Da Série: Comments que viraram Post.

September 26, 2008 § Leave a comment

Ok… li o texto e comentei… vale alguma coisinha aqui tbm…

Uma das birras que eu tenho com o mercado publicitário é que o publicitário quer sempre SE vender.

Ele é único, especial, raro, diferente, cool, descolado.

Existem as massas… e existe ELE.

Lembra da moda que foi os óculos de armação grossa? Então… um dia alguém virou e disse: essa história de que os óculos não devem aparecer, não tá com nada. Vou MOSTRAR meus óculos porque eu sou seguro de mim. (Obviamente o fato de que óculos estão inconscientemente associados à sabedoria e inteligência ajuda). O que aconteceu? Todo mundo começou a usar o mesmo padrão de diferente.

Sugiro a leitura do post “reposicionando o 1984” do blog de guerrilha  (ou braincast, não lembro ao certo), bem como a propaganda nova da Microsoft. O que aconteceu: todo mundo usava PC… aí a Apple veio e falou, sou diferente das massas. O que aconteceu? Um monte de fanboy da apple falando que era diferente das “massas”. O que tá acontecendo agora? A tendência vira contra-tendência: Mac tá usando processador da intel e tá todo mundo puto.

Vira a Microsoft e joga isso contra a Mac: “Hi, I’m a PC, and I’ve been made to stereotype!”

O publicitário estereotipado tem mania de ser cool. De ser diferente. De expressar sua individualidade a todo instante: filmes “alternativos”, bandas “alternativos”, livros “alternativos”, cultura “alternativa”, visual “alternativo”. Alternativo? Alternativo presume ser uma opção a alguma outra coisa. Alter = Outra. Alternativa a que outra coisa? À Cultura de massa.

Isso gera um efeito engraçado que é o de pessoas que gostam unicamente de coisas obscuras e desconhecidas. Que têm ojeriza ao “cheiro do povo”.

Obviamente, isso é uma visão estereotipada do comportamento do publicitário médio.

Eu admiro o Olivetto porque ele disse com todas as letras que publicidade tem que vender. Não tem que ser belo, lindo, artístico. Tem que vender. Nisso a pergunta é: qual o público que vc quer atingir?

Um amigo meu fez o tcc dele na ESPM a respeito de propaganda de sabão em pó. Ele identificou que o mercado dele no Nordeste era de mulheres na casa dos 30 anos que não tinham escolaridade e tinham renda familiar per capita menor que um real por dia.

Não quero entrar no mérito disso: seria muito bom se ninguém vivesse nessa situação.

Mas vivem. E o publicitário tem que vender o produto pra esse grupo. Tem que se fazer entender pela massa. Pela população. Publicitário tem que ser Pop.

O Olivetto ir no Superpop é totalmente coerente com o que ele prega: Publicidade é feita pra vender, não pra ganhar prêmios. Ele xingou muito um ganhador lá porque o filme que ganhou nunca foi ao ar. E é comum: prêmio é propaganda pra agência.

A classe A, a classe que lê, estuda, assiste a globo news e TV’s por assinatura responde pela demanda agregada de, sei lá… 15/20% dos produtos a classe C e D é a grande classe consumidora… se não tradicionalmente, está se tornando.

O Olivetto foi num programa direcionado à classe C e D. Genial: ele falou pra quem ele fala melhor: pra massa de consumidores.

Pra ter uma idéia, ele tinha o costume de bancar palestras com outros profissionais na W Brasil. Pq? Porque, segundo ele, o publicitário estuda com publicitário, trabalha com publicitário, almoça com publicitário, sai pra beber com publicitário, casa com publicitário… vivendo nessa bolha ele esquece que ele tem que fazer uma campanha pra advogados, engenheiros, médicos, vendedores, pra classe A, B, C, D… O publicitário não deveria nunca se afastar do Pop… ele deveria ENTENDER o Pop. Paulo Coelho vendeu milhões. Pq? Zezé di Camargo e Luciano idem. Pq? O Olivetto idem. Pq?

O mundo roda em um sentido… e esse sentido tem um motivo… ele tá lá, só precisa ser decifrado…

Ah, e isso vai virar post.

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