Mas e o Ronaldinho, hein?

May 20, 2008 § 3 Comments

No final do ano, quando todos forem fazer uma retrospectiva das coisas que aconteceram em 2008, todos vão lembrar da Isabela Nardoni e do Ronaldinho.

A Isabela Nardoni foi “O Crime do Ano”, que serviu pra unir todas as classes para discutir o absurdo de um crime tão bárbaro.

Sem querer apontar o óbvio, se o crime é absurdo e bárbaro, não há porque discuti-lo: ficar olhando pro forno não faz o bolo assar mais rápido.

Por outro lado, a onda retro chegou com Ronaldo e seus Travecos que, sepultando qualquer possibilidade de se lembrar do grupo musical da Jovem Guarda, foi a melhor tese de defesa do Alexandre Nardoni e da Ana Carolina Jatobá ou qualquer que sejam os nomes deles.

Bom, o que podemos falar sobre o Ronaldinho? Tudo o que ele queria era ficar louco, comer uns cus e falar de futebol. Ele tava pedindo demais? Claro que tava, afinal, ele é o Ronaldinho, as regras contratuais não se aplicam a ele.

O Brasil é engraçado. Não sei se vocês se lembram, mas o Sílvio Santos tinha, décadas atrás, um quadro no programa dele onde era feito um concurso do transformista mais bonito. Agora o Ronaldinho tá ouvindo pra caralho porque catou lá os travecos.

Acho que se olharmos de perto os dois casos (ou se olharmos o caso Nardoni de cima, e dermos uma apalpadinha no caso Ronaldinho) teremos uma característica muito interessante que eu (confesso) não sei se existe ainda em outros países, mas que aqui é razoavelmente claro: vivemos ainda a noblesse oblige.

Para os que não perdem seu tempo com cultura inútil, a Noblesse Oblige era um conceito medieval que significa, mais ou menos, dever da Nobreza. Ou seja, a nobreza vivia em castelos comendo do bom e do melhor (inclusive camponesas virgens o que, em se tratando da idade média, não sei se é algo bom), mas eles tinham o dever de ir pras guerras proteger o território e liderar os plebeus pra um mundo melhor.

Ou seja, você pode até não ser mais um da massa do povo, mas tem que se comportar com nobreza.

Ok, assassinatos em família são sempre chocantes? Sim, são. Vide o caso da baterista mais loira e fofa do Brasil (a Richtofen) e dos Nardoni: assassinato em família sempre teve e sempre vai ter, mas quando isso acontece na classe média, não nas favelas, choca todo mundo.

Por outro lado, alguém pode me responder o que diabos eu tenho a ver com a vida do Ronaldinho? Óbvio que se eu encontrasse ele eu ia tentar fazer alguma piada e tal, mas não sei se eu teria essa presença de espírito. Mas daí a falar que ele jogou a carreira fora? É um absurdo! Todo mundo sabe que ele dava importância pra carreira aquela noite (e o trocadilho foi uma merda, sorry).

Obviamente falar mal da Veja é lugar comum e tal, sendo certo que o melhor insulto que eu já ouvi até hoje foi “você lê a Veja e gosta!”.

Mas ter uma reportagem de capa falando que ele poderia ser um novo Pelé, mas está se tornando um novo Maradona, coé?

Convenhamos que ele possa ser um gordinho fora de forma cheirador de cocaína e catador de traveco, mas, até aí, ele está só se prejudicando, o que, na minha opinião, é muito melhor que não reconhecer uma filha.

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§ 3 Responses to Mas e o Ronaldinho, hein?

  • fofa... says:

    ah, mas tem coisa melhor do que falar da desgraça alheia? a pessoa pode defender uma velhinha na rua, as crianças da áfrica, o planeta da destruição humana!!!… mas, se pisa numa casca de banana e cai em público… ta ferrado! hahahahahahaha tudo tem um preço! todo mundo sabe, muita gente paga e ngm pode reclamar… assim como n tem procon de ficante, de namorado, de má gestação, de pai severo e de amigo traiçoeiro, n tem procon de celebridade!… magina: “eu vim reclamar q a nota de garantia dos meus 15 minutos de celebridade falava em 2 paparazzo, não 20!!! eu n consigo nem tomar banhu peladu… com vergonha q minha broca de dentista n aparece nas devidas proporções” ahahahahahahahhahhahaha…. enfim… e pelo menos, n reconhecer a filha deixa a menina salva de uma tragédia familiar!… pense no lado bom!

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  • Sil S. says:

    Cara, você podia ter escrito só esse último parágrafo. Catador de traveco, sim; mau caráter, jamais. Agora, “achei que era mulher” foi de foder, hahahaha!

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  • Fabio Hernandez says:

    bom mesmo este último parágrafo com a comparação com o pelé, anarco. mandou bem.

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