Love me Chester

July 10, 2008 § 4 Comments

Todo artista, invariavelmente procura atingir algum grau de imortalidade.

O processo criativo, a criação de algo objetivo no sentido de que é diferenciada e separada de seu criador, é a meta da arte, de forma que não se pode falar em processo artístico sem se falar em transcendência do criador.

A transcendência da arte, e, nesse aspecto, não me refiro à experiência transcendente precognizada por Kant, é, basicamente a transcendência do criador.

Se a obra alcança outras pessoas, possui caráter artístico. Se atinge várias pessoas, possui forte caráter artístico, se transcende gerações de pessoas, é um clássico.

Várias são as formas de se tentar alcançar a transcendência.

Os highlanders, por exemplo, cortavam cabeças pra viver pra sempre, mas isso é tido em algumas culturas como homicídio. E em algumas culturas homicídio é crime.

A forma mais simples e direta de se alcançar a imortalidade por meio de alguma obra é dar uma contribuição a algo transcendente.

Falar sobre os grandes temas sem dúvida é uma forma simples de se buscar a transcendência.

Poderíamos falar sobre a vida, a morte, a natureza humana, mas hoje, falaremos do amor.

E falaremos do amor por um único motivo: porque o objetivo desse blog é comer várias mulheres.

Vários são os enfoques do amor. Já discutimos se o amor existe, o que é, pra que serve, etc.

Hoje eu me lembrei de uma coisa que eu percebi há algum tempo, mas que não tinha postado até então:

O amor me dá medo da morte.

Algumas vezes eu percebi isso.

Sabe, normalmente eu não tenho medo de morrer. Isso pode ser grande coragem ou a falta do componente neurológico responsável pela percepção do risco.

Um erro da natureza, saca? Aquela coisa que faz você sair na mão com dois caras ao mesmo tempo, de costas pra uma escadaria GRANDE?

Então, eu passo a maior parte do meu tempo nesse estado de destemor imprudente.

Exceto quando eu estou gostando de alguém.

E não estou falando só do temor de brigas, assaltos, acidentes de carro, coisas que a prudência humana geralmente consegue equacionar. Estou falando de um pavor irracional de coisas que eu não posso controlar (acidentes de avião, por exemplo).

Nessas horas, a minha morte me preocupa. Penso em como as pessoas das quais eu gosto vão reagir.

É como se eu me tornasse responsável pelas pessoas que me cativaram. Um Pequeno Príncipe ao contrário.

Só que sem rosa e planetinha maneiro.

O Gracie (nesse caso, “O” Gracie, o Hélio), falava que o amor torna o homem um fraco.

De fato, medo é sinal de fraqueza. Amar fragiliza, indeed.

O que as pessoas eventualmente esquecem é o fato de que o Amor, embora não sirva como álibi pra nada, embora só atrapalhe, embora gere medo e muita confusão, exatamente como um filme “B” da Sessão da Tarde, é um objetivo pelo qual lutar.

E se existe algo a ser temido, é um homem com um objetivo.

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