Retrospectiva de um ano que deixou um gosto de buceta mal-lavada na boca.

December 30, 2008 § 2 Comments

Porque 2007 foi o ano da rola.

Ok. AGORA é hora da retrospectiva, uma vez que eu viajo amanhã e pretendo voltar apenas no dia 05.

Não sei que horas termino de escrever esse post, mas acho que vai ser legal deixar ele fluir livre.

Estou indo passar o Reveillon em Cruzeiro. Provavelmente será uma festa miada. Dificilmente catarei mulheres gostosas (impossibilidade material – Cruzeiro é Zuado de mulher). Provavelmente não encherei a cara. Provavelmente não me divirtirei tanto.

Por que diabos então eu vou passar o Reveillon lá então?

Há onze anos eu passo o Reveillon com o Zé, a quem hoje eu chamo de meu maior amigo e meu amigo mais antigo. E todos os anos tudo se resume a uma questão bem simples: Não sei onde vai ser, não sei se vai ser bom, não sei nada. Mas vou estar do lado dele e ele vai estar do meu lado.

O Juremeiro deu uma zoada comigo, visto que o Juremeiro vai passar o Reveillon comendo cus em troca de Penicilina em Camboriú, mas não se trata do melhor programa. Se trata de um compromisso. Quem chegou antes leva. E o Zé chegou em 1997.

Isso me faz pensar em uma coisa interessante que eu ouvi esse mês: Fidelidade é algo a ser devotado à uma idéia, nunca a pessoas.

Se você devotar fidelidade a uma pessoa, essa pessoa muda e, mudando, deixa de existir. Sem objeto de fidelidade, acabou seu compromisso. Isso é uma ótima forma de se justificar (“Sabe, aleatória nº 36 que eu estou xavecando e sabe que eu namoro, a Minha Namorada mudou muito… nem parece a pessoa que eu conheci, por isso que eu estou fingindo que eu quero uma coisa séria com você e a chifrando loucamente.” – preciso retomar os discursos pré-fabricados).

Se fidelidade é a uma idéia, isso coloca a responsabilidade apenas nos seus ombros.

Desde 1997, quando eu conheço o Zé, a tônica dessa amizade sempre foi de uma competição enorme e saudável. Ele sempre foi melhor que eu em diversas coisas… e reconheceu superioridade em mim em outras. Citando uma frase no meio de uma balada na qual eu tinha catado 3 aleatórias, ele 5, e estávamos competindo:

“- Eu desisto, Zé. Você é melhor do que eu.”
“- Como assim, Paulo?”
(Sim, ele é uma das poucas pessoas que me chama de Paulo.)
“- Desisto. Você cata mais mulher do que eu. Isso é um fato. Eu não consigo te superar. No máximo, conseguimos empatar!”
“- Olha… se me permite falar uma coisa… eu desisti faz tempo: Você é mais inteligente do que eu.”

Um dia depois do outro. Um passo após o outro. A gente foi melhorando.

Hoje eu viajo para passar o interior com ele porque ele vai assumir o cargo de Secretário do Meio Ambiente.

Kings to him!

Sabe… há alguns anos eu venho dando temas para os anos que se seguiriam. Projeto Um Só Coração. Projeto Corações e Mentes. Projeto Coração Mente e Espírito. Etc.

E irônicamente os projetos vêm se sucedendo com um belo grau de sucesso. Ano passado eu decidi que esse ano eu me dedicaria ao Espírito. Que me reaproximaria do Grande Mistério. E deu certo.

Me reaproximei. Fiz as pazes com a Religião.

Por sorte, estamos falando de uma aproximação da Religião que Liberta, não que Escraviza ou Entorpece. Não, não se trata do Ópio do Povo. Isso significa que eu vou ter que pensar sobre cada passo que eu dou. E também significa que não basta ir na missa todo domingo ou sacrificar uma galinha preta pra ir pro reino dos céus.

Mas quem foi que disse que a Vida era fácil?

E acho que é exatamente esse o ponto: a Vida não é fácil. Há três anos viemos tendo anos de merda. Sabe que eu começo meramente a achar que o nome disso é “Idade Adulta”?

Por exemplo, eu me mantive profissionalmente à deriva porque eu quis. Porque a carreira Jurídica têm coisas nojentas de você criar uma aparência nojenta pra convencer pessoas que valorizam uma aparência nojenta que você é um bom profissional. Ou de falar de obras de arte como um “investimento”. Ou de pensar na família da sua pretendente como um elemento relevante num casamento. Ou outras coisas que enojam.

E de coisas que enojam eu tenho nojo.

Mas essa fuga teve seu preço. Quatro anos de formado e nenhuma pós no currículo. E já era hora de ter uma pós no currículo.

Descobri há alguns meses que eu não posso beber demais ou fazer sexo por horas seguidas porque minhas costas doem demais. Sim, eu sei que é ridículo, mas meus discos vertebrais da lombar sofrem de encurtamento. Quando eu desidrato (álcool) ou faço movimentos exacerbados de quadril (sexo), eles inflamam.

Mas eu mereci isso também! Eu não alonguei quase nada durante a faculdade, tomava pouca água, bebia demais e não tinha uma postura correta! É óbvio que com os meu 1,95 de altura eu ia ter problemas!

Eu também não selecionei como devia as mulheres que eu tomei como namoradas.

Eu também me releguei ao segundo plano de diversas ocasiões.

Eu… Eu… Eu…

Posso reclamar AGORA que meus últimos anos foram uma merda?

ACHO que não. Meus erros me trouxeram onde estou.

PORÉM…

Seria um erro achar que tudo o que eu fiz nos últimos anos foi errado e que não teve conseqüências boas para nada. Um erro Craço (piada intencional).

Eu não me dediquei à carreira jurídica como deveria? Não… Mas me dediquei ao convívio humano extensa e intensamente. Conheci gente… Conheci mulheres… E sabe de uma coisa? Foi bom… E foi bom não só no sentido de gostoso. Foi também útil. Hoje em dia eu não preciso mais me preocupar com isso.

Eu tenho amigos sim.
Eu cato mulher sim.
Eu farei novos amigos sim.
Eu catarei mulheres sim.

Tradução: Eu não tenho mais ESSA preocupação. Esse medo de morrer sozinho eu não tenho mais.

“Pode me faltar o amor, mas disso eu até acho graça.”

Esse ano eu vi que meus atos fazem diferença SIM. Eu tenho a capacidade de atrair pessoas rumo a um objetivo maior. Eu tenho esse Poder e tenho que usá-lo sim para que eu e as pessoas que eu tomo como meus pares cresçamos. Quer seja numa mesa de bar, num almoço de natal ou num projeto profissional!

Eu quase morri algumas vezes. Tive a minha experiência de quase morte. Conheci gente. Superficial. Conheci gente profunda. Ok. Não conheci muita gente em networking. Perdi contato com uma caralhada de pessoas que poderiam algum dia me indicar clientes ou me garantir costas quentes. Mas sabe… conheci pessoas que fizeram de mim uma pessoa melhor.

E é esse o objetivo da Vida: Sair daqui uma pessoa melhor do que entramos, correto?

E sabe… acho que 2008 serviu pra isso. Pra mostrar que perder não é tão ruim assim. Pra mostrar que eu preciso amadurecer mais um pouco e colocar mais energia em coisas objetivas. Pra mostrar que a Vida podia ser bem melhor, e que se não é foi porque eu errei.

Mas a Vida podia ser bem melhor, e será. Ainda da tempo de compensar todo o tempo que eu dediquei a outras coisas e que hoje fazem parte de quem eu sou e, doravante, me servirão bem.

Creio que é hora de deixar de lado a fantasia de Ranger e tomar para mim o manto de Rei. (Porque citar O Senhor dos Anéis é sempre legal.)

E se em 2007 eu fiquei com um gosto de rola na boca por tanto me fuder. Em 2008 eu fiquei com um gosto de buceta mal-lavada. É ruim… mas vale pra lembrar que tem coisa melhor pela frente.

A colheita desse ano não foi muito boa… vamos começar a semear de novo.

E que venha 2000 inove! O Ano do Advogado!

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