A Experiência Transcendental…

October 23, 2009 § 3 Comments

Eu me encontro numa estranha sensação de perda… Entendam, estou me aproximando do final de minha história – e é um final que deve ser classificado… Por falta de uma palavra melhor… Como místico.

Eis o meu problema: a experiência transcendente, quando traduzida em palavras… Bem, francamente, não tem tradução. Talvez uma sucessão de clichês e um pouco mais.

Assim, meu instinto diz ara esquecer as palavras e deixar as imagens falarem… E fazendo isso eu estarei provocando um certo segmento de minha audiência.

“- Você está sendo crítico!”

Eles gritarão, sem dúvida.

“- Você está sendo vago!”

Pior: eles me acusarão de pretensão – um crime verdadeiramente desprezível.

Mas essa é MINHA história… e devo dizer isto à minha própria maneira. Sendo assim, só posso pedir àqueles de vocês que ficarão desapontados, ou perplexos, ou talvez com raiva pelo que se seguirá que tenham paciência com um homem velho e tolo… E para perdoá-lo por tentar – tão desesperadamente! – contar um segredo que cada um de vocês já sabe.

Flautando suavemente pelos vales selvagens,
Tocando canções de agradável melodia,
Eu vi um menino entre as densas nuves,
E para  mim ele falou, enquanto sorria:

“Toque uma música sobre um carneiro!”
Assim toquei com imensa alegria
“Toque, toque de novo, parceiro!”
Então eu toquei, e ele chorava e ouvia.

“Larga teu alegre instrumento, flautista!
Canta tuas canções da felicidade!”
Aceitando, cantei tal qual um artista,
E ao ouvir-me, ele chorou com serenidade.

“Senta, flautista! Senta e escreve!
Faça um livro que todos possam ler!”
E ele desapareceu como neve sobre neve.
Sozinho então pensei sobre o que fazer.

De um pedaço de bambu fiz uma pena
Para a água cristalina tingir.
E escrevi canções de alegria serena
Que qualquer criança gostaria de ouir.¹

Hmmm…?

O que você disse?

Oh.

Que visão eu tive lá, girando no nevoeiro? Que canção eu ouvi lá, ecoando na caverna?

Minha alma foi exaltada? Meu coração foi preenchido? Minha vida mudou pra sempre?

Faz tanto tempo que, francamente… Eu nem me lembro mais.

E, assim, eu concluo minha canção de inocência, a história não de minha vida, mas de meu despertar. Caros Leitores, Caros Amigos, eu me despeço…

Dizendo Adeus.

***

in: Moonshadow, DEMATTEIS, J. M. e MUTH, Jon J., Ed. Globo, 1991.

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