Vamos Postar Sóbrio – só pra variar…

November 6, 2009 § 3 Comments

Okey, estou em Paranaíba, num hotel (até que legal) e, em um breve retrospecto, percebo que estou com vontade de destilar um loooooonnnnnnngo e tedioso post metalinguístico (minha especialidade).

Percebo que, contrariando as fases anteriores de aridez psicológica e literária, estou numa fase bem fértil. Me dá vontade de escrever mais, sempre, até a exaustão e, por mais surreal que possa parecer, eu não atualizo mais porque quero que vocês (seja lá quem vocês forem) leiam o que eu escrevo.

Pensando, nesse momento, em toda essa fertilidade literária, nessa ânsia de escrever, me passa pela cabeça a famosa frase do Inagaki:

“Quanto mais sexo, menos posts.”

O Leitor (especialmente as leitoras – especialmente algumas leitoras) devem estar nesse momento pensando: “Hahaha! Falta de sexo, Anarco? Logo você que sempre se orgulhou tanto?”

Sim, cara leitora, sim, caro leitor. Falta de sexo, logo eu…

Mas antes de me julgar, peço que entenda… A falta sempre é relativa à presença. A saciedade ao desejo. O céu à terra e o cheio ao vazio.

Sinto falta de sexo, assim como sinto falta de companhia.

Porque o amor é pleno… Mas a paixão, é um sempre-falta.

Sim, exatamente. Um sempre-falta.

Eu sei que existe um mundo de gente por aí afora. Pronto pra ser conhecido, desejado, obtido e saciado.

Mas quem disse que isso é opção? Até pode me ser dito: “Você é livre! Livre, solteiro e desimpedido! Não tem nenhum contrato com ninguém!”

De fato não tenho… No entanto, não existe liberdade dentro de um propósito.

Saiamos do oceano das minhas emoções e voemos um pouco.

Esse blog, provavelmente, passará por uma mudança… provavelmente perceptível, mas dificilmente compreensível sem uma explicação.

O Anarcoblog surgiu do Malandricus, meu antigo blog coletivo. O Malandricus surgiu de uma proposta bem simples de um grande amigo: falar o que achávamos do mundo.

Inicialmente falávamos de uma incipiente VJ da metevê, a Sra. Nazário de Lima, Daniela Ciccareli. Passamos a falar de baladas. Mulheres. Trabalho. Viagens.

E paulatinamente foi ficando claro: o blog não era sobre nada objetivo, mas sim sobre algo subjetivo: como entendíamos o nosso mundo.

E, fomos conhecendo mais pessoas da “Blogosfera”. Pessoas que, posteriormente, ganharam presença física: Sblargh, Rebss, Sil, Pati, Felipe Cunha, Verônica, dentre poucas outras pessoas que eu (e outros) tivemos a chance de conhecer pessoalmente.

E quando você conhece as pessoas, vai perdendo a liberdade, afinal… surgem juízes.

É sartreano: o Inferno são os outros.

Não que eu pudesse ser condenado por alguém (ou talvez possa), mas o fato é que se você tem um propósito, você tem que ser coerente. E coerência é uma prisão.

(Uma prisão que, ironicamente, te liberta.)

Sem querermos as coisas foram ficando densas. As opiniões se cristalizando (afinal, elas ganhavam formas organizadas) e, de repente, talvez decorrente das formas assumidas, não havia mais harmonia. Numa época em que só eu postava no saudoso MLDC, decidi abrir casa própria e vim para o Anarcoblog.

Se antes tínhamos um diálogo multilateral, quando vim para o Anarcoblog as coisas ficaram mais… sérias. Ou eu fui ficando mais sério, não saberia dizer.

O tom mudou e, subitamente, o anonimato que era um dos grandes pontos de apoio do blog, deixou de ser essencial. Eu não tinha mais receio do que eu escrevia. Eu QUERIA que as pessoas lessem. São meus textos. Eu os escrevo, preparo, leio e releio. Como eu disse antes: Esse blog é o que eu tenho de melhor.

O retrato da minha personalidade na capa da Playboy: com muito photoshop.

Não bastasse o fato de que eu vim para cá sem dividir o palco com ninguém, em um monólogo de improviso, de agora em diante as coisas mudarão um pouco mais. Não que eu vá abandonar o pseudônimo de “Anarcoplayba”, como eu vinha cogitando há algum tempo.

Acredito que seja desnecessário. Quem me conhece, conhece esse blog. Tudo o que eu escrevo na net é sob o pseudônimo de Anarcoplayba. Ele é próximo o suficiente de mim para que eu não precise matá-lo.

E o nome tem valor histórico.

Não, não… na verdade, bem mais simples que isso lancei há alguns dias com mais alguns amigos o http://segregalistas.wordpress.com, meu novo blog coletivo, de humor.

O que isso significa? Que se antes, de vez em quando, eu soltava textos mais leves e light-hearted, os textos humorísticos, provavelmente, serão redirecionados para lá.

Aqui vocês encontrarão o lado mais sério. Menos engraçadinho. Com assuntos um pouco mais densos. Com duas (talvez mais) interpretações.

O que trará um único resultado: Meus sonhos de usar esse blog para comer várias mulheres vão pras cucuias.

De fato, talvez, seja hora de ser um pouco mais pé-no chão.

Convenhamos: eu tenho 27 anos e NÃO estou onde eu imaginava.

Pela primeira vez, no entanto, percebo que não sou o único. Inúmeros conhecidos, colegas, amigos-de-primos-de-cunhados estão na mesma situação.

A rola que vai na bundinha dos outros, no entanto, não me faz mais macho.

O triste, por outro lado, é perceber que não há desculpas para isso. Nenhuma. Ninguém me prende na mina vida a não ser eu mesmo.

(V de Vingança feelings…)

Eu poderia ter passado os últimos cinco anos estudando direito e não treinando artes-marciais. Ou poderia estar estudando para mais um vestibular (era meu plano, não era?), ou estudando sobre mercado de capitais, ou qualquer outra coisa, mas não: estou aqui postando.

(Eu pudia tá rôbano, eu pudia tá matanu, mas não, eu tô aqui blôganu!)

E, não entendam como arrependimento: estar aqui, escrevendo algo que, talvez, seja lido por dezenas de pessoas (mas com certeza será lido por algumas importantes) é uma felicidade tremenda.

Na verdade, meu paradigma de comportamento favorito (Capitão Nascimento) saberia exatamente o que fazer: Vai na calma, na paz, na tranquilidade. Sem correria. Faz o seu que vai dar tudo certo. Olhou, fatiou, passou. Sem tentar virar herói.

Por fim… colocando pra fora algo que está queimando dentro de mim.

À minha maneira, paulatinamente, desde o ano passado, venho buscando uma nova forma de me entender e, assim, entender o mundo.

O post “Rubik” foi muito sobre isso.

Não inteiro, não serei tolo de querer me enganar ou pior enganar àqueles que a isso lerem. Afinal, enganar a si próprio é fácil, aos outros, nem tanto.

O texto tem um motivo concreto e um motivo teórico, notadamente porque tudo o que é verdade, é verdade em todos os níveis. Mas, não quero falar sobre o particular. Sobre uma boa balada, um bom fim de semana, um bom filme.

Quero falar no plural. O que faz de uma balada uma boa balada, o que faz de um final de semana um bom final de semana, o que faz de um filme um bom filme, o que faz de uma pessoa uma boa pessoa.

Quais os algoritmos da vida?

E essa vontade, de falar sobre o plural, me coloca em um problema terrível de se equacionar, pois é o que transcende, e a experiência transcendente, quando colocada em palavras… bem, francamente, não tem tradução. É apenas uma sucessão de clichês, ou algo mais.

A melhor saída, olhando por esse aspecto, seria guardar silêncio, pois se trata de um algoritmo não-verbal. Não é algo que se perceba de frente. É algo que está “de ladinho”, no canto da análise.

Tipo um spider-sense social. Um radarzinho que a gente não sabe usar direito, e que só funciona quando você está quase dormindo ou quase acordado.

Aquela sensação de alguém tocando violino dentro do armário.

Pois o Tao que pode ser dito, não é o verdadeiro Tao.

Para não correr o risco de errar, portanto, seria sábio guardar o silêncio.

Mas isso seria presunçoso.

Eu me sinto, então, numa triste sensação de conflito: por um lado eu gostaria de falar o que me faz bem. Mas as palavras soariam vazias porque, francamente, eu ainda não tenho algoritmo da alma humana: eu não sei consertar cantinhos, não tenho a capacidade de alcançar a todos.

Paradoxalmente, a melhor forma da falar qualquer coisa nesse aspecto, é como foi dito no Tao Te King, por meio de imagens.

Aquilo é literal, mesmo que eu não consiga explicar como. É VERDADE. Algo muito maior do que eu poderia ou conseguiria dizer.

Então, nesse último aspecto, peço desculpas se subitamente os textos parecerem herméticos demais… Se eu começar a escrever por metáforas ruins e imagens imprecisas.

Mas a verdade é que, as minhas revelações tocam a mim, e dificilmente a mais alguém: um cubo mágico, vodka vagabunda numa festa de formatura, um email esquisito, um bom dia sorridente de um gari na rua, um policial militar que é cantor gospel, bois de cabeça baixa, bois de cabeça erguida, uma mesa quebrada, um brinco esquecido, cocô de passarinho…

São imagens que, para mim, significam algo… e meu trabalho é transformar esse algo em arte, porque arte é comunicação entre seres humanos: é pegar as sensações que o mundo desperta em mim, e traduzir em estímulos para outras pessoas.

E, para esse fim, peço desculpas se deixar de dizer algumas coisas. Se subitamente me fizer vazio.

Mas o fato é que toda música necessita de silêncio, sob o risco de se tornar ruído, toda palavra de espaço em branco, sob o risco de se tornar borrão.

Todo texto deveria ter o escrito e o não-escrito, a linha e a entre-linha, porque deixando a obra inacabada, implícita, o leitor pode preenchê-la com o que lhe falta.

Senhoras… Senhores…

Boa noite, e bons sonhos.

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§ 3 Responses to Vamos Postar Sóbrio – só pra variar…

  • Weiss says:

    O sono me priva do porque lembrei de fibonacci no meio de nossa conversa.
    MAS! Acredito que algumas definições, em especial a “Dimensão Áurea”, assemelha-se à tal post/desabafo.

    FIBONACCI FOR THE WIN !!!
    Ou você acha que o Tim Burton fez “morrinhos” em espirais no Nightmare Before Christmas à toa?!

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    • Anarcoplayba says:

      A Razão Áurea tá na lista das coisas que faz eu me sentir menos louco. De certa forma, ela é o (ou um dos) algoritmos da vida: Não é insano que as conchas dos moluscos, a cristalização dos minerais, o crescimento das plantas… tudo isso siga a razão áurea?

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  • Rebs says:

    Ahhhh os contrastes….O que seria da vida sem eles??? Felicidade x sofrimento, música x silêncio, palavra x folha em branco, racionalidade x loucura, moralidade x imoralidade, e, é claro, sexo x posts…

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