Um Post entre Posts.

May 3, 2010 § 26 Comments

Porque alcancei a marca de 268 visitas e 22 comentários num texto que nem é meu.

***

Em primeiro lugar, é óbvio que a gente vê o que a gente quer. Não é algo errado, e nem um grande problema. Que cada um interprete a carta abaixo como quiser, mas o que eu quis fazer foi: i) colocar um texto que vira e mexe eu quero reler; ii) lembrar o que eu sempre falo, dessa vez com um argumento de autoridade: Sinceridade não significa picas quando sinceridade é meramente espontaneidade.

Uma das coisas que mais me irrita é ver pessoas se escudando atrás desse “pique” dá sinceridade. “Olha, eu acho você uma pessoa idiota e sem a mínima capacidade de pensar por si próprio, mas me desculpe, eu só estou sendo sincera.”

Sim, eu sei. Apelou perdeu. Mas o exagero tem valor literário enquanto forma de impressão da memória.

***

Uma das coisas ruins de começar a escrever sobre coisas realmente relevantes sem estar preparado são os erros que se cometem.

Eu vou continuar escrevendo porque, oras… escrever e discutir me permite repensar as coisas. E uma das coisas que eu repensei entre os dois últimos textos passados foi: Inconsciente não é substantivo, é adjetivo.

Sim, eu não posso chamar o Inconsciente de Pré-Mental, pelo mesmo motivo que eu não posso descobrir uma mensagem subliminar. Se eu percebo, ela não é mais subliminar.

O Pré-Mental está inconsciente, mas isso não significa que permanecerá assim pra sempre. Por sinal, esse é o objetivo: tirar os bloqueios que me impedem de me enxergar por inteiro e descobrir quem eu realmente sou. Encontrar o Self.

Ser é uma forma de responder quem sou. Mas será que você só faz o que sabe que quer? Ou não possui atos guiados pelo inconsciente?

Essa busca encontra, sempre, duas palavras frequentes: insight e revelação.

Ou seja, é o In Sight e a Revel Ação. Pensar enlouquece. Pensem nisso.

***

Outro pensamento que surgiu é a forma como usamos a palavra ego. “Eliminar o Ego”. Não tenho tanta certeza que isso signifique eliminar a consciência. Mas creio que é eliminar as sombras (caralho… já misturou Ego, com Self, com Sombra… fudeu).

Creio que o egoísmo vem do medo. E o medo vem das incertezas. E desde a aurora da humanidade qual foi a metáfora para o desconhecido? O Escuro.

Talvez seja esse o ponto: Eliminar as sombras, aquele pedaço de você que você não conhece e, assim, eliminar o medo, e eliminar o egoísmo.

Afinal, quem elimina as sombras pode se dizer, com toda a certeza, iluminado.

***

Isso envolve um problema, que é a questão: Eu sei o que está iluminado… mas não sei o tamanho do que está oculto… E agora?

Existe um mangá chamado Berserk, que é ambientado em três fases: Medieval Realista, Medieval “Low-Magic”, e Medieval “High-Magic”.

Um dos capítulos que eu achei muito bom foi o capítulo de transição Realista para Low Magic. Uma tropa de mercenários é tragada pra uma dimensão paralela cheia de demônios (galera é um mangá, daqui a pouco aparecem tentáculos com pintos) e os mercenários entram em pânico.

A líder grita: “Formação de Defesa! Fechem o Perímetro! Não pensem no que não entendem! Concentrem-se no que sabem fazer!”

Isso resolve tantos problemas que merece um post por si só.

Ok, queremos as respostas para as grandes questões da vida, beleza. Mas talvez não as encontremos nunca. Como viver até lá?

Concentre-se no que você sabe e faça-o bem feito.

Advertisements

§ 26 Responses to Um Post entre Posts.

  • Nina says:

    “Inconsciente é adjetivo, não substantivo”

    Let’s talk about it..

    Uma coisa são conteúdos inconscientes outra coisa são processos inconscientes. Ok, ambos são adjetivos. A parte do conteúdo me parece auto-explicativa, então parto para a parte do processo.

    Vc está recebendo estímulos sensoriais (internos e externos) all the time. Seu cérebro está processando isso o tempo todo. Esse processo é inconsciente. E essas informações, ao passarem por determinadas áreas do cérebro receberão significação semântica, que poderão ou não se tornar conscientes.

    Eu não sei se seria possível tornar esse processo consciente (sem enlouquecer). Até porque, até onde vai o nosso parco conhecimento, processos conscientes ocorrem no córtex, e tudo que está abaixo disso é inconsciente, “por natureza”.
    Nos seria útil tornar-nos consciente disso?

    Mas a frase do dia é: Não pensem no que não entendem! Concentrem-se no que sabem fazer!

    Isso permite seguir sua caminhada.
    Mas será que te permite o caos que te abre novos caminhos?

    Like

    • Anarcoplayba says:

      N vou entrar no mérito, novamente, de que o cérebro é só a pontinha do iceberg. E sem mimimi.

      Quanto à questão do tornar conscientes mecanismos inconscientes, acho que é o primeiro passo para n se tornar uma vítima da sua vida.

      Quanto ao foco no que você entende permitir novos caminhos… Isso acontece sim, quando você consegue fazer o que você sabe sem pensar no que sabe. Quando tiver dominado o atual nível de técnica, você passa pra próxima faixa. É natural.

      Like

      • Nina says:

        Se eu for levar a frase como um todo a sério: “Formação de Defesa! Fechem o Perímetro! Não pensem no que não entendem! Concentrem-se no que sabem fazer!”

        eu comecaria com meus mimimi nível A e comecaria uma argumentação com base academica diante do seu discurso não-academico-imaterial

        Mas, entretanto, todavia, começo a desconfiar que o conhecimento academico nem a ponta do iceberg é.. talvez uns farelos de gelo lá em cima, e que derretem fácil.

        Mas enfim, é para se tornar cada vez mais consciente mas fazer o que sabe sem pensar nisso?

        =P

        Like

      • Anarcoplayba says:

        Última resposta pré sono, antecipada em MSN, mas pra abrir pra todo mundo:

        O conhecimento cerebral é o primeiro, que não resiste a nada (nem mesmo a um trauma físico). Por trás do cérebro tem outro tipo de aprendizado. O aprendizado mental. Antes desse, o pré-mental. Estes aprendizados duram um pouco mais.

        Quando aprendemos algo, as primeiras vezes que exercitamos esse conhecimento ele precisa ser relembrado de forma concreta. Pense em quando você aprendeu a dirigir, e que ficava prestando atenção em tudo.

        Com o tempo, aquilo se internalizou e você deixou de pensar.

        É isso que eu digo (e que é a grande questão da Arte Marcial) quando falo em fazer o que se sabe sem pensar no que se sabe: é se tornar um com o conhecimento aprendido. SER aquilo.

        Quando você internalizar totalmente aquele nível de conhecimento, você vai agir de acordo com o que você pensa sem pensar e, naturalmente, vai partir pro próximo passo, que vai exigir nova dose de prática.

        Like

      • Nina says:

        Bem, aqui vai além do que conheço. Muito além. Qualquer argumento que poderia levantar/compartilhar/questionar estaria embasado nesse primeiro nível de conhecimento. O cérebro é desafiador, mas pelo visto, limitado.

        Preciso vivenciar mais, depois estudar outro material, para continuar o bom combate.

        :-)

        Like

  • Gueixa says:

    Os filhotes ficam observandoEu nem vou entrar no mérito da discussão daí de cima rsrsrsrs.
    Mas..eu acho que devemos nos concentrar naquilo que sabemos fazer sim. É o minimo.
    Enquando nos ocupamos fazendo o que sabemos fazer, estamos também apreeendendo o que ocorre a nossa volta. Quer queiramos, que não.
    Como fazer para que esse aprendizado, aparentemente aleatório se sedimente, eu não sei. Creio que será sempre a necessidade quem fara isso.
    Quando vejo os filmes do Discovery Chanel, fico prestando atenção à forma como os animais aprendem.
    Em regra eles observam os adultos.
    Os felinos, por exemplo, ficam com as mães e estas são as caçadoras.
    Os filhotes ficam observando a movimentação de suas mães.Elas por sua vez, atuam bem à vista de suas crias para que estas observem atentamente.
    Há um momento (?) em que as maes conseguem uma presa mas não a matam…Deixam a presa meio desmaiada…enfraquecida …E aí elas entrgam essa presa quase morta ao filhotes…eles brincame passam a imitar o comportamento da mãe.Incomoda ver isso…Porque há ali uma tortura aplicada. Mas o que vemos é que: a presa não sabe que aqueles filhotes são bobos…Ela não sabe que eles estão aprendendo e aí…se submetem…
    E a primeira caçada dos filhotes é toda feita de imitação do comportamento da mãe que ele viu e viu e viu…Quando ele parte para caçar efetivamente, não sabe muito bem o que está fazendo. Mas continua assim mesmo.
    A presa no entanto age fazendo o que sabe fazer: fugindo, iludindo, driblando…Ela só não sabe é que o seu adversário é inexperiente. E aí ela, involuntariamente, cumpre seu papel de professor.
    Nossa… viajei legal…

    Like

    • Gueixa says:

      Copiei e to colando pq esse meu teclado me trai muito rsrsrsrs

      Eu nem vou entrar no mérito da discussão daí de cima rsrsrsrs.
      Mas..eu acho que devemos nos concentrar naquilo que sabemos fazer sim. É o minimo.
      Enquando nos ocupamos fazendo o que sabemos fazer, estamos também apreeendendo o que ocorre a nossa volta. Quer queiramos, que não.
      Como fazer para que esse aprendizado, aparentemente aleatório se sedimente, eu não sei. Creio que será sempre a necessidade quem fara isso.
      Quando vejo os filmes do Discovery Chanel, fico prestando atenção à forma como os animais aprendem.
      Em regra eles observam os adultos.
      Os felinos, por exemplo, ficam com as mães e estas são as caçadoras.
      Os filhotes ficam observando a movimentação de suas mães.Elas por sua vez, atuam bem à vista de suas crias para que estas observem atentamente.
      Há um momento (?) em que as maes conseguem uma presa mas não a matam…Deixam a presa meio desmaiada…enfraquecida …E aí elas entregam essa presa quase morta ao filhotes…eles brincam e passam a imitar o comportamento da mãe.Incomoda ver isso…Porque há ali uma tortura aplicada. Mas o que vemos é que: a presa não sabe que aqueles filhotes são bobos…Ela não sabe que eles estão aprendendo e aí…se submetem…
      E a primeira caçada dos filhotes é toda feita de imitação do comportamento da mãe que ele viu e viu e viu…Quando ele parte para caçar efetivamente, não sabe muito bem o que está fazendo. Mas continua assim mesmo.
      A presa no entanto age fazendo o que sabe fazer: fugindo, iludindo, driblando…Ela só não sabe é que o seu adversário é inexperiente. E aí ela, involuntariamente, cumpre seu papel de professor.
      Nossa… viajei legal…

      Like

      • Nina says:

        De uma forma mais extremista, fazendo apenas o que sabia fazer a presa morre em sua ignorância.

        É o que quis dizer com: “Isso permite seguir sua caminhada. Mas será que te permite o caos que te abre novos caminhos?”

        E esse aprendizado daquilo que lhe é novo e, a princípio, absurdo ou impossível deve ser feito de forma intencional e esforçada. Acredito sim Tete, que a gente vai aprendendo muita coisa com o que ocorre a nossa volta, mas geralmente a gente ve aquilo que estamos habituados a ver.

        Começar a ver as coisas de uma forma diferente exige um esforço inicial. Ou ao menos o princípio de que aquilo que sabemos não necessariamente é verdadeiro, único ou imutável.

        Like

  • Karina says:

    “Pensar é lutar para impor ordem, e ao mesmo tempo abarcar o maior número possível de aspectos. Não devemos parar de pensar demasiado cedo – ou deixaremos de conhecer tudo que devemos. Não podemos permitir que continue para sempre, ou nós mesmos explodiremos. É esse dilema, creio, que torna a reflexão, nas raras ocasiões em que é mais ou menos bem sucedida, a empresa mais apaixonante de que o ser humano é capaz.”
    Charles W. Mills

    Tenho falado do humano, para vc uma condição limitadora. Vc fala do sobre-humano, para mim um nível que não alcançamos. Mas n sei. Afirmar o impossível é tão radical quanto afirmar o possível.

    “Eu um dia consigo. Nesta vida ou em outra.”

    Talvez no fim de todas as vidas.

    Concentremo-nos no que sabemos, e façamos bem feito.
    Sem nos enganarmos, de preferência ; )

    Like

    • Anarcoplayba says:

      “Eu um dia consigo. Nesta vida ou em outra.”

      Talvez no fim de todas as vidas.

      Isso, com toda certeza, afinal, nós sempre encontramos o que estamos procurando no último lugar que olhamos, não é?

      ;)

      Like

      • Nina says:

        Ok people,

        mas acreditem: fiquei cerca de 3 anos concentrando-me no que sabia, e fazendo até que bem feito. Cresci muito com isso.

        Mas se eu não começar a me concentrar naquilo que não sei e não entendo, eu começo a andar em círculos.

        Isso não significa deixar de lado o que vc aprendeu. Significa apenas abrir novas portas.
        E saber enxergar onde elas estão.

        Like

      • Anarcoplayba says:

        Eu iiiiiiia deixar quieto… uma vez que vc acabou de tocar nesse tópico logo acima, Cara Nina… Mas olhe…

        Você passou três anos fazendo bem o que sabia… e, de repente, se viu andando em círculos, e, inconformada, decidiu dar um apsso rumo ao desconhecido.

        Você diz que foi uma decisão consciente sua. E em um certo aspecto, você está certa.

        Eu digo: você dominou aquele estado da Vida, e foi compelida a dar um passo adiante. Nada é estático. Tudo está evoluindo.

        Sob um aspecto, você diz que decidiu. Sobre outro aspecto, eu digo que você foi forçada a decidir.

        O galo canta ao ver o nascer do Sol. O Sol nasce ouvindo o galo cantar. O galo crê que o sol nasceu porque ele cantou. O sol crê que o galo cantou porque o sol nasceu.

        Like

      • Nina says:

        E prova do que diz são as inúmeras “coincidências” que me “empurraram” para isso.

        Sim, o universo conspira mostrando inúmeras portas.
        E elas já estavam lá antes.

        Mas se as via, não queria abrir.
        E em momentos de confusão onde queria sair correndo, as portas sumiam.

        Agora o momento é outro. E propício.

        Mas saindo de um caso particular (amostra muito reduzida) e partindo para a amplitude da coisa….

        A sugestão de focar-se mais naquilo que vc sabe fazer de melhor é sábia, porém limitada a determinados instantes/situações/demandas.

        Passar a vida sob este ponto de vista é limitar-se demasiadamente.

        Like

  • Nina says:

    Karina, sua última frase me lembrou do auto-engano.

    E lembrar do auto-engano fez com que eu me lembrasse que devo um e-mail para vcs.

    Vou resgatar nosso projeto adormecido!

    =D

    Like

    • Karina says:

      inevitável lembrar =)
      Agora me deu um comichão de explicar a frase, que pode ou não ter sido clara:

      Podemos achar que sabemos muitas coisas que na verdade n passa de ânsia de saber. Não vamos nos iludir.

      Like

      • Karina says:

        *passam

        Like

      • Anarcoplayba says:

        E podemos duvidar de tudo o que sabemos, caindo na armadilha contrária de não possuir certeza alguma.

        Like

      • Karina says:

        acredito muito naquilo sobre que já falamos… a certeza se funde em nós, é algo que sentimos. Não é ver para crer nem crer para ver, é estarmos abertos para que as coisas se revelem. lembra?

        Like

      • Anarcoplayba says:

        E uma vez reveladas, agir de acordo com o que sabemos, pois omissão é covardia.

        Like

  • adi says:

    Oi Anarco,

    Tenho acompanhado seu blog e acho bem interessante as coisas que você escreve.

    “Outro pensamento que surgiu é a forma como usamos a palavra ego. “Eliminar o Ego”. Não tenho tanta certeza que isso signifique eliminar a consciência. Mas creio que é eliminar as sombras (caralho… já misturou Ego, com Self, com Sombra… fudeu).”

    Nem preciso dizer que compartilho da sua opinião, inclusive acabei de postar exatamente sobre isso.

    http://anoitan.wordpress.com/2010/05/03/a-tirania-do-ego/#more-1524

    Like

    • Anarcoplayba says:

      Pois é… bom ver gente compartilhando da minha confusão, pq essa é a grande questão no momento: eu não sei exatamente por onde seguir o raciocínio.

      Talvez isso se equalize… talvez não.

      Até lá: foco no que você entende… e deixa o que não entende pra outro dia.

      Like

  • Karla says:

    Meu Deus do céu…

    É tanta confusão! O conselho federal de pscicologia (existe?!) deveria ingressar com uma ação no MP para fechar esse blog ;P

    Like

    • Nina says:

      Porque Karla? Está lhe induzindo à loucura? =D

      Like

      • Karla says:

        Eu já estou numa fase complicada na minha vida, onde eu não sei se tomei a atitude certa de terminar uma relação de 11 anos.. fico variando momentos de dúvida com momentos de total certeza.. Aí leio essas loucuras e percebo que nao estou sozinha no mundo dos confusos! Será q é contagioso? hahahaha

        Aiaii.. ;P

        Like

    • Gueixa says:

      Poxa Carla depois de 11 anos…Se vc terminou é pq tinha que terminar mesmo…relax…
      Quanto a conviver com a decisão, fazer o que?
      Mas…Siga em frente.

      Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading Um Post entre Posts. at AnarcoBlog.

meta

%d bloggers like this: