WWJD? WWCND?

October 5, 2009 § Leave a comment

Uma das coisas mais importantes na vida é ter bons paradigmas de comportamento para guiar suas ações em momentos moralmente duvidosos ou situações difíceis.

Nesse ponto eu gostaria de compartilhar com vocês dois dos meus paradigmas de comportamento mais relevantes, e que mudaram minha vida: O Capitão Nascimento e o Coringa.

Como Tropa de Elite juntamente com Dark Knight são dois filmes que mudaram minha vida, sempre que me encontro em uma situação complexa eu me pergunto: WWCND: What Would Capitão Nascimento Do? WWJD: What Would Joker Do?

Exemplos:

“Capitão Nascimento, Coringa, broxei. Que que eu faço?”
“- Senta o dedo nessa porra!”
“- Why so serious?”

“Capitão Nascimento, Coringa, tomei um pé na bunda da minha namorada, tô deprimido e fico em casa o dia inteiro. Que que eu faço?”
“- Pede pra sair! ”
“- And now… let’s introduce a little Anarchy. Upset the established order. And everything becomes Chaos. And do you know the thing about chaos? It’s fair.”

“Capitão Nascimento, Coringa, minha namorada não quer me deixar sair com meus amigos. Que que eu faço?”
“- Você não vai falar mais nada do meu batalhão! Quem manda nesse relacionamento sou eu, escutou! Não quero ouvir falar mais uma palavra sobre os meus amigos!”
“- I just show how pathethic are your tentatives to control this relationship.”

“Capitão Nascimento, Coringa, quando devo parar o sexo oral?”
“- Missão dada é missão cumprida!”
“- Let’s put a smile on that face.”

E por aí vai.

Bem, a piada basicamente acaba aí e eu não tenho muito mais a acrescentar. É engraçado, dá pra quebrar o gelo nos bares, etc, etc.

Piadas à parte, ambos os personagens são realmente interessantes.

O Capitão Nascimento é a personificação da ordem: Não quer saber por que, quer acabar com o crime. Não interessa se é Vapor, Chefe de Boca, Soldado. Vai pro saco. Se ficasse sabendo da história do Baiano, talvez até ficasse comovido. Mas não vai ficar sabendo.

Pra ele, missão dada é missão cumprida. Não importa a que preço.

O Coringa, no entanto, eu diria, é o oposto: Se o Capitão Nascimento é um agente da Ordem, o Coringa, como auto-proclamado, é um agente do Caos.

Enquanto o Capitão Nascimento faz o que tem que fazer, o Coringa questiona por que você acha que tem que fazer?

Tecnicamente, se você tem dois elementos opostos pra orientar suas decisões, você tem um espectro com todas as potenciais decisões possíveis, basta escolher.

Tipo o diabinho e o anjinho nos ombros.

Isso é uma coisa genial, porque te permite escolher com liberdade, e também é uma coisa profundamente IMBECIL e IDIOTA, porque se você tem dois vetores opostos você têm que cogitar TODAS as possibilidades, o que é algo filosoficamente bom, mas não ajuda em NADA no sentido de te poupar o trabalho de pensar.

Ou seja, eu limito meus paradigmas de comportamento a TODOS os comportamentos possíveis, o que não é limitação alguma!

Ou, biblicamente falando, tudo é permitido, mas nem tudo me convém.

Mas ontem, durante um porre, eu finalmente me toquei de um elemento que me veio à cabeça, relativo a uma das melhores cenas do filme (Dark Knight, no caso):

Essa, na minha opinião, é a melhor cena do filme, notavelmente porque joga na nossa cara uma série de fatores: Se as coisas vão de acordo com os planos, ninguém se preocupa, mesmo que os planos sejam horríveis.

Mas o ponto que me fez parar pra pensar foi: o Joker pergunta se ele se parece com alguém que faz planos, e imediatamente afirma que é “um cachorro, correndo atrás de carros, que não saberia o que fazer mesmo que pegasse um”.

Wrong.

O Coringa é fiel a um propósito: Caos. Seu objetivo é mostrar que o verniz de civilização que passamos ao redor de nossas relações são uma farsa. Sugar coating the shit.

Não quero dizer que acho que nós sejamos invariavelmente selvagens produtos do meio. De forma alguma. Creio, no entanto, que se não questionarmos nossos paradigmas comportamentais, somos pouco melhores que gado. E gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata.

Respeite os mais velhos? Por que? Filhos da puta também vivem muito. Vide ACM e Sarney. Além do mais, falar que você deve respeitar os mais velhos é limitar muito o Verbo, não? Por que não tornar mais verbos intransitivos?

Mas tergiverso novamente.

O Coringa afirma ser “um cachorro que apenas faz coisas”. Mentira. É tudo planejado. É tudo um plano. Tem objetivos, começo, meio e fim. Algo como o outro Anarquista Sorridente, o V, disse:

“Veja por si mesma. As peças estão postas diante de mim. Perfeitamente alinhadas. Quando completas, qualquer um vai perceber seu desenho, sua grande significância. Mas ‘quase terminando’? Sim. Acho que estou. Embora o reconhecimento tenha sido retardado por sua construção tortuosa, agora, o padrão há muito escondido emerge. Não é belo? Não é simples, elegante e austero? Não é estranho que depois de um longo e exaustivo trabalho de preparação, tudo que isso requeira seja um mínimo de esforço e nenhum raciocínio para dar início a esa breve e elaborada brincadeira, a uma veloz e intempestiva corrida? O mais leve toque, só isso, e tudo se encaixa. As peças não podem perceber como manipulamos suas tentativas de arranjos: estas fileiras frias e obedientes, tão prenhes de catástrofes, insensíveis ante a onda em breve liberada pelo insensível destino. Muito afetadas, compreendem quase nada.E a compreensão quando chega, invariavelmente, já é tarde demais. Na verdade, elas não perceberão que algo está errado até serem colhidas pelo violento impulso, provavelmente confundindo-o com uma brava e decisiva ação, uma derradeira medida para impedir o desastre, a cavalaria que vem em resgate… Mas não há resgate. Apenas queda. Pronto. Está vendo as peças? Em pé com seus pares, as faces brancas e indiferentes. Nuremberg em miniatura, fileiras de homens de madeira… Pobres coisinhas. Pobres dominós. Seu lindo império demorou tanto pra ser erguido. Agora, com um estalo dos dedos da história… ele se vai. Voilá.”

E parte do plano, diga-se de passagem, a parte mais importante do plano naquele momento é a aparência de não existir um plano.

O que me faz pensar: Pensamos na liberdade. Até mesmo ansiamos tal coisa. Mas não existe liberdade dentro de um propósito. Se você tem um objetivo, um plano, você tem passos. Um processo para seguir. Uma técnica, uma estratégia, um estilo.

“Na calma, na tranquilidade, sem correria. Olhou, fatiou, passou. Olhou, fatiou, passou.”

Dentro de um plano, você não tem liberdade. Não seguir o plano é não ter um plano.

Tendo objetivos, você não é livre. E sem objetivos você está à deriva. Como um tronco no mar.

Obviamente não quero dizer que os planos são eternos. Não são. às vezes os completamos, às vezes os alteramos, às vezes os abandonamos. Mas tendo um propósito, nossa liberdade de escolha é imediatamente limitada.

E sem um propósito, nossa vida é vazia.

Subitamente a liberdade me parece muito mais distante do que eu pensava.

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