Bati a alma na quina da porta.

March 5, 2009 § 8 Comments

Sabe os dias em que tudo dá errado?

Você acorda seu corpo tá estranho, vai escovar os dentes, derruba a escova na pia, entra no banho, esqueceu a toalha, sai com o carro, raspa na garagem, vai almoçar, derruba molho na camiseta.

Não estou falando de grandes tragédias. Nem de pequenas tragédias. Estou falando de pequenas merdas que irritam.

Então… nesses dias eu costumo falar que você tá com a alma torta. Imagina que seu nariz físico aponta pro norte e o nariz da sua alma está apontando pra noroeste.

Aí o que acontece é que você está sempre no lugar errado e na hora errada.

Bem, tive alguns dias assim recentemente.

Dias em que parece que o mundo está querendo te expulsar. Como um cachorro coçando pulgas, ou como aquelas espinhas bem nojentas que vc aperta e espirra pus no espelho do banheiro. Aí quando vc vai limpar com papel higiênico fica uma mancha meio escorrida.

Confesse que vc também já passou por isso.

Poderíamos dizer que se trata da volta da tartaruga gigante marinha dos galápagos.

Nesses últimos dias, nos quais a vida me desrespeitou e o mundo me tratou como uma espinha, eu tive a chance de repensar alguns aspectos de por que isso estaria acontecendo.

E bem, como eu posso querer que o mundo me respeite, se eu não respeito o mundo?

E não estou falando de “amar ao próximo como a mim mesmo”. Isso é daqui a pouco. Estou falando de procurar um lugar no mundo. Me inserir. Fazer parte do ciiiiiiiclo sem fiiiiiiiiiiiimmmmmmm que nos guiaráááááááááááá, como dito pelo Elton John.

Fazer parte da vida, como presa ou predador.

Por outro lado, outro aspecto disso tudo surgiu em duas conversas que eu tive, nas quais foi discutido o respeito.

Um professor de biologia meu disse que o ser humano nunca vai respeitar o planeta se ele não respeitar os seres humanos. Ou seja, querer salvar as baleias e não querer salvar os etíopes é de uma filhadaputagem tremenda.

Salvem as vaquinhas, os passarinhos, as plantinhas, a cacatua acre-dourada da namíbia, tudo isso é purpurina para dar para pessoas um objetivo pra vida. Algo como colecionar latinhas de cerveja. Só que ao invés de latinhas de cerveja, você tem algo muito mais digno de marketing: cacatuas acre-douradas da namíbia.

E a grande pergunta é: por que o ser humano não se respeita?

A resposta à qual eu cheguei (e que pra mim é muuuuuuiiiiiiiiiito mais importante que qualquer outra – tô pouco me fudendo pra ferrari do Ronaldinho, eu tô mais preocupado é com o meu paliozinho) é que o ser humano não se respeita por dois motivos:

Ou ele não consegue se identificar com outros seres humanos. Não enxerga ao seu redor identidade com outros homens e mulheres. Esse é o caso do ódio racial. Hutus querem que Tutsis morram. Nazis e Negros. Marginais e Boyzinhos.

Eu não reconheço o outro como semelhante, portanto, ele pode morrer.

Isso me faz pensar nas pessoas que “têm poucos mas grandes amigos”. Por que? Porque nem todo mundo é semelhante a você, portanto nem todos merecem a sua amizade? Okeeeeeey…

Supondo, no entanto que você tenha passado essa primeira etapa, vem a segunda: Ok, o outro é igual a você. Seu irmão. Mesma humanidade. Merece o mesmo tratamento.

Você se trata bem? Você se enxerga como digno de respeito? Como você vai respeitar o outro sem respeitar a si próprio?

Respeito sem auto-respeito não é respeito, é submissão.

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§ 8 Responses to Bati a alma na quina da porta.

  • Veronica says:

    Para que as pessoas se respeitem, elas precisam ver sentido nisso. Sair da alienação. Ter visão global e não só pro umbigo. Aprendi olhar tudo com uma certa crítica, devido a minha educação familiar e universitária. Sorte a minha. Nasci na classe média e estudei numa das melhores universidades do país.
    A mídia deveria sustentar notícias para incitar a crítica. Já que escola não faz isso. O problema é que cada vez mais noticiário vira novela das 8 (entretenimento) e não um cutucão na mente popular.”E aí, assistiu o capítulo Eloá? Será que ela morre no final?”.
    O homem é preguiçoso e vaidoso. Ainda quero crer que quanto mais se falar em assuntos como “1,1 milhão de pessoas passarão fome no Sudão, por causa da expulsão das ongs”, mais pessoas se importarão. Ao invés de BBB na mesa de bar, que tal meter o pau na igreja católica? Vamos usar a era do viral. Espalhar nossa opinião, que pode mudar algo, ao máximo de pessoas que pudermos. Daqui a pouco, tem um monte de gente falando a mesma coisa que você.
    Até que todo mundo perceba que para sobreviver, é preciso respeitar o outro.

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  • alexthomaz says:

    eu tive um dia assim, essa semana… e em menos de duas horas acordado já tinha dado tanta merda que eu preferi não ir no cursinho e ficar em casa, quieto. E mesmo assim, consegui brigar com todo mundo pelo telefone.
    Mas voltando ao seu texto, eu concordo que as pessoas preferem salvar as baleias do que salvar o moleque de rua. E eu tenho a resposta para essa pergunta (“por quê?”). E a resposta é a mesma de casais preferirem comprar um cachorro a ter um filho… o cachorro não fala, obedece 90% das vezes e em 4 ou 5 anos (quando a criança começaria a ficar chata), com sorte ele morre. Ou morrerá com 10, 12, 15, 18…
    Pra ajudar as baleias, eu deposito 5R na conta do greenpeace e fico com a consciência limpa. Eu não tenho que ajudar ninguém com as minhas próprias mãos. E ainda posso falar mal do governo quando sou assaltado.

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  • Anarcoplayba says:

    De fato, Alex… Além disso, baleias vc nunca vai ver… O cachorro sempre vai gostar de vc… agora, se vc tenta ajudar uma pessoa ela pode te trair. E não é um absurdo? Você se esforça tanto e ela nem reconhece… tudo o que VOCÊ QUERIA era um demonstração de GRATIDÃO, RESPEITO, ADMIRAÇÃO…

    É tema pra outro post, mas uma vez que a ironia pode não ficar clara: se você faz ago para receber algo em troca, você está fazendo uma troca, não caridade.

    E no mundo tem muuuuuiiiiiito espaço pra trocas. Ela gostosa + eu rico, eu dinheiro + empregado trabalho, eu esmola + mendigo gratidão. Ms isso é contrato, não caridade.

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  • sil s. says:

    Que coisa absurda dizer que respeito se aprende na universidade a na vidinha de classe média.

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  • Juremeiro Preto says:

    volta pra cozinha, sil.
    Que merda é essa de mulher entrar em papo de homem serio?

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  • O respeito deveria surgir da preocupação e emoção mútua de como o você se sentiria se sofresse o que você faz. Não é questão de “amar o próximo como a si mesmo”. To hell with that. Todos os problemas interpessoais surgem do fato de as pessoas terem seus objetivos sobrepostos.
    O respeito é simplesmente o limite que você pode chegar ao seu objetivo sem atrapalhar o dos outros. Mais ou menos como um estacionamento. Cada carro tem seu espaço. O respeito seria colocar seu carro na sua vaga. Mas tem gente que coloca o carro ocupando duas, três. Literalmente. É o egoísmo que origina a falta de respeito.

    E outra, mudando um pouco de assunto. Eu acho que não adianta ficar fingindo preocupação com o resto do mundo. A coisa é simples. Dentre alguns vários motivos, o fato só vai comover se acontecer ao redor da sua vida, ou com pessoas para as quais você dedica seu tempo, afeto e emoção.
    E.g.: Uma criança morre na África, devido à guerra civil e etc. “Pow, que pena, era um vida”, nós provavelmente pensaríamos. Mas só pra nos enganarmos, para fingir que damos valor à vida alheia. O que nós realmente pensamos – mas não dizemos, por vergonha de nós mesmos – é: “Eu realmente não me importo”.
    No entanto, contudo, porém, todavia, se for o seu filho, o seu neto, o seu sobrinho, o irmão do seu amigo ou alguém assim, você vai ficar tocado, revoltado, vai chorar, vai ao enterro e etc.
    Isso também é egoísmo. E ninguém acha isso errado. É tudo um questão de conveniência.

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  • By the way, ótimo blog.

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  • sil s. says:

    Juremeiro, eu não cozinho e você não é um homem sério.

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