Falemos de relacionamentos.

February 18, 2009 § 1 Comment

Retomando uma antiga vertente do Anarcoblog, falemos de relacionamentos.

Li hoje algo que me fez pensar numa antiga postura minha perante relacionamentos.

Alguns autores costuma falar que a única regra nos relacionamentos é: deixe a outra pessoa melhor do que você a encontrou.

E eu costumava falar isso, e com orgulho, citava que das minhas namoradas, eu mantive amizade com a grande maioria… E que a maior parte aprendeu alguma coisa comigo.

A chave pra entender o parágrafo anterior está na expressão “com orgulho”. Sim, o mesmo orgulho que precede a queda.

Em primeiro lugar, vale a pergunta: por que você quer que a outra pessoa saia melhor do que entrou num relacionamento?

Pra você se orgulhar? Pra poder mostrar que você é uma pessoa boa? Pra mostrar que você espalha alegria a crescimento por onde passa? Tipo um Átila o Huno ao contrário, nascendo rosas por onde você pisa?

Ou você quer se justificar? Ter um excludente de ilicitude para partir corações? “Ah, eu fui um escroto… mas por influência minha ela começou a praticar esportes, entrou na faculdade, parou de brigar com os pais e começou a fazer trabalho voluntário.”

Qualquer que seja a resposta, é a menor das coisas, posto que uma coisa boa por um motivo ruim ainda é uma coisa boa. Ou, em exemplo prático: doação pra instituição de caridade debitada do imposto de renda ainda compra cesta básica.

O problema, na verdade, é outro.

Imagine que você se relaciona com uma pessoa. E ela de fato é “sugada” pelo seu lifestyle. Começa a viver num ritmo muito mais feliz. Começa a enxergar a vida pelo lado bom. Começa a aprender, progredir, melhorar.

Aí vocês terminam.

Ela pode continuar nesse movimento crescente, melhorando, progredindo, vendo as coisas pelo lado bom.

Pode se deprimir porque perdeu quem ensinou tanto pra ela e decidir pelo suicídio.

Ou ficar puta por ter perdido você e decidir te matar porque se ela não te tem, ninguém mais tem.

Obviamente são três possibilidades extremas, mas servem apenas para ilustrar o fato de que o que você faz não possui tanta influência quanto como a outra pessoa reage com o que você faz.

Obviamente você pode se esforçar ao máximo pra dar caminhos mais ou menos pré-definidos para ela seguir. Como a calha de um rio. Mas no final, se ela vai seguir ou não esse caminho, depende apenas dela.

Você providencia o palco, mas o drama é todo dela.

O seu “orgulho” por ter deixado uma pessoa melhor do que você encontrou, nada mais é que gozar com o pau (ou clitóris) dos outros. O mérito é da outra pessoa. Aceite que você foi meramente um ator coadjuvante. Tá, ator coadjuvante ainda ganha Oscar, mas não é protagonista de nada.

E, se vale a ida, vale a volta: você não tem mérito nenhum pelo crescimento dos outros. Nem culpa pela ruína.

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§ One Response to Falemos de relacionamentos.

  • alexthomaz says:

    A verdade é que todas as pessoas, como humanos que são, adquirem um pedaço de cada um que passa em suas vidas. Ou deveriam… Se isso faz delas melhor ou pior, é questão meramente de ponto de vista.

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