Mais um Post Sobre Política.

October 4, 2010 § 16 Comments

Ok, a Karina-Que-Agora-Tem-Twitter perguntou o que eu acho do voto facultativo. Isso somado a um comentário no blog da Nicky que bateu em cima e por oposição ao que eu vinha pensando, mais o último post no MLDC levam a esse texto.

Como diria o Niemeyer, eu poderia fazer um texto estruturado, escorreito, conciso e coeso, mas não vou.

1) Democracia é algo bom?

Olha, respondendo de forma simples: democracia é uma merda, mas é melhor que qualquer outra forma de governo do qual tenhamos tido notícia.

O ideal da democracia é que todos podem opinar na eleição de seus representantes.

No entanto, dar peso igual para os votos é admitir que as opiniões possuem igual qualidade.

E não possuem.

Olha, se você quer celebrar um contrato, você contrata um advogado; se quer construir uma casa você contrata um engenheiro e um arquiteto; se você quer fazer uma neurocirurgia (aposto que todo mundo quer), você procura um neurocirurgião.

Eu não peço pra um engenheiro analisar um contrato, nem peço pra um advogado construir uma casa (sério, o Campo do XI foi assim e foi uma merda).

Então talvez seja hora de simplesmente aceitarmos que uma opinião “vou votar no Tiririca, porque pior que tá não fica” pode não ser tão boa quanto um outro voto que foi depositado com base em opiniões lógicas e arrazoadas.

Sério, imagine que você vai contratar alguém que vai representar seus interesses enquanto membro da sociedade, quem você ia escolher? Um palhaço analfabeto ou alguém que saiba ler e escrever? Você já viu alguma entrevista de emprego que fosse em sistema de democracia?

Okey, momento “pré-resposta a críticas pré-fabricadas”.

“Não dá pra garantir que alguém que tenha estudo, conhecimento e cultura vá defender bem seus interesses.”

Fato, não dá, o Maluf, por exemplo, é engenheiro formado. Mas eu não estou falando dos candidatos. Eu estou falando dos eleitores. Das opiniões. Do processo de pensamento e concatenação de idéias que levou à decisão “vou votar nesse ou naquele candidato”.

Alguém que vive sem pensar na própria condição (seja política, econômica, social, espiritual, ética ou o caralho à quatro que seja) me lembra um bando de macaquinhos jogando merda pra cima. Não adianta nada 5% dos macaquinhos perceberem que jogar merda pro alto é ruim se os outros 95% continuam achando engraçado e todos estão trancados na mesma jaula.

Ou seja, na minha opinião, o voto de alguém que vota no Tiririca, Maluf, Collor, Sarney, ou é burro, ou é mau-intencionado. E eu não tenho nada contra os mau-intencionados.

“Ah, então você quer alijar ‘os outros’ do processo democrático?”

Claro que não. Eu simplesmente proponho que nós deixemos eles se alijarem, como no Manifesto Segregalista. Vota quem quer. Se o infeliz quer assistir o jogo do Curintia ao invés de se informar, deixa ele fazer o que ele quiser no dia.

Se as pessoas têm uma opinião a respeito de algo, elas têm o direito de manifestá-la. O que é errado é tentar forçar um monte de gente que não tem opinião a opinar.

2) Voto Obrigatório.

Okey, vamos lá: Pensem: a quem beneficia obrigar um monte de gente que não tem condições/não quer se informar a votar ?

Resposta: Beneficia a quem consegue se eleger.

3) Olha que legal: Deputados e Senadores podem se abster de votar e nem comparecer às sessões.

Nós não.

§ 16 Responses to Mais um Post Sobre Política.

  • O Libertário says:

    Muito boa a alegoria dos macaquinhos na jaula.

    Like

  • Karina says:

    Ok, thanks. Queria conhecer suas razões, e cá vem minha opinião a reboque.

    Acho que reforçar a ideia de que a eleição de Tiriricas se deve à obrigatoriedade do voto é aliviar muito a barra do pessoal. Não estou discordando do que vc falou, tb acho que grande parte dessa gente que votou nele e em outros, justamente pela evidente falta de compromisso político, seria a turma que daria graças a deus por n ter que votar e nos pouparia de um resultado assim. Mas aí no meio tb há gente minimamente consciente, que acha que realmente deu um voto de protesto quando na verdade deu uma demonstração de inconsequência. Há muitos jovens que votaram e votariam no Tiririca mesmo sem a obrigação de.

    Para mim, em um primeiro momento a faculdade do voto não mudaria grande coisa. O resultado mais imediato seria o potencial afastamento dessas “anomalias”. De resto, não sei se a desobrigação do voto mudaria muito no que se refere à “limpeza” da política. A população menos esclarecida continuará à mercê das promessas e fará questão de ir lá votar; o pessoal que pensa “já que tenho que votar, vou tentar escolher um cara bom” vai se afastar; e o pessoal que realmente acredita no poder do voto vai se manter. Ficam praticamente elas por elas.

    O problema que enxergo não reside na obrigação do voto, o buraco é bem mais embaixo, está no descompromisso das pessoas de um modo geral. Pq o voto facultativo não vai necessariamente trazer candidatos melhores. Vai continuar dependendo de nós o apelo por eles.
    Quem não enxerga candidato bom não é obrigado a votar nos ruins. Isso acontece pq nossa política é imatura mesmo, pq falta educação à maior parte da população e consciência política a uma boa parcela da outra parte.

    Sabe uma coisa engraçada que venho identificando e que talvez seja sintomático? Os idosos que não têm obrigação de votar e votam mesmo assim são os mais humildes. Muita gente em quem observo algum senso crítico vai votar dizendo que não vê a hora de atingir os 70 anos. Muitos jovens reclamam da obrigação de votar pq preferiam estar na praia.

    Então tem muita coisa errada, e não é só a obrigatotiedade do voto. É preciso desenvolver um cultura diferente para que as pessoas realmente se insiram no processo político. A história não deveria ser escrita só por uns poucos esclarecidos, mas por muitos.

    Por isso tudo, acho que as pessoas instruídas que jogam seu voto no lixo por puro descontentamento com a obrigatoriedade do voto são duplamente irresponsáveis.

    Resumindo: sou a favor do voto facultativo pq sou a favor da liberdade de escolha de um modo geral. Meu argumento não vai muito além daí.
    É uma mudança desejável, mas não nos enganemos muito. Se só isso mudar, a noção de sociedade politicamente desenvolvida que a faculdade do voto traz não vai passar de ilusão.

    Like

    • Petite Poupée says:

      Ka, gostei do seu “buraco é bem mais embaixo” eu vou nele, alegoricamente, é claro! ^^

      Concordo que o voto facultativo não traga necessariamente candidatos melhores. E seu trecho “quem não enxerga candidato bom não é obrigado a votar nos ruins” foi perfeito!

      Eu trabalho com uma ideia muito simples: em sociedade, tudo é ato político. Inclusive abster-se.

      Sim, o voto é obrigatório, mas o eleitor pode não votar e justificar, certo? Vamos lá, pensa comigo, nessas eleições, foram 18% de abstenções, e se somarmos o expressivo 19% de votos na Marina e mais os nulos e brancos, deve beirar uns 40%?… Cara, sabe o que isso significa? Centenas de milhares de eleitores disseram não ao modelo proposto pelos dois maiores partidos interessados na cadeira de presidente do Brasil e que estão no segundo turno. Ah tá, nesse bolo tem de tudo, eu sei, eu sei, mas vamos ao fato emblemático: é muita raça de gente, né não?

      Digo isso por causa de um trechinho em q vc falou q nossa política é imatura, bem…não acho mesmo! Acho que ano a ano estamos provando que nossa democracia é forte e que voto é um instrumento sim, decisivo e fundamental nesse processo e que sabemos o que queremos e, ao contrário do que muitos pensam, não agimos como manada.

      Petite, e o Tirica? Putz! Eu não quero falar do Tirica (até porque tudo indica que a candidatura dele será cassada) Eu não quero falar do Bebeto. Eu não quero falar do Romário!

      Eu prefiro falar do STF e dessa indefinição sobre o clamor social da ficha limpa que não impugnou Maluf, Garotinho, Roriz e tantos outros! Isso me aborrece pakas! Deu empate entre os ministros? decide nos pênaltis, porra! Cadê aquele tal de voto de minerva? virou sabão em pó, cacete?

      Vc falou de uma coisa bonitinha Ka…o voto dos idosos. Eu li há pouco tempo que o número de eleitores que mais cresceu foi entre eles, cerca de 16%. Bem legal. Eu vi dois qd fui votar, subindo a rampa do CIEP, acompanhados dos netos, possivelmente. Bem legal mesmo. Eles não precisavam ir. Eles não precisavam enfrentar o frio. Eles não precisavam enfrentar a chuva. Mas eles foram! Não só porque olham pra frente…Eles foram porque olham pra trás! Saca?

      Beeeem legal, não acha?!

      Like

      • Karina says:

        Acho sim, Petite! muito. mas tb vejo que muitos idosos estão desiludidos, e justamente pelo que eles já viveram isso é um péssimo sinal. Se eles, que passaram por mais governos que qq um de nós, acham que a política não tem jeito, que estímulo terão os jovens?

        Olha só que curioso. Comentei com um senhor mesário a respeito da quantidade de idosos que ainda vai votar mesmo sem precisar, e o que ele me respondeu traduz um bocado essa falta de compromisso de muitas pessoas com o processo político: “é bom, né? para distrair.” Fiquei boba rsrsr daí falei: “ah, é para distrair?!” kkkkkkkkk
        Sem contar que para mais de um velhinho ele falou: “mas o senhor não precisa mais vir!” LOL Já viu que ele está na turma que conta os anos para chegar aos 70, né?

        Sobre as abstenções, é simples mas não tanto. Se vc entrar com requerimento de justificativa mas não for convincente na razão pela qual não pôde votar, eles não deferem o pedido e vc paga multa de qq jeito.

        Já sobre os brancos e nulos… não acho que essa quantidade toda signifique necessariamente amadurecimento político. Muita gente anula o voto por acomodação, Petite. É mais fácil dizer que não gosta sem sequer buscar conhecer do que ir atrás, entende? Peneirar candidatos exige trabalho. Conhecer mais do que superficialmente, mais do que aquela imagem que aparece na televisão, é trabalhoso.
        Eu ainda estou nesse processo de amadurecimento, mas acho que tomei noção disso em tempo de não fazer muitas burradas pela frente.

        Like

      • Stein says:

        Eu concordo com a Karina. Eu realmente duvido que o voto facultativo mude alguma coisa. Talvez aumento no número de cestas básicas distribuídas pelos coronéis nos currais eleitorais, só isso. O sistema cuida do sistema.

        Ninguém justifica voto por protesto. O cara justifica porque não transferiu o título de eleitor. A multa é R$ 3,50. Se o cara não vota e não justifica, na hora de renovar o passaporte, paga e multa e pronto. Acabou.

        Acho besteira falar que o voto ao Tiririca é voto de protesto. Nem chega a ser isso. É só um voto descompromissado, de quem nem sabe o que faz um deputado mesmo. Engraçado isso, não é o Tiririca que não sabe o que faz um deputado federal, é quem vota nele. E no fim das contas, um deputado federal no Brasil, no meio de 517 não faz nada mesmo. É tão diluído que não faz diferença.

        O sistema proporcional que limita a 70 o número de deputados de SP é tão desvirtuado que, para um deputado se eleger por SP precisa de 300.000 votos. Para se eleger por Roraima precisa de 30.000. Um eleitor de Roraima vale 100 vezes o eleitor de SP?

        Hoje eu perguntei para minha empregada em quem ela tinha votado. Ela já esqueceu. Faz 2 dias. Já era. Não tem compromisso. O brasileiro realmente tem memória curta.

        No fim das contas, melhor seria se quem votasse argumentasse seu voto. Mas quem pode julgar qual argumento é válido? Ninguém.

        E Petite, ainda bem que o voto de minerva do Min. do STF não foi usado. Se tivesse sido usado, a ficha limpa não seria aplicável a essa eleição. E digo mais, pela correta técnica jurídica, não deveria mesmo. Mas até ai, o STF caga e anda para achar uma justificativa para declarar a constitucionalidade dos impostos mais esdrúxulos, se vira nos 30. Ou tome o revés político.

        O problema do Brasil é que tá tudo invertido. O PSDB do Serra virou assistencialista. O PT defende autonomia do Banco Central. O executivo faz lei. O Judiciário é o Poder mais democrático do Estado. Nós vivemos uma verdadeira disputa entre o Executivo e o Legislativo e o Judiciário do outro.

        E o povo não tá nem ai. O povo menos educado vota porque o pastor mandou. O povo da classe média vota porque a Veja reacionária mandou. O voto facultativo não mudou os EUA, não vai mudar o Brasil.

        Democracia por democracia, na Grécia, o sistema proposto era o de sorteio. Talvez fosse o melhor.

        Like

      • Anarcoplayba says:

        Concordo com o Stein tbm, com a ressalva de que, embora o voto facultativo não fosse mudar nada, eu acho certo.

        “Ah, mas só ia servir pra aumentar a venda de votos”.

        É, tem razão. Ao invés de gastar com marketeiros, iam comprar cestas básicas.

        Fora que eu brinquei algum tempo atrás: deviam transformar a República em S.A. e vender ações. Vota quem compra ações (afinal, quem tem mais a perder tem mais a pensar).

        Piadas à parte, não sei se foi sua intenção, Stein, mas criticar o voto facultativo sob o argumento de que aumentaria a compra de votos me parece complicado: que se combata DE VERDADE a compra de votos…

        Esses dias eu li: O PT tem a maioria no Congresso, a maioria no STF e o Executivo. Imagina no que vai dar.

        Uma amiga minha uma vez disse no mestrado que o STF e o STJ são órgãos políticos, não jurídicos. Isso é verdade. Ele decide de acordo com os interesses do Estado.

        E nisso a gente entra de novo na discussão que estamos retomando reiteradamente, Stein: Gastos públicos. Concordo com vc que o Estado TEM que gastar. A questão é como, quanto ou onde.

        Enquanto não estruturar o equilíbrio financeiro do Estado (Previdência que funcione como previdência, não em esquema pirâmide), impostos pra saúde que financiem a saúde, etc, etc, etc, o STF vai continuar inventando desculpas pra cobrar imposto sobre imposto e tese “se vira nos 30”.

        Like

      • Petite Poupée says:

        Ka, é claro que há a turma dos idosos desiludidos. Eu não pensei neles. Eu me referi aos que viveram numa época na qual não podiam se manifestar politicamente e nem decidir porra nenhuma e q valorizam muito essa conquista. E o voto é isso: poder de decisão no jogo político. É dessa história q me referi. E o mais legal do voto é que até sua abstenção influencia no processo democrático. Os votos nulos e brancos, pelo menos nessa eleição, tiveram pouca influência, ao q me consta.

        Tem cara que vende voto? Tem. Mas é um contrato às cegas. Como o cara que compra pode ter certeza de que o outro fez diante da urna? Quem o traiu? Pra quem ele vai cobrar?

        ………………………………………………………

        Mas Stein, eu acabei de almoçar, tico e teco ficam mais lentos nessa hora do que nas demais, me explique melhor e devagarzinho, por favor: O STF ter ficado em cima do muro na aprovação da ficha limpa foi melhor por que mesmo? Pelo que sei ficou em aberto se vai valer para esse ano ou não. Vc sabe de algo além isso?

        Pra mim, prevaleceu a velha história nessa parada: quem teve grana pra recorrer ganhou fôlego(tempo) e não foi barrado pela lei. E poderá não ser.

        Like

      • Anarcoplayba says:

        Petite, ACHO que o Norton quis dizer que o voto do presidente (Voto de Minerva) seria anti-ficha limpa.

        Apenas pra trazer mais um tema interessante, olha só: o STF disse que vai esperar o novo ministro pra ele decidir.

        Então o novo ministro é quem vai escolher, ok.

        Mas o novo ministro quem vai indicar é o Lula.

        E depois o novo ministro vai ser sabatinado pelo congresso.

        Ou seja, a menos que o novo ministro seja um Dom Quixote que dê uma de “tô loko” e decida como bem entender depois de empossado, o Lula e o Congresso vão escolher alguém com uma opinião que lhes agrade.

        Like

      • Karina says:

        ah, Petite, mas meu sonho seria exatamente este: que todos os que vendem seus votos fossem mais espertos que os vendedores e votassem em outro! depois o político ludibriado ia chorar as pitangas.

        mas para nós é fácil. difícil é para o sujeito lá dos confins que acredita que o cara vai dar pão e água pq esse muitas vezes é o único meio de esperança dele. ou para o cara que vive sob o medo do traficante, que sabe que se o candidato dele não ganhar qq um dali vai entrar na mira.
        sem contar os espertalhões mesmo, que realmente querem que o sujeito vença contando que vão ter lá seus privilégios. há muitas formas de prostituir o voto.

        Like

      • Karina says:

        só para deixar claro:
        “espertalhões mesmo” dentre os quais pode figurar tb quem está sob cerco de traficantes ou o miserável. ou seja, não estou dizendo que para estes (ou quem mais for) a única razão de venda de voto seja necessidade ou medo. Estou dizendo é que há gente sobre quem não é justo aplicar a mesma severidade que deve ser atribuída aos espertalhões.

        Like

      • Stein says:

        Petite, o presidente do STF tem o poder de decidir 2 vezes em certos casos previstos no regimento. Ocorre que o presidente do STF votou pela inconstitucionalidade da aplicação da lei da ficha limpa para as eleições para esse ano. Se o voto dele contassem em dobro, estaria 6 a 5 e a ficha limpa não se aplicaria de imediato. O Roriz, Maluf e galera estariam limpos.

        Isso levanta mais uma questão jurídica ainda. A Constituição fala que a declaração de inconstitucionalidade exige o quórum de maioria absoluta dos membros. Maioria absoluta é mais da metade da composição completa, do universo votante. A composição do STF é de 11 min. Em tese, só se poderia declarar a inconstitucionalidade com o voto de 6 min. Mas o voto virtual conta? Essa eu juro que eu não sei.

        A decisão do STF foi a melhor para aquele momento. Todos sabiam que o placar estava empatado já tinha tempo. E todos sabiam que nenhum Min. muda o voto. Então, o STF decidiu pelo limbo. Se você, eleitor, quer votar em um ficha-suja, faça à sua conta e risco. E muitos (uns 500.000 para o Maluf, por exemplo) fizeram.

        A questão da sabatina é complicada mesmo. A escolha do próximo Min. vai estar muito compromissada com a questão. Mas eu não acho que isso vai ser tanto uma vantagem para o PT, mas com certeza vai ser uma vantagem para os Senadores (que até 2011, a maioria é oposição).

        Falar que o STF é órgão político é meia verdade. Enquanto o STF julgar causas relativas a direitos subjetivos individuais, nunca será um órgão político. A natureza dos orgãos políticos é que não tomem decisões ad hominem (em razão de um único individuo). A escolha da composição é política. O órgão não. Por isso se garante um mandato vitalício e garantias próprias. Mas isso é balela, até hoje o Gilmar Mendes só julga pró-PSDB e ninguém fala nada.

        Com relação à compra de votos, voto facultativo, e etc. Tinha um professor meu que falava que se o voto no Brasil fosse facultativo, ia faltar rio para tanta linha de pescar. É verdade. Por outro lado, isso me lembra as plenárias sindicais que o PT fazia se esticar para depois da 1 da manhã, até ter a maioria dos votantes. A militância petista é muito mais aguerrida que a militância PSDBista.

        Dessa discussão toda, o que me deixa mais triste é ver a Dilma mudar a posição dela sobre o aborto, só para se eleger. Eu sou pró-aborto. Sorte que isso é só uma manobra eleitoreira. Já dizia FHC, o Brasil não é um país conservador, é um país atrasado. E de acordo com o pastor da igreja evangélica, votar na Dilma é votar contra Deus e contra a vida.

        Like

      • Anarcoplayba says:

        E olha o texto sobre aborto saindo…

        Like

      • Petite Poupée says:

        Entendi tudinho Stein!

        Sobre o último parágrafo: eu aposto com vc o que vc quiser ;) q não foi a igreja evangélica que fez campanha contra Dilma. Foi a militância católica. Os evangélicos costumam apoiar quem é situação.

        Like

    • Anarcoplayba says:

      Grosso modo, concordo com tudo o que vc disse, Ká.

      Voto facultativo não vai RESOLVER, mas eu acredito que a dobradinha “alienação política + voto obrigatório” é mortal.

      No que tange aos votos iludidos (não é a palavra ideal, mas acho qeu serve bem pra ilustrar quem vota no Maluf, por exemplo), merecem respeito tbm.

      Olha, eu acho errado que tenha gente que se declare Malufista (por exemplo, poderíamos falar ainda do Quércia, do Maluf, do ACM, do Sarney, do Collor, do Genoíno, etc, etc, etc.) mas se essa é a “ideologia” deles, o fanatismo deles, beleza.

      É algo que tem que ser combatido, não “extirpado da política nacional” como disse nosso presidente a respeito do DEM.

      Eu parto do pressuposto que uma democracia tem alguns elementos para ser representativa:

      1) One man, one vote. As deturpações constitucionais de quociente eleitoral estão ERRADAS na minha opinião.

      2) Voto facultativo. Vota quem quer. Quem tem motivo para votar.

      E olha, sinceramente, alguém que vota em troca de uma cesta básica, pra mim, é tão errado quanto alguém que vota em certo partido porque ele “vai abrir mais concursos”, como um amigo meu disse.

      Like

      • Karina says:

        Então, Anarco, é por isso que eu sempre prefiro falar em consciência política. O sujeito pode votar em quem ele quiser, pode anular o voto, pode se abster, mas que faça isso conscientemente. Não pq é mais cômodo, não pq é mais fácil entrar no coro dos incomodados que não fazem nada para se acomodar.

        O Stein falou que as pessoas deveriam apontar as razões de seu voto. Ainda que isso não seja viável no ato do voto, é o que busco saber. Se alguém me diz que vai votar em fulano, quero saber os motivos. Assim fico conhecendo argumentos que podem influir na minha decisão tb. Se me mostram um argumento interessante, posso buscar conhecer, ver se aquilo procede, e por aí vai.
        O mesmo vale qd alguém me diz que não gosta de fulano ou que vai anular o voto.

        O problema é que muita gente não tem como argumentar a favor do seu candidato nem contra o outro e muito menos contra todos. Aí é que vejo o quanto falta da tal consciência política.

        Like

      • Anarcoplayba says:

        É, Ká… o problema é quando as pessoas têm uma opinião emocional e tentam dar a ela uma roupagem lógica.

        Sabe quando você vê isso? Quando você critica um candidato e a pessoa muda de assunto. Dou como exemplo uma conversa com uma amiga minha que é petista roxa:

        Anarco: “O Lula doou 25 milhões para a palestina.”
        Petista: “Ah, todo mundo faz acordos políticos por interesse!”

        Tipo, não é que é certo ou errado (existem inúmeros argumentos pró e contra) é que “os outros também fazem”.

        O fato é que existem infinitos argumentos pró e contra alguma coisa. Votar em alguém porque ele vai beneficiar a sua cidade é uma razão. Egoísta, mas uma razão.

        O problema é que a maior parte das pessoas têm vergonha de declarar as razões do próprio voto, ou muitas vezes nem sabe as verdadeiras razões do próprio voto.

        Aí você pega, por exemplo, um texto de um blog falando que “a eleição do Tiririca não é TÃO ruim assim, porque um deputado só não é nada, e ele levou mais três caras da coligação”. E de repente você vê que o autor do texto é petista e que o Tiririca tava na coligação do PT.

        Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading Mais um Post Sobre Política. at AnarcoBlog.

meta

%d bloggers like this: