Quem cativou esse cara foi você, Seu Estudante de Merda!

November 6, 2008 § 6 Comments

Anos atrás eu escrevi um post falando que pequeno príncipe era o caralho, e que o nome era Zé pequeno, o Porra! E quem foi que disse que eu sou responsável por aqueles que cativo, seu filha da puta.

Hoje eu quis mudar o título sem qualquer motivo filosófico, apenas porque o Capitão Nascimento é muito mais estilo que o Dadinho.

Bom, o Anônimo (tratarei como um anônimo do sexo masculino porque ele quer ser tratado como ser humano do sexo masculino) indicou um vídeo do Pequeno Príncipe que eu ora posto para que todos tenhamos a chance de discutir sobre a mesma coisa.

Ok, falemos sobre o Pequeno Príncipe.

O Pequeno Príncipe definitivamente é uma peça de literatura impressionante, que vem influenciando gerações de misses com o passar dos anos. Depois que saiu o filme então, ficou melhor ainda, porque elas podem falar que o melhor livro que elas já leram foi O Pequeno Príncipe, especialmente por causa da atuação do Gene Wilder como raposa, que tá excelente.

Piadas à parte: atualmente eu tenho algumas birras com o Pequeno Príncipe. A maioria delas decorre de uma constatação de alguns anos atrás: Uma mentira não se torna verdade por ser bonita.

Sim, infelizmente é isso mesmo. Falar uma coisa de forma bonita pode convencer os outros, mas não significa necessariamente que esta coisa seja verdade.

Ou seja: Se você pega e faz um filme lindo falando sobre como você se torna responsável por aqueles que cativa, isso tem nome: PROPAGANDA.

A verdade não deveria ter gosto. Ou então deveria ser amarga porque aí nós a escolheríamos não porque é gostosa, mas porque é verdade.

E qual o mal de se tomar uma coisa bonita como verdade?

Bom, pensemos no mote do filme: Tu te tornas eternamente responsável por aqueles que cativa.

Você se torna responsável pelos outros: Life, you’re doing it WRONG!

Você é responsável pela sua vida e quando muito tem alguma responsabilidade para com seus pais, filhos e TALVEZ cônjuge. Pais por uma questão de retribuição, filhos porque você colocou eles no mundo e cônjuge porque tecnicamente você escolheu aquela pessoa pra misturar os genes e colocar seus filhos no mundo. É uma responsa por tabela, mas é aceitável, embora discutível.

Pessoas são livres. Você interage com elas. Às vezes de forma positiva, às vezes de forma negativa. Uma raposa mata coelhos. Sem as raposas os coelhos acabariam com toda a vegetação e a vida estaria comprometida.

Isso significa que o coelho deve se jogar na boca da raposa? Não. Significa que um vai tentar vencer o outro, mas quem perder não vai guardar rancor contra o outro.

É mais ou menos aquele ideal do duelo Japonês em defesa da honra do senhor ou de um feudo: “Eu vou tentar tirar a sua vida, mas não é nada pessoal.” “Idem.” “Boa sorte então e que vença o melhor.”

E qual o problema de passar anos fazendo propaganda de “responsabilidade por aqueles que você cativa”?

Sofrimento. Manter pessoas apegadas a um conceito falso e que as impede de prosseguir no ciclo da vida e interagir com novas pessoas.

É você se enfiar num relacionamento com uma pessoa dependente porque “você é responsável por aqueles que cativa”.

Outro ponto: Uma raposa deixa de ser uma raposa e se torna “ESPECIAL”. Especial? Pra quê? Pra quem? Graças a quê? A uma qualidade inerente? Se trata de mera troca de “considerações” (Bô, gara… di gonzidero bagaralho…)?

Agora eu começo a entrar no papinho meloso e nojento, mas do qual não dá pra escapar: Todas as pessoas são únicas. O Erro inicial é enxergar as cem mil raposas como cem mil raposas, não como um milagre cada uma. Como uma peça da engrenagem que move o mundo.

Sê uno em comunhão com o todo. Entenda que um pássaro voando e um herói caindo têm o mesmo valor perante as estrelas.

E sim, eu sei que isso é difícil de alcançar. Mas é um objetivo de uma vida: escapar da dualidade.

Pare de dividir o mundo em “sagrado” e “profano” e entenda que tudo é parte de um todo. E sim, o fato de que tudo tem seu valor te permite das posturas: respeitar tudo e não respeitar nada. E ambas são válidas, úteis e importantes, e você NÃO TEM que se apegar apenas a uma.

E isso é outro ponto sobre o qual eu gostaria de tocar: As pessoas têm uma insistente mania de achar que da sensibilidade advém, necessariamente a bondade.

Isso é FALSO. Virtude, bondade, sentimentos não guardam nenhuma relação com percepção ou sensibilidades. Na verdade, nenhum desses elementos guarda qualquer relação entre si: O Lindenberg matou a Eloá porque se sentiu magoado pelo fato de que ela deu um pé na bunda dele.

Mas, oras… ela não o cativou? Então ela era responsável por ele, não é mesmo? E se ele a amava  não conseguia viver sem ela, ora, naturalmente ele é sensível e merece nossa consideração. Ele é uma vítima de uma mulher insensível.

“Somente com o coração podemos ver com clareza…” WRONG!

Paixão cega. Amor confunde. Desejo entorpece. Quando você está inebriado em sentimentos você QUER que algo esteja acontecendo. Se seu desejo está envolvido, sua percepção, por natureza está abalada. Em se tratando desse tipo de coisa, o observador influi no objeto observado.

A tristeza em abandonar os amigos. Por que? Ahhhh… você gosta dela… então você quer que essa pessoa esteja sempre ao seu lado, pra poder limpar a sua bundinha e te entreter? WRONG!

As pessoas se conhecem, ensinam algumas coisas e depois se afastam. Assim elas podem ensinar coisas a outras pessoas que ainda não aprenderam o que essa pessoa já te ensinou, e ela poderá aprender coisas novas de outras pessoas, pois o que você tinha para ensinar para ela já se esgotou.

O Conhecimento deve se expandir, nunca se concentrar. Deixe as pessoas que você conhece se afastarem talvez quando vocês tiverem algo novo a ensinar um ao outro vocês se encontrem novamente. Somos todos parte do mesmo todo.

“O essencial é invisível para os olhos.” WRONG AGAIN!

O Essencial é o conjunto. Perceber que o Todo é muito maior que a soma das Partes. Aquele que olha pra folha não vê a árvore. Aquele que olha pra árvore não vê a floresta.

E novamente, é sobre isso que se trata o texto anterior: sobre manter sua mente aberta. A Racionalidade não explica tudo… mas explica parte. Você vai simplesmente abandonar tudo que a racionalidade oferece como sistema analítico para usar apenas o seu sexto sentido? É como achar que um martelo serve pra tudo porque uma chave de fenda não funciona com pregos.

Ou seja:

Anônimo, não é um texto sobre emoções o sentimentos: é um texto sobre sentidos.

Sil. S.: Não é um texto sobre catar mulher, é um texto sobre sentidos.

Juremeiro: Não é um texto sobre relações entre sexos, é um texto sobre sentidos.

Srta. Pattiê: É um texto sobre a explicação de sentidos sim! Se você simplesmente exclui essas coisas do seu universo de análise como “inexplicáveis” você está desistindo de adquirir uma nova ferramenta de entendimento do mundo. Obviamente que num período de tempo finito você muitas vezes tem que fugir dos laivos filosóficos. Mas passada anecessidade de uma decisão, é saudável você auto-analisar seus sentidos e sentimentos.

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§ 6 Responses to Quem cativou esse cara foi você, Seu Estudante de Merda!

  • anarcoplayba says:

    Ah, mano… é uma da manhã… vou corrigir os erros de digitação e escrita amanhã.

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  • Anonymous says:

    Mr Wright and Wrong, senhor de verdades absolutas, pregador de virtudes… é com satisfação que nos termos de seu texto tenho que concordar com o Sr, SIM estou WRONG!… graças a deus… ps como o sr define “arte”?

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  • anarcoplayba says:

    E nesse aspecto, Sr. Anônimo, considero sua postura extremamente respeitável: Certo e Errado são, notadamente, posturas filosóficas. Temos que escolher um lado e quando a escolha decorre, primordialmente da vontade (e não de paradigmas sociais) aí estamos falando de Ser Humano.

    E como eu defino arte? Isso tem uma parte da explicação: https://anarcoblog.wordpress.com/2008/07/10/love-me-chester/

    Mas não toda. Eu acho que Arte diz respeito a um trabalho criativo transcendente: Ou seja, Arte é uma obra (trabalho objetivado qe ganhou existência própria) criativo (possui um caráter inédito) e transcendente (alcança e se conecta a outros seres humanos).

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  • Juremeiro Preto says:

    Anônima,
    Right se escreve assim, sem w.

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  • anarcoplayba says:

    Juremeiro,

    Para todos os efeitos, o Anônimo é Anônimo. Não anônima. Afinal, ele (ou ela) quer ser tratado como tal.

    Não há motivo para não seguirmos as informações por ele passadas.

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  • Juremeiro Preto says:

    =:D

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