Ranting.

September 19, 2008 § 5 Comments

Porque tem dias em que tudo o que você quer é falar mal.

Ok, eu admito que eu dirijo mal. Na verdade, é pior do que dirigir mal, eu sou imprudente. Eu gosto de assumir pequenos riscos. O tempo todo. Inclusive no trânsito.

E quando eu falo riscos, eu não estou falando de coisas possíveis para pessoas com enorme grau de habilidade e das quais eu sei ser capaz. Estou falando de coisas que eu não sei ser capaz.

Mas, ainda que eu seja imprudente, eu odeio meia roda.

Sabe aquele cara que pega duas faixas na rua? Que tem medo de aproveitar o espaço? Que tem medinho de ser assaltado em plena Avenida Paulista e fica a 15 metros de distância do carro da frente em todos os sinais?

Então, isso me irrita. Muito.

Trânsito é uma palavra auto-explicativa: Você quer sair de um lugar e chegar a outro. Quanto menor o tempo, melhor o trânsito. Então o senhor quer, por favor, aproveitar todos os CENTÍMETROS de trânsito que você tem?

“Ah, mas Que diferença faz se você chegar dois ou três minutos adiantado?”

A diferença é que a gente está falando de um sistema lógico com milhares (senão milhões de carros) As ruas médias foram feitas pra que três carros andem nelas lado a lado. Se você não usa uma faixa você simplesmente cria um estrangulamento de trânsito que, somado oas outros 48 meias-rodas atrás de você vai foder a vida de alguém.

Por isso que eu falo que uma solução pro mundo seria o retorno dos duelos até a morte (ou até um espancamento muito doloroso e vexatório, pelo menos). Se você corresse o risco de ser intensamente espancado você ia prestar muito mais atenção no que você faz.

Ô se ia.

Uma outra coisa que tem me incomodado muito ultimamente são pessoas. Algumas pessoas com as quais convivo.

Sabe, ultimamente eu venho fazendo as pazes com conceitos místico-religiosos.

Mérito da Pró-Vida.

Uma das coisas que eu aprendi (falo na primeira pessoa do singular porque são ensinamentos não codificados, conclusões às quais eu chego por vias difusas) é o conceito de “escapar pela tangente”.

Vivemos para aprender. Todas as situações pelas quais passamos têm alguma coisa pra ensinar. Cabe a nós enxergar nossos erros, aprender, nos perdoar e seguir em frente.

E não, isso não é um processo fácil. Pessoalmente eu tenho MUITA dificuldade no “nos perdoar”. E todo o resto também é importante: se falta UM desses elementos, o processo foi abortado. Enxergar os erros, aprender, perdoar e seguir em frente.

O problema é que se você não aprende você está condenado a repetir os mesmos erros, num círculo vicioso. Rodando em círculo cada vez mais rápido, sem ouvir o que está acontecendo ao seu redor, até o dia do Juízo Final, como se precisássemos que Jesus Cristo descesse na nossa frente pra apontar nossos erros.

Não, isso não é nada que tenham me falado. É uma do “The Second Coming” do Yeats:

The Second Coming

Turning and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.

Surely some revelation is at hand;
Surely the Second Coming is at hand.
The Second Coming! Hardly are those words out
When a vast image out of Spiritus Mundi
Troubles my sight: somewhere in sands of the desert
A shape with lion body and the head of a man,
A gaze blank and pitiless as the sun,
Is moving its slow thighs, while all about it
Reel shadows of the indignant desert birds.
The darkness drops again; but now I know
That twenty centuries of stony sleep
Were vexed to nightmare by a rocking cradle,
And what rough beast, its hour come round at last,
Slouches towards Bethlehem to be born?

E, bem… se você fosse condenado apenas e ficar vivendo um dia após o outro no seu inferno particular (lembram-se onde é o Inferno?), estaria tudo bem… o problema é que a história não se repete, a história rima: Os círculos ficam cada vez maiores e mais doloridos.

É como se a Vida (sim, com letra maiúscula mesmo) tivesse um sistema de incentivo: ela vai piorando as lições até você conseguir velocidade o suficiente pra vencer a força centrípeta do círculo vicioso e escapar pela tangente.

É uma visão de mundo um tanto quanto cruel porque coloca você como responsável por tudo o que acontece. Inclusive pelo Azar (letra maiúscula de novo). Mas o Malandricus Bar & Vodka já discutia isso antes.

Aprender isso te diferencia do resto da humanidade. Todos são marionetes de suas próprias vontades, agindo ignorantes de quem controla as cordinhas.

Quando você percebe isso você vê as cordinhas.

Sim, exato, só isso. Você continua sendo uma marionete, mas não tem mais o benefício da ignorância. Ou talvez tenha, se você fechar os olhos bem forte e começar a cantar lalalalalalalalala.

O legal de ver isso é que sua vida melhora. O ruim é que você sente uma vontade irrefreável de evangelizar o mundo (embora o conceito de você ser responsável pela sua vida não ser exatamente uma “Boa Nova”).

Então, estou com um sério problema de paciência.

Não tenho saco de discutir e tentar demonstrar minhas teses.

“Ah, na minha opinião, isso aconteceu porque X”.
“Ah, isso não tem nada a ver.”
“Por que não?”
“Porque não. Você não sabe do que está falando.”
“Por quê não sei?”
“Porque não.”

Anos atrás eu insistiria: Por que não? Por que você não quer conversar? Por que você não quer discutir? Do que você está fugindo?

Hoje eu respondo:

“É, tem razão. Não sei mesmo. Desencana.”

É. Eu desisti de tentar ajudar os outros. Eu não sou bom nisso. Me resigno à minha incompetência. Não rola.

É frustrante enxergar claramente um padrão e não poder fazer nada pra mudá-lo. Então, desisti.

Tipo: eu venho me redescobrindo recentemente. Re-conhecendo talvez seja o termo correto. E, de fato, eu sou um cara muito bom pra perceber. Eu realmente sei enxergar falhas. Eu sinto os erros. Essa é minha maior qualidade.

Uma nota, maestro: Percepção.

Acho que é mal de Virginiano.

O problema é que eu vejo as falhas, mas não consigo consertar. Se eu quiser, até consigo destruir, mas consertar? Sou uma negação, um zero à esquerda no campo do divisor: em se tratando de consertos, sou uma coisa ruim que tende ao infinito.

Então eu decidi desencanar de consertar coisas. Vou fazer só o que eu faço bem. Caosar.

I’m an agent of Caos.

Advertisements

§ 5 Responses to Ranting.

  • veronica says:

    Desistiu de ajudar os outros? Você caosa e ajuda os outros. (ponto-final). Consertar não é responsabilidade sua, a não ser q isso tenha a ver com a sua própria vida.

    Like

  • Fernanda says:

    O mais complicado de vc assumir que vc é responsável por tudo em sua vida, é não ter em que ou onde depositar a culpa das falhas e dos fracassos.
    Beijos.
    PS: Eu já fui assaltada, dentro do carro, na av paulista, mas me recusei a dar o celular a uma criança com uma faca de serrinha e sem ponta, andei com o carro no espaço que deixei do carro da frente e o moleque saiu …

    Like

  • capiteo says:

    aí vc falou, e eu li, até o fim, com dor de cbç inclusive. já quis evangelizar, sou canceriano e sinto que padeço de qq coisa muito parecida com o q tu disse.

    Like

  • Juremeiro Preto says:

    Pqp, essa mulherada só fala obviedades, hein?
    Voltem logo pra a cozinha, caralho!

    Like

  • sil s. says:

    É óbvio que você é responsável por tudo que acontece, e não só na sua vida.
    Faltou um Kant.
    Enfim, faça como a Marta sugeriu ano passado: relaxa e goza. Sábia frase.

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading Ranting. at AnarcoBlog.

meta

%d bloggers like this: