Sobre Crepúsculo, Mulheres, a Vida e Tudo o Mais.

December 8, 2009 § 7 Comments

Atendendo a pedidos, e retomando a onda de posts longos e após um final de semana de dor de cotovelo (que eu bati nos dentes de um amigo que tentou quebrar meu braço depois), gostaria de aproveitar a onda “Lua Nova/Crepúsculo” pra explicar como a Stephanie Meyer pode te ajudar com as mulheres, na vida e tudo o mais.

Parêntesis:

Gostaria de informar que 50% desse post vem daqui e de uma conversa com o Rípper, de forma que, como sói ocorrer, eu não sou nem metade criativo quanto vocês pensam.

Também gostaria de informar que esse post será escrito paralelamente ao consumo de uma garrafa de vinho que restou do meu sábado (promete, viu?).

Fecha Parentêsis.

Bom, em primeiro lugar, a respeito de Crepúsculo, vamos situar a obra, citando o Rípper que tão bem definiu Crepúsculo: É um filme dirigido por uma mulher, cujo roteiro foi escrito por uma mulher, baseado no livro scrito por uma mulher e cuja diretora de fotografia é uma mulher. Ou seja, é um filme de vampiro feito por mulheres.

Porém, não é apenas um filme feito por mulheres e para mulheres: é um filme feito por mulheres com foco em um mercado bem definido: mulheres pré-adolescentes.

Ok, por partes: “Eles” (e por “Eles” entendam os fabricantes de bens de consumo) estão procurando encontrar cada vez mais nichos de mercado específicos para direcionar os esforços mercadológicos. Uma propaganda, um carro, um filme, nada disso tem que agradar todo mundo: tem que agradar um nicho de mercado.

Crepúsculo alcança o público pré-adolescente (podia jurar que eu já vi o termo “keen” – Kids + Teens – em algum lugar) pois esse é um público que embora esteja acordando para o consumo próprio (gastando a própria mesada) ainda não atingiu a maturidade sexual.

Portanto, o que crepúsculo é? Um filme de Vampiros Celibatários.

Primeiro: qual o TOP da sexualidade do filme: Beijo na boca.

Sério: toda a cena de beijo poderia ser substituída por uma cena de sexo. Eles só se beijam sozinhos (no quarto, no bosque, nas colinas, sempre em um momento propício), como se esse fosse o grande prazer proibido da vida. E, convenhamos, para crianças de 10/12 anos, é. (Pelo menos no meu tempo era).

E a isso soma-se um outro detalhe: Os EUA gastam cerca de 1 bilhão por ano com educação sexual voltada especificamente para o celibato.

E qual o mais próximo de uma cena de sexo em Crepúsculo?

Bella e Edward no quarto, se pegando, ele em cima dela… perto do pescoço… e ele pula fora falando “Não, se eu perder o controle posso te machucar…”

Aw, come on! Depois EU que sou o capitão óbvio!

Percebam: é um filme FEITO para que os pais deixem os filhos pivetes verem.

Ainda nesse aspecto, isso é só metade do motivo pelo qual Crepúsculo fez sucesso.

Crepúsculo toca em um ponto que é genial: ele tem muito dos elementos dos contos de fadas, que nada mais são que, em geral, alegorias para o crescimento.

Ok, primeiro a Bella sai da casa em que ela morava e vai parar num subúrbio estranho e chuvoso onde ela se sente uma estranha e diferente de todo mundo. Patinho Feio pra vocês.

Mas não, ela é especial, afinal, dentre todas as meninas do baile (ops, escola) o “príncipe” escolhe logo ela. Cinderela pra vocês.

E olha que bizarro: o vampirinho é exatamente isso: um cavaleiro numa armadura brilhante! Cáspita ele brilha no sol!

E nesse aspecto entramos no único ponto que REALMENTE me irrita em crepúsculo: é óbvio ao extremo.

O cavaleiro em armadura brilhante brilha no sol.

Na cena do laboratório, em um dos takes, deram pra ele asinhas de anjo.

Mais pra perto do fim, quando ela está fugindo da cidade, eles têm que fazer a porra do take com ela olhando pra tudo e “deixando o passado e os amigos pra trás”.

Meu, tá certo… é filme pra criança, mas estamos falando de crianças, não de idiotas!

Ainda falando sobre o filme, embora eu não tenha visto Lua Nova, ponto digno de nota: a menina toma uma bota do vampirinho emo, que vive séculos, gosta de artes, cultura, etc… e quem vai consolá-la? O Lobisomem índio, que sai de rolê com os brothers, gosta de cerveja e futebol. Não sei quanto a vocês (e nem sei como o livro continua) mas isso pra mim é muito coisa de aceitar as diferenças entre os sexos.

Por isso que eu sou team Jacob!

***

Ok… agora onde Crepúsculo pode ajudar você com mulheres (e não estou falando de catar fãs do livro/filme).

A Pati falou alguns textos atrás que mulher não gosta de dinheiro: mulher gosta é de Poder.

Ok, é uma definição interessante, mas possui dois problemas:

1) É uma definição que depende de um termo a ser definido: o que é Poder?

2) Não se discutem fatos com argumentos.

Primeiro: o que é ter Poder? Ter Poder é ser seguro de si? Não, não é. Insegurança, por sinal, às vezes leva ao poder por um sistema de super-compensação: eu sou inseguro, portanto eu busco acumular Poder para que ninguém me ameace.

Dinheiro? Dinheiro é um aspecto de Poder. Caras ricos catam gostosas… Mas caras não-ricos também.

Inteligência? Pffffff… Nerds. Isso resume tudo.

Poderíamos dar inúmeros fatores a respeito disso, mas eu prefiro ir para a minha definição final de Poder: Poder é a capacidade de controlar o mundo ao seu redor. Se você controla muito o mundo ou se você controla um espectro amplo e extenso do mundo, você tem poder.

Há pessoas que têm poder intelectual, poder financeiro, poder estético, etc. De onde tiramos: Se existem vários aspectos de Poder, existem vários tipos de mulheres que gostam de diferentes aspectos de Poder.

Existem mulheres que querem um cara gostoso. Existem mulheres que querem um cara inteligente. Existem mulheres que querem um cara carismático. Existem mulheres que querem um cara rico.

O truque? Assim como crepúsculo, tenha seu mercado. Joga um micareteiro na Vila Olímpia, um Boyzinho no Vegas e um Muderno numa micareta. As chances deles zerarem são altas. Mas cada um no seu nicho? Bingo! Todos saem felizes: você casou a oferta certa com o mercado certo.

Em segundo lugar: não se discutem fatos com argumentos.

Nem toda mulher gosta de Poder. Tem mulher que prefere o papel de pólo ativo da relação. De mandar. Sem problema. Tá tudo certo, contanto que você case oferta com mercado.

E, por outro lado, digo mais: existe mulher que se sente incomodada com Poder. Se sente insegura. É mais ou menos algo do tipo: ele cata quem ele quiser… se eu ficar com ele, vou colecionar mais chifre que qualquer outra coisa, portanto, não fico com ele.

Ele é bom pra uma trepada, mas não confio.

Isso porque sedução é um binômio Desejo x Segurança: Poder Gera Desejo mas não gera, de per si, segurança.

***

E onde tudo isso pode ajudar na sua vida?

Qual o seu nicho? Qual a sua profissão? O que você faz que te distingue dos outros?

Existem dezenas de bandas por aí que tocam melhor que os Beatles, Stones, Metallica, etc.

Eu nem duvidaria que algumas bandas covers são melhores que as originais. Mas por que elas não fazem sucesso?

Porque não têm personalidade. Porque não têm gosto. Porque não têm tempero. Porque são uma cópia de alguém que encontrou um nicho. Bandas boas são bandas com personalidade.

Quer fazer sucesso? Encontre um nicho com demanda reprimida e faça a oferta correta. Seja útil.

Útil é aquele que serve a algo ou alguém. Você serve a algo ou alguém?

Ou é fútil como um ronin?

§ 7 Responses to Sobre Crepúsculo, Mulheres, a Vida e Tudo o Mais.

  • alexthomaz says:

    Aguarde um post novo meu com o título “why do you think the net was born?”
    Por outro lado… a garrafa de vinho fez você perder o fio da meada, na minha humilde opinião… mas ok. QUe o filme é óbvio e que tudo isso que você disse é óbvio, bom… é óbvio. O que eu quero saber é: valeu à pena foder toda a mitologia vampiresca só pra satisfazer o público feminino?
    Continuo na opinião que os vampiros de Stephany Meyer (se é que se escreve assim o nome dela) não são vampiros, são xmen. São superheróis. E a propósito, mulher gosta é de mistério.

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    • Anarcoplayba says:

      Sinceramente? Não existe essa de “mulher gosta de X”. Não existem duas mulheres iguais no mundo. Se você quer se dar bem, faça a oferta certa pro mercado certo. Quer um exemplo de mulheres que não gostam de mistério? As inseguras.

      Na prática, seja você mesmo e vai na fé. Fortune favor the bold.

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  • Special says:

    O Mundo sempre foi regido pelo EGO e necessidade de aprovação das pessoas e isso nunca mudou. O dinheiro por representar poder domina nos meios capitalistas – assim como outras formas de “poder” dominam em outras culturas.
    Enfim na Era da velocidade, tecnologia e informação tudo é muito fugaz – até os relacionamentos tendem a isto – se perdeu um pouco o “curtir” e se quer chegar logo nos finalmentes.
    Todos se tornaram muito preguiçosos e gordos, estamos precisando de algumas mudanças ou caminhamos para uma Idiossincrasia. E o pior de tudo hoje, o verbo “TER” é muito mais conjugado que o “SER”.

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    • Anarcoplayba says:

      Special,

      Confesso que tenho sentimentos ainda me formação a esse respeito: é fato que as coisas perderam a cerimônia… no entanto, eu acho razoavelmente positivo que a pompa e circunstância das coisas seja retirada: não sei se me faço claro, mas é mais ou menos algo do tipo: “É bom que nada seja sagrado para que nós façamos as coisa sagradas”.

      Tem um versinho do Tao no cap. 38:

      Therefore when Tao is lost, there is goodness.
      When goodness is lost, there is kindness.
      When kindness is lost, there is justice.
      When justice is lost, there is ritual.
      Now ritual is the husk of faith and loyalty, the beginning of confusion.
      Knowledge of the future is only a flowery trapping of the Tao.
      It is the beginning of folly.

      Ou seja: eu sou a favor da flexibilização das leis do divórcio porque eu sou a favor do casamento.

      Quanto a ter x ser… conversa longa feita curta: seja útil para o meio que o meio recompensará a sua utilidade.

      Ou seja: ter, ao mesmo tempo que é algo “mesquinho” é um reconhecimento (teórico – sempre existem os herdeiros) do meio. E vale falar: ter não é, em si, algo negativo… mas como você usa o que você tem… that’s a whole new problçem.

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  • Karina says:

    Acho que estou meio fora de órbita…

    Como se não bastasse eu conhecer um bom número de mulheres (leia-se não tweens – o nomezinho dos pré-teens) que têm fantasias idílicas com o vampiro, ainda trago 4 razões pelas quais ando me sentindo um peixe no deserto:

    i) outro dia fui ao cinema e minha companhia, masculina, sugeriu que assistíssemos a Lua Nova. Vc assistiu? nem nós. Voto final: 2012.
    ii) outro-outro dia um amigo perguntou se eu já tinha assistido a… Lua Nova. O assunto morreu.
    iii) outro-outro-outro dia um colega do trabalho, na faixa dos 50 anos(!!), estava solicitamente me explicando o enredo, com direito a dramatização dessa cena que vc descreveu do salto do vampiro se afastando da menina como se ela fosse o alho em pessoa. E, finalmente…
    iV) agora. Mais uma.

    O.o

    Só um desabafo.

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  • roger says:

    Poder eh a capacidade de influenciar. Controlar eh melhor, mas menos amplo do que o campo da influencia.

    A maioria das mulheres gosta de poder.

    Agora que resolvi levar o dinheiro a serio, procurar nichos tem funcionado. Em estrategia, quem tenta defender tudo acaba nao defendendo nada. O nome do jogo eh foco. Pra rir, as palavras-chave “carlos mencia on sex”.

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  • Renata says:

    para o seu post tenho apenas uma palavra (depois dessas várias… hehehhe) MARKETING! funciona em todos os aspéctos da vida, as estratégias estão aí! todas elas… se usar, tem mais chance de dar certo em tudo o que escolher fazer, mas, aí, entra o elemento chave que fode tudo sempre! sentimento! o maldito sentimento! que joga qualquer estratégia direto para o ralo!!!

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