I’m Dancing With Myself.

June 1, 2008 § 3 Comments

Esse vai ser o texto mais estranho imaginável.

Isso porque eu estou sozinho. E feliz.

Durante anos da minha vida eu treinei pra ser um artista marcial. Treinei para me diferenciar do resto da humanidade. E no transcorrer dos últimos meses tudo conspirava pra um crescente. Pra uma situação de violência física que ia ser justificativa e resultado de toda a minha vida.

Essa situação aconteceu hoje.

Eu entrei numa briga que eu não podia vencer. Lutei. E sobrevivi.

Fazendo um rápido retrospecto:

Existe uma ex-namorada. A Ísis. E peço desculpas por não seguir a política padrão de esconder nomes, mas, como eu disse, esse é um post atípico.

Hoje eu saí com ela. Ela, a prima dela e o namorado da prima dela. Fomos todos numa balada gls, no caso, o Santa Sara.

No transcorrer da balada, long story made short: a Ísis catou uma menina.

Agora entramos numa discussão que pode ser extremamente longa, mas pode ser resumida a um fato simples: eu não discrimino sexos, eu discrimino situações.

Por uma grande sincronicidade (e sim, eu me tornei um misticalóide que acredita em destino, magia e sincronicidades, como eu disse, esse é um post atípico), quando estávamos indo embora, a menina que a Ísis catou estava na porta.

Ela ficou olhando pra minha cara, naquele borderline entre de boa numas de “eu sou uma gostosa, fique feliz que eu catei a menina que você estava beijando” e “rá catei a menina”.

Tentem entender: eu deixei a situação fluir. Apontei o dedo na cara dela e falei: “Sai da minha frente, sua vagabunda!”

Bom, não é preciso um diploma de psicologia pra saber o fato: a vagabunda que eu estava xingando não era a aleatória, era a Ísis.

Nesse instante apareceram dois cavaleiros em armadura brilhante pra salvar a pobre donzela sapata e gostosa e eu, como bom agente do caos, como todo grande vilão, não dei passo atrás. Gritei: “Vai comprar a briga da vagabunda?”

Ele deixou quieto. Segui meu caminho, ele começou a me xingar.

(perdoem a primeira pessoa do singular: esse é um post atípico.)

Subi a escada. Ele tentou me empurrar. Revidei. O segundo cavaleiro veio pra cima de mim. Soquei o saco dele. Os dois vieram pra cima de mim. Desci a escada de costas, defendendo os chutes. Quanto eu tava nos últimos quatro degraus, pulei d costas. Caí no chã defendendo.

Enquanto eles partiam pra cima de mim, eu fui recuando, dando finta de olho em um e socando a cara do outro.

Um. Dois. Três socos.

Recua, recua, recua. Bate num carro. Caralho, perdi o equilíbrio.

Esquiva rápida, defende o rosto. Soca de novo. Toma umagravata.

Fodeu, tomei a gravata. Olha pro que tá na sua frente. Chute no saco, esquiva. Soca, soca, soca. Defender não ganha luta.

Toma a rasteira. Cai no chão. Caralho. Você caiu no chão. Você morreu, Tarso! (desculpem a falta de Nick, mas esse é um texto atípico.)

NÃO! Você não morreu! Não desiste, protege a têmpora, protege a nuca, protege a cara, o nariz! Faz guarda, pernas nos joelhos, protege a cabeça! Sempre proteja a cabeça!

Separam a briga (ou seria melhor “massacre”?).

Termina. Eu levanto. Tem sangue na minha mão. Eu grito com todo meu pulmão!

“Caras, desculpas! E obrigado!”

Silêncio de “quê?”.

“Desculpas por ter estragado a noite de vocês. Obrigado por terem me dado o que eu quis durante tanto tempo!”

Obviamente eu falei tudo o que eu precisava falar pra Ísis. Que ela foi uma criança que acha que pode fazer o que quiser porque o mundo tem obrigação de aceitar todos os caprichos da “Princesinha Rosa”. (desculpas pela falta de sutileza, mas esse é um post atípico.)

A gostosinha que a Ísis catou, quando a Ísis falou com ela no pós showzinho (sim, essa é minha única vergonha. Ter dado showzinho na rua.) falou que nunca quereria nada com ela. Óbvio: quem ia querer algo com alguém que não respeita alguém que está com ela na balada?)

A Ísis disse que era recíproco. Verdade? Mentira imediata pra lidar com a rejeição? Who knows?

I don’t care.

A conversa depois teve pouquíssimos fatos relevantes. Eu falei muito do que estava entalado na minha garganta faz tempo e, o que quer que seja, não precisa ser repetido aqui. Não vai acrescentar nada pra minha vida.

Os leitores que exerçam a imaginação.

No final, as únicas coisas relevantes:

Eu dei um passo adiante.

Eu estou sozinho porque o topo da montanha é um lugar difícil de chegar.

Eu quero gritar pro mundo inteiro: eu arranjei uma briga impossível de ganhar, e lutei o meu melhor!

Apanhei, me machuquei, sim, fato.

Mas eu tive um gostinho de uma coisa que a maioria de vocês só terá na hora da morte: REALIDADE.

E nesse aspecto eu agradeço à Ísis: Ela me deu tudo o que eu sempre quis: uma história bonita pra contar!

Sim, a culpa É dela. Não existe justificativa, amenização, ponderação.

A. CULPA. É. DELA.

Ela quis brincar com a vida e com os sentimentos dos outros.

A gostosinha era meramente uma aleatória.

Os dois caras eram meramente dois caras querendo impressionar uma gostosinha.

Eram todos atores de segunda numa peça de terceira.

E eu era o protagonista.

Eu tive o grande momento da minha vida. E fiz bonito.

**************************************************

Esse post é atípico por outra razão.

Nos últimos meses, por diversos motivos, o blog andou às moscas.

O Rípper não escrevia há tempos.

O Stein também ficou um tempo sem escrever. Em partes por um desentendimento que tivemos.

Eu mantive um razoável ritmo. “Mais pra tapar buraco que por outra coisa.”

O blog mudou. Fato.

A gente não escreve sobre nossas experiências da mesma forma. Nós mudamos.

Se nós mudamos, que mude o blog.

Que mude a cara do blog. Que mude o template. Que mude o endereço.

Mas aparentemente eu não podia mudar o template.

Bom, discutir isso, aqui, agora, é desnecessário.

Eu tenho meus argumentos. Pra mim certos. Stein tem os dele. Com certa razão.

O fato é que, se eu não tenho liberdade, se essa casa não é minha, se eu sou uma visita aqui, bem, hora de eu me comportar como uma visita, certo?

Amigos do Malandricus Bar & Vodka.

Por meio desse post, um post atípico, como eu disse, eu, Anarcoplayba, Paulo Tarso Rodrigues de Castro Vasconcellos, informo que estou, imediatamente, abrindo um novo blog, que atenderá no endereço provisório de HTTP://anarcoblog.wordpress.com.

Os textos do Malandricus foram devidamente importados pra lá, bem como outros textos de um antigo blog do qual eu fiz parte.

Não estranhem a falta de organização. Eu me mudei há pouco tempo, mas queria fazer um open house.

Praqueles que se preocupam, praqueles que se importam, não estou afirmando categoricamente que estou abandonando o MLDC. Mas estou, de fato, iniciando uma experiência nova. Tem coisas que ficarão apenas lá. Outras serão publicadas aqui também.

Se nós mudamos, que mude o blog. Um blog é um formato, não um fato.

Por ora, agradeço a todos pela atenção dispensada.

E, se não nos vermos mais, um bom dia, uma boa tarde, e uma boa noite.

Ou, si non vi vedró piu, buona morte!

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§ 3 Responses to I’m Dancing With Myself.

  • Juliana says:

    “Ele decidiu que o mundo é o grande culpado, eu decidi que cada um é seu próprio carrasco” citando Anarcoplayba.
    Não preciso expressar mais nada.

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  • Juremeiro Preto says:

    Porra, que bosta, velhinho.
    Brigar por mulher nunca vale a pena, cara.
    Elas ficam se sentindo as princesas, sendo que mulher que causa briga é vadia das piores.

    O foda é que sempre tem um capitão salva-puta pronto pra defender a honra das “donzelas”, achando que vai comer alguem.

    Like

  • Mari says:

    Nao digo que o mundo esteja cercado de belas,ninfas, donzelas e santas,mas essa aí envergonha a classe feminina!
    É assim…sempre existe uma vagabunda(o) na vida de alguém….c’est la vie!!!!!
    hahhahahaahahaa

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