f(v).

July 3, 2010 § 5 Comments

Embora não seja exatamente essa a questão, a busca pelas quatro grandes respostas (Quem sou, Onde Estou, de Onde Vim e Para Onde Vou) permeia a vida humana.

Eu não saberia dizer quando tomamos ciência de tais questões, talvez na infância, talvez mais tarde, mas com toda certeza, ALGUMA resposta pra elas nós precisamos, quer seja uma resposta certa ou errada.

Onde Estou? No planeta Terra, o terceiro planeta que orbita o sol, uma estrela no universo criada por Deus ou originado pelo Big Bang.

De Onde Vim? Deus criou o homem, ou viemos da lama, por meio de reações químicas improváveis, que só ocorreram face o tempo infinito disponível, e que se complexificaram (is that actually a word?) graças à seleção natural.

Para Onde Vou? Você vai morrer e voltar pra lama, ou ir pro céu/inferno, ou reencarnar, etc.

Essas perguntas são, via de regra, respondidas na infância e sofrem modificações ou não em suas respostas com o passar dos anos, porém, via de regra, possuem uma tendência comum de alcançarem um resultado: uma vez respondidas, são satisfeitas, ainda que a resposta esteja errada.

Porém, Quem Sou é uma pergunta mais complicada.

Todas as outras perguntas anteriores admitem argumento de autoridade: Einstein falou, tá falado. A Bíblia falou, tá falado.

Eu Sou não.

Ao mesmo tempo que queremos uma resposta, temos a instintiva noção de individualidade. Eu sou eu e não sou você. Você não sabe quem sou, portanto, você não pode responder essa minha pergunta.

Como não temos resposta, procuramos nós mesmos nossa resposta. O que é algo muito positivo, por sinal.

E a forma mais simples de responder à pergunta “Quem Sou?” é Sendo.

E é sobre isso que quero falar: sobre a forma que as pessoas escolhem ser.

Pessoas se definem, via de regra, em um adjetivo, ou mesmo em um substantivo: Médico, Advogado, Comunista, Anarquista, Católico, etc, etc, et coetera.

É uma resposta parcial, mas é melhor que nada.

O problema, na minha opinião, são as respostas relativas, que você utiliza uma função de algo para definir. É viver em função de um elemento externo: Uma f(v), pra quem se lembra das aulas de álgebra do colegial.

O grande problema de uma vida f(v) é que, mudando o elemento do qual você é dependente, você perde a identidade que você até então achava que tinha: você não afirma a existência, você reage à existência de algo.

Nisso vem as grandes questões da escolha de uma f(v) mais ou menos relativa: se você se define como um jogador de futebol, mas perde uma perna, vai ter que mudar. Um advogado, mas um golpe militar acaba com o Estado Democrático de Direito, é bom você mudar. Um católico… bom, aí ou você ignora que o Papa acabou com o Limbo numa canetada, ou vai ter que mudar.

Pode parecer que é uma crítica à mudança. De forma alguma: tudo muda, e ser capaz de mudar é algo muito importante.

Mas é uma crítica à definição em função de algo externo, quer seja uma função direta ou uma função inversa (o anti-qualquercoisa).

Porque se você se define com base na em um f(v), sua existência é secundária a “v”. Você não cria, você depende.

E se você depende, você não Existe.

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§ 5 Responses to f(v).

  • Helena says:

    Uau… acho que minha vida é f(v) também. Mudemos, mudemos já!

    (se eu pelo menos soubesse por onde começar…)

    Parabéns pelo texto.

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  • indigestaliteraria says:

    má-consciência burguesa.

    toda a existência é resultado hiperbólico da função. a partir do instante em que todas as estruturas são acolhedoras, não há hipótese de genuíno humano e toda a problema se despenca no maelstrom da busca pela identidade. a identidade é a primeira mentira, o resto é formulação tarada.

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    • Anarcoplayba says:

      I respectufully disagree.

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      • Qwerti A'ssedef says:

        claro. tás fazendo a crítica e não consegues superar a ratio da crítica. duh.

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      • Anarcoplayba says:

        Na verdade era uma tentativa pífia de respeitar suas crenças pessoais.

        Existe um princípio extremamente complexo da filosofia que é o Princípio da Identidade que, traduzindo em miúdos, afirma que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

        Bom, eu sei que eu existo, pois eu penso. Delimitado o âmbito da minha existência, automaticamente delimita-se todo o oposto, a minha não-existência, ou seja, tudo aquilo que eu não sou, que envolve o mundo e todo o resto, como a porta do meu quarto e, por exemplo, você.

        Então chegamos à seguinte conclusão: Eu existo e outros seres humanos existem. Eu sei que você é um ser humano, e sei que eu não sou você. Essa diferenciação é a identidade.

        Se você acredita que a existência humana é uma mera função derivada das estruturas, ok, viva a sua vida. O meu objetivo é descobrir o que faz eu pensar diferente de você, por exemplo.

        Ou seja, pense o que quiser: eu não discuto fatos com argumentos a identidade é um fato, e se seu argumento fosse válido não se perderia na verborragia vernaculista.

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