas coisas interessantíssimas: uma, a juventude eterna; duas a possibilidade de objetivamente ver seu envelhecimento diante de seus olhos.

Pra quem não sabe, o retrato envelhece, enquanto o retratado continua na verve da juventude (ui).

E não se trata apenas do envelhecimento físico, mas também e especialmente do envelhecimento moral. Ou de como os anos nos deixam mais filhos da puta. Dorian Gray consegue se enxergar como o pai de um monstro: guarda em seu retrato as recordações de sua primeira crueldade, sua primeira maldade, sua primeira dose de ópio, sua primeira chantagem, seu primeiro assassinato… Um macabro álbum de família de uma só foto.

Mas um dos melhores trechos do livro ainda é a cura da alma pelos sentidos.

Agora eu percebo que essa passagem é um retrato de seu autor, não uma verdade absoluta. E só deus sabe quantos livros são um retrato de seu autor e não uma verdade absoluta.

Wilde era um hedonista. Um dândi, que acreditava que o sentido da vida era o prazer, então, vivia para seu prazer (até mesmo com a bunda o viadinho queria obter prazer).

Não questiono que o prazer é um dos impulsos mestres da vida. Você tende a buscar o prazer porque o prazer tende a ser algo bom pra você. Se te fizer mal, relaxa que você é só um candidato mais forte a não ter seus genes transmitidos pras próximas gerações. Relaxa, a humanidade te agradece e você pode até ganhar um Darwin Awards.

Mas os sentidos não curam a alma. Podem te dar um descanso, te ajudar a dar uma relaxada, pegar um fôlego e tals, mas não curam a alma. Os sentidos são o analgésico da alma. E todo mundo sabe que morfina não cura câncer, embora seja muito usada em quimioterapia.
E agora entro em um tópico presunçoso: Qual o remédio pra alma?

Me sinto tentado a afirmar que a alma não tem remédio. Que as doenças da alma seriam como um resfriado: não tem o que fazer, só tomar muita água e ficar em repouso. Ou como uma fratura: você imobiliza e pode até tentar tratar, mas no fim, o que resolve é o tempo e seu próprio corpo.

Às vezes temos cânceres da alma: um troço que te machuca e te corrói, que a única forma de se livrar dele é amputando, e, mesmo assim, vai ficar um pedaço faltando pro resto da sua vida.
Ou você pode ter uma cirrose da alma: só precisa de um doador de um pedaço de fígado pra poder começar de novo.

As doenças da alma levam a mais uma pergunta? Quais seriam os patógenos da alma? Ou as terapias? Daria pra escrever um post inteiro sobre isso…

E eu até escreveria, se não fosse um post inteiro só com metáforas. E todo mundo sabe que nossas metáforas são como um abacaxi num dia de chuva.

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