Work is done, then fogotten, thus, it lasts forever.

November 15, 2009 § 7 Comments

A parte triste em se escrever um texto bom é o fato de que, súbita e ocasionalmente, você tem vontade de que seja o último.

Sério.

O texto anterior é um dos melhores textos que eu escrevi na minha vida, e seria hipocrisia eu negar.

Quer dizer, negar seria uma mentira, a falsa modéstia prenhe na negação é que seria hipocrisia.

Mas o fato é que esse texto com certeza foi um dos melhores. Não elejo favorito porque, sinceramente, existem outros estilos de textos. Todo o projeto insanidade, por exemplo, é a menina dos meus olhos porque, quando eu consigo escrever sobre algo que não é a minha vida, me sinto menos umbiguista e vaidoso.

E eu me encho de orgulho quando consigo ser menos vaidoso.

Mas o último texto gerou uma situação estranha. Levemente incômoda, e que me mostrou a tônica do Anarcoblog:

Meu blog é uma carta numa garrafa.

Não, não estou me referindo às minhas cartas na garrafa, que é quando eu pego uma garrafa de cachaça, bebo, e começo a escrever a carta que estava dentro de mim.

Não, não… me refiro à carta na garrafa clássica: uma carta jogada no mar, que você não sabe para quem vai chegar, quem vai ler, o que vai acontecer.

E eu nunca tive tantos reviews positivos nesse blog quanto com minha declaração de amor por São Paulo. Rodou o twitter, recebi e-mails, mensagens por msn e gchat, e inúmeros outros contatos.

Todos elogiosos.

Mas ninguém comenta.

Eu nunca sei quem lê, quem se importa, quem é relevante. Eu tenho uma média de 50 visitas por dia, essa semana bateu as 90. No entanto, não sei quem está procurando “perdendo o cabacinho” ou quem está procurando o Anarcoplayba.

Eu me sinto naquelas salas de interrogatório espelhadas: as pessoas estão vendo eu lá, mas eu não sei quem são, o que são, o que pensam, o que desejam e querem!

Não sei se estou me acusando, se o que eu ora digo pode e será usado contra mim no futuro, ou se os entretenho.

Não sei se sou um stand up comedian, um ratinho de laboratório ou um espécime num zoológico.

Me falaram “se ninguém comenta é porque você disse tudo o que tinha para ser dito”.

Discordo. Eu disse apenas tudo aquilo que nós (eu autor e vocês leitores) conseguimos perceber.

Apenas isso e, nesse aspecto, gostaria de receber mais feedback, porque, de repente, com suas percepções somadas às minhas, conseguimos amalgamar algo maior. Algo que realmente transcenda meus devaneios de madrugada.

E, nesse aspecto, destaco um contato por Gchat que eu recebi, de uma menina (um ou dois anos mais nova que eu, acho) de Cruzeiro, que provavelmente não entendeu ainda quem eu sou porque deve ter visto o blog no meu gchat do orkut, que usa o nick Anarcoplayba, sem acesso direto ao meu nome.

Segundo ela, eu escrevo bem, mas deveria deixar de falar de mulheres com uma postura paternalista e escrever textos mais curtos.

Bom, eu não concordo com ela.

Quer dizer, em termos.

Sim, eu sei que postos longos são cansativos. Uma outra amiga minha me falou isso quando eu sugeri que ela lesse o texto. Ou, como disse outra amiga minha, jornalista, eu “uso palavras compridas” e escrevo demais.

Sim, eu sei que provavelmente seria mais agradável se eu escrevesse textos mais curtos, talvez eu tivesse mais leitores e, assim, comesse muito mais mulheres.

E eu com certeza comeria mais mulheres porque eu escrevo como eu falo. Sim. É isso mesmo. Eu converso em longos monólogos intercalados. Até meu xaveco é assim, o que me faz lembrar a frase de uma ex, de que eu era mais gostoso que bonito e mais bonito que inteligente.

Eu demoro, gosto de usar as palavras certas, preparar o terreno, mexer com as imagens na mente do leitor.

E eu escrevo como escrevo porque escrevo como gosto.

Não sei se, como Michael Jackson, consegui me fazer claro, mas o fato é que é meu estilo. Meu flair.

Me exponho aqui como me exponho na minha vida e, como já dito antes: se você não tem anonimato, se as pessoas soubessem exatamente tudo o que você pensa, todos os seus podres, segredos e pecados, como você viveria?

Com Coragem e Coerência. Com Honra, Respeito, Lealdade.

I’m a man on my word.

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§ 7 Responses to Work is done, then fogotten, thus, it lasts forever.

  • Anonymous says:

    Nem todas pessoas tem esse discernimento, essa volupia de pensamentos, eu admirei isso em vc quando li seus posts.
    As pessoas por sua propria natureza são preguiçosas, então textos longos, palavras “complicadas”, nós faz pensar em algumas coisas???
    -Tipo – ” Esse cara é louco ou é muito inteligente?” e no caso de algumas mulheres, ficam a espera da “garrafa com a carta” …

    Só posso dizer, criativo e perpicaz, inteligente e sagaz ….

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  • Pati says:

    Esse seu post não faz o menor sentido. Primeiro você reclama que não tem feedback nos comentários do blog, mas seu número de comentários médio por post é normal para o número de acessos. Por experiência própria, menos de 5% dos visitantes comentam. Se você tem 50 acessos, são 2,5 comentários, em média, por post. É bem o número que você tem, não?

    Pois bem. E seu post não faz sentido porque, ao mesmo tempo que você reclama da falta de feedback, você diz “eu sei que seria melhor se eu escrevesse menos, mas foda-se”. Como assim, “foda-se”? Se você quer feedback e atenção, tem que fazer com que as pessoas te leiam e se manifestem. Mas você prefere continuar ignorando o conselho que recebeu por mais de uma vez (escrever menos, ser objetivo, etc.) e cobrando comentários. Não faz sentido. Ou você diz “foda-se, escrevo como quiser e lê quem quiser” ou você diz “quero comentários e feedback”. Não dá pra ter os dois ao mesmo tempo.

    Eu prefiro a primeira opção, porque blog não me dá dinheiro, então me contento com os 5% – embora eu também quisesse que esse número fosse maior :)

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    • Anarcoplayba says:

      Não é uma questão de processo, bonita… é de mérito. Ela criticou a forma como eu escrevo e o que eu escrevo… não é um “foda-se, eu faço como quero” é um “eu faço como quero… mas deixa eu pensar a respeito”. Além do mais, teve tbm a crítica de mérito, sobre como eu trato mulheres nos meus posts.

      E tudo faz sentido, mesmo que não o saibamos.

      Mesmo que seja um sentido insano, hermético e críptico.

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  • Nane says:

    Continue escrevendo…
    As pessoas que não comentam, provavelmente é pq não chegaram a ler tudo… Mas algumas comentam hehe

    Estávamos meio sumidinhas, mas agora o nosso blog está de volta.
    Tem post novo, passa lá.

    Beeijinhos querida,
    Nane

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  • Rubens says:

    Camarada…
    Grande post e grande blog!
    Insano, hermético e críptico, mas por isso é tão bom!

    Não diminua o tamanho de seus posts, não tente ser mais direto, não use outro tipo de palavras. Essas coisas, na minha humilde opinião são as marcas do Anarco.

    Em resumo…
    Parabéns pelo teu blog Playba.

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  • […] Posted by Anarcoplayba on April 20, 2010 Ok. O foda de escrever um texto bom é que blahblahblahblahblah. […]

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