Post Preparatório para o Grande Torneio de Sexo Oral.

January 13, 2010 § 14 Comments

Ok, eu recebi esse vídeo umas três semanas atrás, mas só agora fui ver inteiro, e, como estou com coisa pra caralho pra fazer e meus posts em viagem nunca são curtos, resolvi postar aqui esse vídeo por alguns motivos de ordem prática.

O primeiro motivo é o fato de que o “sorteio” da Trilogia do Anel já foi finalizado: a Gabii Fonseca ganhou. Sério: o livro é tão famoso que eu sequer esperava que alguém se interessasse por ele. Uma vez que o livro foi sorteado e será mandado por correio normal (Sorry, moça, é um tijolinho de peso pra ir por sedex), desnecessário manter aquele post.

Em segundo lugar, me sinto meio que Darwin nessa história. Muito do meu post foi repetido ipsis literis no vídeo. Pensei na hora que eu vi “caralho… agora vão pensar que eu vi o vídeo e plagiei”.

Bem, eu não sei quando o programa foi ao ar, mas o vídeo é de 2.12.2009, e o post de 23.11.2009 que significa que, em tese, o programa me copiou. Não sei quando o programa foi ao ar, mas acho que essa técnica de sexo oral nasceu (pra mim) em 2007.

Se a minha ex-namorada daquela época ainda lesse esse blog (ela disse que lê, mas não tenho certeza), ela poderia dar um testimonial e tal.

Porém é óbvio que não é criação minha.

Criação presume atividade inventiva. A estruturação objetiva de algo que até então não existia. Elementos e fenômenos naturais são descobertos, não criados.

Isso me veio à cabeça num comentário em um texto do Fábio Hernandez, no qual eu disse que “só é adeus quando você não quer dizer adeus”. Ele questionou quem havia dito tal frase, e eu indiquei os textos nos quais eu escrevi.

Até onde eu sei, fui eu que a criei. Não me lembro de ter lido nada a respeito, ou mesmo que a sugerisse. Googleei e não encontrei nada. Se alguém aqui lembrar, me avise, mas tudo indica que não foi uma frase que eu escrevi, foi uma frase que eu descobri. Não no sentido de que tenham escrito antes de mim, mas que ela estava lá, pronta pra ser descoberta, como um novo continente.

E nisso eu fico pensando: que coisas podemos “inventar”? Admitamos que tudo o que fazemos, “criamos” ou “inventamos” seja uma aplicação de Leis Naturais. Ninguém inventou o plano inclinado, ou a alavanca: é uma descoberta de uma Lei Natural.

E o parafuso? É uma invenção? Admitamos que é apenas a aplicação do plano inclinado.

Em termos marciais, por exemplo? Alguém cria uma técnica? Ou meramente concretiza algo que estava pronto pra ser “apreendido”?

Isso me lembra um Dojô de Kendô (ou Kenjutsu, não me lembro) cujas técnicas foram apreendidas pelo fundador após um tempo meditando numa colina. Segundo ele, após algumas semanas meditando ele teve um momento e iluminação no qual lhe foram reveladas as técnicas da espada pelos deuses.

Ainda hoje eles treinam as mesmas técnicas e, quando perguntados por que não modernizar a escola, eles afirmam “Pra quê estudar algo humano, quando temos algo divino para aprender?”

Por outro lado, enquanto estamos falando de sexo oral e de um post num blog, as coisas são simples de se entender: “Tá, tá, tá… a gente entendeu: você não criou, você descobriu, escreve outro post agora!”

Agora… quando pensamos em termos de coisas GRANDES, a coisa muda de figura: uma patente é uma cerquinha ao redor de uma idéia.

Durante alguns anos eu trabalhei com marcas e patentes. E, na minha opinião, são dois regimes erroneamente tratados como semelhantes: ambos são objeto de direito de propriedade. Mas patentes não deveriam ser.

Marcas serem objeto de uso exclusivo, beleza: é algo próximo ao direito da identidade, de não ter pessoas se fazendo passar por você.

Por outro lado… Patentes são direitos de uso exclusivo de algo que, no limite, é a aplicação de uma lei natural. As moléculas estão lá, as propriedades bioquímicas também, a forma como o corpo reage, idem. É um tanto quanto egoísmo demais tentar colocar uma cerca ao redor das idéias, ou mesmo se valer do monopólio do Poder-Violência Estatal para coagir os outros a se absterem de se utilizar de uma Lei natural.

E não, não estou afirmando que as patentes devam ser abolidas: em um ponto de vista independente e justificável do anterior, eu acredito que as patentes servem para, pelo menos, incentivar a pesquisa, motivo de sobra para a existência das mesmas.

Nisso a gente esbarra em outro detalhe: a sequência de posts sobre sexo teve diversos motivos para ser escrita: em resposta a uma amiga que disse que eu era “egoísta” de não divulgar; como um exercício de doação (afinal, eu não ganhei nada em troca dos posts); e por um terceiro motivo: dar menos valor pro sexo.

Meio surreal colocar dessa forma: Escrevi sobre sexo para valorizar menos sexo.

E deu certo: Agora que “todo mundo” sabe os “meus” segredos, eu me sinto muito menos um pedaço de carne, muito menos “especial”, o que é bom, afinal: lição aprendida, dá um passinho pra frente.

Agora, aguardem minha volta para Sampa: em breve, o próximo torneio-concurso-sorteio estará no ar.

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§ 14 Responses to Post Preparatório para o Grande Torneio de Sexo Oral.

  • Nina says:

    Ok, espumante e cachaça demais..
    Se fosse seguir o conselho da Nick eu nem comentava!

    Mas na minha leitura dinamica sem ver o vídeo para não precisar comer chocolate,algo chamou a minha atenção:

    “Pra quê estudar algo humano, quando temos algo divino para aprender?”

    Deixando meu ceticismo de lado (sorry darwin), tem algo mais divino que as idiossincrasias humanas?

    Descobrimos ou criamos?

    Qdo mais eu estudo epistemologia, menos eu sei.

    No final das contas, que diferença faz?

    hic!

    melhor ir dormir! salut!

    hic!

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  • Karina says:

    Tb n vi o vídeo, mas na verdade tô sem paciência.

    O que me chamou a atenção mesmo foi a questão das patentes. Pq tb vc deve esperar ser remunerado pelo seu trabalho se só o que faz é direcionar a uma determinada atividade atributos que a natureza te conferiu, né?

    Dá uma olhada nisto:

    E não que a ideia do egoísmo esteja errada, pode ser. Mas aí ela se estenderia a tudo.

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  • alexthomaz says:

    Você está mudando. Seu blog está mudando junto.
    So far, congratulations.

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  • Nicky says:

    Só um comentário:

    MENINAS, VEJAM O VÍDEO!
    :D

    hauhauahuahuahuah

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  • Karina says:

    parece que o reply veio meio truncado. bom, eu n entendi.

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  • […] para os que não sabem, eu escrevi esse post falando sobre sexo oral. Meses depois, no entanto, escrevi esse post explicando porque foi uma idéia idiota chamar o explicitado anteriormente de “Método […]

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  • Admiral Pip says:

    Acho que sua idéia de “só é adeus quando não se quer dizer adeus” é uma adaptação inconsciente pelo avesso da frase do grande filósofo genital Lenny Kravitz, “it ain’t over till it’s over”… Pelo menos é o que me parece.

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