E todo mundo é sozinho… e ai de quem pensar que não.

September 23, 2009 § Leave a comment

Blogar é uma coisa interessante.

O Anarcoblog, somando seu tempo de Malandricus, tem mais ou menos uns 6 anos de vida. Inicialmente eu comecei a postar porque era um blog de amigos, meus amigos, e era bem legal.

Mas de repente, não mais que de repente, eu estava sozinho. Só eu postava. A cada seis meses alguém falava alguma coisa. E, num momento de uma discussão boba sobre o template do blog, saí.

Não sei se foi mero orgulho ferido, mas o fato era que eu era o único que ainda postava, e o fato do blog ser coletivo, ao invés de se tornar um estímulo, estava refreando minha criatividade. Mudei.

Por outro lado, talvez eu seja o único que não mudou. Todas as pessoas que já passaram pelo Malandricus pararam de blogar. Talvez eu realmente tenha uma incorrigível síndrome de Peter Pan, talvez eu ainda queira comer várias mulheres, talvez eu ainda queira transformar isso aqui em algo maior…

Dentre tantos talvezes uma certeza salta aos olhos: Escrevo porque preciso.

Sim, é verdade, muitas vezes escrevo para que meus poucos leitores se mantenham interessados por esse blog. Tento apresentar ocasionalmente coisas novas, diferentes, insights, mas admito, isso anda raro.

Mas de vez em quando… eu escrevo pra mim. Porque eu preciso.

Talvez eu transforme o texto em uma carta numa garrafa, que eu solto esperando que as pessoas importantes leiam.

Outras vezes eu transformo o texto numa carta numa garrafa: bebo a garrafa, ixgrevo a borgaria deza merda di garta e mando pra ondi eu guizer eza BORRA!

Mas às vezes posto porque posso, e isso basta.

Ultimamente venho pensado muito na solidão.

“E todo mundo é sozinho, e ai de quem pensar que não, a moça com seu vizinho, soldado com o capitão”.

Não dá pra evitar: estou no sertão, e o sertão é o homem sozinho.

Estou, agora, há oito dias no Tocantins. Perdi um final de semana por aqui, e talvez eu perca outro. E estou sozinho. Sozinho no hotel, sozinho na fazenda, sozinho nas ruas.

Sim, eu sei, provavelmente alguém que está lendo isso irá escrever que eu tenho que me socializar mais, sair por aqui, catar umas tocantinenses (e tem umas gatas, viu?). Mas não é esse o ponto. Não é um sozinho solitário (ou vice versa). Não é frio, distante. É gostoso. É bonito ver gente vivendo uma vida que raramente passaria pela cabeça das pessoas.

Hoje meu almoço foi arroz, feijão e macarrão, pq era o que tinha na fazenda. Ah, também tinha um tatu que ia pra panela se a fiscalização ambiental n tivesse chego. Sim, é isso mesmo: a carne no prato dos boiadeiros ia ser um tatu. Não teve tatu, não teve carne. E ninguém reclamou.

E sim, eu sei que estou tocando um ponto muito delicado porque esbarra naquela coisa idiota de “dê valor ao que você tem, tem gente que não tem nem isso!”, mas o ponto não é esse, nem a miséria, nem o fato de que tava todo mundo rindo, nem que isso não fazia diferença.

É uma vida diferente, é um mundo diferente, e eu estou dentro e fora desse mundo ao mesmo tempo. Dentro pq estou tendo que viver isso, e fora porque e sei que uma vida diferente é possível.

E ao mesmo tempo, quando eu ando em São Paulo eu estou dentro e fora desse mundo daí.

Mas não é apenas uma questão econômica, ou cultural. É sobre perspectiva: eu venho cada vez mais andando por entre meus amigos, vendo as dores, reclamações, tristezas, dramas e pensando que outra vida é possível. Um outro mundo é possível. Mas não dá pra provar pra ninguém! Não dá pra obrigar ninguém a ver isso.

E isso é solidão pra caralho.

Ainda mais quando você tem a chance de ficar olhando pro mato sem mais nada pra influenciar o seu pensamento. é Você com você mesmo. Seus pensamentos, suas dúvidas, suas questões, como você age com o mundo ao seu redor.

E coisas incríveis acontecem quando você começa a se afogar em si mesmo.

Sim, eu tenho saudades de sair com meus amigos… mas toda saudades é uma forma de velhice. E mudamos, sim, mudamos. E no tocante a mim, não sei nem dizer o quanto mudei. às vezes acho que minha vida deu uma guinada de 360 graus.

E isso não é erro e nem piada, é uma metáfora mesmo. Girei e parei onde eu queria, olhando pros mesmos objetivos e com um foco: melhorar. Dar um passo adiante. Ou morrer tentando.

Difícil falar sem mandar meios recados ou indiretas ou apelando pros clichês. Vontade sobre o mundo. Traçar a linhazinha na areia e falar: “Eu sou o guardião do fogo branco de Anor e tu num vai passá!”

Sim, eu sei… às vezes desespera. “O objetivo permanece a uma longa distância. É nitidamente visível, mas, para mim, quase fora de alcance.”

Mas esse é o grande ponto da vida… não é, necessariamente e o tempo todo, se dar bem. Não existe um checklist da vida. Você dá e você toma. É uma grande respiração: ninguém consegue só inspirar (e quem tentar vai explodir os pulmôes).

Você está inserto. Você causa. Como nas baladas. Não é sobre encher a cara, ou catar gostosas aleatórias, é sobre o caos, sobre estar imerso em um movimento aparentemente aleatório que nada mais é que fruto das escolhas individuais de centenas de pessoas.

O mundo não é bom nem mau com você. O mundo é. E não percebemos o mundo como ele é, percebemos o mundo como nós somos.

2009 está sendo um ano e tanto, senhores.

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