O Amor da Mariposa pela Lâmpada.

September 29, 2008 § 6 Comments

Eu tento, no mais das vezes, não me debruçar muito tempo sobre uma angústia.

Eu parto do pressuposto que pensar sobre alguns problemas faz bem. Pros problemas. Eles ficam grandes, gordos, sadios! Dá gosto di vê, sô!

Parte das minhas angústias decorre do fato de que eu sou uma pessoa mais ou menos boa.

Sim, exatamente essa a definição… mais ou menos boa. Eu realmente gosto de ajudar as pessoas. Diga que é pelo amor ao próximo, diga que é por vaidade, eu não me importo: eu realmente fico feliz quando eu sou capaz de fazer alguma coisa boa por alguém.

Sabe aqueles dias em que você meramente dá um sorriso pra alguém? Que você elogia um cabelo? Que você dá atenção? Que você apresenta uma idéia, uma solução pra um problema, uma aspirina pra culpa?

Sim, eu me sinto genuinamente feliz com isso.

Por vezes eu me policio porque, oras, não é porque eu estou gostando de ter essa postura que o mundo está gostando de interagir comigo nessa postura.

No mais das vezes, porém, eu fico feliz de dar alguma coisa boa para os outros.

Porém, nem sempre se trata de caridade pura. De carinho limpo. Eu tenho interesses, desejos, vontades. Eu sei disso e sei que não é errado. Apenas é.

Porém, quanto alguém se preocupa apenas com seu umbigo e acha que o mundo existe para servi-lo, na minha opinião, essa pessoa faz um bem ao mundo: todos os que forem interagir sabem exatamente o que esperar dessa pessoa: egoísmo.

Essas pessoas se tornam uma constante no mundo. Uma peça pré-definida do xadrez da vida. Cavalos andam em “L”, egoístas querem levar vantagem em tudo.

Você sabe exatamente onde manter esse tipo de pessoa na sua vida e todos têm sua utilidade.

Eu, no entanto, por vezes me sinto culpado. Porque eu quero que as pessoas melhorem e sejam felizes. E também quero satisfazer meus desejos.

Ou seja, eu quero acrescentar algo de bom na vida das pessoas, por exemplo, por meio desse blog. E também quero ser reconhecido como escritor. E quero comer várias mulheres.

E é isso que me preocupa.

Há algum tempo eu disse que eu queria que o Anarcoplayba fosse completamente dissociado de sua obra. Porque o Anarcoplayba é o Autor ele tem desejos, vontades, medos, nóias, e uma série de defeitos de caráter.

A obra não.

Por favor, não que a obra seja perfeita. Ela não é. Mas a obra é objetiva. É alheia. Existe em si, sem desejos ou objetivos. A obra é feita de idéias expostas, metáforas orquestradas, textos publicados e a criação de algo transcendente.

É a velha questão do aprender a tocar violão pra comer menininhas. Funciona, mas é nojento.

E isso é um problema porque eu, como autor, não quero que minha obra preste a algo nocivo.

Acho que é a síndrome de Santos Dumont (que se matou quando viu que aviões estavam sendo usados como bombardeiros).

Talvez ninguém se preocupe com isso, mas eu me preocupo: eu não sou, mas me sinto responsável pelos que cativo.

As pessoas falam que a saída está no equilíbrio. Não tenho tanta certeza disso. Ser quase inteligente é perceber suas próprias burrices. Ser quase virtuoso é ter consciência dos seus defeitos.

E retomamos aqui a velha conclusão: o fruto da ciência é uma merda. A Ignorância é uma benção.

E que Deus te abençoe.

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§ 6 Responses to O Amor da Mariposa pela Lâmpada.

  • Veronica says:

    E quem disse que sua obra também não tem medos, nóias, vontades, desejos. Releia seus textos! :)

    ai como vc é prepotente. acha que sua obra é perfeita. rs

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  • Veronica says:

    ah…e caras que tocam violão são bem legais.

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  • -.- says:

    caras que tocam violão só não são melhores que caras que parecem saber o que dizem e nos convencem disso!…

    e quanto à acrescentar, bem… não se pode deixar de lembrar que algumas pessoas são como bodós: vc os tira da lama, eles morrem… algumas coisas simplesmente não fluem, algumas montanhas não vão à maomé e a vida segue… não dá pra fazer com que seu lindo sorriso tenha sempre algum significado, pq apesar é lindo, é só mais um sorriso.

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  • -.- says:

    *apesar de ser lindo

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  • -.- says:

    legal é q uns posts abaixo vc desiste até de explicar e aqui vc ja diz q gosta de mudar pessoas… ahhahahahaha “eu prefiro seeeeer essa metamorfose ambulante… do q ter aquel velha opinião formada sobre tudo!”…. fiu fiu

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  • Anarcoplayba says:

    Nah… Desistir de ajudar pessoas que não querem ser ajudadas não se confunde com querer fazer o bem… Acho.

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