Breve Momento de Otimismo Injustificável.

November 21, 2007 § Leave a comment

Como todos sabem, a principal função da internet é prover de anonimato todas as pessoas carentes de atenção para que elas possam discutir de forma irrazoável e irracional sem permitir aos outros a possibilidade de um debate saudável e sensato.

Tendo isso em vista, gostaria de me ater a um ponto específico do texto do Stein (excelente texto, Stein.) e aproveitar uma omissão do autor para distorcer o significado de tudo e chamar a atenção, na expectativa de virar uma estrelinha de blog e comer várias mulheres gostosas.

O Stein disse que é comum as pessoas acharem que não vivemos mais numa sociedade estratificada desde a Revolução Francesa, que, como todos sabem, foi resultado de uma grande discussão acerca do uso daquelas perucas hor-ro-ro-sas que dividiam a opinião da época.

Depois que falaram que preferiam perder a cabeça a perder todo o guarda-roupas de perucas que custou uma for-tu-na, os ânimos se acirraram. A declaração de Maria Antonieta de que brioches eram mais saborosos e que tinham só metade das calorias só jogou lenha na fogueira.

Não, droga… Lenha na fogueira era a Inquisição Espanhola.

Pois bem, falemos das hipóteses de ascensão social.

Qualquer ser humano que se dê ao trabalho de olhar pro mundo sabe que a ascensão social é positivamente inelástica, ao contrário dos salários.

Ou seja: ascender é muito difícil, cair é fácil.

Não é complicado ver que na expressão acima “positivamente” diz respeito apenas ao sentido da inelasticidade, não sendo sinônimo de “algo bom”.

Ou seja, embora “em tese” você “possa” se movimentar socialmente, na prática, isso é quase impossível, sendo que as exceções que confirmam a regra são, apenas, exceções que confirmam a regra.

Ok, partindo dessa explanação desnecessariamente longa que possui o único objetivo de demonstrar meu conhecimento acerca de nomenclatura econômica e, com isso, aumentar minhas chances de comer várias mulheres gostosas, aí vem a questão: as mudanças decorrentes do fim dos privilégios feudais trazem algo de bom concretamente?

A resposta é “sim”.

Em primeiro lugar, e mais importante, o fim daquelas perucas é uma coisa boa.

Em segundo lugar, e comparativamente menos importante do que as perucas, estamos falando de uma mudança de paradigmas.

Durante o Feudalismo, um nobre era melhor que um plebeu porque ele era nobre e o outro não.

Hoje em dia um rico é melhor que um pobre porque ele tem dinheiro e o outro não.

O Verbo mudou de Ser (Nobre) pra Ter (Dinheiro). Ou seja, deixou de ser uma coisa de essência e passou a ser uma coisa de propriedade. Não é o sangue que corre nas suas veias, mas sim o crédito da sua conta bancária. E convenhamos que é mais fácil rechear sua conta bancária (ainda que com desvio de verbas do leite de crianças carentes) do que nascer de novo. Pra nascer de novo você tem que morrer e acreditar em reencarnação e, bem… eu não estou ansioso pra fazer o teste.

Isso vale para mobilidade social, mas serve também pra outras coisas. Negros continuam ganhando salários menores que brancos? Sim, continuam. Mas linchar um negro é crime. Mulheres também ganham em média salários menores? Sim, mas se você matar sua esposa porque ela te chifrou você ainda vai responder por assassinato. Legítima defesa da honra não existe mais.

A esse respeito, gostaria de citar também o fato de que dois Juízes foram punidos por sentenças proferidas (o que, para quem não é da área jurídica, é um breaktrough) nas quais eles expuseram opiniões extremamente sexistas (uma sobre aquele jogador de futebol que ninguém sabe ao certo se dá a bunda ou não, outro sobre algum tipo de crime contra a mulher aí).

Ou seja, embora ainda não vivamos num mar de rosas, um inverno de cada vez a gente vai melhorando o mundo.

*-*-*

Antes que alguém venha me encher o saco, quando eu afirmei que pessoas ricas eram melhores que pessoas pobres, eu apenas tomei o pressuposto colocado no texto do Stein: existem classes e, portanto, existem classes superiores e inferiores.

O que cada um considera uma pessoa melhor ou não, efetivamente, não me interessa. Isso depende de paradigmas subjetivos, ou colocando de forma não-pedante, depende da opinião de cada um sobre o que é ser melhor ou pior.

Pessoalmente, minha opinião de o que é uma pessoa melhor envolve basicamente a capacidade de realizar seus desejos.

Agradeço ao Stein por ter me permitido pegar uma omissão insignificante e distorcê-la para que eu possa impressionar nossas leitoras na Suécia.

Obrigado, Stein.

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