Sobre Lua Nova, Homens, a Vida e Tudo o Mais.

December 13, 2009 § 17 Comments

Okey, acabei de assistir “Lua Nova” (ou “Crepúsculo II”), e gostaria aqui de abertamente falar que é uma merda. Me deu vontade de assistir de novo Crepúsculo pra saber se também é ruim assim e eu que não percebi.

Bom, fazendo uma análise do filme (onde provavelmente vai ficar claro por que eu não gostei dele), Lua Nova é a continuação de Crepúsculo e, como em Crepúsculo, vampiros, lobisomens, etc. são nada além de um pano de fundo para uma metáfora sobre o crescimento, contada na forma de um conto de fadas para tweens (os nossos pré-adolescentes).

Só que dessa vez, ao invés de o foco ser a sensação de inadequação e a busca pelo príncipe encantado, se trata mais de uma questão e crescimento, notadamente do crescimento masculino e escolhas.

O filme, basicamente, é a narração da vida da Bella que, depois de tomar uma bota do Vampirinho Emo que fugiu pra Europa, descobre que quando está em perigo o Vampirinho aparece na forma de uma projeção psíquica ou coisa que o valha.

O que ela passa a fazer? Encontrar situações de risco pra ver ele mais vezes.

Okey, primeira metáfora: A mina toma um pé na bunda, e quer ver o ex-namorado pra matar a saudades. O que ela faz pra conseguir isso? Coisas idiotas, como sair com um desconhecido, pular de um penhasco, correr de moto, sair com o ex pra jantar, ir assistir um filme na casa dele tomando vinho, etc.

Ok, eu misturei algumas coisas, mas é mais ou menos isso: Ela quer matar as saudades, mas é perigoso, ela pode sofrer… Yet, ela se arrisca.

Além disso, temos ainda o Lobinho, que é um garoto, aparentemente dois anos mais novo que ela, e que ela usa para esquecer o vampirinho emo, fazendo dele seu “melhor amigo”.

Admito, é legal ver o lobinho crescendo porque, pra mim, é uma metáfora para o crescimento masculino.

Acredito que todo homem já tomou um (ou mais de um) “Eu gosto de você como amigo” e mulheres, é sério: isso é o troço que mais dói na vida de um homem.

Não é só uma bota. Bota é manejável. Acontece.

“Eu gosto de você como amigo” é, basicamente, citando o grande filósofo Massaranduba, uma ofensa à masculinidade. É receber oficialmente o título de “ursinho de pelúcia” da menina. É ela reconhecer que você não toca o apelo sexual dela em momento algum.

E chega a ser pior: Não é meramente “não atrair”: é afastar. Se fosse indiferente, ela poderia até ficar com você numas de “Ah, por quê não?”. Se ela gosta de você como amigo, e não quer ficar com você, significa que alguma coisa ainda por cima a afasta.

E isso é um dos pontos mais importantes do amadurecimento masculino: você ser reconhecido como homem, não como menino, pelas mulheres.

Não, isso não significa ser desejado por todas, mas significa ser reconhecido como tal, de forma que elas não te considerem um amigo viadinho. É ser quente ou frio, nunca indiferente. É não ser “bonzinho”.

Por outro lado, é legal ver a relação de contraste entre o Vampiro e o Lobisomem.

O Vampiro é mais velho, vive pela Bella, faria tudo por ela, não tem motivo nenhum além dela para viver, morreria por ela, e só foge porque “é melhor para ela”.

O Lobisomem é mais novo, apaixonado, mas não consegue sair da friend zone, tem compromissos dos quais não pode escapar, e faz o que quer, sem ligar muito para o que a Bella pensa.

Dentro da mística hollywoodiana (e possivelmente do senso comum), o Vampiro é o homem perfeito para a Bella, faz tudo o que ela quer, gosta de poesia, é rico, filho de médicos, tem um carrão, se veste bem, é educado, e até morreria por ela.

Já o Lobisomem não: ele é mais novo, meio imaturo, faz lutinha com os amigos, é impulsivo, ciumento, mora num ferro velho, o pai é um índio pobre, anda por aí sem camisa e valoriza primeiro os amigos, depois a paixonite, e tem coisas mais importantes para fazer do que pular de cabeça num relacionamento monogâmico.

Existem cenas emblemáticas a esse respeito, como por exemplo quando ela sugere fugir com o lobinho ele fala “Eu adoraria fugir com você. Mas tenho meus deveres.”

E nesse aspecto, é por isso que eu sou Team Jacob: O Jacob é um homem, tem existência própria, ao contrário do Edward, tem uma existência dependente da Bella.

Não é que o Lobinho não goste da Bella. Ele gosta, sofre, se desespera, perde o controle, tem ciúmes. Mas primeiro, tem honra, palavra, compromisso e uma missão.

Aí vem o grande ponto, que provavelmente é o que me deixou puto com Lua Nova: é uma puta propaganda pró homenzinhos dependentes. O Vampirinho Emo faria tudo por ela. E ela escolheu ele.

Bom, na vida real, as coisas não são tão simples assim.

Quer a prova? Os inúmeros e recorrentes comentários (a maior parte das vezes femininos) falando que as mulheres gostam é dos cafas, de quem não liga pra elas, etc.

Gente, vamos deixar uma coisa clara: isso é uma generalização BURRA: quem fala isso está tomando consequência por causa. Mulheres não gostam de cafas porque eles são cafas: Mulheres gostam de cafas porque os cafas valorizam, em primeiro lugar, os próprios interesses.

Os Cafas têm objetivos. E trabalham por esses objetivos. Custe o que custar. Os Cafas têm personalidade forte. Não se sujeitam a coisas que não querem. O comportamento padrão do Cafa é: Se ela não quiser, não tem problemas: tem um monte de mulher no mundo.

E nesse ponto, vale lembrar: As pessoas adoram buscar uma figura de autoridade externa para obter aprovação. Os grandes líderes, basicamente faziam isso: julgavam e davam prêmios e punições.

Dois exemplos extremos: Hitler e Jesus. Ambos davam um parâmetro da comportamento a ser seguido para ganhar prêmios ou sofrer punições.

E é interessante pensar que a gente procura líderes pra nos dar tapinhas nas costas porque a gente é inseguro demais pra saber quem a gente é. Afinal, se eu sei que eu sou bom, não preciso de alguém me falando que eu sou bom. Se eu sei quem eu sou, não preciso de gente me aplaudindo.

Por outro lado, não estou falando em distribuir punições, de trata mal os outros, humilhando quem estiver ao seu redor para ser admirado. Se trata meramente de deixar bem claro quem você é e o que você quer, comportando-se coerentemente.

Não vou ser inocente e falar que tratar mal não funciona. Funciona sim, vide a Síndrome de Estocolmo nos Relacionamentos Afetivos aqui, aqui e aqui. Mas não é necessário. O importante é você ser fiel a você mesmo. Ter princípios. Traçar a linhazinha de areia no chão e falar: até aí você vem, daí pra cá, quem manda sou eu.

Eu acredito que até mesmo, se você conseguir chegar num nível de auto-conhecimento e segurança invejável, você pode espalhar perdões para quem erra com você. Mas tem dois detalhes: Você perdoa quem erra com você, não quem te agride. E para perdoar, você precisa primeiro ser independente, porque perdoar por falta de opção não é perdão, é sujeição.

E eu ia falar que quem vive em função de mulher vira capacho, mas seria um erro: quem vive em função dos outros vira capacho. Quer seja em função de mulher, família, amigos ou chefes.

§ 17 Responses to Sobre Lua Nova, Homens, a Vida e Tudo o Mais.

  • Nicky-san says:

    Okay, não penso o mundo há tanto tempo quanto você, mas tenho pensado um pouquinho…

    Comecei a escrever uma defesa sensacional de “Eu gosto de você como amigo”, mas apaguei tudo.

    Você tá certo.
    (Again.)
    Quando que você não tá certo, hein!?

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  • Karina says:

    Não sabia que aquele post do Crepúsculo era uma ode ao filme! O.o Para quem n gostou de 500 Dias… =p
    Ok, n assisti a estes, n posso falar, mas…

    Sobre a teoria dos Cafas, n sei se o raciocício é este. Embora concorde plenamente que as pessoas que mantêm uma individualidade consequência dessa autoconfiança são bem mais interessantes, n sei se uma maioria das mulheres pensa assim nem se isso é determinante para provocar a atração pelos Cafas. Pq há muita insegurança tb pelo lado feminino, e estas vão preferir o cara que está lá de joelhos, ainda que seja só para fazê-lo de capacho, como vc disse. Elas querem alguém que fique sob o domínio. Acho que a adoração pelo Cafa é mais uma questão de desafio, as mulheres confiam que podem ser irresistíveis a ponto de mudar os homens e acabam se enredando numa relação movidas por isso. Sem contar a questão sexual. Se é verdade que os cafas são “bons de cama”, então taí mais um ponto para amarrá-las.
    Sua tese me pareceu meio reducionista, mas tb n sei se a minha responde.

    —-

    O texto abaixo me provocou uma interrogação. Seguida de uma exclamação.

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    • Anarcoplayba says:

      A Verdade, Karina, provavelmente está na soma das nossas opiniões com mais alguns fatos que a gente desconheça.

      E sim, existem mulheres que preferem ser o pólo masculino da relação, o que não é nenhum problema, contanto que a oferta encontre a demanda.

      Uma ex me falou uma vez que para mulheres tbm existe o cara pra namorar e o cara pra trepar, assim como para os homens.

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      • Nicky-san says:

        Fato! …o cara pra namorar e o cara pra trepar…
        Mas eu diria que tem o cara pra namorar COMIGO e o cara pra trepar COMIGO. De repente aquele ‘ex’ fofinho não é mais que FGTS de outra pessoa…

        contanto que a oferta encontre a demanda… é um bom pensamento, só é foda quando a gente insiste em ouvir a intuição quando ela manda persistir na oferta errada…

        Mas uma hora a gente aprende.

        (Seus textos são sempre construtivos, rs. Não, não para!!)

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  • Nevermind says:

    Escuto isso de que mulher gosta de safado, cafa, de quem não liga etc. a vida inteira, e a primeira a me dizê-lo foi ninguém menos que minha mãe. Não sei porque teimo em contrariar essa lógica toda vez que me apaixono – aliás, sei: exatamente porque apaixonar-se é estar passivo. Sempre que ajo como um safado, quer dizer, na maioria das vezes, o resultado são mulheres dispostas a quase tudo para me segurar. Provavelmente isso não é uma verdade invariável, que possa ser usada indiscriminadamente, mas há nela um princípio de psicologia humana que pode ser razoavelmente bem generalizado. Noli ire, fac venire.

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    • Mme.Déjà vu says:

      Com certeza algumas mulheres gostam, e muito, de ter trabalho para correr atrás do objeto amado ou desejado(homem)e quanto mais este a despreza mais ela corre, não dele, mas atrás dele?! Tal e qual um cão atrás do próprio rabo num giro sem fim. Mas nem tudo está perdido, ainda há aquelas que querem um que não seja cafa, que ligue no dia seguinte, que ligue para agradecer o presente raro dado com tanta alegria, que deixe uma mensagem ao menos dizendo um olá, que divida suas dores e seus sabores.
      Eu particularmente não gosto de “safado, cafa, de quem não liga etc.” Saio correndo deles, gosto de HOMEM de verdade, que sabe chorar, rir e amar.
      É isso.

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      • Anarcoplayba says:

        O ponto, Mademoisélle, é que amor é pleno… já a paixão, é um sempre-falta. A gente se apaixona por aquele que a gente deseja mas não consegue se saciar…

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      • Mme.Déjà vu says:

        É verdade, nós somos eternos seres da falta, pelo menos no que diz a paixão, que nos deixa descontrolados pela falta e total passividade.

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  • Anarcoplayba says:

    @Nicky:

    Relaxa, vou continuar: n resisto a uma mulher falando “não para!!”

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  • Mme.Déjà vu says:

    A propósito, engrosso o coro dos que dizem que o filme Lua Nova é uma completa m. Vampirinho com cara de: “Mamãe socorro eu não consigo sair do armário!” Lobisomem descamisado, kkkkk.
    Sem chance de ser feliz, eles e eu!

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  • Mme.Déjà vu says:

    Hummm o “Ministério da economia de roupas” (Só faltou esse para o Lula criar) agradece e diga-se de passagem que se a moda pega não seria nada mal, afinal adoro homens sem camisa, mas então, homens? Que homens? Ops! Eles eram apenas lobinhos…esquece.rs

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  • Hipotérmico says:

    Caímos de novo na história de que homens tem que se comportar como homens ou arriscam virar protagonista de um best-seller meia boca. Todo o papo da cafajeste versus cara bonzinho corrobora isso. Entend, que não é o descaso e os maus tratos que são valorizados (nos casos saudáveis pelo menos), mas a independência, e as capacidades (percebidas) de proteger e liderar. Algo como um apelo de macho alfa…. como disse antes, somos mais animais do que gostaríamos de admitir.

    Já achava um absurdo essa história de vampiro brilhar no sol (e jogar basebal!) agora com uma inversão dessas… passo longe.

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  • Patricia says:

    Oiii Tarso!! tudo bom?

    Aqui é a Patricia, do PUB da Al. Campinas…tudo bem?

    Bom estou aqui, visitei seu blog, e confesso que você consegue se expressar muito bem aqui. Um pouco mais tímido ao vivo.

    Parabéns! Vou ler aqui, e confira o blog da empresa : http://www.coolnex.blog.br

    Meu contato tem o e-mail e twitter @patriciambernal

    bjs

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  • Karina says:

    Li, lembrei desta discussão e trago como contribuição:

    http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI113520-15230,00.html

    Atenção especial ao epílogo: “Você acha mesmo que as mulheres mais bacanas estão com os caras mais safados?”

    ;-p

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    • Anarcoplayba says:

      É que existe um detalhe, Karina, que estávamos (eu e o Hipotérmico) discutindo ontem: A gente está observando o nosso círculo de amigas que gostava dos “Bad Boys” (e eu estou usando a expressão “Bad Boys” pra não acusar os outros de comportamentos “ilícitos”) e estão começando a se aproximar dos caras mais “calmos”.

      Novamente: falar que as mulheres gostam de homens que as tratam mal PORQUE eles as tratam mal é burrice. No entanto, acredito que exista uma raiz comum na atração e na “cafajestagem”. Por exemplo: mulheres acham homens comprometidos “mais interessantes”. Isso é fato e foi atestado em um estudo científico.

      Por que? Acho que é o que chama de pré-seleção: você começa já com um carimbo de “esse cara é bom pra namorar”, o que atrai outras mulheres.

      Então, temos algo binário: o cara é comprometido e é fiel, não entrando no universo amostral feminino, ou é comprometido e infiel, aproveitando a pré-seleção, entrando no universo amostral de cabeça (tu-dum-tsss) e entrando também para o grupo de cafagestes.

      Na prática o que eu digo é: As meninas mais interessantes estão com os cafagestes. As mulheres mais interessantes estão com os homens. Os meninos estão sozinhos.

      Qual a vantagem de ser cafa, vc me pergunta? Oras… qual o ideal de beleza feminino vendido? A ex-adolescente gostosa, que está com o cafa.

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