Vinte e Poucos Anos.

August 31, 2007 § Leave a comment

Você já sabe e me conhece muito bem.

Esse post foi iniciado no dia 08 de agosto de 2007, ou seja, mais ou menos um mês antes do meu aniversário, que é depois de amanhã, dia 02 de setembro.

Dizem que o inferno astral é a época em que seu signo está fechando um ciclo e se preparando para outro. É uma fase em que você “deixa de lado tudo o que não é essencial” ou, pra colocar de forma mais direta, uma fase em que você coloca fogo em um monte de coisa: relacionamentos, sentimentos, sensações, lembranças, mendigos…

Eu sou capaz de ir e vou muito mais além…

Esse ano o inferno astral chegou mais cedo.

Pode parecer meio loser falar que ele começou com o fim do meu namoro. Ok, é loser pra caralho… mas, embora o fim do namoro em si não tenha sido a pior coisa que aconteceu, sem dúvida foi um gatilho. Come on… era pra ser, foi bom enquanto durou, e, como diriam os PUAS, foi bom pra treinar. Como dito pelo Reverendo: qualquer experiência na qual você assume um papel ativo é positiva.

Do que você imagina…

Quando eu era um adolescente, eu idealizava meus 25 anos. Achava que seria a melhor fase da minha vida. Que eu estaria profissionalmente encaminhado, mais seguro de mim, com uma bagagem de vida que me permitiria olhar pra mim e falar: Eu sou foda.

Ok, minha vida não é um mar de rosas. Na verdade, eu diria que minha vida É um mar de rosas… mas com mais espinhos que pétalas.

Precisei me esforçar por algumas coisas, outras caíram no meu colo de graça, outras eu não consegui.

Por outras, eu ainda luto.

E Eu não desisto assim tão fácil meu amor…

Independente disso, porém, eu cheguei aos meus vinte e cinco anos. Com realizações, derrotas, alegrias, tristezas, cicatrizes, cartas de amor guardadas, nomes esquecidos, rasteiras, calotes e muita história pra contar.

E isso foi só o preâmbulo.

Das coisas que eu quero fazer e ainda não fiz.

Há um mês, o Nakayama comentou que ouvira que eu estava planejando abrir uma academia com outros amigos meus. Eu disse que estava meio preocupado porque não sabia se eu seria um bom professor de artes marciais.

Eu disse que era meio moleque como professor, e que não tinha me dedicado às artes marciais como eu gostaria.

Afinal, eu parei de treinar por muito tempo para fazer minha faculdade.

Na vida tudo tem seu preço e seu valor.

Eu falei uma merda do caralho.

Eu tenho mais ou menos 5 anos de treinamento em hapkido, 3 anos de treinamento de karatê, 6 meses de judô e jiujitsu, mais os treinos intensivos de kumdô, sotai e arnis. São dez anos de treinamento.

Eu estava aprendendo a bater quando minha ex-namorada estava aprendendo a andar.

Eu realizei o meu sonho de me tornar um artista marcial. É óbvio que realizar esse sonho implica em uma constante insatisfação com seus resultados.

Nenhum artista marcial que se preze se contenta com um patamar. Sempre existe o degrau adiante.

Mas me tornar esse insatisfeito perene era parte da realização do meu objetivo.

E o que eu quero nessa vida é ser feliz.

Então por que eu disse que “era moleque de artes marciais”?

Acho que por um único motivo: eu não queria me ver como adulto. Eu queria que as pessoas continuassem me vendo como um moleque, como um pirralho. Acho que eu queria ser figurante na vida e deixar as coisas seguirem seu fluxo. Acho que eu estava negando meu caráter histórico.

Acho que eu sou a única pessoa que me enxerga como criança.

Nos últimos três meses três coisas aconteceram que mexeram comigo profundamente. (E nenhuma delas foi um exame de próstata.)

Uma balada com o Reverendo e o Rípper.

O pior dia da minha vida.

E um sonho assustador.

Nem por você nem por ninguém eu me desfaço dos meus sonhos.

Todos esses eventos foram se concatenando de uma forma impressionante. Quase mística.

Primeiro eu consigo ver claramente porque minha vida chegou nesse precioso momento. Porque cada passo que eu dei me trouxe até aqui.

Depois eu me enxergo como ser humano. Sozinho, no meio do mato, no perigo, correndo o risco de morrer. E sozinho, no meio do mato, correndo risco de morrer, eu tive a chance de ver o ser humano que eu sou: um ser humano que dá um passo adiante quando está com as costas contra a parede.

Por último, meu inconsciente me aplica uma pegadinha e me mostra o caminho que eu tenho a seguir. Eu poderia ter ganhado uma casa, mas ganhei uma montanha.

E uma montanha só serve pra ser escalada.

Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos.

É óbvio que uma escalada envolve quedas, tombos, fraturas e escoriações. Mas tudo isso é treino. Viver é treino.

Só que, bem, se foi alguma faceta do Grande Mistério que aprontou tudo isso comigo ultimamente para me mandar um recado… Ou se foi meu inconsciente me dando uns tapas… Ou se eu inconscientemente criei essa situação de revelações, eu não sei.

Mas eu sei que é hora de jogar pra valer e ganhar da vida.

Eu não sou mais nenhum adolescente. É hora de parar de me comportar como tal.

Tem gente ainda me esperando pra contar…

Não quero falar que eu vou mudar. Mudanças nunca são anunciadas, são sentidas e percebidas muito depois que acontecem. Você percebe que mudou quando as pessoas na rua falam de como você está diferente. Você muda nos olhos, não nas roupas.

Também não quero fazer aqui aquelas promessas de “E o Vento Levou” de que nunca mais sentirei fome novamente.

Prometer que não vai nunca mais se machucar é admitir que não se curou. Só quem ainda sente dor tem medo de se machucar de novo.

Minha alma vai tropeçar e cair. E levantar. E tropeçar e cair. E levantar. E tropeçar e cair. E levantar, como um bêbado que sempre sabe o caminho de casa.

Senhoras e Senhores: alma não gasta.

Eu posso me perder, eu posso me sujeitar a coisas “ilógicas”. Eu posso cair em armadilhas e passar por situações humilhantes, conscientemente, inconscientemente e por burrice pura e simples.

Eu sei, também tem gente me enganando. Mas que bobagem, já é tempo de crescer.

E por tudo isso…

Pelos amigos ausentes, amores perdidos e pela estação das dúvidas.

Pelo inferno, pelos outros, pelo demônio e pelo que nós demos aos três.

Pelo que merecemos.

Pelo que tiramos de quem não merece.

Pelas tequilas bebidas, cervejas entornadas e vodkas sorvidas.

Pelo café da manhã pra curar a bebedeira numa padaria dessa cidade de São Paulo que é minha maior namorada.

Pelos sentimentos que dão sentidos ao que fazemos.

Pelo apoio, pelos rucks e pelos mauls.

Pelo que caosamos e pelas conseqüências.

Por cada dia de nossas vidas que quase foi o último.

E, especialmente pelos nossos sonhos e objetivos, meus mais

Eu gostaria agradecer por tudo. Para agradecer por fazerem parte desse momento da minha vida (mesmo que como observadores, especialmente porque dizem que se uma árvore cai e ninguém ouve, ela não faz barulho).

Gostaria também de agradecer a todos aqueles com os quais nesses 25 anos de vida eu tive a chance de interagir: amigos, amigas, companheiros, companheiras, inimigos e inimigas. Como interagimos foi fundamental para eu ser o que eu sou hoje.

E, por fim, aos meus irmãos, àqueles que junto comigo entendem o que é ter “espírito de matilha”, gostaria de não dizer nada. Eles já sabem o que eu penso e sinto.

Uma vida não se esculpe nem se escreve. Forja-se.

Não é fácil estar no inferno. O calor é insuportável e você tem que ficar batendo sem parar.

Mas é a melhor forja que existe.

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