Um post de despedida.

January 16, 2010 § 15 Comments

Do Pernambuco, não do blog.

Ok, eu queria mesmo ter escrito isso antes (mas minha agenda estava meio cheia). Depois eu não quis mais escrever isso. E agora eu quero de novo, afinal, estou no aeroporto, com cerca de uma hora pra matar, e maior parte das pessoas com as quais eu conversaria no MSN estão fazendo coisas melhores do que postar um texto pretensioso e desnecessário, escrito de um aeroporto no canto superior direito do Brasil.

Uma das coisas boas de fazer esse tipo de viagem é que, via de regra, eu tenho que dirigir por algumas horas em meio a paisagens lindas.

Dessa vez, por exemplo, eu passei coisa de dezoito horas no interior pernambucano. Eu adoraria falar que foram dezoito horas de introspecção e meditação, mas não foram. Como eu defendo abertamente que macho que é macho não usa GPS, eu dividia minha atenção entre ler mapas, placas, guiar, e maldizer o rádio do carro.

Apesar de eu ser muito mono-tarefa, ainda assim eu consegui um tempinho pra viajar um pouco.

Pois é, o Haiti se fodeu forte. Angra dos Reis se fodeu forte. São Luís do Paraitinga se fodeu forte. Sampa se fodeu um pouco, e outros lugares também se foderam um pouco.

Eu sei que uma galera por aí viu 2012. Eu não vi, mas li algumas coisas a respeito, e sem entrar na paranóia de fim do mundo (mas entrando numa viagenzinha esquisotérica) o melhor comentário que eu ouvi a respeito foi: “Não é o fim do mundo, é um novo ciclo no universo. Os seres humanos vão ter que se adaptar a esse novo ciclo, por bem ou por mal.

Não sei se é verdade, mas coloquei na lista de leituras alguma coisa sobre a Hipótese Gaia,que nada mais é que (salvo engano), uma tese do Lovelock que fala que o planeta funciona como um organismo vivo e auto-regulado: se uma espécie cresce demais, o planeta dá um jeitinho de consertar isso.

Tá, nao precisamos viajar muito pra perceber que algum fundo de verdade isso tem. Uma espécie cresce demais, falta comida, ela cresce de menos. Ser humano vive em cidades, aumenta o contágio por doenças. E por aí vai.

São consequências naturais. Lógicas. Fazem sentido. Enquanto as coisas estiverem nesse patamar, sussa.

Mas um terremoto? A gente não tem como influenciar na crosta terrestre (se tivesse, provavelmente já teríamos transformado isso em arma).

As coisas começam a ficar grandes demais olhando por esse lado.

Outra coisa engraçada que eu pensei, ainda nessas horas de carro foi: a pele do ser humano serve pra proteger a gente do exterior: radiações solares, germes, vírus, bactérias, etc. Mais ou menos como a camada de ozônio protege a Terra.

Mas nós agredimos a camada de ozônio… e qual a consequência pra gente? Câncer de Pele. Justiça poética? Coincidência? Percebem que a coisa fica grande demais, de novo?

Por outro lado, eu não consigo deixar de pensar em todas as pessoas que morreram no Haiti… nas que morreram em Angra… e uma coisa me vêm à cabeça: Cara, não é justo.

É matematicamente impossível que um país como o Haiti represente uma ameaça tão grande ao planeta. Tá, as pessoas em Angra se fuderam porque “quiseram”: construíram casas no meio de um morro que era (ou deveria ser) proteção ambiental.

Yet, me parece injusto: a resposta do planeta é aleatória. Mata gente que não merecia morrer.

E eu engasguei nessa última frase porque, no meio dela, eu tive um insight: Tudo morre. O planeta precisa se renovar o tempo todo. Se uma criança de seis meses morreu, em termos de vida, é equivalente a um velhinho. O planeta se purifica e se renova: pelos bons e pelos maus. Todo o tempo.

Não sei se é muito de mau-gosto colocar isso aqui, mas é uma das coisas mais inteligentes (embora cômica) que eu já vi:

No post anterior eu perguntei à Karina (e a mais pessoas pelo twitter depois) com  que cada um trabalharia se não tivesse que trabalhar.

A Karina me respondeu, mesmo me contando depois que não tinha entendido onde eu queria chegar. Quando eu expliquei ela me disse que não tinha nada a ver com o post ou com o comment dela.

Ok, ela tem razão, mas no meu cérebro, a linha foi a seguinte: Discussão: Patentes são justas ou injustas, uma vez que são a aplicação das leis naturais.

Minha opinião: ser remunerado por um esforço de pesquisa é um estímulo para a humanidade dar um passinho adiante.

Argumento dela (que não é nem contra nem a favor do meu, é independente): No extremo, tudo é aplicação de coisas naturais, até a sua habilidade laborativa.

Ok, o que me passou pela cabeça, indo e voltando por um monte de coisa foi o seguinte.

1) A natureza funciona em um sistema de “respiração”. Ok, eu sei que as coisas estão ficando herméticas demais, mas basicamente é isso: tudo absorve e emana. Tudo está absorvendo e emanando. A natureza, o universo, o Tao, chame do que quiser, odeia estagnação.

Tudo o que vive precisa absorver e emanar. Tudo o que existe precisa respirar. Nos extremos que eu consigo pensar de absorção de mão única e emanação de mão única são temporários: estrelas e buracos negros.

O Sol “só” emana. E um dia vai explodir.

Buracos negros só absorvem, e um dia vão dobrar demais o espaço ao redor dele e sair da criação.

Ironia? Estrelas que explodem podem virar um buraco negro.

Agora… vamos imaginar que tudo na natureza tenha esse movimento de respiração. Tudo recebe e dá. Esse é o Tao.

Me responda uma coisa: se você ganhasse na mega-sena: o que faria com o dinheiro?

Eu respondo por mim: provavelmente eu ia garantir que eu nunca mais precisasse trabalhar. Não quero dizer que todos vocês sejam como eu, mas me parece uma perspectiva válida para way off above 75% da humanidade.

Só que isso é contra o Tao. Percebem? Ganhar na mega-sena seria ma ofensa às leis naturais para mais de 75% da humanidade.

Se não ganhássemos salários, provavelmente não trabalharíamos. Se não houvessem patentes, não pesquisaríamos. And so on.

Por isso eu perguntei: se você não tivesse que trabalhar, com o que você trabalharia?

Foi uma forma disfarçada de perguntar: se você não precisasse trabalhar, você trabalharia?

Me parece justo que se você só trabalha porque precisa, sempre vai precisar trabalhar. Tipo uma trava de segurança, saca?

Falando em travas de segurança…

Semanas atrás, eu estava numa balada com um amigo. Bebi pra caralho, conversei muito com ele e com a namorada dele (sim, fiquei meio que de vela, foda-se: eu estava com saudades do meu amigo) e nos divertimos muito.

Num dado momento, por uma besteira, ele discutiu com ela. Ela saiu chorando e ele me disse: “Cara, vamos zuar: não tô com saco pra draminha.”

Eu falei pra ele a seguinte frase (que me deixou orgulhoso pra caralho – nunca imaginei que eu fosse falr algo do gênero espontaneamente): “Cara, eu prefiro meus amigos solteiros saindo de balada comigo, e sou um ardoroso defensor do livre arbítrio. Mas livre arbítrio não é raiva, não é precipitação, não é rancor. Se você quer terminar com ela, termina. Mas termina sóbrio, de cara limpa, e enxergando muito bem o que tá fazendo. Agora, vai lá e conversa com ela.”

Bom, ele foi, e tudo deu certo. Mas enquanto eu esperava eles conversarem, bateu as cinco da matina, e o álcool cumulado com o cansaço, cumulado com eu ter sentado esperando os dois se acertarem fizeram seu trabalho: bateu aquele sono cuja única saída racional era dormir sentado. E foi o que eu fiz.

Seria só mais uma noite na qual eu cochilei numa posição estranha se algo surreal não tivesse acontecido: uma japonesinha linda encostou a cabeça no meu ombro pra dormir.

Então: eu não curto muito orientais, mas ela era perfeitinha. Obviamente eu fiz a única coisa razoável a fazer: comecei a acariciar o rosto dela.

Ela acordou, se afastou bruscamente, e eu percebi que não tinha nada a ver… besteira minha.

Mas ela voltou. E eu reiterei. E ela se afastou bruscamente de novo.

Na terceira vez, eu desencanei e admiti que ela queria mesmo é dormir em mim, não comigo.

Três dias depois (como costuma ocorrer), eu parei pra pensar no ocorrido, e fui alvejado por um insight: como eu posso querer ser uma pessoa melhor se a primeira japonesa gostosinha que encosta em mim eu xaveco?

E pior: não foi a primeira vez que isso aconteceu (digamos que foi a 4 vez em menos de duas semanas).

Cáspita: é óbvio que eu preciso de uma trava de segurança: como é que eu vou me tornar uma pessoa melhor, se a primeira coisa que eu faço quando estou no papel de pessoa agradável é tentar me aproveitar disso?

E dando um passo adiante: eu ainda deixo pessoas que servem brócolis me incomodar…

E agora vem a dúvida: ok. É errado eu ficar puto com pessoas que só sabem servir brócolis.

Mas será que é errado eu ficar puto com pessoas que servem camarão (prato ao qual eu sou alérgico) mesmo sabendo que eu sou alérgico, e sabendo que elas poderiam servir outras coisas?

Afinal… Retribuir é uma questão de educação.

(E o post ficou muito grande pra revisão. Meu voo sai logo. Corrijo o post depois.)

Advertisements

§ 15 Responses to Um post de despedida.

  • Karina says:

    Sabe o que é mais engraçado? estava vendo hj a volta dos brasileiros que estavam no Haiti. O mais engraçado nisso td é que a coisa é aleatória e depende de sorte, muita sorte. Já vinha pensando nisso há muito tempo… nas missões de paz da ONU, qd a coisa começa a ficar feia e eles n conseguem mais garantir a segurança dos agentes, o que fazem? retiram o pesssoal de campo. Pessoal da Cruz Vermelha, idem. Claro que é sempre uma questão pessoal, quem quiser ficar n vai voltar obrigado, então a decisão, em último caso, vai ser sempre do indivíduo. Mas o que quero dizer é que ESSES têm uma chance. E pq? Simplesmente pq tiveram a sorte de não nascer no país errado. Meio louco isso. Fico pensando o que deve passar pela cabeça desse pessoal. será que o sentimento que fica é só alívio? ou remorso? impotência? injustiça?

    Sobre o lance do trabalho… pois é… o que vai salvar a humanidade não é a generosidade, é o egoísmo. É o egoísmo que permite alguma ordem. Por isso esse meu parágrafo aqui de cima n é uma crítica, só uma reflexão. Mais ou menos aquilo: “ruim com ele, pior sem ele” rs

    E, finalmente… qd terminei de ler o post, mais uma vez, n sabia se era sobre a natureza, o Haiti, o trabalho, travas de segurança, japinhas sedutoras, sensibilidade, conflitos de consciência, ódio latente ou… só passatempo!
    :)

    Like

    • Anarcoplayba says:

      Nê, essa questão da sorte x merecimento fica muito clara no “livro” Maus. É uma HQ que ganhou um pulitzer, e narra a vida de um judeu num campo de concentração.

      Quanto ao egoísmo… bom, eu estou tentando aprender a viver de uma forma diferente. Como eu já disse: eu sou muito bom em coisas ruins. Quero ver se consigo, logo, aprender a ser bom em coisas boas.

      E de vez em quando, sai um post desses, em estilo fluxo de consciência… como disse a Nina “é bom pra perceber onde cada post se esbarra”.

      Like

  • Nina says:

    Comentários sistematicamente aleatórios:

    a) GPS é coisa divina
    b) Se eu ganhasse na mega sena… após a euforia inicial… acho que continuaria trabalhando (tenho sorte de amar o que faço), só que com mais estilo (com segurança financeira é mais fácil apertar a tecla foda-se)
    c) “Me parece justo que se você só trabalha porque precisa, sempre vai precisar trabalhar. Tipo uma trava de segurança, saca?” A questão aqui seria o porque dessa necessidade. É uma trava de segurança sim…mas estamos nos resguardando do que?
    d) Haiti e cia: maybe Deus jogue com os dados de Darwin
    e) Não se incomodar com os brócolis servidos: ou vc vira um passivo diante das suas regras internas violadas… ou vc vira um jedi budista lama gandhi que não se irrita por estar em um estágio para além da minha compreensão ocidental mundana.. O problema nem é tanto se irritar, mas sim o que fazer com essa irritação (bem como ficar de olho em sua intensidade)
    f) japinha/xaveco… parar de xavecar implicaria em ser menos competitivo? se sim, desconfio que terás um problema
    g) caso camarão: é uma boa definição de um autêntico FDP. Eu me afastaria.
    h) Aguardando próximo post.
    i) Karina: egoísmo vai salvar a humanidade? Hm? É pedir muito para vc falar mais sobre isso?

    Like

    • Anarcoplayba says:

      a) GPS é uma ofensa à masculinidade.
      b) Se eu ganhasse na Mega-Sena eu passaria um mês trabalhando normalo, só pra saber como a minha vida ia ser. Depois eu ia trabalhar de gravata. SÓ de gravata.
      c) Nos resguardando de ser um nó no fluxo de vida do universo. Bonito isso, né? Li num blog.
      e) Meu sonho é me tornar uma mistura de rambo com Gandhi: Toda a força de Gandhi com a sabedoria de Rambo.
      f) Ah… sim, eu ficaria menos competitivo… mas eu não preciso competir sempre, né? Né? Não? Droga…
      g) Meus instintos falam isso… mas é difícil olhar pra um doce que você quer, gosta, mas não deve…

      Like

    • Karina says:

      Não é pedir muito não, Nina.

      As pessoas são genuinamente egoístas. Não estou falando de exceções (raras e/ou circunstanciais), estou falando da regra. Exemplo primário: entre salvar a vida de fulano ou a própria, o que a média faria? pois então. (E eu digo FARIA pq entre o que se diz e o que se faz há uma difereeeença)
      Os Estados são o q, senão a prova de que a humanidade não consegue viver sem regras e um ordenamento que as regule? contrato social é o q, senão permitir que um poder soberano organize a vida na sociedade?
      Se os homens são deixados à mercê da própria sorte, vale a lei do mais forte. Isso é o q, senão constatar que é o egoísmo que rege o mundo?
      Ponto pacífico? ok.

      Agora… pq eu digo que o egoísmo é o primeiro erro e a última esperança, que é esse instinto que vai ser capaz de salvar a humanidade? Pq ele nos traz a percepção de que para viver em um mundo melhor (para nós) precisamos respeitar regras e limites… que para fazer do mundo um lugar habitável as liberdades precisam ser cerceadas. É da natureza humana lutar pelo melhor pra si, mas, como racionais que somos, encontramos uma forma de administrar isso, constituindo leis (inclusive morais), instituindo o monopólio da força e, por que não?, estipulando um sistema de recompensas. O Anarco falou sobre isso. Vc, ele e eu trabalharíamos mesmo sem precisar. Mas, p.ex., numa anarquia isso seria factível?
      A generosidade é o sentimento mais nobre que existe, só que no mundo real, com tantas cabeças, interpretações equivocadas e incertezas, poucos arriscam sua segurança (em todos os sentidos) em favor de um bem comum. Não se trata especificamente de mim ou de vc, mas do coletivo.

      É isso, “basicamente” rs

      Like

      • Anarcoplayba says:

        Só um detalhe a mais, Nê: Nós trabalharíamos… mas trabalharíamos com o que a sociedade precisa? Seríamos garis, nos dizeres de Boris Casoy “O mais baixo na escala de trabalho”?

        É fácil falar que eu trabalharia com terapia, massagem, artes marciais… mas pergunta: eu seria bom nisso? A sociedade precisa disso?

        Like

  • Nina says:

    Vi o vídeo só agora. Devidamente incorporado no meu orkut. ;-)

    A explosão atômica seria a manifestação da ira divina do big electron? =D

    Like

    • Anarcoplayba says:

      Veja outros do mesmo comediante… ele é foda.

      Like

      • Nina says:

        Eu já conhecia. Os específicos sobre religião são hilários… Acho que ajudaram a reforçar o mito “atéia” na universidade! =D

        Só que dá uma p… aflição o jeito corcunda dele de ser…

        Like

  • Carolina says:

    Eu acredito que é bem verdade o que você falou sobre o bebê de seis meses.
    E também falar que as pessoas não mereciam morrer, faz (pelo menos a mim) parar para refletir sobre a questão de morrer.
    Claro que dou valor à minha vida e à vida das outras pessoas, mas dependendo do ponto de vista, talvez a morte não seja assim tão ruim, do ponto de vista do equilíbrio, depende do que você acredita. Se você for ateu, ou sei lá, não sei, talvez você ache isso extremamente ruim, ou não. Mas pensa no Haiti, talvez o tipo de vida que aquelas pessoas levavam, talvez fosse até melhor para elas morrer, para pararem de sofrer, ou sobreviver para darem valor à vida que elas possuem. Não estou dizendo que isso é obra divina, da terra, de gaia só disse mesmo o que estou pensando.
    As coisas acontecem mesmo aleatoriamente ou não.
    Do tipo você está na fila do supermercado, e o caixa trava logo na sua vez, ou você tropeçar toda vez que sai na rua. Ou como minha mãe que ganha todos os sorteios de dia das mães.
    Ou logo você nascer com alergia a camarão ou chocolate. Assim, se paramos para refletir sobre isso é até interessante, mas é um ciclo de perguntas e respostas conjugadas, interminável.
    É coisa para se discutir, para saber mais sobre as opiniões dos outros.
    Adorei ler suas reflexões e os comentários dos outros.

    PS:*Sei bem esse negócio de vela, e conselhos, parabéns…
    *4 vezes em duas semanas? O que? Dormirem em você, ou você dar em cima de uma pessoa assim do nada?
    * Ah, respondendo a sua pergunta, acho que eu trabalharia sim no que me propus, mas ainda faço faculdade, e sim terminaria minha faculdade. Pelo menos eu acho, sempre fui meio cabeça dura.
    Valeu!

    Like

  • alexthomaz says:

    Rapidamente, pq estou com nada menos que 4 posts pra ler de amigos atrasados e também 4 posts na fila para escrever (inclusive um sobre o aniversário de SP ontem, um sobre o Linux, um sobre exatamente o mesmo tema que você escreveu, embora sobre outra ótica (o meu se chamará “humor divino”) e um último sobre o filme Sherlock Holmes). Aliás, sobre o filme do Sherlock, assista. Assista e depois a gente conversa. Em resumo: violência+ocultismo+comics+efeitos especiais = Guy Ritchie se tornou maçon OU passou pra um grau fudido. Não quero estragar a surpresa, assista o filme.

    Like

  • Karina says:

    Mais material para nossa reflexão:

    “Este ano começou com muitas tragédias, aqui e no Haiti. Acho que precisamos prestar atenção e aprender com elas. Não basta se comover com o sofrimento do povo haitiano. Nossa solidariedade não se resume aos que podem pegar um avião e ajudar no que for possível. Nem a angariar dinheiro, alimentos e medicamentos. Como mostra João Pereira Coutinho em sua coluna na Folha de S.Paulo de 19/01, as catástrofes se equilibram equitativamente pelo planeta. O que não é equitativo no globo são a renda e a democracia. Em 1989, um terremoto de 7,1 na escala Richter causou 67 mortes nos Estados Unidos. No Haiti, um terremoto com a mesma intensidade matou – oficialmente – 150 mil pessoas.
    (…)
    A série de tragédias deste início do ano não é um prenúncio do apocalipse bíblico ou de alguma outra espécie de fim de mundo mítico. Se o terremoto mata tantos no Haiti – e a chuva aqui – é por conta das escolhas políticas, econômicas e éticas que fizemos. E não porque a natureza ou um Deus cruel está nos matando como uma espécie de vingança pelo mal que causamos ao planeta e a todas as outras espécies. Nosso estilo de vida é que está nos matando, começando pelas vítimas de sempre, os mais pobres. O mal que nos aniquila se origina no nosso livre arbítrio – e só pode ser revertido pela transformação de nossas prioridades. Ser solidário hoje, diante da tragédia, é mais do que chorar diante da TV. É passar a fazer escolhas mais responsáveis, começando dentro da nossa casa.”

    http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI117882-15230,00-HISTORIA+DE+AMOR+NO+HAITI.html

    Vale a pena acompanhar os textos dela.

    Like

    • Anarcoplayba says:

      Então, Nê, tinha lido um texto semelhante, e sim, ele faz muito sentido (pra não falar que é uma verdade “absoluta”). However, me sinto igualmente “deprimido”: Não é obra de um deus vingativo, mas sim de “nossas” escolhas.

      Por obra de corruptos e ladrões, morreu muito mais gente que deveria no Haiti. Por obra de corruptos, construiu-se em área de encostas em Angra. Por omissão de populistas, constrói-se em área de mananciais. Nós temos o privilégio de escolher e até mesmo de se prevenir (diga o que disser: tão cedo não passo a temporada das chuvas em encostas de serra).

      As vítimas de verdade não.

      Like

      • Karina says:

        Pois é. Mas preciso dizer que tb fico muito incomodada com essa tendência de enxergar as pessoas mais humildes como vítimas, exclusivamente. Cada caso é um caso, sempre, pq esse paternalismo que generaliza pode ser condescendente além da conta.

        Like

  • […] Anos atrás eu soltei a pergunta: Qual seria o seu trabalho se você não tivesse que trabalhar? […]

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading Um post de despedida. at AnarcoBlog.

meta

%d bloggers like this: