Epílogo.

June 8, 2010 § 9 Comments

Acho que não há muita razão para eu tentar disfarçar: eu escrevi o texto anterior por ter me decepcionado um pouco com atitudes de algumas pessoas.

Porém, algo que eu aprendi recentemente com a Bíblia e com o I-Ching é que o que não é escrito é tão importante quanto o que é escrito, o silêncio é tão importante quanto o som, e o cheio quanto o vazio.

E digo isso porque eu silenciei quanto a quem fez o que . E, conquanto parte disso seja por prudência, parte é porque, como eu já disse antes, esse blog não é sobre os outros. É sobre mim. Nunca vai ser sobre o que alguém fez pra mim (embora essa regra tenha encontrado exceção), mas sim sobre como eu reajo com o que alguém fez pra mim.

Assim, o texto não é sobre a falta de consideração de uns e outros, ou sobre a imprudência de uns e outros, ou sobre a agressividade de uns e outros. O texto é sobre a constatação de que, sim, eu ainda sou imperfeito e eu, ocasionalmente, ainda sofro com atitudes dos outros.

E, a respeito disso, o que mais eu posso dizer? Eu fiz uma proposição: me tornar uma pessoa melhor e deixar para trás o egoísmo humano.

Ainda não consegui.

Pois é… Não queria me tornar uma pessoa melhor? Como você descobre que se tornou uma pessoa melhor? Com um teste.

E já me falaram isso: o teste vem.

Permitam-me, numa tentativa pífia de acrescentar algo a uma frase que por sua simplicidade e clareza desnecessita: O teste vem, e vem forte e vem de surpresa. Porque teste fácil não é teste, e se você está esperando e se prepara, tá trapaceando.

O fato é que, diante da falta de cuidado de uns e outros, eu, pessoalmente consigo enxergar três saídas.

A primeira delas é a mais simples: rebaixe-se ao nível dele e pague na mesma moeda.

Sério, é válido. Tem gente que só aprende na carne, então você responde na carne. Disciplina. O problema é que a própria solução já traz em si um problema: se rebaixar ao nível da pessoa. Ter incontáveis brigas, discussões, DR’s, bate-bocas, afastamentos…

É desperdiçar energia em algo que não agrega em nada!

A segunda é “ser superior”. Sabe? O que vem de baixo não me atinge? Isso mesmo. Você se mantém acima dos outros e deixa eles viverem no mundo deles. Tolere-os.

É melhor, porque você não perde tempo com coisas inúteis.

O problema é que é frio. É triste. É ir se isolando cada vez mais numa torre de marfim até você descobrir que, parabéns, sozinho, você é uma ótima pessoa.

E eu já disse isso pra alguém, e ora repito: Gente foi feita pra brilhar, pra aparecer, pra se relacionar, pra interagir. Um eremita no alto de uma montanha não está fazendo nada de útil pro mundo. Até os monges shaolin, que tão lá, de boa, com suas artes marciais monásticas saem por aí fazendo tours pra mostrar que existe sim algo que não pode ser explicado pela ciência tradicional.

No fim, tudo se resume a um fato bem simples: Amor.

Tolerância sem amor é indiferença. Compreensão sem amor é piedade. Disciplina sem amor é vingança.

E sim: ainda me falta um caminho beeeeem longo até eu deixar de me incomodar com essas coisas e consiga tolerar, compreender e disciplinar com amor e movido por este.

Porque quando isso acontece, não é racionalização: é pré-mental.

E um dia, eu vou conseguir.

Se não nessa vida, na próxima.

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