Chuva Contra o Vento.

June 23, 2009 § Leave a comment

Chuva Contra o Vento” é um fanzine escrito em parceria de Rodrigo Alonso e Felipe Cunha (que atendem respectivamente pelas alcunhas de Sblargh e Felipe Cunha) nos idos de 2004 e 2005.

Eu conheci ambos por intermédio da Rebs, que caiu no meu antigo blog comunal (o Malandricus Bar & Vodka) nos idos de 2004, e meu contato com essa HQ foi interessante: Eu tive acesso aos primeiros cinco exemplares no ano de 2005, tendo terminado de ler apenas agora em 2009, quando foi disponibilizada a obra completa aqui.

Com o perdão da pieguice, foi bom eu ter demorado tanto para terminar. Naquela época eu acho que eu não conseguiria apreciar adequadamente a qualidade da história.

Começo destacando o ponto alto do fanzine: A arte de Felipe Cunha.

Felipe consegue trabalhar as ilustrações originais em preto e branco (que receberam matizes de azul na tiragem eletrônica, um pouco para meu descontentamento) de forma interessantíssima: ao mesmo tempo que nós temos o contraste explícito entre o preto e o branco e que tudo se resume a luz e sombras, nada é inteiramente luz ou inteiramente sombras.

Isso associado à narrativa de Rodrigo Alonso, permite que ambos teçam um retrato vívido do mundo indie de São Paulo (de uma época em que Indie não era um selo usado para vender roupinhas customizadas).

A história é deveras simples: literalmente é sobre um garoto que encontra uma menina.

Dentre acertos e desacerto, é a história sobre duas pessoas tentando se encaixar.

O garoto que se sente disfuncional no mundo, a garota que se mostra forte como uma aparentem forma de se proteger, o amigo que procura cuidar do outro e o mundo que insiste em acontecer quando tudo terminaria bem se nada acontecesse.

Obviamente, muito da personalidade dos artistas transparece na obra. A pouca idade, na minha opinião, os leva a quase pecar pelo clichê, e no quinto volume cheguei a achar a série quase previsível.

Mas não.

O clichê é apenas aparentemente clichê, e a vida dos personagens é pintada com cores extremamente realistas.

Rodrigo Alonso e Felipe Cunha conseguiram algo que poucos autores conseguem, em minha opinião: criar uma obra viva, fresca, real. Retrataram pessoas que você poderia encontrar na rua, andando por aí, esbarrando em você.

Não se tratam de personagesm caricatos e histriônicos, mas personagens delicados e suaves, cujos traços acredito que eu só conseguiria apreciar hoje, quase 5 anos depois de escrita e terminada a história.

E pelo fato de que eles conseguiram criar algo novo no meio de tanta cópia travestida de inspiração, decidi começar esta categoria, na qual farei minhas críticas a produções artísticas às quais eu acho relevante fazendo essa breve resenha de “Chuva Contra o Vento”.

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