Aposentadoria de Malandro.

January 26, 2009 § 11 Comments

Uma das coisas que mais me irrita no mundo é a dita “Aposentadoria de Malandro”.

Para quem não sabe, aposentadoria de malandro é uma música dos Velhas Virgens que narra a “história” de um “Malandro” aposentado. Divirtam-se.

Eu não vejo nenhum problema em envelhecer, ou em aceitar mudanças, ter novos paradigmas, etc.

O meu problema é com a aposentadoria de malandro propriamente dita, sabem? O famoso “Agora eu tomei jeito!”, “é hora de sossegar”, “já aprontei demais”, etc.

E isso me irrita profundamente porque me parece de uma hipocrisia sem tamanho.

Oras, por que alguém caminharia que fosse apenas um de seus dias em desacordo com o que pensa e sente?

“Antes eu gostava da farra… mas agora acho que é hora de namorar sério…”

Hora? Tem hora pra isso? Idade melhor?

O que me irrita mais, na verdade, é a dialética envolvida em tudo isso. “Hora de tomar juízo” presume que antes você não tinha juízo. “Hora de ter um relacionamento sério” presume que você não levava a sério as pessoas com quem você se relacionava antes.

A grande verdade é que 90% dos malandros aposentados que eu conheço são pura e simplesmente covardes. Curtiam sair de balada catando aleatórias e, de repente, se veem um pouco mais velhos, gordinhos, de cabelo branco, e sem fígado pra aguentar a vida de putaria (é… ser putanheiro cobra um preço), decidem virar pais de família.

Não esqueçam também a aposentadoria de vagaba, que deu por interesse a vida inteira e depois de velha quer virar casta.

Mas sou obrigado a admitir que em 90% a culpa não é dos aposentados e pensionistas.

No mais das vezes, coitados, eles se deixam levar… quer se deixem levar pela “turmazinha” “cool” que fala que se eles não saírem por aí bebendo, catando mulher, e se destruindo de forma irresponsável, eles são “bobos, feios e chatos”…

Por outro lado, o que falar de mães, pais, e da mesma turmazinha que, vai ficando velha e pergunta quando a gente vai casar, “tomar juízo”, “crescer”…

Ou seja… fracos por se deixarem levar na adolescência… fracos por se deixarem levar na idade adulta. Homens e mulheres à deriva, guiados pela mão invisível do mercado. Com medo de levantar a cabeça pra fora d’água e se verem como sujeito passivo de um whack-a-mole coletivo da sociedade.

De fato uma das coisas mais interessantes é perceber que as pessoas se sujeitam a estar à deriva por uma necessidade de se sentirem em um grupo. Nem que seja um grupo ruim! A sensação de que você pode até estar fazendo algo errado, mas não está sozinho é um aparente narcótico cerebral.

Você não sabe por que está fazendo algo, mas se todos os seus amigos fazem, deve ser legal! Pois é… Estar “cumprindo ordens” não deu certo pros militares nazistas. Não tenho grandes esperanças quanto a isso pras outras situações também.

E uma das coisas mais tristes é que quem está à deriva nunca vai conseguir ser realmente competente no que faz.

Malandro se aposenta. Malandricus, tira férias.

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§ 11 Responses to Aposentadoria de Malandro.

  • alexthomaz says:

    Cara. Discordo por vários motivos.
    O que acontece é que todos somos parte de muitos grupos, e lutamos sim para sermos aceitos em todos eles. Você sabe do que estou falando em relação ao que a gente conversa por email. E não é um grupo no qual estamos tentando ser aceitos? Ora, não seja hipócrita.
    Você quer ser aceito em todos os grupos, ou melhor, não só quer ser aceito como eu que te conheço, sei que além de aceito, você quer se tornar o melhor daquele grupo e assim, passar de coadjuvante a protagonista do grupo que nem queria te aceitar em um primeiro momento.
    Sobre a tal “aposentadoria de malandro” que você tanto esbraveja, eu digo que isso é quase como se uma criança dizendo para o adulto que ele “não para de brincar”. Por óbvio, a gente não para de brincar. Eu fui muito malandro, e agora sosseguei. Sou eu o hipócrita? Não, é você! E por que? Porque você vai, mais cedo ou mais tarde, se render ao verdadeiro sentido da vida, que é, por mais piegas que isso possa parecer: amar, ter descendentes e criá-los para que sejam melhores que você. Isso é evolução, e todo o resto é acessório.
    Ok, eu gosto de pegar mulher aleatória, gosto de ir em balada, gosto de encher a cara até morrer e no outro dia acordar como se tivesse nascido de novo. MAS, eu estou fazendo este sacrifício, por amor a mim mesmo, a minha namorada e aos meus descendentes.
    Aliás, antes que eu me esqueça: por mais que seja divertido o carrinho de bate-bate e a roda gigante, de minha parte, eu prefiro tentar o meu carro nos trilhos na montanha russa que é o relacionamento um homem/uma mulher.

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  • alexthomaz says:

    ? pq meu comentário não apareceu?

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  • alexthomaz says:

    caralho… tinha escrito uma puta resposta, mas agora to com sono… puta merda

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  • Anarcoplayba says:

    Alex, não é que vc perdeu o comentário… É que vc discordou de mim, e quando as pessoas discordam de mim os comentários vão marcados automaticamente como spam.

    Quanto aos seus pontos, é uma discussão deveras improvável de ter um resultado… pense assim: vc está falando que um dia eu vou “me aposentar”. Pode ser que sim… pode ser que não. Se eu morrer amanhã, vc está errado… enquanto eu estiver vivo, não haverá resposta.

    Lutamos para sermos aceitos? Isso é um fato, e eu não discuto fatos… deveríamos lutar para sermos aceitos? Creio que não.

    E, nesse aspecto, retomamos a antiga discussão: devo eu tomar cuidado com as coisas que eu escrevo no blog por medo de uma represália posterior? Creio que não: um clube que não me aceite como membro não é um clube que eu deva frequentar.

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  • alexthomaz says:

    Ok. Um dia, você vai conhecer um amigo meu que é malandro e se recusou a se aposentar. É velho e putanheiro. Será que é assim que o jovem deve continuar sendo? Eu acho que não.
    Como eu disse, é hipocrisia dizer que “malandros que se aposentam são fracos e vivem à deriva.
    Eu devia falar para você assistir os 3 matrix de novo.

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  • Juremeiro Preto says:

    Rárárá!
    Pode deixar, Alex, você desencana da aposentadoria depois que levar uns pares de chifres da namorada.
    Aliás, sabia que a infidelidade feminina supera, e muito, a masculina em SP? Pois é, dados oficiais do Fantástico (e se os dados oficiais sao esses, imagina só o quao mais elas nao traem na realidade!)

    E, porra, nao sabia que voce era malandro nao. Estava me parecendo mais um bonzinho, desses que acha que encontrou a mulher exceção.

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  • Anarcoplayba says:

    BTW, Alex, a questão não é você se aposentar ou não… a questão é você fazer o que você TEM VONTADE.

    O ridículo não é querer casar co 18, ou ser putanheiro aos 40… o ridículo é você achar que com 18 você pode ser putanheiro… mas aos 25 é hora de “tomar juízo”.

    Por que? Ah… porque todo mundo fala.

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  • alexthomaz says:

    Bom… se o seu ponto é esse, Paulo, eu concordo.
    Quanto a vc, Juremeiro, se quer mesmo saber quem sou eu, eu digo: de bonzinho eu não tenho nada, mas eu me controlo bem (na maioria do tempo).

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  • Juremeiro Preto says:

    Já eu nao sou bonzinho e nao me controlo bem!
    Rárárá!

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  • pfff says:

    Que bosta, seu bosta.

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  • Anonymous says:

    pfff, bosta certamente é você.

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