Andei repensando a minha vida…

April 14, 2009 § 3 Comments

E percebi que ando usando muito essa frase.

E me pergunto se sou só eu.

Vocês relêem o que escrevem com seus atos? Repensam as decisões tomadas no calor do momento no calor dos cobertores?

Façam isso. Treinem. É bom.

Um dia teremos que rever toda a nossa  vida em alguns segundos… porque não treinar desde já e rever alguns anos em alguns minutos?

Talvez eu esteja ficando paranóico. Relendo o romance da minha vida para tentar descobrir o que pensava o protagonista. E os autores. E a crítica. E pensando se a adaptação pro cinema ia ficar legal ou não.

E, por Deus… como é complicado falar sobre isso. Esse é meu blog, eu falo sobre o que eu quiser, mas eu não queria falar sobre mim, sobre a minha vida, sobre o particular.

Queria falar sobre algo transcendente. Gigantesco. Sobre o Épico da Vida, não sobre a vida como uma novela das sete escrita por Manoel Carlos, algo que serve pra fazer uma transição entre a novela das seis com suas tramas água com açúcar e a novela das oito, com seus vilões e heróis memoráveis. Com suas tramas e revelações.

Qual a vida que você está escrevendo? É uma vida com gostosas e homens de peito cabeludo sem camisa? É uma vida previsível e adocicada? Ou é uma trama épica cheia de revelações e reviravoltas?

E se for uma trama épica cheia de revelações e reviravoltas, por que tanta finta? Pra quê tanto segredo? Nunca te falaram que a vida é uma corrida sem pódio? Você não vai ganhar de ninguém. Pelo menos de ninguém que valha à pena ganhar.

E se você ganhar de si mesmo, parabéns, você se derrotou.

Mas eu lhes pergunto… quando vocês deitam em suas camas e repensam suas vidas, vocês abraçam o travesseiro? Deitam em posição fetal, desejosos de voltar pra útero, num desejo de fuga freudiano? Se escondem embaixo do cobertor?

Vocês dormem o sono dos justos?

Porque sim, a Justiça, ao contrário da Razão, é atemporal.

Você pode estar certo ou estar errado. Mas você só pode ser justo ou injusto.

A injustiça que você cometeu hoje, vai sentar do lado da sua cama e ficar olhando pra você hoje, amanhã e sempre. A Injustiça persegue.

A Razão não! A Razão encontra! Felizes aqueles libertos pela razão: todos os que “estavam” certos, mas ninguém os reconhecia. Anos depois, foram libertos e reconhecidos. Voltaram do exílio da injustiça dos outros. Mas os outros continuam sendo injustos.

O erro, mesmo quando corrigido, é uma injustiça praticada.

E hoje eu penso nas inúmeras vezes em que estive certo, mas fui injusto.

Eu tinha todas as desculpas, eu sei. Mas a desculpa é nativa do território do erro, não da injustiça.

O calor do momento ameniza e justifica a ira. A torna palatável. Como um ensopado gorduroso.

A ira premeditada é crueldade. É pecar contra a inocência.

E hoje eu tenho a ciência disso, e me envergonho por ter estado nú por tantos anos.

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