O Evangelho da Coragem Segundo Anarcoplayba.

February 22, 2008 § 2 Comments

O Malandricus Bar & Vodka muitas vezes se vê como um parlatório em que discutimos conceitos filosóficos de enorme profundidade e sexo oral.
De fato, acreditamos piamente que essa é a grande busca de todo homem: um boquetinho bem feito.
Porém, entendemos que um ser humano não vive só de boquete.
Quer dizer, seria nojento, saca?
Por tal motivo, ocasionalmente, decidimos discutir sobre conceitos filosóficos. E o texto do Stein me fez repensar algumas coisas sobre coragem.
Há algum tempo eu li “Portões de Fogo”, do Stephen Pressfield, que, basicamente, é um romance histórico sobre os 300 de Esparta. Dentre inúmeras questões interessantes colocadas no livro, há uma discussão fortíssima sobre o que é a coragem.
O Espartanos, no livro, passam a vida toda procurando o oposto ao medo, pois entendiam que o medo paralisava o homem no momento da batalha. A dificuldade era, no entanto, encontrar a coragem pura, chamada no livro de andreia.
Coragem, no entender deles, não se media por atos, mas sim por sentimentos.
Se jogar numa batalha para lutar até a morte pode sim ser um sinal de coragem. Mas também pode ser um sinal de burrice, ou de medo de ser chamado de covarde, ou de orgulho, ou mesmo de vontade de morrer.
Um charuto pode ser um charuto ou algo pra você enfiar no cu, seu filho da puta.
Eis meu primeiro ponto de discordância do Stein: abandonar algo bom pra você pode ser um sinal de coragem… ou um sinal de masoquismo. De auto-sabotagem. E se pode ser um sinal de tantas coisas, definir coragem como a capacidade de se arriscar, é dar uma definição, na minha opinião, imprecisa, posto que não define nada: “Todo grande gênio é meio idiota. E todo grande retardado também é meio idiota.”
Ou seja, se sua idiotice pode fazer de você um grande gênio ou um grande idiota, ser idiota não é prova de nada.
A pergunta que deve ser feita é: Por que você abandonou algo bom?
Eu me sinto tentado a dizer que abandonar algo bom por desejo de conseguir algo melhor é sinal de prepotência, mas não é essa a minha opinião.
Abandonar algo bom por desejo de conseguir algo melhor é um sinal da capacidade de sonhar. Da capacidade de não se contentar com uma felicidade possível. De não se vender.
Eu falei há algum tempo atrás que um Homem faz o que É certo, não o que vai dar certo. E hoje eu gostaria de refrasear tal afirmação: Coragem é fazer o que É certo, não o que VAI DAR certo.
Isso é uma definição que não define quase nada: O que é certo? Oras, essa pergunta não tem resposta: cada um segue um paradigma do que é certo. Pra algumas pessoas, certo é ficar em um relacionamento até o amargo fim porque você gosta da outra pessoa. Para outras é sair de um relacionamento antes do amargo fim porque você sabe que vai dar errado.
Se você tem câncer terminal, o que é um sinal de coragem: Dar um tiro na cabeça pra acabar com o sofrimento, ou viver um processo de sofrimento longo e doloroso?
Depende daquilo que você acha: pra alguns, morrer é algo terrível demais pra abreviar a vida.
Pra outros sofrer é algo terrível demais pra prolongar a vida.
*-*
O texto do Stein é apenas metade do motivo pelo qual estou escrevendo esse texto.
Há algum tempo, uma ex-namorada disse que se incomodava com o que eu escrevia nesse Blog.
Segundo ela, todas as piadas a respeito de nosso objetivo principal ser o de comer mulheres gostosas a ofendia.
E bem, a parte irônica é que outras pessoas levaram isso a sério também.
Bom, eu sempre disse que o MLDC é, pra gente, algo maior que um blog. Nosso interesse (pelo menos o meu) é criar. O Malandricus é onde eu deixo meus impulsos criativos aflorarem. Todas as piadas, ironias, teses, conflitos, discussões que se passam aqui são discussões que permeiam nossas vidas.
Quando ela se incomodou com a forma como eu escrevia, isso foi algo que me deixou incomodado, pois o blog é um reflexo de uma série de coisas que procuramos levar a sério. Dentre elas, especialmente, a vontade de escrever um texto gostoso de ser lido.
Nós evitamos, ao máximo, usar o blog. Ele não é uma ferramenta. Não serve pra mandar recados, indiretas, beijos pra minha mãe, pro meu pai e pra Xuxa. Eu, pelo menos, apenas evito fazer ponderações que possam diretamente magoar pessoas individualmente (porque isso – quase sempre – é desnecessário). Agora, se pessoas se sentem incomodadas individualmente por algo que é coletivo, so sorry.
Eu não vou me esforçar para NÃO magoar ninguém. Eu não vou NÃO falar algo que eu tenho vontade de falar aqui porque os outros vão me julgar. Eu não vou podar meus textos pra que eles cresçam como um bonsai, esculpidinhos, bonitinhos, plásticos e que eu possa deixar no meu quarto pra mostrar pra alguma gostosa aleatória qualquer como eu sou cool, cuidadoso e atencioso, motivo de sobra pra ela me dar a bunda.
Meus textos são provavelmente a melhor coisa em mim.
Como eu disse anos atrás: eu não sei se eu sou simpático, carinhoso, bonito, interessante, ou se eu sou uma pessoa boa: Eu faço a minha oferta, se tem demanda ou não, estou pouco me fudendo.
Isso era o que eu pensava.
Infelizmente, aconteceu uma das coisas que eu mais odeio na minha vida: Descobrir que alguém falou isso de forma muito melhor que eu.
“You should be more careful what you write. Future employers might read it.”
“When did we forget our dreams?”
“What?”
“The infinite possibilities each day holds should stagger the mind. The sheer number of experiences I could have is uncountable, breathtaking, and I’m sitting here refreshing my inbox. We live trapped in loops, reliving a few days over and over, and we envision only a handful of paths laid out before us. We see the same things every day, we respond the same way, we think the same thoughts, each day a slight variation on the last, every moment smoothly following the gentle curves of societal norms. We act like if we just get through today, tomorrow our dreams will come back to us. And no, I don’t have all the answers. I don’t know how to jolt myself into seeing what each moment could become. But I do know one thing: the solution doesn’t involve watering down my every little idea and creative impulse for the sake of some day easing my fit into a mold. It doesn’t involve tempering my life to better fit someone’s expectations. It doesn’t involve constantly holding back for fear of shaking things up. This is very important, so I want to say it as clearly as I can: FUCK. THAT. SHIT.”
Coragem, pra mim, é seguir o caminho do subjetivo apesar do objetivo.
Ou traduzindo de forma menos pedante: coragem é você fazer o que você sabe ou acha que é certo que é certo apesar das consequências.
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§ 2 Responses to O Evangelho da Coragem Segundo Anarcoplayba.

  • Dude says:

    Um pequeno adendo perante tão ímpeto e árduo post, que me remete a uma filosofia um tanto adormecida dentro de mim.

    Coragem, de fato, são realidades inerentes a cada um de nós, fatos e aspectos os quais tatearam nossa realidade inerente, que muitas vezes nos remete a uma síndrome um tanto comum hoje, nos tornando cegos para algumas decisões que seriam “certas” para as ações acarretadas nas escolhas que fizemos até aquele ponto. Sendo asim, em alguns momentos, perdemos a coragem para fazermos de fato algo certo em nossa reles existência e confundimos coragem com algo absurdamente ridículo que nos remete à alcunha de, “vítima”.

    Portanto, coragem, para mim, utilizando-me da frase de meu caro amigo Anarcoplayba ao fim de seu post, seria essencialmente o citado, porém acrescido de poucas palavras:

    “Coragem é você fazer o que você sabe ou acha que é certo apesar das consequências, através de atos em meio a palavras sinceras, e não apenas frases triviais”.

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  • Anonymous says:

    tá certo. deixar algo de lado pq alguem n gosta seria igual a comer cocô qdo alguem manda. eu n comeria e sei q vc tb n. por isso q eu amo a sinceridade: ela é ela! de fato, existem mtas formas de se dizer a mesma coisa… mas vc n seria vc se n usasse suas palavras. e é por causa delas q eu, pelo menos, passo aki. aliás… pq alguem dá murro em ponta de faca, enfia um clips na tomada e pula do terceiro andar? mocinha que n quer ser estuprada n anda de mini saia à meia noite, sozinha, no escuro… pessoas q n querem ler, fecham os olhos…

    tá errado. a melhor coisa em vc n são seus textos. eles são só uma parcela das suas qualidades. oum, baby… vc n é só um cérebro pensante e saboroso!

    tá erradíssimo. cadêêêêê o beijo pra xuuuuuuuuuuuuxa????? bsuuuurdo!

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